Nota: assumi que os votos no PSD e CDS nos Açores e Madeira eram distribuídos proporcionalmente com base nos resultados no resto do país e ignorei o voto no estrangeiro que ainda não é conhecido.
Para o calculo do real, dei dois deputados ao PS e ao PSD, mas não me parece impossível que o PS vá ter os dois deputados do círculo eleitoral Europa.
O CDS é o partido com maior percentagem de votos a não eleger um deputado na história da 3ª República. Teve mais votos do que os restantes 12 partidos pequenos juntos.
Então o PS e PSD perdem assentos? Espera que o PS e PSD já tratam de rever a constituição e resolver esse grande problema.
Isto sem contar que muita gente não votou nos pequenos por ter em conta o efeito dos círculos eleitorais. Ou seja, presencialmente ainda teriam mais votos e logo mais deputados.
Faria muito mais sentido desta maneira.
Isto seria óptimo para o país, mas mau para o PS e PSD.
Muitas vezes os partidos colocam pessoas que não têm nada a ver com o distrito (e.g. Maria Begonha pelo PS em 2019 em Braga) e depois perdemos bons deputados como o João Oliveira da CDU ou de pequenos partidos.
Afinal todos votamos em quem queremos para governar o país e não estamos a pensar quem estamos a eleger para deputado.
Para quem deu uma olhada para o sistema eleitoral viu logo que foi tudo feito para os partidos grandes se manterem e os novos partidos nunca chegarem ao poder.
Este é um tema que tem sido imensamente falado hoje, vou deixar aqui um comment que deixei noutro subreddit.
O erro desta análise, na minha ótica, é alterares o sistema eleitoral achando que o restante ficaria tudo igual (propostas dos partidos, campanha política e, ultimamente, votação final). O problema do que sugeres é que um partido poderia obter maioria absoluta se tivesse votações consideráveis mas não avassaladoras em 4 ou 5 distritos (digamos 60% em porto, Lisboa, setubal, Braga). Se achas que neste momento só se fala nos grandes centros urbanos imagina um PS q só precisava de fazer campanha nestes distritos mais Leiria e Coimbra para ter maioria absoluta. O voto do interior valeria zero.
Não defendo que o sistema que temos seja perfeito (ou sequer suficiente) mas a opção dificilmente será esta. Há imensos estudos na academia sobre este assunto, com várias propostas, algumas delas a introdução de um círculo de compensação ou passarmos para o método de Sant Lague. Não sei o suficiente sobre elas para ter uma opinião formada sobre uma alternativa mas a verdade é que não deve haver nenhum país que eleja a sua câmara legislativa de forma direta só com um círculo eleitoral (por razões que penso já explanei).
Mas isso seria muito mais representativo do que o sistema atual, e obviamente que não queremos isso! O pessoal em Bragança que vote PS ou PSD, se não gostarem que se fodam. /s
Poderíamos ter um círculo de compensação como tem os Açores.
Ou seja, era o parlamento das grandes áreas urbanas. Os círculos existem para garantir que todas as regiões e pessoas estão representadas no parlamento e não apenas os de algumas zonas do país.
Chicão likes this.
Esta solução é melhor do que a existente ? Sim porque elimina muitos votos desperdiçados. No entanto este método favorece cidades com muitos habitantes, resultando que o interior não fique devidamente representado.
Parece-me muito mais democrático. No sistema atual, um voto num partido pequeno em áreas rurais é inútil. Isto faria crescer mais partidos como podemos ver com o RIR. Ngl, só pelo facto de ter o Tino no parlamento, já acho este sistema melhor.
Já para nao falar que os deputados eleitos constiticionalmente NAO podem beneficiar a regiao que os elegeu , logo é uma farça a meu ver.
OP estou curioso. Utilizaste o método de hondt a nível nacional? ou simplesmente aplicaste as percentagens ao número de deputados.
Por acaso estou curioso se alguém pudesse explicar porque é que o método de hondt é usado para a atribuição de mandatos e não simplesmente percentagens.
PS: para quem me responder fica um Agradecimento avançado!
Quem se fodeu nesse cenário são os grandes logo nunca vai acontecer
FO-DA-SE
Eu penso que é importante termos os círculos eleitorais como temos hoje em dia. Por isso defendo uma opção menos radical. Basta termos para além dos círculos eleitorais actuais, um circulo eleitoral nacional para onde seriam canalizados os votos “não usados” de cada circulo eleitoral. O resultado disto é mais ou menos o mesmo que obtemos com um circulo único com variações um pouco mais suaves.
Tanto uma coisa como outra não interessa aos partidos “grandes” pelo que nunca vai acontecer.
