Trabalho envenenou-lhe os pulmões, mas juízes dizem que patrão não tem culpa

by dnivi3

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  1. >Trabalho envenenou-lhe os pulmões, mas juízes dizem que patrão não tem culpa
    Motorista de transporte de combustíveis teve de submeter-se a transplante pulmonar. “Qualquer actividade laboral comporta riscos”, avisam magistrados que ilibaram firma de transporte de mercadorias.
    >
    >Um motorista de transporte de combustíveis teve de se submeter a um transplante pulmonar depois de década e meia de serviço. Apesar de ter ficado provado em tribunal que a patologia que desenvolveu se deveu à sua actividade profissional, o Tribunal da Relação de Lisboa ilibou os patrões do trabalhador, que reivindicava uma indemnização de 410 mil euros.

  2. quem lhe manda ter pulmões?!?! isto há com cada um /s

  3. Eu sempre que vejo aqui abastecerem as bombas locais, nunca vi ninguém a usar qualquer tipo de máscara de proteção.

    Há normas de segurança?

  4. É comum, diariamente, ver profissionais das mais diversas áreas a não cumprir as regras de segurança exigidas e, em muitos casos, não são os patrões que impedem o uso. Por exemplo: construção civil sem equipamento de segurança, malta que manuseia matérias perigosas sem máscara, etc.

  5. Portugal, pais onde patrão é rei e trabalhador é lixo.

  6. Não desculpando o papel que a empresa tem na responsabilidade no sucedido. Já trabalhei no transporte de combustíveis e abastecimento de aviões e grande parte dos condutores que vinham deixar combustível rodoviário não usavam máscara de proteção ou óculos apenas fato e luvas para não se sujarem. As empresas devem fornecer o material mas também garantir que os motoristas usam os epis.

  7.  “Qualquer actividade laboral comporta riscos”

    Então o motorista devia receber um bom subsídio de risco calculo eu. Caso contrário esse valor deveria ser pago com retroativos.

    Outra questão que fica no ar é se o motorista cumpriu com as normas de segurança para a função que exerce.

    Acho que está tudo muito em águas turvas.

  8. É uma merda e ninguém ganha para isto. Perdi conta a doença ocupacional que a minha esposa me conta. Eu diria que entre artrites, dores, locomoção afetada, perda parcial de capacidade motora, visão, audição, coluna/dor/postura, etc, 30 a 40% das pessoas que entra num consultório com uma condição crónica ou semi-crónica com a qual não nasceu, o faz por culta do trabalho.

    Nós nem temos noção dos milhões de Euros que as empresas e ou respetivos Seguros não gastam por ano pela maioria das pessoas ou amocharem ou não se estarem para chatear.

    E nem quero falar de ansiedade, burnout, depressão e outros do foro psicológico.

    É perturbador pensar sequer o quão pernicioso trabalhar hoje m dia é.

  9. Uso de EPI devia ser condição para manter empregabilidade. Trabalhei numa grande empresa prestadora de serviços. Não usar cinto de segurança dentro de uma daa viaturas da empresa dava direito a despedimento. Os acidentes rodoviários eram a principal causa de morte de trabalhadores

  10. As considerações sobre os riscos são interessantes. O empregado, antes de começar a trabalhar naquilo, foi informado da séria possibilidade de ver os pulmões destruídos? É que não é assim tão intuitivo. Há riscos óbvios, há outros que nem por isso.

  11. Uma questão de mentalidade… há uns anos visitei um estaleiro de construção no Luxemburgo. Os trabalhadores ( muitos portugueses) não só usavam equipamentos de proteção como fizeram questão de que eu os usasse também. Imagino que em caso de inspeção ou, acidente o facto de a vissitante não ter equipamento não seria desculpa válida para a empresa evitar a choruda multa/penalização. Portanto, Estado, Empresa e Trabalhadores percebiam claramente a necessidade de usar equipamento de proteção evitando multas e acidentes. Aqui, todos nos desculpamos com todos: o Estado pq não fiscaliza, a Empresa pq não faz cumprir, os trabalhadores pq se marimbam…e depois temos sentenças que nos/me envergonham. A prevenção devia ser uma prioridade de todos. É cara? A fiscalização é cara? As baixas por doença/incapacidade, as reformas antecipadas e as mortes são porventura baratas? Os prejuízos para o Estado (todos nós), para as Empresas, para o Trabalhador e Família não podem ser ignorados. A prevenção é fundamental e sem conhecer a sentença em toda a sua extensão atrevo-me a dizer que há leviandade nas palavras escolhidas.

  12. Já tive diverso contacto com diferentes tipos de obras, e a minha mulher é eng. de ambiente e lida também com esse meio.
    É o pão nosso de cada dia! O capacete não dá jeito, a máscara corta o ar, o arnês prende os movimentos, os óculos incomodam…
    Gabo quem trabalha na HST em empresas que se estão a lixar para isso e que só têm HST para inglês ver 😐 É andar constantemente a falar para uma parede 🙄

  13. Basta olhar aqui para uma construção aqui em frente e os trabalhadores não usam capacete e andam pendurados no guindaste da grua sem arnês.

    Na minha opinião, a partir de certo ponto a responsabilidade tem que ser do trabalhador e não do patrão.

    O patrão não consegue andar 24/7 em cima dos empregados a ver se usam o respectivo equipamento de segurança.

  14. Isto também fala muito da falta de qualidade na generalidade das equipas de SST das empresas.

    Muitas medidas não são tomadas e outras são por excesso o que provoca uma reacção adversa dos trabalhadores às mesmas.

    Por exemplo corram um PSS de uma obra qualquer, obrigam SEMPRE ao uso de capacete porque alguém se lembro de fazer isso, mesmo quando a avaliação de riscos da tarefa não identifica a sua necessidade, por exemplo pintura de portas. Quando questiono dizem sempre é obrigatório, e eu pergunto em que artigo de que lei e nunca me respondem.

    As equipas que elaboram os planos devem ser constituídas não só por técnicos que saibam o que se está a fazer mas também por pessoas ligadas ao comportamento humano.

    Numa obra em que participei davamos todos os meios de segurança e formação possível, contudo num dia de tarde andava um rapaz todo ligeiro a descofrar uns painéis de uns muros e onde andava o artista agarrado, ao painel, mandei imediatamente parar o que fazia e perguntei-lhe onde se ia agarrar quando o painel se soltasse e fosse ao chão…

    Mas resumindo.

    A maioria dos patrões só entendem quando lhes vão ao bolso e a maioria dos trabalhadores quando o mal está feito.

  15. Recorte do artigo:

    >
    Trabalho envenenou-lhe os pulmões, mas juízes dizem que patrão não tem culpa

    Não existem quaisquer dúvidas médicas sobre a origem da doença. “Decorreu da exposição do trabalhador a hidrocarbonetos derivados do petróleo devido à actividade profissional que exerceu ao longo de 16 anos”, escreve os três juízes do Tribunal da Relação de Lisboa responsáveis pela decisão proferida no início deste mês, baseando-se nos relatórios clínicos que chegaram ao processo judicial.

    Porém, não estando o uso de máscara previsto para os tripulantes dos veículos que transportam gasóleo, por este combustível não ter efeitos tóxicos por inalação, o patrão acabou por ser desresponsabillizado pela justiça.

    >“A exposição a hidrocarbonetos derivados do petróleo a que se mostra sujeito o motorista do camião-cisterna de transporte de gasóleo não é valorada pelo legislador nacional e da União Europeia como um risco para a segurança e saúde do trabalhador, que deva ser eliminado, ou minimizado, com a atribuição de uma máscara respiratória”, explica o acórdão.

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