O primeiro mostra que os rendimentos médios variam significativamente em função do setor de atividade, e o segundo mostra que a proporção de trabalhadores a receber o salário mínimo depende muito do setor.
Sendo o salário mínimo um valor mínimo por trabalho indiferenciado, este aplica-se igualmente a empresas que faturam vários milhões por ano e ao Sr. Marcelo que tem o café na aldeia de Soutelo em Bragança que talvez fature uns quantos milhares de euros por ano. Por outro lado, tipicamente as empresas que mais faturam são aquelas que têm menor proporção de trabalhadores no salário mínimo (conseguem ver para alguns setores ao sobrepor a informação de ambos os links) e isto parece evidenciar de que a subida do SMN poderá ter mais impacto nas empresas com menores volumes de faturação.
Dito isto, a subida do SMN é inevitável, e desejável. A meu ver, o segredo está na “previsibilidade” da subida, que permita as empresas ajustar a sua estrutura de preços e as suas necessidades de trabalho, de forma a que consiga assegurar a subida gradual da sua massa salarial. Existe no entanto a questão da capacidade de transferir os custos do trabalho para os preços dos produtos. Nem todos os produtos são iguais, e nuns casos, o “pricing power” em certos setores é reduzida. Nesses casos é bem possível que a subida do SMN possa gerar maiores dificuldades e até mesmo insolvências de determinadas empresas.
Sim, o que há mais em Portugal são as “corporate”. Até fico pasmado com a quantidade de hotéis que são demolidos para construírem arranha-céus para escritórios. /s
Falta o gato persa no colo e de facto tens aí a ilustração perfeita do empresário português. É isso mesmo. Ainda ontem fui ali à mercearia e estava o gajo sentado numa cadeira toda pomposa, a comer lagosta. Duas negras a tremer e a choramingar vieram-me servir. Até me assustei quando ele gritou “MEXAM-SE”.
Acho que não atingiste a cena… Não é um fenómeno português, é discurso igual em todo o mundo.
5 comments
Faltou adicionares *dos estados unidos
A questão do salário mínimo tende a ser algo que divide opiniões tanto na sociedade como na politica.
Deixo abaixo dois links para a Pordata.
Rendimentos *declarados* das empresas por setor de atividade:
https://www.pordata.pt/Portugal/Rendimentos+m%C3%A9dios+declarados+das+empresas+total+e+por+sector+de+actividade+econ%C3%B3mica-699
Percentagem de trabalhadores a receber salário mínimo por setor de atividade:
https://www.pordata.pt/Portugal/Trabalhadores+por+conta+de+outrem+com+sal%C3%A1rio+m%C3%ADnimo+nacional+por+sector+de+actividade+econ%C3%B3mica+++Continente+(percentagem)-2897
O primeiro mostra que os rendimentos médios variam significativamente em função do setor de atividade, e o segundo mostra que a proporção de trabalhadores a receber o salário mínimo depende muito do setor.
Sendo o salário mínimo um valor mínimo por trabalho indiferenciado, este aplica-se igualmente a empresas que faturam vários milhões por ano e ao Sr. Marcelo que tem o café na aldeia de Soutelo em Bragança que talvez fature uns quantos milhares de euros por ano. Por outro lado, tipicamente as empresas que mais faturam são aquelas que têm menor proporção de trabalhadores no salário mínimo (conseguem ver para alguns setores ao sobrepor a informação de ambos os links) e isto parece evidenciar de que a subida do SMN poderá ter mais impacto nas empresas com menores volumes de faturação.
Dito isto, a subida do SMN é inevitável, e desejável. A meu ver, o segredo está na “previsibilidade” da subida, que permita as empresas ajustar a sua estrutura de preços e as suas necessidades de trabalho, de forma a que consiga assegurar a subida gradual da sua massa salarial. Existe no entanto a questão da capacidade de transferir os custos do trabalho para os preços dos produtos. Nem todos os produtos são iguais, e nuns casos, o “pricing power” em certos setores é reduzida. Nesses casos é bem possível que a subida do SMN possa gerar maiores dificuldades e até mesmo insolvências de determinadas empresas.
Sim, o que há mais em Portugal são as “corporate”. Até fico pasmado com a quantidade de hotéis que são demolidos para construírem arranha-céus para escritórios. /s
Falta o gato persa no colo e de facto tens aí a ilustração perfeita do empresário português. É isso mesmo. Ainda ontem fui ali à mercearia e estava o gajo sentado numa cadeira toda pomposa, a comer lagosta. Duas negras a tremer e a choramingar vieram-me servir. Até me assustei quando ele gritou “MEXAM-SE”.
Acho que não atingiste a cena… Não é um fenómeno português, é discurso igual em todo o mundo.