“Em entrevista à Rádio Observador, e numa altura em que se agudiza a saída de médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), o diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (a maior do país) defende que deve existir um período de cinco anos de permanência obrigatória dos médicos recém-especialistas no SNS. Uma medida que, defende o médico reumatologista, seria também benéfica para os próprios médicos. João Eurico Fonseca defende também a generalização dos centros académicos, de modo a dar aos médicos mais condições para fazer investigação e formação ao longo da carreira, aspetos essenciais para reter os profissionais no SNS, numa altura em que, sublinha, domina “o desencanto” das novas gerações pelo sistema publico de saúde. Quanto à recorrente discussão sobre o aumento das vagas nas escolas médicas, o diretor da FMUL mostra-se favorável à ideia — até porque diz, “Portugal vai precisar de mais médicos do que os que está atualmente a treinar”). Esse alargamento, defende, teria de estar integrado numa lógica de abertura das faculdades a alunos estrangeiros, que poderiam aumentar as verbas das faculdades, permitindo a contratação de mais docentes e o investimento nas infraestruturas.”

Médicos a fugir a sete pés. Como é que resolvemos a situação do SNS ? Obrigamo-los a ficar. Porque não os engenheiros, advogados, psicólogos etc? Não há falta de professores também ?

Gosta de se atirar que o curso de medicina é muito mais caro que os outros cursos, mas nunca houve contas disso. A generalidade dos assistentes não são pagos sequer e há pouco trabalho de laboratório, mesmo nos anos de ciência básica.

O preço de mercado do curso é caro, porque há procura grande. Também se gosta de se fazer a comparação com preço da Medical School nos EUA, não percebendo que o potencial de um médico americano não tem comparação alguma.

De facto há uns mais iguais que outros. Quando já não houver SNS, aí não já acha tanta graça.

by ThePhilosopherDoctor

27 comments
  1. Criar condições para nem sequer pensarem em sair? NÃOOOOOOOOO

    Trabalhos forçados? SIMMMMMMMMM

    Não há como não amar esta gente…. fodasse.

  2. Ser tratado por médicos obrigados a estar onde estão deve ser espetacular… Para não falar das horas extraordinárias…

  3. Se vez em quando lá aparece um (e nos comentários das notícias em redes sociais, aparecem muitos mais) a mandar postas de pescada destas. E pensarem antes se seria sequer constitucional discriminar pessoas assim? Logo à partida, sem sequer entrar pelo facto de que são condições de merda, não as resolvem e depois querem trabalho à força.

  4. Já estou a ver….

    Hospital Santa Maria passa a chamar-se Campo de Concentração Médica de Santa Maria

    O Hospital de São José passa a Gulac médico de São José

    Hospital da Amadora , passa a Mitra da Amadora

  5. Se eu deixar de trabalhar para ir concluir medicina, os meus pais contribuem com dezenas de milhares de euros em impostos por ano, ainda tenho que pagar com servidão por cima disso?

    Vão devolver os impostos que os meus pais pagam nesse caso? Pensei que os impostos seriam para pagar estes serviços. Caso contrário não são impostos, são é tributos, e sic semper tyrannis.

  6. Muitos dos médicos que trabalham no SNS ainda o fazem precisamente porque não são obrigados. Se me obrigassem a estar 5 sacos num sítio onde eu não queria, não pudesse punha-me ao fresco. O que esse “Doutor” esquece é que nem todos ganham o que ele ganha.

  7. Os pilotos na força aérea já não têm este sistema ?
    Pq o curso é pago pelo estado e depois vão todos para o privado ?Não percebo o stress, há pessoas que só se queixam por queixar mesmo.

  8. Uma boa ideia. Forma fácil de garantir que passado 5 anos nunca mais tens essa pessoa a trabalhar no SNS. 

  9. Até já têm mais. Chama-se internato médico.

    E se acham isso boa ideia então este camelo que vá ver o número que médicos que decidiram não escolher especialidade.

    Edit: também se deve ter em consideração que um especialista na melhor da hipóteses tem por volta de 30 anos. Mais 5 anos em cima disso significa só decide a vida a partir dls 35 anos…

  10. Estou no 3.º ano do internato de formação específica. Ri-me. Depois da escravidão que é o internato, ainda seríamos obrigados a ficar vinculados obrigatoriamente por mais cinco anos ao serviço nacional de saúde, sujeitos a condições de trabalho cada vez mais degradantes para não falar de um vencimento mensal base absolutamente ridículo. Cada vez há mais médicos a sair, sem contratações, o trabalho sobra para quem fica. Ou seja, trabalhos mais, com menos condições, com mais pressão, mas… recebemos o mesmo.

