“Em Portugal, crescer e ter lucros é uma coisa má. Há uma ideia de pequenez”

by try_again_tomorrow

30 comments
  1. Se as empresas tivessem realmente interessadas em crescimento então raramente retiravam dividendos, reinvestiam esses lucros. Um IRC alto (para grandes empresas) também é um motivador extra para o investimento.

  2. Crescer e ter lucros não é uma coisa má em Portugal nem em nenhum outro local no planeta.

    Já no que diz respeito às grandes empresas serem “encaradas como demónios” é importante realçar que a grande maioria delas é vista assim, imagine-se, pelos seus próprios funcionários.

  3. É quando os lucros são usados para pagar os BMWs dos patrões em vez de aumentar salários, que se torna uma coisa má.

  4. > Exatamente. Devíamos estar a discutir o salário médio e não o mínimo. Achamos que pagar 800 euros é uma coisa razoável? Claro que não é. Nós não temos nenhum trabalhador com o salário mínimo.

    > Os nossos trabalhadores ganham muito mais que isso. Se não ganhassem, não trabalhavam aqui.

    Basicamente dá para resumir a entrevista nisto, ela só não paga o salário mínimo porque não conseguira arranjar trabalhadores, caso contrário com certeza que iria pagar.

    Além disso não sei onde ela foi buscar a ideia de que as pessoas acham que os “lucros são maus”, tenho a certeza de qualquer pessoa (pelo menos a maioria) acha que é importante as empresas terem lucro. Como também acham que essas com lucros altos também invistam nos próprios trabalhadores e por consequência disso aumentem os salários e não porque “porque senão não conseguíamos atrair ninguém”.

  5. Isto resume Portugal. E a mentalidade da pequenez, por isso quem tem grandes ambições ou quer chegar alto vai ser muito difícil fazer lo em Portugal em comparação com outros países europeus (e não europeus).

  6. é 100% verdade e o estado é o pior de todos, ao criar centenas de impostos diferentes para as empresas pagarem.

    Não há incentivo por parte do estado em reduzir impostos a empresas que invistam mais na melhora, R&D ou até em melhores salários para os funcionários (que não os sócios/direção).

    Tudo isto demonstra como Portugal, politicamente, apenas pretende sacar o máximo ao dia de hoje mesmo que isso signifique que existirão perdas gigantes de competitividade e rendimento no futuro a médio prazo.

  7. Em questões de mentalidades, concordo (não abri o artigo) : lembro-me de na escola pública, miúdos a serem gozados porque tinham pais ricos (ricos quer-se dizer que tinham um Mercedes com 10 anos por exemplo) e chamarem -te rico era um insulto.

    Portanto sim, diria que existe um sentido de pequenez e que se devia ter orgulho em não ter um mínimo de maior segurança económica.

    Um sentimento que vem desde a escola.

  8. Ceo’s e afins a repetirem a ladainha do “crescer e ter lucros é mal visto” para tentarem justificar o seu comportamento.

    Ninguem tem problemas com o crescimento e os lucros, tem-se problema com o crescimento e os lucros apenas serem reflectidos numa area muito pequena e especifica das empresas.

  9. E de novo: quem diz? Em que contexto? Com que intuito? Por trás de que interesse e perspectiva?

    Não interessa. Nunca interessa.

  10. Posso corrigir?

    Em Portugal, crescer e ter lucros e pagar salarios minimos aos funcionarios é uma coisa má. Há uma ideia de ganancia no patronato portugues

  11. Claro que lucros são maus. Lucro é outro nome para o valor produzido pelo trabalhador e roubado pelos investidores.

  12. O problema em Portugal é que o SMN é tão baixo que os lucros é basicamente “às custas” de pagar pouco aos trabalhadores.

    Dando um exemplo pessoal, quando estava a trabalhar em Portugal numa empresa pequena o dono da empresa andava com um carrão (já não me lembro qual era mas lembro-me de pesquisar e custava para perto de 300 mil) tinha um casarão gigante e literalmente todos os anos que estava lá a empresa dava sempre mais lucro mas o “teto” dos salários era 1100 limpos e o SMN para todos os que não tivessem algum tipo de estudo. Agora estou numa empresa aqui na Espanha, o cenário é muito parecido, o dono da empresa tem dois ou três “carrões”, tem várias casas, a empresa dá bastante lucro mas os funcionários também andam a receber bastante bem.