Tino no parlamento
E se replicassem o método das eleições regionais em que há círculos de compensação?
E isto nem tem em conta que muitos dos votos nesses círculos eleitorais mais pequenos já são a ter em conta as possibilidades realistas de eleger. Por exemplo, alguém de Beja que queira ter mais presença no parlamento de partidos à esquerda do PS, sente-se na “obrigação” de votar na CDU, quando poderia por exemplo identificar-se mais com o Bloco ou Livre. O mesmo se pode dizer de alguém que queira uma maior presença de direita no parlamento e se identifique mais com a IL, votará tendencialmente no PSD se este for o único com capacidade para eleger. Se tivermos em conta este fenómeno, o cenário ficaria ainda pior para os partidos grandes se reduzíssemos tudo a um círculo eleitoral.
O método actual privilegia a criação de maiorias com menos partidos. Nesse cenário o PS só iria conseguir uma maioria com BE + CDU, ou com um deles mais Livre + PAN. Isto podia influenciar bastante na estabilidade dos governos caso consensos não fossem atingidos.
Países como a Bélgica ou a Holanda são capazes de sobreviver sem um governo durante longos meses ou às vezes anos, mas será que Portugal seria capaz disso? Sem haver ninguém para decidir a distribuição dos dinheiros do PRR, por exemplo, o que aconteceria? Ficavam os fundos parados sabendo que isso iria fazer com que o crescimento económico ficasse afectado?
Ou seja único partido a beneficiar foi o PS.
Se o CDS que teve mais votos que o PAN acaba extinto, acho que podemos concluir que algo está desfasado da realidade.
Podíamos ter o Tino no Parlamento, isso sim seria bom
A única objeção a um círculo único nacional que tenho é o tamanho enorme que as listas vão ter. Colar aquilo tudo à frente das secções de voto vai ser um pesadelo. 😀
Outra coisa muito importante é que existe muita gente que não vota em partidos mais pequenos por votar numa zona que só consegue eleger PS ou PSD. É impossível dizer por quanto mas de certeza que o PS e o PSD iam perder ainda mais deputados e todos os outros partidos iam ganhar mais.
Em Portalegre se não votaste PS, o teu voto não serviu de nada. 53,7% dos votos não serviram de nada.
O rir elegia um deputado, ai sim o país andava para a frente
Os partidos grandes nunca aceitariam 1 só círculo eleitoral mas se em vez de 20 círculos, alguns deles com 3 ou 4 deputados, tivéssemos uns 4 ou 5 por regiões, que já são usadas em algumas áreas, tornava as eleições mais justas.
Ou seja, o PS e PSD juntos perderiam 27 deputados para os partidos mais pequenos.
Sem falar os votos “úteis” que ganham às custas do sistema atual, que nem sabemos quantos são…
Sonhar é barato. PSD e PS nem em limpar cadernos eleitorais de eleitores fantasma alinham.
E depois perguntam porque temos abstenção?
Se o meu voto não vale nada e eu nao quero votar nem PS nem PSD, então porquê votar?
Menos PS e PSD? Sign me in.
Depois temos 230 deputados de Lisboa que estão completamente alheados da realidade do país.
Se já agora tudo o que nao é Lisboa é paisagem, então assim…
o problema do círculo único é que terias os partidos apenas a focar-se nos grandes centros urbanos e cagar no resto do pais, ainda mais.
O problema não é haver circulos eleitorais, é como eles estão definidos e não haver ao mesmo tempo uma compensação com o numero total de votos.
Eliminar os círculos eleitorais e abrir as listas eleitorais para haver escolha no candidato preferido traz mais proporcionalidade ao sistema. Acho que eliminar os círculos apenas não é suficiente
Curiosamente a cena dos distritos é defendida como “se não fosse assim a malta fazia toda campanha em Lisboa e porto e nem vinha à provincia”, mas acho que tem o efeito bem contrário: tens partidos q se focam apenas em Lisboa e Porto para terem um pequeno GP e isso resulta mt bem.
Se fosse Nacional esses partidos podiam ir fazer campanha para todo o lado pq qualquer voto contaria.
Eu sou a favor de se resolver isto mas também convém salientar que o nosso esquema eleitoral está mesmo feito de proposito para promover maiorias pq se achava q era a única forma de ter governos estáveis. Não seria bom andarmos com eleições todos os 2 anos e com coligações é esse o risco q se corre sempre.
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Nota: assumi que os votos no PSD e CDS nos Açores e Madeira eram distribuídos proporcionalmente com base nos resultados no resto do país e ignorei o voto no estrangeiro que ainda não é conhecido.
Para o calculo do real, dei dois deputados ao PS e ao PSD, mas não me parece impossível que o PS vá ter os dois deputados do círculo eleitoral Europa.
