Aos mods: Peço desculpa por ter apagado e voltado a submeter mas houve um pequeno erro que tive de corrigir.
Nota: Assumi que o método de Hondt era usado neste círculo eleitoral nacional na mesma, até porque o método de Hondt está na Constituição. Outros métodos terão resultados diferentes e possivelmente mais justos. Não é possível distinguir entre o PCP e o PEV nem entre o PSD e o CDS em 2015 pois não sabemos como seriam as distribuições de deputados neste cenário. Se 1995 não estiver visivel na preview do reddit está no imgur, peço desculpa pelo incomodo.
O que defendem os partidos:
– PS, BE, CDU: não encontrei menções recentes ao assunto e são os únicos que não têm nada nos programas para 2022. Tendo em conta o impacto que teria na sua representação, podemos presumir que o PS seria contra e o BE e a CDU seriam favoráveis.
– PSD: defende a criação de vários círculos eleitorais com no máximo 9 deputados. Os atuais círculos eleitorais com poucos deputados já elegem poucos partidos, e acho que isto só agravaria a situação. Neste momento, só é possível entrar no parlamento por Lisboa, com esta alteração seria ainda mais difícil partidos pequenos elegerem. Ele mencionam no programa que querem ajudar os partidos pequenos e já mencionaram no passado um círculo de compensação nacional de 34 deputados, portanto é possível que sejam favoraveis.
– Chega, IL, PAN, CDS, Livre: defendem a criação de um círculo nacional de compensação. Este círculo teriam como objetivo acertar o número total de deputados de cada partido para corresponder ao que os partidos iriam eleger se só houvesse um círculo eleitoral. Além disso, o CDS e a IL defendem círculos eleitorais com apenas 1 deputado (isto pode tornar o círculo nacional de compensação insuficiente, como a própria IL mostra no seu programa). O PAN defende uma redução de número de círculos eleitorais e o uso do método de Sainte-Lague em vez do método de Hondt (esta alteração de métodos beneficiaria partidos pequenos). O Chega defende a redução do número de deputados como todos sabem (redução esta que sem o acabar com os círculos eleitorais seria péssima para o interior, alguns passariam a ter apenas 1 deputado a representar 35% da população).
Se me tiver enganado em algum lado ou tiverem informação adicional que eu não tenho, por favor digam!
~~Se houvesse apenas um círculo nacional passavas a ter campanha exclusivamente em Lisboa e no Porto, já que esses locais te iam garantir os votos que precisas. Se já assim muito do restante país é esquecido até às eleições, imagina se não tivesses círculos eleitorais..~~
O que devia ser feito era acabar com os círculos eleitorais e a eleição de deputados passava a ser por aritmética. Um partido teve 50% dos votos, tinha 50% dos lugares disponíveis.
A fórmula de cálculo actual so beneficia os PS e o PSD, com o chamado voto útil! É uma perda de tempo votar em partidos pequenos nas santas terrinhas do nosso Portugal.
Eu voto num círculo eleitoral com 2 deputados. Voto num partido que não é um dos dois grandes. A probabilidade de eleger o meu representante é ínfima. O meu voto só vai servir para ver.
Eu sou da opinião que cada círculo devia apenas nomear um deputado, escolhido com voto preferêncial. Como se faz nas eleições para a assembleia da Irlanda do norte ou Escócia
Por um lado faz sentido existir os circulos eleitorais porque evitam que o parlamento fique uma amalgama gigante e pouco produtiva, por outro a falta de representatividade dos circulos eleitorais é de facto um problema. Eu julgo que a melhor opção seria acabar com os circulos eleitorais, mas colocar uma % mínima para que um partido pudesse entrar na assembleia, julgo que na Alemanha utilizam este método, sendo o limite 5% (corrijam-me se estiver errado)
Excelente post. Por acaso tinha curiosidade em saber qual a prevalência do voto útil dentro de cada distrito.
Andámos a ser privados de ter o Arnaldo Matos na Assembleia da República. Um escândalo!
O circulo eleitoral ´único parece dar mais lugares a partidos pequenos, o que é muito melhor para a democracia.
É um dos principais motivos para em mais de 30 anos de vida eu nunca ter votado.
