Disclaimer: sim, este post vem de um investigador resabiado.

De tempos a tempos, vejo comentários, posts e notícias a expressarem o desejo de que Portugal deixe de ser um país centrado apenas no turismo e serviços de mão de obra barata. As pessoas aplaudem a ideia de investirmos mais em inovação e tecnologia de alto valor acrescentado, numa economia de futuro. Normalmente, as notícias sobre sucessos científicos são também bem acolhidas (exemplos: [1], [2], [3]).

No entanto, como investigador, sinto uma rejeição generalizada por parte da sociedade face à minha profissão. E acho que isso contrasta bastante com o suposto desejo de modernizar a nossa economia.

Alguns exemplos:

A maioria dos investigadores já ouviu perguntas como: "Quando arranjas um trabalho a sério?", "Nunca mais acabas os estudos?", ou "O que vais fazer depois da faculdade?"
Estes comentários deixam-me confuso e desanimado. Confuso, porque, para mim, isto é claramente um trabalho a sério. Não sei ao certo o que as pessoas acham que fazemos. Julgam que ainda vamos às aulas como na licenciatura ou no mestrado? Sim, é verdade que os centros de investigação estão frequentemente ligados a universidades, mas, à medida que a minha carreira avança, o sistema de investigação que vejo tem uma estrutura hierárquica e burocrática complexa — o que me faz questionar ainda mais de onde vem esta perceção de que é "apenas mais uma etapa de estudos".

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Outro comentário que me deixa incomodado: "Essa investigação não serve para nada."
Deixem-me explicar isto bem. Existe pouco financiamento para a investigação científica, e para continuarmos nesta profissão, temos de procurar constantemente fontes de financiamento, como a FCT, a União Europeia ou parcerias privadas. Garantir esses fundos é competitivo e exigente, com taxas de aprovação baixíssimas. Em resumo, ninguém vai financiar um projeto "inútil". Discutir a relevância e a aplicabilidade da ciência é saudável e necessário, sim, mas a perceção de que "não serve para nada" é errada — simplesmente não há dinheiro para projetos irrelevantes, e acima de tudo são as entidades que financiam os projetos que decidem o que é que é relevante ou não.

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Outro ponto: trabalho em investigação aplicada, relativamente próxima da indústria, e para mim parece uma transição natural passar para uma empresa.

No entanto, tenho-me deparado com comentários do tipo "A investigação não conta como experiência de trabalho", ou "Investigação é para quem tem medo do mundo real". Ora, eu sei que há diferenças entre o trabalho académico e o corporativo, mas vejo uma aversão ao meu percurso que não é comum com outras profissões. Conheço amigos que passaram de consultores para data scientists, por exemplo, e ninguém estranha essa transição. A experiência adquirida num laboratório não se torna inválida só porque não foi feita num escritório. Percebo que existam especificidades e nuances aqui, mas não entendo o descrédito completo que existe.

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Escrevo este post porque, como investigadores, estamos sempre a queixar-nos de que nem temos direito a contratos de trabalho, mas como podemos esperar que os políticos nos defendam, se a sociedade em geral não nos valoriza? E queria sobretudo deixar aqui este desabafo para tentar entender — porque é que isto acontece?

Obrigado.

by Kapri111

26 comments
  1. Lembra-te que estás num país onde as próprias pessoas, já nem digo o estado ou os donos, preferem sustentar um negócio falido com subsídios ao invés de darem lugar aos outros. Por isso, se mesmo em coisas pequenas temos mentalidade pequena, imagina para altos voos…

    Sim, estou a falar da restauração, qualquer palerma que consegue estrelar um ovo acha que consegue gerir um restaurante e depois é vê-los por aí a explorar malta, viver à conta de subsídios e a chorar que ninguém quer trabalhar ou que temos poucos turistas…

    Um Musk, um Bill Gates ou um Steve Jobs, se tivessem a infelicidade de nascer em Portugal, estariam neste momento numa consultora qualquer ao invés de terem criado grandes impérios.

  2. > como podemos esperar que os políticos nos defendam, se a sociedade em geral não nos valoriza?

    > porque é que isto acontece?

    Boas perguntas, alguém devia investigar sobre isso.

  3. Porque já é assumido que o resultado da investigação não dá em nada neste país alérgico a investimento, espírito empreendedor (não, abrir uma tasca, não declarar nada e ainda mamar dinheiro do estado não conta, sem nenhuma intenção de desrespeitar quem teve coragem para pelo menos o fazer), criação de riqueza e criação de valor em geral.