O CDS é o partido com maior percentagem de votos a não eleger um deputado na história da 3ª República. Teve mais votos do que os restantes 12 partidos pequenos juntos.
Para mais informações: [https://www.reddit.com/r/portugal/comments/s4l2zt/e_se_houvesse_apenas_um_circulo_eleitoral_nacional/](https://www.reddit.com/r/portugal/comments/s4l2zt/e_se_houvesse_apenas_um_circulo_eleitoral_nacional/)
Já agora, a constituição prevê a existência de circulos eleitorais nacionais: https://dre.pt/dre/legislacao-consolidada/decreto-aprovacao-constituicao/1976-34520775-49518475
Então o PS e PSD perdem assentos? Espera que o PS e PSD já tratam de rever a constituição e resolver esse grande problema.
Isto sem contar que muita gente não votou nos pequenos por ter em conta o efeito dos círculos eleitorais. Ou seja, presencialmente ainda teriam mais votos e logo mais deputados.
Faria muito mais sentido desta maneira.
Isto seria óptimo para o país, mas mau para o PS e PSD.
Muitas vezes os partidos colocam pessoas que não têm nada a ver com o distrito (e.g. Maria Begonha pelo PS em 2019 em Braga) e depois perdemos bons deputados como o João Oliveira da CDU ou de pequenos partidos.
Afinal todos votamos em quem queremos para governar o país e não estamos a pensar quem estamos a eleger para deputado.
Para quem deu uma olhada para o sistema eleitoral viu logo que foi tudo feito para os partidos grandes se manterem e os novos partidos nunca chegarem ao poder.
Este é um tema que tem sido imensamente falado hoje, vou deixar aqui um comment que deixei noutro subreddit.
O erro desta análise, na minha ótica, é alterares o sistema eleitoral achando que o restante ficaria tudo igual (propostas dos partidos, campanha política e, ultimamente, votação final). O problema do que sugeres é que um partido poderia obter maioria absoluta se tivesse votações consideráveis mas não avassaladoras em 4 ou 5 distritos (digamos 60% em porto, Lisboa, setubal, Braga). Se achas que neste momento só se fala nos grandes centros urbanos imagina um PS q só precisava de fazer campanha nestes distritos mais Leiria e Coimbra para ter maioria absoluta. O voto do interior valeria zero.
Não defendo que o sistema que temos seja perfeito (ou sequer suficiente) mas a opção dificilmente será esta. Há imensos estudos na academia sobre este assunto, com várias propostas, algumas delas a introdução de um círculo de compensação ou passarmos para o método de Sant Lague. Não sei o suficiente sobre elas para ter uma opinião formada sobre uma alternativa mas a verdade é que não deve haver nenhum país que eleja a sua câmara legislativa de forma direta só com um círculo eleitoral (por razões que penso já explanei).
Mas isso seria muito mais representativo do que o sistema atual, e obviamente que não queremos isso! O pessoal em Bragança que vote PS ou PSD, se não gostarem que se fodam. /s
Poderíamos ter um círculo de compensação como tem os Açores.
Ou seja, era o parlamento das grandes áreas urbanas. Os círculos existem para garantir que todas as regiões e pessoas estão representadas no parlamento e não apenas os de algumas zonas do país.
Chicão likes this.
Esta solução é melhor do que a existente ? Sim porque elimina muitos votos desperdiçados. No entanto este método favorece cidades com muitos habitantes, resultando que o interior não fique devidamente representado.
Parece-me muito mais democrático. No sistema atual, um voto num partido pequeno em áreas rurais é inútil. Isto faria crescer mais partidos como podemos ver com o RIR. Ngl, só pelo facto de ter o Tino no parlamento, já acho este sistema melhor.
Já para nao falar que os deputados eleitos constiticionalmente NAO podem beneficiar a regiao que os elegeu , logo é uma farça a meu ver.
OP estou curioso. Utilizaste o método de hondt a nível nacional? ou simplesmente aplicaste as percentagens ao número de deputados.
Por acaso estou curioso se alguém pudesse explicar porque é que o método de hondt é usado para a atribuição de mandatos e não simplesmente percentagens.
PS: para quem me responder fica um Agradecimento avançado!
Quem se fodeu nesse cenário são os grandes logo nunca vai acontecer
FO-DA-SE
Eu penso que é importante termos os círculos eleitorais como temos hoje em dia. Por isso defendo uma opção menos radical. Basta termos para além dos círculos eleitorais actuais, um circulo eleitoral nacional para onde seriam canalizados os votos “não usados” de cada circulo eleitoral. O resultado disto é mais ou menos o mesmo que obtemos com um circulo único com variações um pouco mais suaves.