Para quê votar num partido que não tem qualquer hipótese de eleger um deputado no meu círculo eleitoral?
Recuso-me a votar PS ou PSD.
Votar em branco é ainda mais inútil que um voto não útil.
Um círculo eleitoral único promoveria uma subrepresentação regional, o que logicamente é um problema.
O “normal” era querermos isto:
– cada partido tem uma percentagem de deputados à AR o mais próxima possível da percentagem de votos que teve a nível nacional.
– cada região tem uma percentagem de deputados à AR o mais próxima possível da sua percentagem de eleitores no universo nacional.
Num mundo ideal ainda devíamos conseguir abrir a porta a candidaturas individuais independentes
Não sei, matematicamente, como resolver este problema.
Talvez com uma AR com duas câmaras, uma a eleger representantes regionais FPTP e outra a eleger para proporção nacional.
Ou então um sistema de repescagem das listas regionais que garantisse os dois pontos acima, repescando das listas que mais perto tivessem ficado de eleger o integrante seguinte, mas sem super-representação.
Uma das coisas que me irrita no método d’hondt é ser uma tentativa de resolver o pseudo-problema de “e se tivéssemos um número diferente de representantes” e acabar a representar pessimamente os eleitores…
“2005 – Governo: Sócrates não teria maioria absoluta…”
Já ouviram falar, não sei como se chama, mas tens direito a 1 voto com várias preferências, gostas deste candidato em 1 lugar, outro 2, e por aí em diante, no link explica tudo era bom que para tentar https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Voto_preferencial
Se houvesse não aplicavas a mesma regra….
Há uns anos fiz um simulador, podem usar [aqui](https://labs.tretas.org/hc/). Permite testar a hipótese do OP ou então criar um circulo nacional de N deputados (onde seriam acumulados os votos que “sobrassem” dos círculos existentes). Permite tb mudar o número de deputados (circulou há uns anos a ideia de diminuir o número de deputados).
A ver se actualizo isto depois destas eleições.
O que é um circulo eleitoral, e em que difere do sistema atual?
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Aos mods: Peço desculpa por ter apagado e voltado a submeter mas houve um pequeno erro que tive de corrigir.
Nota: Assumi que o método de Hondt era usado neste círculo eleitoral nacional na mesma, até porque o método de Hondt está na Constituição. Outros métodos terão resultados diferentes e possivelmente mais justos. Não é possível distinguir entre o PCP e o PEV nem entre o PSD e o CDS em 2015 pois não sabemos como seriam as distribuições de deputados neste cenário. Se 1995 não estiver visivel na preview do reddit está no imgur, peço desculpa pelo incomodo.
O que defendem os partidos:
– PS, BE, CDU: não encontrei menções recentes ao assunto e são os únicos que não têm nada nos programas para 2022. Tendo em conta o impacto que teria na sua representação, podemos presumir que o PS seria contra e o BE e a CDU seriam favoráveis.
– PSD: defende a criação de vários círculos eleitorais com no máximo 9 deputados. Os atuais círculos eleitorais com poucos deputados já elegem poucos partidos, e acho que isto só agravaria a situação. Neste momento, só é possível entrar no parlamento por Lisboa, com esta alteração seria ainda mais difícil partidos pequenos elegerem. Ele mencionam no programa que querem ajudar os partidos pequenos e já mencionaram no passado um círculo de compensação nacional de 34 deputados, portanto é possível que sejam favoraveis.
– Chega, IL, PAN, CDS, Livre: defendem a criação de um círculo nacional de compensação. Este círculo teriam como objetivo acertar o número total de deputados de cada partido para corresponder ao que os partidos iriam eleger se só houvesse um círculo eleitoral. Além disso, o CDS e a IL defendem círculos eleitorais com apenas 1 deputado (isto pode tornar o círculo nacional de compensação insuficiente, como a própria IL mostra no seu programa). O PAN defende uma redução de número de círculos eleitorais e o uso do método de Sainte-Lague em vez do método de Hondt (esta alteração de métodos beneficiaria partidos pequenos). O Chega defende a redução do número de deputados como todos sabem (redução esta que sem o acabar com os círculos eleitorais seria péssima para o interior, alguns passariam a ter apenas 1 deputado a representar 35% da população).