    Não li a entrevista toda, mas parece alguém que está um pouco desfasado da realidade. Atualmente e, tendo em conta o avanço que os privados vão tendo, cavando cada vez mais o fosso entre serviço de saúde privado e serviço nacional de saúde, não é possível prever um futuro risonho ao SNS. Com certeza não será com obrigatoriedade de vinculação ao mesmo.

    Muito pouca gente entende que por haver cada vez menos recursos e pessoas no SNS, o estado vê se obrigado a pagar aos privados para prestação de serviços. Poucas pessoas também não entendem que a diminuição dos tempos de espera só se resolve com internos de formação específica (mais velhos) e especialista que fiquem no SNS. E, a questão é que para se formarem médicos no SNS, ou seja, especialista, é necessário garantir condições de trabalho, mas também outros especialistas mais velhos que queiram formar e tutorar novos médicos. Com todo o desinvestimento que se tem vindo a observar, estamos na rota inversa. Não importa ter mais alunos, isso importa zero, se não houver capacidade formativa na especialidade.

  11. Viva a liberdade. É com cada maluco.

    Todos deveríamos ser iguais perante a lei. Por esta ordem de ideias, e se o estado gasta dinheiro em todos os cursos superiores deveríamos obrigar todos os funcionários a trabalhar num serviço público da sua área logo após terminada a universidade.

    O estado teria de ser dono de todos os meios de produção claro.

    Era o sonho de muita boa gente.

  12. Adoro a narrativa que ultimamente anda a passar de que o internato é um mero estágio educativo e nada intenso.

    Haja noção.

  13. Isto faz lembrar duas coisas:

    1. Quando alguém te pede um conselho e tu dás mesmo não percebendo nada do assunto.

    2. aquelas empresas que pagavam cursos mas tinha que se lá ficar 2 anos ou o empregado pagava os cursos. 

  14. Em vez de serviço militar obrigatório, 2 anos de trabalho no estado obrigatório. Para todos os cursos superiores claro, mas por mim alinhava

  15. Completamente alucinado, que se lixe a liberdade do médico.
    “Tudo pelo estado, nada fora do estado”

  16. Escravos portanto? Porque não 10 anos? 5 parece um número não muito redondo 🤔

  17. o que eu leio é “vamos dar aos médicos 5 anos de experiência, não precisamos de investir em condições e depois podemos ignorar o facto da maioria sair logo do publico”

  18. Podia ter sugerido a criação de mais faculdades de medicina privadas ou públicas e a possibilidade das especialidades poderem ser feitas no privado, para ninguém ficar sem lugar.
    Mas vamos por algo meio estranho, os médicos não querem resolver o problema, querem manter a corporação a funcionar.

  19. Já existe, chama-se internato, e são no mínimo 5 anos, e no máximo 7 (sem reprovações).

  20. Não vejo problema quando for igual para todos os alunos formados em Portugal: engenheiros, advogados, jornalistas, etc. Não cabe na cabeça de ninguém discriminar alguém pela profissão que escolheu.

  21. Isto é comum fazer-se nos países onde haja carência daquele tipo de profissão, alimento, medicamento, etc…

  22. Que forma eficaz de manter o talento.
    “Obrigar” a ficarem.
    Escravidão forçada pelo estado.
    Podem ter a certeza que não haverá medicinas a ficar em Portugal se isto for para a frente.

  23. Portugal é um país cheio de autoritários disfarçados de democratas fds

  24. Este não é o mesmo merdas do “aumentar as propinas porque depois eles bazam de tugal”?

  25. Hear me out:

    Mandar os médicos portugueses trabalhar fora é receber metade do salário deles, ou mais.

    Com esse dinheiro contratar os médicos a Cuba.

    Quadruplicamos o numero de médicos.

  26. Se for para todos, concordo com o conceito. Tinha que ser “mais estudado” mas concordo. Se for só para os médicos, não. Agora.. **Temos que falar é das condições e meios e salários que lhes iriam dar.** Porque como a merda está, não há realmente um SNS para os meter 5 anos, Sr. Eurico.

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