As pseudociências, na nossa sociedade, são um autêntico cancro. Mais do que as ditas pseudociências, os profissionais que as vendem, como se de tratamentos científicos se tratassem, são um verdadeiro perigo para pessoas com vulnerabilidades psicológicas/psiquiátricas. Para qualquer lado que me vire, vejo pessoas sem qualquer formação em saúde a publicitar os seus serviços enquanto "terapeutas". Prometem acabar com a ansiedade, por exemplo, de forma permanente e através de "métodos" próprios de 3 ou 5 passos. Estou, completamente, farta e indignada.

A gota de água, para mim, no entanto, é ver psicólogos, ainda por cima, com títulos de especialista, a promover terapias alternativas, isto é, práticas pseudocientíficas, violando gravemente o Código Deontológico da própria profissão. É o caso da psicóloga e proprietária de uma clínica, em Tomar: Psictomar.

Antes de avançarem nesta leitura, gostava de recomendar a visualização destes vídeos acerca do quão tão potencialmente perigosas são as práticas pseudocientíficas:

Mais este vídeo sobre como diferenciar pseudociência de ciência:

Continuando. A psicóloga e proprietária da Psictomar publicita e oferece, no seu site (o qual, curiosamente, já não está disponível), três práticas que são totalmente alheias à Psicologia, como se fossem tratamentos científicos, prometendo resultados eficazes:

  1. Cromoterapia;
  2. Barras de Access;
  3. Acupuntura Emocional.

Deixo para consulta estes dois vídeos sobre as duas primeiras pseudociências que mencionei:

A Psictomar foi contactada, há muitos meses, por duas vezes. Uma, a serem-lhe solicitados os estudos científicos que comprovam a eficácia dos "tratamentos" que a dita clínica apregoa, e outra a ser informada que está a publicitar práticas científicas. Nada mudou. Espero que a Ordem dos Psicólogos Portugueses aja em conformidade perante uma psicóloga efetiva que, de acordo com as informações encontradas no site (agora, fora do ar) da clínica da qual é proprietária, alegadamente, se encontra a violar o Código Deontológico da profissão.

Não sou contra que as pessoas se submetam a práticas pseudocientíficas, desde que saibam aquilo a que estão a submeter-se. Cada um é livre de fazer o que quiser e a autodeterminação individual deve ser respeitada.

Sou terminantemente contra que as pessoas sejam levadas ao engano (principalmente, por maus profissionais de saúde), investindo o seu tempo e dinheiro em práticas pseudocientíficas, pensando estarem a submeter-se a tratamentos de saúde comprovadamente seguros e eficazes, desconhecendo os seus riscos, podendo, potencialmente, agravar a sua saúde.

O meu conselho é que, antes de se submeterem a um tratamento psicológico, procurem saber o nome do tratamento. Perguntem de que forma é que esse tratamento vai ajudar-vos. Se as promessas de eficácia vos parecerem demasiado boas para serem verdade, peçam os estudos sobre. As perturbações psicológicas não têm cura, têm remissão (parcial ou total).

Alegações extraordinárias, requerem evidências extraordinárias (Carl Sagan).

Na Saúde não é o vale-tudo, ainda que, pelos vistos, existam pessoas que pensem dessa forma.

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by Ok_Perspective_4601

14 comments
  1. 😯 What?? Isso é vergonhoso!!! Thkx pelo alerta, op

  2. E porque não fazes logo a denúncia à Ordem?

  3. Barras de Access? Psicologia com ferramentas Power BI? /s

  4. A quantidade de clinicas que eu vejo com este tipo de terapias é ridículo. Nestes casos as clinicas deveriam ser obrigadas a dizer que este tipo de terapias não funciona, tipo as bebidas alcoólicas e o “beba com moderação”.

    Edit: por não funciona queria dizer sem base científica.

  5. A juntar a isto, “medicamentos” homeopáticos a ser vendidos descaradamente nas farmácias.

  6. Mas psicologia já não é ciência há alguns anos.

    **EDIT**: Bem, antes que estes “cientistas” me venham a casa agredir, explico o porquê:

    A Psicologia não é uma ciência. Porque a psicologia muitas vezes não cumpre os cinco requisitos básicos para uma área ser considerada cientificamente rigorosa: terminologia claramente definida, quantificabilidade, condições experimentais altamente controladas, reprodutibilidade e, finalmente, previsibilidade e testabilidade.