    Então quem faz o trabalho de investigar, como não consegue demonstrar a transição dos artigos para a realidade, por razões externas, não é visto como um pioneiro da indústria, mas como um eterno estudante que só escreve papéis de teorias, apesar de querer contribuir para o avanço tecnológico.

  4. Não só em Portugal, mas as pessoas preferem as “noticias” e “informação” vindas de alguém em que os interesses se alinhem com os deles. As investigações ou até estudos são vistos como um ataque à sua inteligência e gosto pessoal, em vez de se acreditarem em alguém que estudou um tópico a vida toda, preferem o comentador x ou y que “aprendeu” a verdade por vídeos da internet ou notícias do Facebook e lhes diz o que querem ouvir.

    O mesmo se pode dizer do governo, se os factos ou informação disponível vai contra as suas ideologias, ou até mesmo contra a sua palavra, preferem investir em algo que não tem futuro só para dizer que estavam certos, e quando não estão, a culpa é dos outros…

    Podemos ver isso especialmente a nível político, em que muitos eleitores acham que a verdade vêm dum só lado. Do deles. Acho que cada vez há mais falta de pensamento critico para poderem avaliar por eles mesmos, querem a papinha toda feita e para isso não se dão ao trabalho de pesquisar, mas sim de comer qualquer coisa que lhes é impingida.

  5. Ressabiados. As pessoas vivem mal, sujeitas a que o seu trabalho represente retorno económico para o empregador ou arriscam-se a ser despedidas.

    Não vêem os investigadores (científicos) pelo contributo social e científico, desconhecem a competitividade da área (que é elevadíssima, boa sorte a conseguir uma bolsa trabalhando 40 horas por semana).

    Olham para os investigadores científicos como uma elite privilegiada que é paga pelo estado para pensar sem sentirem no couro as “pressões do trabalho real”. Porque se eles sofrem, tu não és mais do que os outros para não sofreres o mesmo que nós.

    Um misto de ignorância e ressabiamento.

    Quanto ao apoio ao investimento em investigação, apoiam a ideia de um país mais desenvolvido que lhes proporcione um futuro menos sofrido.

  6. Já ia mandar vir porque pensei logo em investigador privado tipo Sherlock Holmes, que burro, mas pronto, concordo com o que disseste e até acho que com a automatização de muitos trabalhos até deviam começar a haver mais investigadores, melhor pensamento científico para uma melhor qualidade de vida diria.
    Na minha opinião o conhecimento é a maior ferramenta e é o que dá desenvolvimento e o que nos distingue dos animais.
    O problema é que em Portugal se não dá dinheiro não interessa e como não temos empresas que possam aplicar o conhecimento não dá em nada. Temos que ter mais investigadores do turismo (o que não é mau, é só engraçado).

  7. Não tinha esta percepção, de todo. Provavelmente só revela a ignorância de quem diz tal coisa, que devem achar que “fazer estudos” é igual a “ser estudante” lol

  8. Não te esqueças de que vives num dos países com um dos níveis académicos mais baixos da Europa. A maioria das pessoas nem sequer compreende o que faz um investigador. Há também muita inveja, o que leva a comentários desse tipo.

  9. Estranho. Tenho de te dizer que estou a tirar o doutoramento e nunca recebi ou vi comentários desses. Quer dizer, dizem às vezes, mas é mais por estar no doutoramento e não por ser investigador, mas acho compreensível.

    Para dizer a verdade, até deviam ter pena dos investigadores. Ou é preciso muito amor ou muita burrice para seguir este caminho em Portugal.

    Teres de estar constantemente preocupado com o fim do investimento para o projeto que te paga o ordenado em alguns casos, e em outros casos não haver vagas para trabalhares a tempo inteiro no centro de investigação, não é um caminho tranquilo.

  10. Estive bastante tempo na academia e não senti isso.

    Não penso que investigação seja mal visto. Mas também não me parece importante, não vejo que isso influencie condições. Os médicos são bem vistos e têm condições péssimas.

    O que realmente poderia fazer diferença seria ter mais cientistas no parlamento.

  11. Portugal odeia toda a gente, os investigadores são só um subconjunto

    A não ser que tenhas carcanhol, aí o país já gosta muito de ti e quer ser teu bff (ou 10 anos, vá)

    Na verdade é metade do continente, so who cares

  12. Não diria que existe ódio.

    Mas todo o sistema é feudal, serve para alimentar meia dúzia de pessoas, tem zero foco em gerar valor e lucro, muito do trabalho produzido pelos investidores portugueses é lixo intelectual.

