Um sistema com base nas regiões era bastante melhor que um sistema proporcional.
Esta deriva de so interessar o cabeça de lista nacional é uma treta.
Temos 230 deputados e conhecemos 8 ou 9
Nas últimas legislativas fiz dois posts sobre o assunto e achei que estava na altura de fazer um novo post sobre o assunto.
# Detalhes:
Imagens feitas utilizando o método de Hondt com um único círculo nacional com o número total de votos de cada partido/coligação, de 1975 a 2022. Algumas imagens foram feitas há dois anos daí a inconsistencia nas cores.
Foi assumido que o número de votos em cada partido não mudaria, o que na prática não seria o que aconteceria mas é impossível prever de forma 100% correta quão diferente seria. Podem dar mais alguns lugares aos partidos pequenos e menos ao PS e PSD e em algumas eleições houve partidos perto de eleger o 1º deputado, pelo que se houvesse menos voto útil e mais votos nestes, estes teriam possivelmente eleito algum deputado, enquanto que outros se calhar teriam menos votos de protesto.
O nosso atual sistema eleitoral beneficia o PS e o PSD, prejudicando todos os outros partidos, com apenas 3 excepções: Em Macau para a Assembleia Constituinte em 1975, onde se elegeu um deputado com uma reduzida quantidade de votos, e o PCP em 1976 e a CDU em 1987, que tiveram o mesmo número de deputados que teriam com círculo eleitoral nacional.
O único governo que com este sistema teria tido mais deputados a apoia-lo foi a Geringonça. Todos os outros teriam tido menos, com alguns perdendo a maioria absoluta.
Ao contrário do que alguns podem dizer (e disseram em 2022), talvez por importação de argumentos de outros países, é que um sistema proporcional faria com que o interior fosse ignorado. Podem notar que no interior é onde há uma maior percentagem dos eleitores que não está representada, visto que apenas o PS e o PSD elegem consistentemente. Resolver este problema permitiria aos eleitores dos círculos mais pequenos votarem no partido que quiserem. Atualmente, por exemplo, apenas os apoiantes do Livre ou PAN de Lisboa foram representados. Lisboa não deve ser o único distrito que permite partidos novos entrarem no parlamento, mas atualmente é isso que acontece. Os eleitores no interior atualmente têm uma voz, mas só se esta voz apoiar o PS ou o PSD.
Agradeço todas os comentários e correções, especialmente no que toca ao que cada partido defende que não consegui informar-me de tudo.
Nós deveríamos adotar o sistema de representação proporcional mista da Nova Zelândia: um número fixo de lugares disputados regionalmente por First Past the Post, onde independentes poderiam concorrer, e haveria então uma garantia maior de que o interior e zonas mais remotas teriam representação, e depois o resto dos lugares seriam disputados num círculo único.
O nosso modelo atual é absolutamente terrível e faz com que haja pouco interesse político, praticamente só os cabeças de lista é que importam, a maior parte das pessoas acaba por não saber quem as vai representar e permite também que haja ‘carpetbaggers’ – pessoas a mudar de residência só para ter um lugar garantido.
Acho que neste caso podemos usar a mesma filosofia que a Iniciativa nu-Liberal usa para as empresas que não inovam nem geram lucro…. se um partido político não trabalha o suficiente para captar atenção, votos e se afirmar na cena politica não deveria existir 🤣
[deleted]
Olha que um círculo de compensação, para o bem e para o mal, não é 100 % igual a um círculo único. Por um lado, um círculo de compensação diminui mas não elimina a 100 % possíveis “injustiças”, por exemplo nas últimas eleições nos Açores, eu reparei que o PCP teria elegido com um círculo único mas não chegou lá na vida real apesar do círculo de compensação. Por outro lado, os círculos únicos obrigam os partidos mais pequenos a apresentar 230 candidatos (+suplentes) ou não se podem candidatar, e quem tiver visto o programa do RAP tem noção da dificuldade que os partidos pequenos têm em arranjar gente de jeito para as lista
Percebo mal a questão do Círculo de Compensação
Alguém pode fazer um ELI5?
Continuo sem perceber esta treta de compensações para aqui e para acolá. 1 voto deve valer 1 voto. Não mais, ou menos, consoante o sítio onde é efetuado.
