PATRÍCIA DE CARVALHO
Deputada do Chega
Antes que me comecem a acusar de populismo, fiquem já a saber que não sou eu que digo que Portugal está cada vez mais corrupto, são os portugueses. Os resultados do Índice de Percepção da Corrupção 2024, divulgado esta semana pela Transparência Internacional, mostra que Portugal está na 43ª posição de um ranking composto por 180 países.
O nosso país caiu da 34ª posição para a 43ª, estando agora na pior posição de sempre, isto é, desde que o ranking começou a ser publicado, em 2012.
Mas para os leitores terem a percepção do que significa o 43º lugar no ranking é importante dizer que, em 2024, Portugal obteve uma pontuação de 57 pontos. E sabe que países têm a mesma pontuação que nós? Não vai adivinhar, porque não cabe na cabeça de ninguém esta miséria, mas Portugal está com os mesmos pontos que o Botsuana e o Ruanda e tem menos pontos do que a Arábia Saudita e a Costa Rica.
Estes dados mostram como o nosso país, e tal como o CHEGA tem vindo a defender desde a sua fundação, está preso num emaranhado de corrupção: é nos governos, é nas autarquias, é nas freguesias.
A corrupção grassa a uma velocidade maior do que a própria erva daninha e não há quem queira acabar com esta doença, senão, vejamos.
Em 2021, o governo de António Costa criou a Agência Nacional Anticorrupção com vista ao combate à corrupção. Pensámos que, finalmente, o PS estava mesmo empenhado em combater este flagelo, até porque é um dos partidos mais afectados por este crime: é que, além dos autarcas, convém não esquecer que José Sócrates foi o primeiro primeiro-ministro de Portugal a ser detido por graves suspeitas da prática de vários crimes, incluindo corrupção. Só que não aconteceu. Aliás, soubemos que, até Dezembro do ano passado, a agência tinha recorrido sempre a ajustes directos e a outros procedimentos não concorrenciais para adquirir bens e serviços, sem nunca ter lançado um único concurso público.
Ora, como é que a Agência Nacional Anticorrupção pode fiscalizar a actividade de terceiros, com vista à prevenção da prática de corrupção, quando não aplica a si mesma os procedimentos claros e transparentes que são exigidos para, efectivamente, evitar situações que podem ser consideradas como corrupção ou outros crimes semelhantes? Isto, caros leitores, não tem palavras, só mesmo num país como Portugal é que o próprio mecanismo de combate à corrupção pode agir nestes termos.
Face ao exposto, como é que os portugueses podem acreditar na classe política?
Regressemos ao Índice de Percepção da Corrupção. Portugal desceu quatro pontos face ao ano anterior devido à percepção de que existe abuso de cargos públicos para benefícios privados e porque existe uma percepção negativa da avaliação daquela que é a eficácia – no caso, ineficácia – do combate à corrupção e da forma como funcionam as instituições públicas.
A isto soma-se ainda o facto de os portugueses verem que as políticas anticorrupção, quando existem, são muito frágeis e não apresentam resultados, como aliás se pode ver pela questão da Agência Nacional Anticorrupção.
Referi-me a José Sócrates, mas não foi o único caso grave relativo ao Partido Socialista. Pode ter sido o mais mediatizado, mas este caso não é filho único. Em 2023 e pela primeira vez na história da democracia, a residência oficial do primeiro-ministro, então António Costa, foi alvo de buscas. Este facto por si só já não era abonatório à imagem que um Chefe de Governo deve ter, mas ainda piorou quando encontraram 75 mil euros escondidos pelo chefe de gabinete de Costa entre livros e caixas de vinho.
Quem está em casa e trabalha todo o santo dia para ter um mísero salário olha para esta situação e o que há-de pensar? Que são todos bons rapazes? Vamos ser honestos: não há uma explicação lógica, e muito menos legal, para se esconder 75 mil euros num gabinete na residência oficial do primeiro-ministro, o que cria na opinião pública a percepção de que os políticos não valem nada ou valem pouca coisa.
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