    Complicado mudar o sistema.

    Uma ideia, mas isso ia lixar muita gente, era os investidores no sector público ficarem donos das patentes.

  13. Em Portugal a ciência e a inovação ainda são pouco valorizadas, o que afeta o investimento e a perceção da carreira científica. Enquant noutros países a ciência é vista como essencial para o desenvolvimento, Portugal pouca aposta na inovação, com uma economia mais focada em setores de baixo custo acrescentado e baixos requisitos de qualificações. Basta ver a aposta que continuamos a fazer no turismo, que pouco mais dá que trabalhos precários.

    Este problema é agravado pelo baixo número de pessoas com ensino superior, o que faz com que muita gente ainda veja a ciência como algo distante e abstrato, sem entender como pode gerar empregos ou melhorar a qualidade de vida. A educação e a ciência, em vez de serem encaradas como um investimento no futuro, são vistas como um gasto.

    Esta desvalorização reflete-se no baixo investimento público e privado em investigação. Como consequência, as carreiras científicas são vistas como nichos com poucas oportunidades, e muitos jovens acabam por não considerar estas áreas como opção, ou emigram.

    Para reverter esta situação, seria necessário não só mais financiamento e melhores condições para os investigadores, mas também uma mudança cultural para que a ciência seja vista como peça-chave no desenvolvimento do país. Mas não, continuamos a construir hoteis e a deixar ALs invadirem as cidades.

  14. Porque Portugal tem umas condições de porcaria para investigadores. E os investigadores acomodam-se a essas condições porque o curso não lhe dá mais saídas do que uma carreira académica. E se quiseres comprar uma casa como vai ser? Vais querer viver a vida num limbo à espera da próxima bolsa? Até um operador de uma fábrica tem melhores condições em termos de trabalho (não de salário) do que tu porque tem um contrato de trabalho (desconta, pode fazer créditos, tem direito a férias, tem direito a baixa paga pela SS). São essas condições precárias que queres para a vida?

    Quando me ofereceram uma bolsa de doutoramento ri-me muito porque no mercado “tradicional” de trabalho estou a ter 500x mais sucesso do que teria numa carreira académica.

  15. Com 10 anos de experiência no mundo académico, e depois uma transição para o mundo empresarial, vejo bastantes razões para ser crítico do mundo académico. O problema não é só português. O problema é que modelo do sistema científico está totalmente desadequado. Durante a guerra fria no mundo ocidental, o financiamento para ciência vinha de orçamento de defesa, e os investigadores criavam verdadeira inovação. Os financiadores não queriam saber de KPI’s nem de rankings de publicações. Era um investimento de risco que daria resultados a longo prazo. O sistema actual é baseado numa perspectiva capitalista em que a ciência tem que dar resultados imediatos e que financiamento tem que ser obtido de maneira competitiva, e que os resultados têm que ser demonstrados no final do ciclo de financiamento.

    A minha carreira profissional inclui 10 anos no mundo académico, depois de passar para a inovação do lado empresarial. Sabendo o que sei hoje, e por experiência própria a fazer a transição, se tivesse uma vaga para contratar alguém, eu evitaria contratar alguém com doutoramento e sem experiência profissional. Preferia contratar alguém com mestrado e sem experiência profissional porque não passaria 1 ano a desprogramar a pessoa da formatação do mundo académico, antes de poder desenvolver inovação em ambiente empresarial.

    Eu sou a favor do financiamento da ciência, mas tal como está o sistema, é dinheiro e capital humano desperdiçado.

  16. >Deixem-me explicar isto bem. Existe pouco financiamento para a investigação científica, e para continuarmos nesta profissão, temos de procurar constantemente fontes de financiamento, como a FCT, a União Europeia ou parcerias privadas. Garantir esses fundos é competitivo e exigente, com taxas de aprovação baixíssimas. Em resumo, ninguém vai financiar um projeto “inútil”. Discutir a relevância e a aplicabilidade da ciência é saudável e necessário, sim, mas a perceção de que “não serve para nada” é errada — simplesmente não há dinheiro para projetos irrelevantes, e acima de tudo são as entidades que financiam os projetos que decidem o que é que é relevante ou não.

    Isso é, em si mesmo, um problema. Ter critérios económicos a definir o que é ou não é relevante diminui o espaço de investigação para ciência de base. No âmbito das Ciências Sociais e Humanas, por exemplo, a ciência de base é estruturante para o desenvolvimento de cada ramo, mas é preterida em relação a má ciência aplicada, porque se quer que seja imediatamente útil, mesmo à custa da qualidade da investigação.