Já sei que não se muda porque os grandes é que ficam a perder mas, como está agora ou com qualquer sistema que não garanta que 1 voto vale exatamente isso, quem perde é a democracia, ou seja, perdemos todos nós.
Afinal somos todos iguais ou não, caralho?
Continuam a querer meter fita cola num sistema estúpido como o método de Hondt
Considero ser mais justo acabar com os círculos eleitorais. Com isto, cada português tem o seu voto a contar seja em Lisboa, seja na Guarda
Sou de Lisboa e isso permite-me votar em quem eu quiser. Para alguém de Faro só vale a votar em AD, PS, Chega
Acabem com esta anormalidade
Um sistema totalmente proporcional sem círculos, incluindo as regiões autónomas e os emigrantes. Simples e justo.
Not gonna lie. Andei aqui a clicar para a direita e fiquei divertida a ver a evolução dos partidos no parlamento ao longo dos anos. É engraçado como isto vai mudando, novos partidos a aparecer, outros a desaparecer…
Não é uma questão fácil. Eu continuo a pensar que o nosso problema é estar a tentar resolver dois problemas de uma vez.
Deveríamos considerar ter duas câmaras de representação?
Uma representando uma representação geográfica (um senado) e outra uma representação ideológica directa?
Diria que é o que muitos países fazem com parlamento e senado.
Mas já falamos de uma mudança mais drástica ao sistema político.
o MRPP andar a ser roubado de ter lugar no parlamento desde 1991 é um facto curioso e engraçado
tldr mas também odeio quando os últimos lugares livres no cinema são todos separados. /s
Por mim era fazer-se a regionalização (regiões não têm necessariamente de ser as das NUTS) e depois mudar o sistema eleitoral para em vez de distritos ter essas regiões e também um círculo de compensação que não precisaria de ser muito grande porque os círculos grandes saídos da regionalização já corrigem muito. Também juntaria os dois círculos da emigração para em vez de terem 2 deputados cada e dar aquela sensação que só PS e PSD (e agora CH) contam podia mudar alguma coisa. O problema seria que Açores e Madeira iriam ficar como os círculos mais pequenos (exceto Europa + Fora da Europa) de longe, mas não há nada a fazer, suponho que não seria visto com bons olhos juntar os dois círculos.
Menos PS é sempre bom… mas mais comunistas é uma consequência que cai mal.
Sim o que Portugal necessita ‘e de mais partidos no parlamento para ser mais dificil de formar governos…
Eu acho que o que temos agora é bom. Sistemas demasiado representativos têm a desvantagem de dificultar a formação de governos e a criação de mais partidos de causa única. Portugal não tem a cultura democrática necessária para manter um sistema desses.
O nosso sistema é mais representativo que o sistema inglês (de círculos de deputado único), mas mais governável do que os paises de círculo único como os países baixos (onde a formação de governo pode levar anos!)
Já estamos a ver o caos que está a ser formar governo com o sistema atual e como o governo provisório de Costa tem sido irrátil, tomar algumas decisões como se fosse governo e excusando-se de outras. Também não temos a cultura democrática para formar coligações entre partidos que podem ter posições muito diferentes, olhem a Alemanha com um governo que seria PS+IL+PAN. Isso parece-vos concebível?
E nem quero falar dos partidos de _single-issue_ imaginem “Partido dos apicultores viseenses para maior investimento no mercado de capitais” a ser o _deal breaker_ num orçamento de estado.
Uma dúvida que me surgiu é por exemplo estudantes que fazem o voto num distrito diferente.
Ou seja, um estudante de Évora que estude no Porto e vote no Porto. O seu voto vai para os votos de qual distrito?
Eu sei que isto poderá ser uma opinião impopular, mas eu concordo com um sistema proporcional apenas com a condição de haver uma percentagem mínima para entrar no parlamento (tipo 2%-3%, ou até 5% como na Alemanha).
Se já nestes países é relativamente instável, imaginem em Portugal onde um partido que mostre disponibilidade de apoiar um governo tanto à esquerda ou à direita, não é visto como um partido democrático, mas sim como uma prostituta política.
Para alem disso, reduzia-se para muito o voto util
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Um sistema com base nas regiões era bastante melhor que um sistema proporcional.
Esta deriva de so interessar o cabeça de lista nacional é uma treta.
Temos 230 deputados e conhecemos 8 ou 9
Nas últimas legislativas fiz dois posts sobre o assunto e achei que estava na altura de fazer um novo post sobre o assunto.
