
Alta velocidade e Terceira Travessia do Tejo reúnem consenso nos programas eleitorais dos partidos | Eleições Legislativas 2022 | PÚBLICO

Alta velocidade e Terceira Travessia do Tejo reúnem consenso nos programas eleitorais dos partidos | Eleições Legislativas 2022 | PÚBLICO
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Desculpem a paywall
“Chamem-lhe alta velocidade ou apenas uma nova linha Lisboa-Porto que encurte os tempos de viagem, o certo é que o PS, PSD, CDU, IL, Livre e PAN estão de acordo em fazer um grande corredor ferroviário entre as duas capitais, defendendo ainda o PS, a IL e o Livre, o prolongamento desta linha para a Galiza.
A construção de uma ponte ferroviária no Tejo, em Lisboa, é outra proposta dos programas eleitorais do PS, CDU, IL, Livre e agora também do BE, embora omissa no programa do PAN.
Consensual é também a ideia de ligar todas as capitais de distrito por caminho-de-ferro, tal como foi defendido pelo ministro Pedro Nuno Santos aquando da apresentação do Plano Ferroviário Nacional. O BE, o Livre e o PAN – e naturalmente o PS – subscrevem esta ideia, que implica fazer chegar o comboio às cidades de Bragança, Vila Real, Viseu e também Portalegre (cuja estação está demasiado afastada da cidade).
A necessidade de investir na ferrovia é uma das áreas mais consensuais nos programas eleitorais dos partidos, com excepção do Chega e do CDS, que são omissos nesta matéria. Os centristas referem apenas a “privatização da TAP e das empresas de transportes”.
A maioria dos partidos defende o caminho-de-ferro como garante de coesão territorial e as suas virtudes no combate às alterações climáticas. O PS diz que vai “continuar a dar prioridade à ferrovia com a conclusão, até 2023, dos investimentos previstos no Ferrovia2020 e o arranque dos projectos previstos no PNI2030” e concretizar o recentemente lançado “maior concurso de material circulante da história do caminho-de-ferro em Portugal”.
Em sintonia, a CDU, IL, Livre, PAN e BE também defendem a prossecução da electrificação da rede ferroviária nacional e falam nos seus benefícios para a descarbonização da economia. O BE quantifica objectivos e diz que “o peso da quota ferroviária no transporte terrestre de pessoas e mercadorias deverá ser 40% das toneladas-quilómetros transportadas e 40% dos passageiros-quilómetros transportados”.
Todos os partidos convergem, também, na necessidade de renovar a frota de material circulante, mas há três que querem a incorporação de indústria nacional nesse processo. A CDU fala em “ligar o aparelho produtivo, a rede ferroviária e o material circulante”, o PS quer “uma aposta na capacidade industrial para o fabrico e montagem” de comboios e o BE defende “uma estratégia de reindustrialização no sector dos transportes assente na recuperação e aprofundamento de competências e capacidades”.
À esquerda, o BE é o partido com propostas mais completas para o sector, debruçando-se até sobre o actual modelo, o qual pretende alterar com o “reforço do domínio de actuação de uma empresa pública dedicada à ferrovia” recuperando as competências que existiam na ex-REFER, ex-EMEF e CP “como condição para o planeamento, projecto e execução do Plano Ferroviário Nacional 2040”.
O Livre e o PAN trazem preocupações em voga na Europa nos últimos tempos relacionadas com a transferência modal do modo aéreo para o ferroviário.
O Livre diz que aposta “nos comboios nocturnos nacionais e internacionais, garantindo que o preço de uma viagem de avião não possa ser inferior ao da mesma viagem de comboio”. E o PAN propõe “taxas significativas” nos bilhetes de alguns voos domésticos entre aeroportos de Portugal continental em que não haja continuidade de viagem para outros destinos, direcionando as receitas para a ferrovia”.
Já o PSD é o mais desalinhado em termos de propostas para a ferrovia. Os sociais-democratas não fazem nenhuma referência à alta velocidade e limitam-se a propor que “na actual linha Lisboa-Porto é preciso reduzir o percurso para as duas horas”. Mas o seu acordo em relação à alta velocidade parece estar implícito quando dizem que “importa seguir o que está já delineado no PNI2030”, subscrevendo assim as propostas mais importantes do governo para o sector. Contudo, não deixam de referir que “o governo tem sido profundamente incompetente na execução do Ferrovia 2020, que estava previsto ser executado até final de 2020 e está a ser executado abaixo dos 30%”.