  17. Nem que propósito, o PCP tem amanhã um debate sobre a investigação em Portugal, “Acesso aberto: de quem é a ciência que produzimos?” com vários investigadores de todo o país. É às 17h, 12 Nov, no Anfiteatro II da Faculdade de Letras de Lisboa

  18. Ja fui investigador muitos anos.

    Investigacao em PT nao serve para mais do que escrever papers para a gaveta para fazer nrs para poder concorrer ao novo financiamento. Esta é a minha experiencia.

    Depois ha todo um “pseudo-concurso” para as bolsas onde sai o concurso ja talhado para o CV da pessoa a quem esta prometida a bolsa.

    Trabalhando ja como investigador e agora em tech numa empresa tenha a dizer que o ritmo da investigacao é 1/5 do mundo real.

  19. O ódio aos investidores começa logo na Administração Pública, com as Câmaras Municipais à cabeça.
    Só são bons os investidores que gastam milhões de euros como centros comerciais e afins, tudo aquilo que os políticos e os funcionários públicos vejam que lhes pode render dinheiro pela porta do cavalo.
    Passados 50 anos desde o 25 de Abril, mudou muita coisa, grande parte para pior mas o que continua igual é a mente mesquinha das pessoas, a começar pela Função Pública, que são contra tudo o que seja privado.

  20. Recebo menos este tipo de comentários agora que estou num doutoramento parcialmente em ambiente não académico do que quando recebia quando era bolseira de investigação só numa universidade, apesar de o meu trabalho não ser particularmente diferente…

    No geral, quanto mais aplicada a ciência mais facilidade as pessoas têm em valorisar. O que é compreensível, mas também é uma perspectiva completamente errada. Sem ciência básica também não havia ciência aplicada

  21. Bem sei, por essas e por outras é que não quis ficar na investigação. Quanto à tua questão, vives numa sociedade que é movida pelo lucro. O teu trabalho funciona com fundos públicos e não gera lucro directamente, logo é menosprezado. Não é nem “trabalho a sério”. Claro que muitas das empresas privadas que geram lucro só existem porque alguém fez a investigação fundamental primeiro. Veja-se como foi durante a pandemia, em que importantes avanços científicos feitos na investigação fundamental foram usados na produção de vacinas, mas os lucros incontáveis foram, claro, para a indústria. E claro que é provavelmente que trabalhes muito mais e a troco de muito menos do que muitos na indústria… Mas é isto. O teu problema não é, infelizmente, nem da mentalidade das pessoas, nem dos políticos. Políticos da democracia burguesa servem os interesses da burguesia. Quanto à mentalidade das pessoas, como já dizia alguém, a ideologia dominante de uma época é a ideologia da classe dominante dessa época. A investigação é e continuará a ser menosprezada.

  22. Descreveste muito bem a experiência, assino por baixo

  23. (fui investigador num Max Plank, fiz parte do representante de PhDs onde tive accesso à realidade em varios sitios, sai pouco depois do PhD, mas tenho varios amigos em diferentes fases: professores, pos-doc, estudantes PhD, mestrado. [faco ciencia no meu tempo livre, relaxadamente](https://www.nature.com/articles/s43247-024-01775-z)).

    A percepcao que tenho da instituicao cientifica é que tem varios problemas graves:

    1. mulheres são tratadas de forma pior que os homens
    2. há abuso de poder por parte de muitos professores para os doutorandos e pos-docs, devido à assimetria de poder
    3. há trafico de influencia em que topicos cientificos sao financiados em prol de interesses individuais (cof Teoria das Cordas cof CERN cof)
    4. há falta de reproducibilidade, acesso dificil a dados, que se transforma em mal pratica cientifica (Francisca Gino é um exemplo)
    5. há ambiente de trabalho toxico (stress, publish or perish, assimetria de poder (e.g. orientador de PhD), elevada dependencia financeira do investigador à instituicao)
    6. o accesso a papers cientificos é controlado por revistas cientificas (i.e. má gestão de fundos publicos)
    7. trabalho precario (“bolsas”, pessoas trabalham muito mais do que sao pagas, um conjunto de esquemas para a Uni nao ter de pagar / dar contrato à pessoa)

    (alguns destes pontos sao melhor descritos pela youtuber Sabine Hossenfelder, das poucas que tem a coragem de falar sobre estes problemas)

    A minha sugestao a investigadores é:

    1. considerem terapia: muitos vivem numa relacao de co-dependencia com a instituicao, e/ou estao a ser abusados por ela. Em particular: conseguem estabelecer fronteiras saudaveis para a vossa vida?
    2. considerem sair da ciencia – facam ciencia no vosso tempo livre se adorarem msm aquilo, mas garantam que a vossa situacao financeira não depende de uma instituicao organizada de forma tão contra-producente, e com resultados tão nefários para os investigadores.