    A diferença entre estes dois casos é que num pais tens empresas que lucram e funcionários que tem que fazer uma ginástica financeira gigante para pagar tudo até ao fim do mês e no outro tens empresas com lucros e funcionários a receber bem logo não existe esse tipo de mentalidade… A mentalidade portuguesa nestes assuntos é uma piada mas o mercado de trabalho português é uma piada ainda maior

  13. Se a festa tem apenas poucos convidados (os da cúpula), é uma festa sem graça.

    Uma empresa para ser bem vista precisa tratar todos bem. E os funcionários precisam sentir que foram convidados para a festa.

  14. Seria um problema de “pequenez” ou só pessoas colocando outras cosias a frente do lucro?

  15. Não há aí nenhum colaborador da BA glass escondido que possa elucidar como se sente a trabalhar para esta empresa?

  16. essa questão é bi-lateral.

    ​

    supondo que existem 2 lados. Ambos contribuem ativamente para esta mentalidade.

    escusam mentir uns aos outros e a vocês próprios.

    ​

    a forma como o português médio lida com a fortuna alheia e o sucesso é tudo menos positiva. Já é pouco quando é alguém próximo (amigos e família) quando mais em geral.

  17. Ainda ontem falávamos sobre lucros, e este ano que passou estava perto dos 600k lucro (25 trabalhadores, mais de 50% ordenado mínimo)

    Zero aumentos, prémios ou compensações, mas veio uma máquina nova para o patrão xD.

  18. Isto é mentira e uma mentira óbvia e fácil de ser desconstruída. Alguma vez alguém criticou, por exemplo, o Rui Nabeiro pelos lucros e sucesso da Delta?

  19. Alguém lhe envie um cassingle do “Pobres dos Ricos” da Floribella, que ela está a precisar.

  20. o lucro era mto menos mal visto se pelo menos uma parte fosse dividida por todos os envolvidos…

  21. Ninguém em Portugal acha isso. Nem sequer o pessoal de esquerda, e digo isto enquanto alguém que é bastante de esquerda.

    O crescimento e o lucro quando é sustentado e com respeito e dignidade por todos – trabalhadores e as famílias dos mesmos, a população local, o ambiente em redor, etc., então tudo bem. O problema é que isso raramente acontece.

  22. Confirmo, tripliquei lucros no espaço de 1 ano de uma empresa pequena-média e nos nossos estudos/ questionários que mandamos, a % de pessoas que ve nos ve com imagem positiva descresceu quase 50% lol. E fazemos 80% de B2B

  23. Acho que ninguem tem problemas com o crescer e ter lucros desde que parte desses lucros sirvam para pagar todo o sistema e infra-estrutura que possibilita esses mesmos lucros para além de retribuir justamente todos aqueles que trabalharam para eles.

    O que não é o caso. Se alguém têm dúvidas, basta consultar qualquer estatística de IRC e ver os esquemas de fuga e evitação fiscal tão queridos de qualquer empresário tugão. Já para não falar nos salários miseráveis.

  24. Uau, o eco a culpabilizar os que menos culpa têm pelo fracasso do patronato português.

  25. Jasus sempre prontos a chorar

    E com tantos números na conta se vivessem a vida dos trabalhadores deles já tinham feito uma purga

  26. Não gostamos de vigaristas nem de ladroes. Não é difícil de entender.

  27. As empresas grandes não são encaradas como demónios. As empresas que exploram sistemicamente os trabalhadores, amiúde com salários precários e condições miseráveis comparativamente com o resto da Europa, é que não são bem vistas.

    Como disse o borges2666 nesta thread, não vi ninguém a criticar o Rui Nabeiro aquando o seu recente falecimento. Muito pelo contrário, todos os partidos com assento parlamentar, desde o Bloco de Esquerda ao Chega, aprovaram um voto de pesar.

    É lamentável que esta vitimização bacoca dos patrões e dos CEO’s seja habitual em Portugal.

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