
Há dois problemas bem reconhecidos no que toca aos Círculos Eleitorais (CEs):
– Grandes **discrepâncias na a representatividade** (eleitores por deputado) entre CEs
– **Elevado número de votos deitados ao lixo** em CEs pequenos
## Discrepâncias na a representatividade
A média de eleitores por cada deputado a nível nacional é de ~41.35k.
No entanto os valores podem divergir entre ~39.88k (Porto) e ~50.52k (Guarda).
Isto não mencionando os Não Nacionais, pois aí a discrepância é muito maior.
|**CE**|**Eleitores**|**Deputados**|**Eleitores por D.**|**Desvio**|
|:—-|—-:|—-:|—-:|—-:|
|*Nacional*|*9,345,486*|*226*|*41,351.7*|*0.00%*|
|Leiria |415,359|10|41,535.9|0.45%|
|Beja|123,032|3|41,010.7|0.82%|
|Braga|778,359|19|40,966.3|0.93%|
|Setúbal|737,285|18|40,960.3|0.95%|
|Faro |376,882|9|41,875.8|1.27%|
|Coimbra|380,064|9|42,229.3|2.12%|
|Santarém |380,976|9|42,330.7|2.37%|
|Aveiro|645,747|16|40,359.2|2.40%|
|Castelo Branco|170,152|4|42,538.0|2.87%|
|Viana do Castelo|240,942|6|40,157.0|2.89%|
|Lisboa |1,921,189|48|40,024.8|3.21%|
|Porto |1,595,205|40|39,880.1|3.56%|
|Madeira|257,897|6|42,982.8|3.94%|
|Viseu|348,016|8|43,502.0|5.20%|
|Vila Real|219,112|5|43,822.4|5.97%|
|Évora|136,725|3|45,575.0|10.21%|
|Açores|228,975|5|45,795.0|10.75%|
|Bragança|141,587|3|47,195.7|14.13%|
|Portalegre |96,425|2|48,212.5|16.59%|
|Guarda |151,557|3|50,519.0|22.17%|
|Fora da Europa|570,435|2|285,217.5|589.74%|
|Europa|895,515|2|447,757.5|982.80%|
## **Elevado número de votos deitados ao lixo**
Este problema ocorre principalmente nos CEs mais pequenos.
Faz com que as pessoas ou deixem de votar ou mesmo que não votem no partido que realmente preferem. O voto útil aqui passa a ser a diferença entre o teu voto ser deitado ao lixo ou não.
Claro está que esta situação beneficia os dois maiores partidos e dificulta a vida a todos os outros. Na verdade, é quase impossível eleger alguém sem ser do PS ou do PSD.
Há um parágrafo [desta notícia](https://www.dn.pt/edicao-do-dia/08-jan-2022/abstencao-e-nos-distritos-com-menos-deputados-que-se-vota-menos-14471755.html) que realmente torna este problema claro:
> O caso de Portalegre, citado por Pedro Magalhães, é exemplar para fazer as contas ao desperdício. Nas legislativas de 2019, o PS com 23 013 votos conseguiu eleger dois deputados, os únicos deste círculo eleitoral. Os restantes 24 427, sendo 10 375 no PSD, não serviram para nada. Sendo esta a realidade porque nada muda? “Os partidos são muito avessos à mudança porque poderia criar um conjunto de alterações àquilo que são as suas forças relativas. Isso é um receio que os partidos políticos têm. Se mudam as regras do jogo, o resultado do jogo pode mudar. E muito provavelmente este receio tem sido, até agora, mais forte do que o desejo de revolver os problemas que o nosso sistema eleitoral tem”, constata Santana Pereira.
Eu não sei como é que estas pessoas aceitam isto. Provavelmente nem têm consciência da sua situação.
Certamente a iliteracia sobre o sistema eleitoral joga a favor do mesmo.
[View Poll](https://www.reddit.com/poll/seupbz)
11 comments
Eu tornava os círculos em hexágonos. nada bate um bom hexágono.
Problemas? Como podem ser problemas se priveligiam o PS e PSD? /s
Circulos uninominais
Depende. Se avançarmos com a regionalização, penso que faz sentido termos círculos eleitorais e portanto um círculo de compensação faz todo o sentido.
Por outro lado, sem avançarmos para a centralização, dado que exceto talvez as regiões autónomas ou o ocasional deputado do queijo limiano, os deputados raramente querem saber que região estão a representar ou como, nem os eleitores costumam votar com isso em mento, penso que um único círculo nacional seria o que faz mais sentido.
Ou quanto muito um sistema híbrido, com três círculos, um para Portugal continental, um para a Madeira e um para os Açores, com as devidas compensações para evitar desperdício de votos nestes dois círculos bem mais pequenos.
Nos últimos tempos tenho pensado numa situação de conjugação de um único círculo eleitoral e uma câmara alta, onde já existiria uma representação por círculos eleitorais distintos. Muito sinceramente, nem eu próprio ainda sei o que acho sobre esta hipótese.
Embora seja contra a regionalização, há muito mais a distinguir regiões do que distritos. Preferia círculos regionais a andar a inventar com círculos de compensação:
|Região|Eleitores|Deputados|
|:-|:-|:-|
|Norte|3 146 851|79|
|Centro|1 964 129|49|
|Área Metropolitana de Lisboa|2 459 493|62|
|Alentejo|617 550|15|
|Algarve|404 673|10|
|Madeira|218 827|6|
|Açores|201 883|5|
|Fora de Portugal|1 521 790|4|
|Total|10 535 196|230|
Esta proposta reduziria os atuais 22 círculos eleitorais para 8, e permitiria que o círculo que elege menos deputados eleja 4 deputados em vez de 2, permitindo mais surpresas e reduzindo a bipartidarização.
Os “eleitores” para todas as regiões em Portugal são os maiores de 15 segundo os Censos de 2021 porque não há uma melhor distribuição de idades, e os de “Fora de Portugal” são os eleitores atualmente recenseados fora de Portugal. Sei que não corresponde exatamente aos que têm nacionalidade portuguesa e portanto podem votar nas legislativas, mas não há de estar demasiado longe.
Voto útil.
N há tempo para outra ação.
Círculo de compensação combinado com círculos maiores. Algarve, Alentejo, Açores, Madeira, Centro, Norte, Centro-Norte, AML e AMP. Os círculos podem ser melhor pensados. Os círculos da Europa e Fora da Europa ou se junta os dois ou acaba-se com eles e passam a contar num dos círculos regionais.
É acabar com os círculos e deixar o mercado funcionar.
Partido único de união nacional
O PS e o PSDois vão fazer de tudo para que não se crie um Circulo Unico Nacional, pois eles seriam os grandes perdedores.
Contudo se o resto dos partidos se unisse e fizesse como condição para apoiarem um governo do PS ou PSDois, a criação de um circulo unico nacional, talvez veriamos isso a acontecer.
O problema é que os outros partidos não se unem, nem apenas à volta desta questão, que os beneficiaria a eles e a todos os Portugueses