# Detalhes:
Imagens feitas utilizando o método de Hondt com um único círculo nacional com o número total de votos de cada partido/coligação, de 1975 a 2022. Algumas imagens foram feitas há dois anos daí a inconsistencia nas cores.
Foi assumido que o número de votos em cada partido não mudaria, o que na prática não seria o que aconteceria mas é impossível prever de forma 100% correta quão diferente seria. Podem dar mais alguns lugares aos partidos pequenos e menos ao PS e PSD e em algumas eleições houve partidos perto de eleger o 1º deputado, pelo que se houvesse menos voto útil e mais votos nestes, estes teriam possivelmente eleito algum deputado, enquanto que outros se calhar teriam menos votos de protesto.
O nosso atual sistema eleitoral beneficia o PS e o PSD, prejudicando todos os outros partidos, com apenas 3 excepções: Em Macau para a Assembleia Constituinte em 1975, onde se elegeu um deputado com uma reduzida quantidade de votos, e o PCP em 1976 e a CDU em 1987, que tiveram o mesmo número de deputados que teriam com círculo eleitoral nacional.
O único governo que com este sistema teria tido mais deputados a apoia-lo foi a Geringonça. Todos os outros teriam tido menos, com alguns perdendo a maioria absoluta.
Ao contrário do que alguns podem dizer (e disseram em 2022), talvez por importação de argumentos de outros países, é que um sistema proporcional faria com que o interior fosse ignorado. Podem notar que no interior é onde há uma maior percentagem dos eleitores que não está representada, visto que apenas o PS e o PSD elegem consistentemente. Resolver este problema permitiria aos eleitores dos círculos mais pequenos votarem no partido que quiserem. Atualmente, por exemplo, apenas os apoiantes do Livre ou PAN de Lisboa foram representados. Lisboa não deve ser o único distrito que permite partidos novos entrarem no parlamento, mas atualmente é isso que acontece. Os eleitores no interior atualmente têm uma voz, mas só se esta voz apoiar o PS ou o PSD.
Agradeço todas os comentários e correções, especialmente no que toca ao que cada partido defende que não consegui informar-me de tudo.
Nós deveríamos adotar o sistema de representação proporcional mista da Nova Zelândia: um número fixo de lugares disputados regionalmente por First Past the Post, onde independentes poderiam concorrer, e haveria então uma garantia maior de que o interior e zonas mais remotas teriam representação, e depois o resto dos lugares seriam disputados num círculo único.
O nosso modelo atual é absolutamente terrível e faz com que haja pouco interesse político, praticamente só os cabeças de lista é que importam, a maior parte das pessoas acaba por não saber quem as vai representar e permite também que haja ‘carpetbaggers’ – pessoas a mudar de residência só para ter um lugar garantido.
Acho que neste caso podemos usar a mesma filosofia que a Iniciativa nu-Liberal usa para as empresas que não inovam nem geram lucro…. se um partido político não trabalha o suficiente para captar atenção, votos e se afirmar na cena politica não deveria existir 🤣
[deleted]
Olha que um círculo de compensação, para o bem e para o mal, não é 100 % igual a um círculo único. Por um lado, um círculo de compensação diminui mas não elimina a 100 % possíveis “injustiças”, por exemplo nas últimas eleições nos Açores, eu reparei que o PCP teria elegido com um círculo único mas não chegou lá na vida real apesar do círculo de compensação. Por outro lado, os círculos únicos obrigam os partidos mais pequenos a apresentar 230 candidatos (+suplentes) ou não se podem candidatar, e quem tiver visto o programa do RAP tem noção da dificuldade que os partidos pequenos têm em arranjar gente de jeito para as lista
Percebo mal a questão do Círculo de Compensação
Alguém pode fazer um ELI5?
Continuo sem perceber esta treta de compensações para aqui e para acolá. 1 voto deve valer 1 voto. Não mais, ou menos, consoante o sítio onde é efetuado.
Já sei que não se muda porque os grandes é que ficam a perder mas, como está agora ou com qualquer sistema que não garanta que 1 voto vale exatamente isso, quem perde é a democracia, ou seja, perdemos todos nós.
Afinal somos todos iguais ou não, caralho?
