
Estive a ver este programa e recomendo-vos ver. Foi uma discussão inteligente, com 4 jovens que tiveram quase todo o protagonismo, e algumas estatísticas interessantes sobre intenções de voto, emigração jovem, escolarização, e aquilo que queria destacar: participação e representação partidária e parlamentar por parte dos jovens, envelhecimento da classe política, e falta de voz para os problemas dos jovens em geral (habitação, transições climáticas, etc). Muitas críticas às discussões programáticas que são sempre em torno de segurança social, pensões e impostos que não abordam os nossos problemas pelo ângulo certo.
Ouvi pela primeira vez o conceito de Liberalismo Social, que me chamou à atenção, e vi muitos paralelos com algumas discussões inteligentes que acontecem também aqui no Reddit (sim, também as há).
Destaco uma frase de uma das convidadas mais… velhas, em que diz algo como: a representação partidária está obviamente relacionada com as medidas tomadas. Se a grande maioria da classe política, e a grande maioria dos votantes activos tem 40+ anos, então as posições dos governos e dos partidos estão mais orientadas para esse eleitorado.
A minha opinião pessoal é: as juventudes partidárias deveriam ser mais importantes, e mais populosas, não apenas uma plataforma ou rampa de lançamento para o carreirista político. Não cheguei a fazer parte de nenhuma (e ainda bem), mas algo aqui deveria mudar, para se dar mais voz ao segmento da população mais importante do futuro.
Gostaria de saber a vossa opinião sobre o tema, antes e/ou depois de verem o programa.
by lfsmen1
9 comments
Esse episódio passou em que dia?
É algo paralelo, mas que me enerva profundamente.
Da descrição do podcast:
“Miguel Herdade, 32 anos, especialista em educação e integração social, já deu aulas em Portugal, na Nova SBE, atualmente está na direção de uma escola em Londres, ”
Esse homem tem licenciatura e mestrado em economia. Não tem formação em educação, nem o título de especialista (é um título académico que existe e pode ser pedido) em educação.
Caracterizar esta pessoa como “especialista em educação” é inqualificável.
Há uns meses ouvi um podcast (já não me consigo lembrar de qual… ouço tantos..ahah) sobre um especialista em ciencia politica holandes a falar precisamente sobre o mesmo assunto: a relação da politica com os mais jovens no mundo ocidental.
Queria ver se o encontrava mas já nao me recordo mesmo… 🙁
Connosco temos os mesmos 4 jovens de sempre, que aparecem em todo o lado, para nos falar das razões pelas quais devemos ter interesse em mais personalidades do twitter
Também me revejo no liberalismo social. O único partido que está nessa área em Portugal é o Volt. É pena que não estejam no parlamento…
Talvez a melhor forma de esbater as diferenças entre velhos e novos seja mesmo apostar no desenvolvimento de tecnologias e medicamentos que permitam retardar e reverter os efeitos do envelhecimento.
Parece fantasioso mas acredito que se possa chegar lá rapidamente se houver um compromisso publico (e o devido investimento público) por parte dos governos para atingir esses objectivos.
A meu ver as Juventudes partidárias não representam os jovens de todo. É apenas uma creche para ensinar como manter o status quo e como enriquecer com a política (que é inevitavelmente através de corrupção).
Já se as ditas juventudes participassem em pé de igualdade com os partidos estabelecidos seria diferente… mas assim não conta como representação.
Dito isto, quantos jovens em percentagem há? E quantos votam mesmo?
> A minha opinião pessoal é: as juventudes partidárias deveriam ser mais importantes, e mais populosas, não apenas uma plataforma ou rampa de lançamento para o carreirista político. Não cheguei a fazer parte de nenhuma (e ainda bem), mas algo aqui deveria mudar, para se dar mais voz ao segmento da população mais importante do futuro.
Não totalmente discordo, mas acho que seria igualmente importante uma disciplina de politica no secundário, de forma a navegar criticamente as diversas ideologias politicas existentes, caso contrário é só mandar mais carne para o canhão e continuamos com o clubismo politico atual.
Para ser justo eu sei que existe uma disciplina de cidadania que toda em aspectos politicos, mas já foi depois do meu tempo e não sei até que ponto é que explora assim tão holisticamente o assunto.
Também não sou contra reduzir a idade de voto de forma a integrar activamente os jovens mais cedo no contexto politico.
>as juventudes partidárias deveriam ser mais importantes, e mais populosas, não apenas uma plataforma ou rampa de lançamento para o carreirista político. Não cheguei a fazer parte de nenhuma (e ainda bem), mas algo aqui deveria mudar, para se dar mais voz ao segmento da população mais importante do futuro.