Tanto uma coisa como outra não interessa aos partidos “grandes” pelo que nunca vai acontecer.
Tino no parlamento
E se replicassem o método das eleições regionais em que há círculos de compensação?
E isto nem tem em conta que muitos dos votos nesses círculos eleitorais mais pequenos já são a ter em conta as possibilidades realistas de eleger. Por exemplo, alguém de Beja que queira ter mais presença no parlamento de partidos à esquerda do PS, sente-se na “obrigação” de votar na CDU, quando poderia por exemplo identificar-se mais com o Bloco ou Livre. O mesmo se pode dizer de alguém que queira uma maior presença de direita no parlamento e se identifique mais com a IL, votará tendencialmente no PSD se este for o único com capacidade para eleger. Se tivermos em conta este fenómeno, o cenário ficaria ainda pior para os partidos grandes se reduzíssemos tudo a um círculo eleitoral.
O método actual privilegia a criação de maiorias com menos partidos. Nesse cenário o PS só iria conseguir uma maioria com BE + CDU, ou com um deles mais Livre + PAN. Isto podia influenciar bastante na estabilidade dos governos caso consensos não fossem atingidos.
Países como a Bélgica ou a Holanda são capazes de sobreviver sem um governo durante longos meses ou às vezes anos, mas será que Portugal seria capaz disso? Sem haver ninguém para decidir a distribuição dos dinheiros do PRR, por exemplo, o que aconteceria? Ficavam os fundos parados sabendo que isso iria fazer com que o crescimento económico ficasse afectado?
Ou seja único partido a beneficiar foi o PS.
Se o CDS que teve mais votos que o PAN acaba extinto, acho que podemos concluir que algo está desfasado da realidade.
Podíamos ter o Tino no Parlamento, isso sim seria bom
Um bom compromisso era termos os círculos por NUTS 2 em vez de distritos: https://commons.m.wikimedia.org/wiki/File:NUTS2_Portugal.png
A única objeção a um círculo único nacional que tenho é o tamanho enorme que as listas vão ter. Colar aquilo tudo à frente das secções de voto vai ser um pesadelo. 😀
Outra coisa muito importante é que existe muita gente que não vota em partidos mais pequenos por votar numa zona que só consegue eleger PS ou PSD. É impossível dizer por quanto mas de certeza que o PS e o PSD iam perder ainda mais deputados e todos os outros partidos iam ganhar mais.
Em Portalegre se não votaste PS, o teu voto não serviu de nada. 53,7% dos votos não serviram de nada.
O rir elegia um deputado, ai sim o país andava para a frente
Os partidos grandes nunca aceitariam 1 só círculo eleitoral mas se em vez de 20 círculos, alguns deles com 3 ou 4 deputados, tivéssemos uns 4 ou 5 por regiões, que já são usadas em algumas áreas, tornava as eleições mais justas.
Ou seja, o PS e PSD juntos perderiam 27 deputados para os partidos mais pequenos.
Sem falar os votos “úteis” que ganham às custas do sistema atual, que nem sabemos quantos são…
Sonhar é barato. PSD e PS nem em limpar cadernos eleitorais de eleitores fantasma alinham.
E depois perguntam porque temos abstenção?
Se o meu voto não vale nada e eu nao quero votar nem PS nem PSD, então porquê votar?
Menos PS e PSD? Sign me in.
Depois temos 230 deputados de Lisboa que estão completamente alheados da realidade do país.
Se já agora tudo o que nao é Lisboa é paisagem, então assim…
o problema do círculo único é que terias os partidos apenas a focar-se nos grandes centros urbanos e cagar no resto do pais, ainda mais.
O problema não é haver circulos eleitorais, é como eles estão definidos e não haver ao mesmo tempo uma compensação com o numero total de votos.
Eliminar os círculos eleitorais e abrir as listas eleitorais para haver escolha no candidato preferido traz mais proporcionalidade ao sistema. Acho que eliminar os círculos apenas não é suficiente
Curiosamente a cena dos distritos é defendida como “se não fosse assim a malta fazia toda campanha em Lisboa e porto e nem vinha à provincia”, mas acho que tem o efeito bem contrário: tens partidos q se focam apenas em Lisboa e Porto para terem um pequeno GP e isso resulta mt bem.
Se fosse Nacional esses partidos podiam ir fazer campanha para todo o lado pq qualquer voto contaria.
Eu sou a favor de se resolver isto mas também convém salientar que o nosso esquema eleitoral está mesmo feito de proposito para promover maiorias pq se achava q era a única forma de ter governos estáveis. Não seria bom andarmos com eleições todos os 2 anos e com coligações é esse o risco q se corre sempre.