Continuam a querer meter fita cola num sistema estúpido como o método de Hondt
Considero ser mais justo acabar com os círculos eleitorais. Com isto, cada português tem o seu voto a contar seja em Lisboa, seja na Guarda
Sou de Lisboa e isso permite-me votar em quem eu quiser. Para alguém de Faro só vale a votar em AD, PS, Chega
Acabem com esta anormalidade
Um sistema totalmente proporcional sem círculos, incluindo as regiões autónomas e os emigrantes. Simples e justo.
Not gonna lie. Andei aqui a clicar para a direita e fiquei divertida a ver a evolução dos partidos no parlamento ao longo dos anos. É engraçado como isto vai mudando, novos partidos a aparecer, outros a desaparecer…
Não é uma questão fácil. Eu continuo a pensar que o nosso problema é estar a tentar resolver dois problemas de uma vez.
Deveríamos considerar ter duas câmaras de representação?
Uma representando uma representação geográfica (um senado) e outra uma representação ideológica directa?
Diria que é o que muitos países fazem com parlamento e senado.
Mas já falamos de uma mudança mais drástica ao sistema político.
o MRPP andar a ser roubado de ter lugar no parlamento desde 1991 é um facto curioso e engraçado
tldr mas também odeio quando os últimos lugares livres no cinema são todos separados. /s
Por mim era fazer-se a regionalização (regiões não têm necessariamente de ser as das NUTS) e depois mudar o sistema eleitoral para em vez de distritos ter essas regiões e também um círculo de compensação que não precisaria de ser muito grande porque os círculos grandes saídos da regionalização já corrigem muito. Também juntaria os dois círculos da emigração para em vez de terem 2 deputados cada e dar aquela sensação que só PS e PSD (e agora CH) contam podia mudar alguma coisa. O problema seria que Açores e Madeira iriam ficar como os círculos mais pequenos (exceto Europa + Fora da Europa) de longe, mas não há nada a fazer, suponho que não seria visto com bons olhos juntar os dois círculos.
Menos PS é sempre bom… mas mais comunistas é uma consequência que cai mal.
[https://omeuvoto.com/](https://omeuvoto.com/)
[https://www.youtube.com/watch?v=q7Mk4e1XOOw](https://www.youtube.com/watch?v=q7Mk4e1XOOw)
Sim o que Portugal necessita ‘e de mais partidos no parlamento para ser mais dificil de formar governos…
Eu acho que o que temos agora é bom. Sistemas demasiado representativos têm a desvantagem de dificultar a formação de governos e a criação de mais partidos de causa única. Portugal não tem a cultura democrática necessária para manter um sistema desses.
O nosso sistema é mais representativo que o sistema inglês (de círculos de deputado único), mas mais governável do que os paises de círculo único como os países baixos (onde a formação de governo pode levar anos!)
Já estamos a ver o caos que está a ser formar governo com o sistema atual e como o governo provisório de Costa tem sido irrátil, tomar algumas decisões como se fosse governo e excusando-se de outras. Também não temos a cultura democrática para formar coligações entre partidos que podem ter posições muito diferentes, olhem a Alemanha com um governo que seria PS+IL+PAN. Isso parece-vos concebível?
E nem quero falar dos partidos de _single-issue_ imaginem “Partido dos apicultores viseenses para maior investimento no mercado de capitais” a ser o _deal breaker_ num orçamento de estado.
Uma dúvida que me surgiu é por exemplo estudantes que fazem o voto num distrito diferente.
Ou seja, um estudante de Évora que estude no Porto e vote no Porto. O seu voto vai para os votos de qual distrito?
Eu sei que isto poderá ser uma opinião impopular, mas eu concordo com um sistema proporcional apenas com a condição de haver uma percentagem mínima para entrar no parlamento (tipo 2%-3%, ou até 5% como na Alemanha).
Isto porque, sem esta restrição, poderemos ter parlamentos como o dos [Países Baixos](https://en.wikipedia.org/wiki/House_of_Representatives_(Netherlands)) ou da [Dinamarca](https://en.wikipedia.org/wiki/Folketing) em que tens mais de 15 partidos no parlamento, altamente fracionados, com um governo a necessitar do apoio de 7 partidos para governar.
Se já nestes países é relativamente instável, imaginem em Portugal onde um partido que mostre disponibilidade de apoiar um governo tanto à esquerda ou à direita, não é visto como um partido democrático, mas sim como uma prostituta política.
Para alem disso, reduzia-se para muito o voto util