O grande desígnio do PSD é, porém, a bitola). O seu programa eleitoral defende “um plano de migração da rede para a bitola europeia, articulando com a política ferroviária espanhola” e “a construção, nos próximos 15 anos, em coordenação com Espanha” de uma nova rede ferroviária de bitola europeia nos eixos de grande tráfego”.
A grande surpresa das propostas eleitorais vem da IL que dedica 11 páginas do seu programa à ferrovia, mais do que todos os outros partidos juntos. Os liberais apresentam um quase plano ferroviário nacional, que inclui uma resenha histórica do sector e um diagnóstico actual bastante pormenorizado. Propõem acrescentar mais 700 quilómetros de via férrea à actual rede ferroviária nacional com a construção de novas linhas, reabertura de linhas encerradas e substituição de troços que consideram desactualizados por novas linhas e variantes, num investimento “de 20 mil milhões de euros a 15 anos, dos quais 9 mil seriam financiados directamente pelo Orçamento de Estado, um esforço médio inferior a 0,5% do PIB ao longo do período”.
O liberalismo defende investimento público? A pergunta vem no próprio programa da IL, que responde que “quando um bem ou serviço com patente interesse para a sociedade não é suficientemente produzido pela mera acção do mercado, pode-se justificar a presença do Estado para regular ou mesmo garantir a coordenação deste investimento.”
Quanto aos 0,5% do PIB para investimento ferroviária, a IL compara com as “rendas das PPP rodoviárias, que chegaram a representar mais de 1% do PIB nacional durante mais de uma década”, com uma diminuição gradual prevista para os próximos dez anos.
Já o objectivo de aumentar a rede ferroviária em 700 quilómetros – que equivale a uma densidade de 3,38 quilómetros por cada 10 mil habitantes – é considerado “um valor já razoável para a realidade nacional”, apesar de, estatisticamente, manter Portugal na cauda da Europa.
O programa já passa a ser mais liberal quando explica que uma boa infra-estrutura ferroviária permite “um mercado crescente de operadores ferroviários” que, em concorrência, poderão ampliar operações e propor melhores serviços às pessoas, a mais baixo custo e reduzindo a pegada de CO2.
Essa infra-estrutura inclui a alta velocidade de Lisboa à Galiza, novas linhas de Aveiro a Mangualde e de Sines a Grândola (já previstas no PNI 2030) e de Évora a Elvas (já em execução), bem como uma ligação da linha do Oeste para Lisboa pelo vale de Loures, uma circular externa ferroviária em redor do Porto, a linha de Trás-os-Montes para Vila Real, Bragança e Espanha, entre dezenas de variantes na actual malha ferroviária por forma a permitir velocidades mais elevadas.”
O PS visto estar em campanha eleitoral tambem promete o hospital central do Algarve. Este apesar de ser o mais necessário ao país publicamnete admitido nos ultimos 20 anos nunca foi executado pois não há votos suficientes no Algarve.
Onde vai o PS buscar tanti dinheiro para construir isto tudo?
Só promessas vâs de um bandido autoritário tão corrupto e ladrão como o Sócrates ou o Soares…
Parece uma boa ideia mas certamente nao é. Se repararem o preço dos transportes públicos intercidades e inter regional têm se mantido ou baixado para o consumidor (com a entrada de novos operadores por exemplo), enquanto os preços da CP têm se mantido iguais ou com pequenas subidas.
Se já a procura por este ultimo tem sido menor em virtude dos outros tornarem-se mais acessiveis, o que vai acontecer quando se construir uma estrutura tão extremamente dispendiosa que uma linha de alta velocidade? Por certo os preços a praticar vão afastar qualquer uso relevante para além do turista estrangeiro.
A Espanha é um exemplo disso e os transportes públicos são bem mais caros. Na Galiza a linha de alta velocidade é lado a lado com a convencional mas com os preços duas ou 3 vezes mais caros, como é obvio não vê uso para além da sexta e do domingo.
Parece-me óptimo. O próximo ponto é saber como vão convencer alguém a largar 50 euros para passar seis horas num Alfa só de ida entre Faro e o Porto. Podem desejar mundos e fundos para a ferrovia que enquanto praticarem estes preços, as pessoas vão continuar a escolher opções mais económicas.