
“Português como língua de Timor foi consensual. Por razões que não têm nada que ver com o que alguns idiotas dizem, que é saudosismo”

“Português como língua de Timor foi consensual. Por razões que não têm nada que ver com o que alguns idiotas dizem, que é saudosismo”
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Esta entrevista é já do fim do ano passado, mas tinha-a já lido e esqueci-me de partilhar. Achei algumas declarações bastante interessantes. Em particular estas:
>A maioria dos países apoiam programas de que eles próprios são responsáveis, executam, claro, em parceria sempre com o governo. Portugal é dos poucos países parceiros de Timor-Leste, amigos de Timor-Leste que nunca negou, regateou o apoio direto ao Orçamento Geral do Estado timorense. Portugal entendia muito bem que um país como Timor-Leste, para o Estado se estabilizar e o governo se estabilizar, tinha de ter apoio no seu Orçamento. A maioria dos países dava apoio a programas, que eles próprios também executam. E executam através de alguma ONG ou alguma agência deles. Isso significa que passa por vários intermediários. Por exemplo, a União Europeia é a instituição com a pior burocracia que há. A burocracia da União Europeia é pior do que a da ONU. É mais complicada. E isto não põe em questão o compromisso de Bruxelas ou dos embaixadores da União Europeia que cá estão.
>Aliás, houve um estudo há muitos anos, da própria ACNUR, sobre o destino do dinheiro dos países doadores. Portugal aparece como o país que quando aloca dinheiro a um país mais dinheiro chega ao destino final. Há sempre despesas que obrigam parte do dinheiro a voltar a Portugal ou a outros doadores, através dos consultores, dos técnicos e da compra de equipamento, talvez. Mas Portugal é o país com mais percentagem de dinheiro que fica no país que recebe. Em alguns casos de países doadores é só 30%. Aliás, em muitos casos. Uma vez conversei com o então presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, sobre quanta percentagem de ajuda de doadores ficava no país. Ele dizia 10%. Eu quando disse que em Timor era 30% ele ficou admirado. Era 30%.
De cada euro doado para ONGs e afins destinados ao terceiro mundo, em média apenas vinte cêntimos chegam ao destino.