    A investigação sobre a felicidade, por ex., é um óptimo exemplo do porquê a psicologia não é uma ciência. Como exatamente deve ser definida a “felicidade”? O significado dessa palavra difere de pessoa para pessoa e, especialmente, entre culturas. O que faz os americanos felizes não necessariamente faz os chineses felizes. Como se mede a felicidade? Os psicólogos não podem usar uma régua ou um microscópio, então inventam uma escala arbitrária. Hoje, pessoalmente, estou a sentir-me cerca de 3.7 em 5. E tu?

    A falha em cumprir os dois primeiros requisitos de rigor científico (terminologia clara e quantificabilidade) torna quase impossível que a investigação sobre a felicidade cumpra os outros três. Como é que uma experiência pode ser consistentemente reprodutível ou fornecer quaisquer previsões úteis se os termos básicos são vagos e não quantificáveis? E quando é que alguma vez houve uma previsão confiável sobre o comportamento humano? Fazer previsões úteis é uma parte vital do processo científico, mas a psicologia tem um registo desanimador a este respeito. Basta perguntar a um analista de política externa ou de inteligência.

    Para ser justo, nem toda a investigação em psicologia é igualmente imprecisa. Algumas pesquisas são muito mais cientificamente rigorosas (nomeadamente a psicologia matemática, que só 1% ou menos de quem faz o curso prossegue esta via). E a área frequentemente proporciona insights interessantes e importantes.

    Mas afirmar que é uma “ciência” é impreciso. Na verdade, é pior do que isso. É uma tentativa de redefinir a ciência. A ciência, redefinida, deixa de ser a análise empírica do mundo natural; em vez disso, é qualquer tópico que espalha alguns números ao acaso. Isto é perigoso porque, sob uma definição tão vaga, qualquer coisa pode qualificar-se como ciência. E quando qualquer coisa se qualifica como ciência, a ciência já não pode afirmar ter uma compreensão única sobre a verdade secular. *E é a razão pela qual depois acabamos com as banhas da cobra que o OP refere.*

    É por isso que os cientistas desconsideram os psicólogos. Eles estão, justificadamente, a defender o seu território intelectual.

    Isto é um assunto já mais que batido:

    [https://link.springer.com/article/10.1007/s12124-020-09545-0](https://link.springer.com/article/10.1007/s12124-020-09545-0)

    [https://link.springer.com/article/10.1007/s12124-015-9339-x](https://link.springer.com/article/10.1007/s12124-015-9339-x)

    [https://link.springer.com/article/10.1007/s12124-016-9352-8](https://link.springer.com/article/10.1007/s12124-016-9352-8)

    Eu sei que para quem me está a atacar isto é uma novidade, porque nunca leram um artigo na vida além do título (e se calhar estou a ser generoso).

    **EDIT 2:** Apesar de ter elaborado a minha fundamentação e colocado algumas fontes onde este debate vai mais a fundo, continuo simplesmente a receber ataques pessoais e downvotes lol.

    Olhem, que se de facto psicologia é uma ciência, vocês estão a fazer um trabalho fantástico a representa-la /s

  7. E a pessoa que se diz especialista em psicologia tem cédula e é psicóloga? Ou é outra charlatã a fazer-se passar pelo que não é?

    Seja como for é ridiculo e não tem ética nenhuma. Já fizeste queixa e já te responderam? Senão é capaz de ser boa ideia fazer nova queixa, não? Ou então partilhar isto no Facebook na página da Ordem para os fazer encarar o escrutínio público da falta de ação.

    A queixa para a ERC também é mais que justificada aqui.

  8. Denúncia na ordem não é mais show que solução? Não estou a ser sarcástica, quero mesmo entender que repercussões existem nesses casos.

    A clínica da Rosa Basto também não foi denunciada e nada se passou a não ser haver algures na internet um aviso da ordem sobre a falta de veracidade sobre o protocolo dela?

  9. Não conhecia essas ‘barras de access’ e fui pesquisar. Pseudochachada total, diz q faz e acontece, um sem número de charlatães munidos de estudos duvidosos, relatos de pessoas que entraram em modo culto à volta da coisa. ..

    Enfim, além dos velhinhos também há um certo tipo de perfil que se deixa sempre levar nestas tangas. E os que se aproveitam também se topam à distância. Se estiverem a infringir a lei ou as suas obrigações deontológicas, é fazer queixa, mesmo que não dê em nada.

  10. Estando realmente a ser promovido por psicólogos reais, estes podem ser renunciados a ordem

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