Se me tiver enganado em algum lado ou tiverem informação adicional que eu não tenho, por favor digam!
~~Se houvesse apenas um círculo nacional passavas a ter campanha exclusivamente em Lisboa e no Porto, já que esses locais te iam garantir os votos que precisas. Se já assim muito do restante país é esquecido até às eleições, imagina se não tivesses círculos eleitorais..~~
O que devia ser feito era acabar com os círculos eleitorais e a eleição de deputados passava a ser por aritmética. Um partido teve 50% dos votos, tinha 50% dos lugares disponíveis.
A fórmula de cálculo actual so beneficia os PS e o PSD, com o chamado voto útil! É uma perda de tempo votar em partidos pequenos nas santas terrinhas do nosso Portugal.
Eu voto num círculo eleitoral com 2 deputados. Voto num partido que não é um dos dois grandes. A probabilidade de eleger o meu representante é ínfima. O meu voto só vai servir para ver.
Eu sou da opinião que cada círculo devia apenas nomear um deputado, escolhido com voto preferêncial. Como se faz nas eleições para a assembleia da Irlanda do norte ou Escócia
Por um lado faz sentido existir os circulos eleitorais porque evitam que o parlamento fique uma amalgama gigante e pouco produtiva, por outro a falta de representatividade dos circulos eleitorais é de facto um problema. Eu julgo que a melhor opção seria acabar com os circulos eleitorais, mas colocar uma % mínima para que um partido pudesse entrar na assembleia, julgo que na Alemanha utilizam este método, sendo o limite 5% (corrijam-me se estiver errado)
Excelente post. Por acaso tinha curiosidade em saber qual a prevalência do voto útil dentro de cada distrito.
Andámos a ser privados de ter o Arnaldo Matos na Assembleia da República. Um escândalo!
O circulo eleitoral ´único parece dar mais lugares a partidos pequenos, o que é muito melhor para a democracia.
É um dos principais motivos para em mais de 30 anos de vida eu nunca ter votado.
Para quê votar num partido que não tem qualquer hipótese de eleger um deputado no meu círculo eleitoral?
Recuso-me a votar PS ou PSD.
Votar em branco é ainda mais inútil que um voto não útil.
Um círculo eleitoral único promoveria uma subrepresentação regional, o que logicamente é um problema.
O “normal” era querermos isto:
– cada partido tem uma percentagem de deputados à AR o mais próxima possível da percentagem de votos que teve a nível nacional.
– cada região tem uma percentagem de deputados à AR o mais próxima possível da sua percentagem de eleitores no universo nacional.
Num mundo ideal ainda devíamos conseguir abrir a porta a candidaturas individuais independentes
Não sei, matematicamente, como resolver este problema.
Talvez com uma AR com duas câmaras, uma a eleger representantes regionais FPTP e outra a eleger para proporção nacional.
Ou então um sistema de repescagem das listas regionais que garantisse os dois pontos acima, repescando das listas que mais perto tivessem ficado de eleger o integrante seguinte, mas sem super-representação.
Uma das coisas que me irrita no método d’hondt é ser uma tentativa de resolver o pseudo-problema de “e se tivéssemos um número diferente de representantes” e acabar a representar pessimamente os eleitores…
“2005 – Governo: Sócrates não teria maioria absoluta…”
Já ouviram falar, não sei como se chama, mas tens direito a 1 voto com várias preferências, gostas deste candidato em 1 lugar, outro 2, e por aí em diante, no link explica tudo era bom que para tentar https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Voto_preferencial
Se houvesse não aplicavas a mesma regra….
Há uns anos fiz um simulador, podem usar [aqui](https://labs.tretas.org/hc/). Permite testar a hipótese do OP ou então criar um circulo nacional de N deputados (onde seriam acumulados os votos que “sobrassem” dos círculos existentes). Permite tb mudar o número de deputados (circulou há uns anos a ideia de diminuir o número de deputados).
A ver se actualizo isto depois destas eleições.
O que é um circulo eleitoral, e em que difere do sistema atual?