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Política é das coisas mais complexas que existem. Não há fórmula para a gestão correcta de um país. Todos falham, de uma forma ou de outra. Com bastante inteligencia, muita leitura, alguma experiência e algum controlo emocional talvez consigas formular uma opinião política minimamente equilibrada. Não vejo a esmagadora maioria dos jovens a ter estas características.
Não é que os mais velhos tenham. Mas o que noto ser mais comum em alguém com mais de 35 anos, que raramente encontro em jovens, é aquela percepção realista da vida, que os leva a não acreditar no pai natal. Aquele calejamento que te faz saber que tens de sair todas as manhãs para trabalhar e meter comida na boca do teu filho, e que se não o fizeres, mais ninguém o fará por ti.
Os mais velhos também são ignorantes, mas ter já algumas décadas de lidar com os desafios da vida ano após ano assenta-te os pés na terra. Sempre que vejo jovens a manifestarem-se parece que acabaram de snifar uma linha de coca. Nada do que dizem faz sentido.
Outro problema da juventude é a impaciencia. Também são muito precipitados. E parecem ter muita sede de validação. Querem marcar presença. Estabelecer-se. Mostrar serviço. Sentir que são alguém. É compreensível. Ainda se estão a tentar encontrar. Mas isto por vezes sobrepõe-se ao processo de tomar decisões sensatas.
Se eu quiser muito, muito ser ganda revolucionário e aliviar de dentro de mim a raiva que tenho do Ventura porque gozou com o batom de uma mulher, e sentir que isso me dá muitos aplausos, se calhar vou perseguir o ódio irracional em vez de me focar em ser um cidadão equilibrado que sabe avaliar as situações de uma perspetiva dotada de nuance.
Eu já falei com jovens envolvidos em política e preocupam-me seriamente. Mais do que os que não estão envolvidos. Não deu para falar sequer. Toda a conversa resumiu-se a isto:
Jovem: VOTAS NO Y? COMO É Q CONSEGUES VOTAR NISSO?!!! NÃO VÊS O QUE ELES FAZEM?
Eu: * tentar explicar calmamente porque voto *
Jovem: VOTAS NESSE??????? DEVES TER NEGOCIOS LÁ COM OS AMIGUINHOS DELE!!! É PRECISO SER MUITO SEM NOÇÃO PARA VOTAR NO FULANO TAL!!!
Eu: * Tentar explicar calmamente porque voto *
Jovem: *Envia uma carrada de links de reportagens negativas feitas sobre o partido* <— É NISTO QUE VOTAS!! NÃO VALE A PENA FALAR MAIS COM ALGUÉM QUE VOTA EM Y!!
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Isto já me aconteceu muitas vezes. São interações em que é impossível dialogar. Nota-se que a pessoa fica mesmo muito exaltada.
Lembro-me de uma que passou horas a bombardear-me com tudo de negativo que conseguiu encontrar na net sobre o Chega. Se o primo do Ventura vendeu um café e não passou fatura, ela envia o link. Se o Ventura um dia apertou a mão de um gajo que roubou uma laranja, ela envia.
Quando lhe respondo com os podres históricos todos do querido partido dela, não estava a par de nada. Chegou a perguntar “ONDE É Q ISSO ACONTECEU????”, e eu enviava-lhe o link. Ela ignorava e continuava a enviar-me links contra quem apoio.
Mais uma vez, isto não é um caso isolado. É a norma. Não consigo ter uma conversa. E vê-se muito disso por aqui também. Aquela atitude de “A MINHA OPINIÃO É UMA VERDADE IRREFUTÁVEL E TU ÉS UM MONTE DE MERDA POR DISCORDARES!!!”
A parte do “monte de merda” é algo que chegam mesmo a chamar, ou algo semelhante. Já notei que o pessoal do espetro político oposto gosta muito de apelidar as pessoas de “merda”, “lixo”, “nojo”. Existe muito a cena da desumanização. Mas mais entre jovens. Como se umas quantas opiniões diferentes das tuas fizessem de mim um verme sem valor nenhum.
O que tem mais piada é que um comunista e um fascista conseguem ser melhores amigos se nunca falarem em política. Há mais que aproxima as pessoas do que as separa. É muito fácil para mim ter coisas em comum com vocês. Se calhar gostamos dos mesmos filmes e dos mesmos jogos. Se calhar temos opiniões parecidas em relação a quase tudo. Mas mal ficas a saber que voto no Chega, pronto, acabou. Sou o hitler e meto-te nojo. Estás quase a vomitar. Até desmaias.