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    1. O comentario “Quando arranjas um trabalho a sério?” é um comentário que eu faria no contexto do ponto 7 a um amigo – a sério – estás a matar-te por um futura promessa de contrato? Não – eles que te apresentem o contrato, e coloque as condicionantes. Essa “promessa futura de uma posicao permanente” é charlatanisse.
    2. “Essa investigação não serve para nada.” é um comentário que eu faria no contexto do ponto 3 a um amigo – sinceramente, temos um mundo repleto de problemas sociais, e o CERN está à procura de 23 mil milhoes de euros para o seu novo acelerador?!? Vivem noutro mundo. Há muita ciencia que é objetivamente financiada por trafico de influencia de pessoas em que os seus CVs dependem de financiamento.
    3. “A investigação não conta como experiência de trabalho” é um comentário que não faria e discorco, mas percebo o sentimento. Por exemplo: muitos investigadores trabalha individualmente ou com um conjunto pequeno de pessoas, com pouca interacao social. A menos que mantenha uma componente social profissional noutro contexto (e.g. voluntariado), acabam por não desenvolver/atrofiar soft skills importantes num contexto profissional, em que há uma interacao social muito maior (e em meios diferentes, e.g. paper bem escrito vs o tom numa reunião enquadra-se na cultura da empresa)

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    Exagerando, já que estamos no reddit: “investigadores” são muitas vezes pessoas numa relacão toxica de co-dependencia com a instituicao cientifica. Professores são investigadores que não conseguiram sair desta relacão, aprenderam os comportamentos da relacão, e perpetuam esses comportamentos com os estudantes/investigadores.

    Obviamente que isto é uma piada, mas penso que é importante, como pessoa, reflectir sobre o meio que te encontras. Em particular, se os interesses das outras pessoas estão alinhados ou contra alinhados com teres uma vida saudavel (fisica e psicologicamente).

  24. Vou tentar dar o meu ponto de vista, sendo que estou do mesmo lado que tu neste argumento e isto foi o que consegui entender até ao momento sobre o que vai na cabeça das pessoas.

    Eu acho que esses argumentos de uma forma geral são fruto do facto de que no país a maior parte da investigação é feita nas universidades e não no setor empresarial. Como tal, muitas das pessoas que acabam por fazer investigação estão a fazê-lo no contexto de terminar um mestrado, que é muito visto como um passo intermédio para depois ir trabalhar para uma empresa, ou porque lá conseguiram uma bolsa de um fundo europeu e dá para ir ganhando algum dinheiro, mas não é uma fonte de rendimento estável, porque pode haver fundo para isso agora mas não para o ano, e o facto de não haver estabilidade financeira faz da atividade “pouco séria”, então é algo que dá para ir fazendo enquanto não se arranja emprego numa empresa que dê essa estabilidade, o tal “trabalho a sério”.

  25. “Em Portugal queremos acabar com os ricos!”. 

    Olof Palme, surpreso, terá respondido: “Curioso, na Suécia queremos acabar com os pobres!” 

  26. por vezes pode ser inveja. Quanto ao “não conta como experiência de trabalho”, bem, tenho a minha opinião, visto que os investigadores que contratamos até agora, não davam uma para a caixa, é sem dúvida um ritmo diferente, trabalha-se com ferramentas diferentes, etc. É experiência de trabalho sim, mas muitas vezes não é propriamente experiência de trabalho na área, é o mesmo que alguém querer ir trabalhar para a microsoft a desenvolver software porque usa o word e o excel diariamente.
    No entanto, sou da opinião que se devia apostar mais na investigação, e não só em investigação teórica, quantas e quantas vezes se fazem descobertas incríveis, que depois passam-se anos e anos e não aparece nada no mercado? onde estão as baterias sólidas? estou há anos à espera dessa m*rda, até agora, nada, continuamos com a m*rda dos dielectricos liquidos embora a investigação tenha mostrado que aparentemente dielectricos sólidos seriam praticamente só vantagens quando comparado às baterias convencionais.

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