Acabar com o silêncio e com a culpa: relatos de violência obstétrica

14 comments
  1. Descrições completamente surreais de imaginar. Impressionante termos hospitais públicos com este tipo de tratamento a utentes num dos momentos mais importantes e sensíveis que uma mulher pode passar.
    Simplesmente nojento.

  2. As pessoas esquecem-se que medicos sao humanos e ha humanos que são umas bestas.
    Ha uma enorme falta de responsabilização em tudo neste país e na medicina não é diferente.
    Pior, é que quem se queixa, pode a vir a ser tratado pior noutra situação e caso tenham dinheiro para levar o caso a tribunal, boa sorte em encontrar um medico que testemunhe a favor.

  3. Também aconteceu à minha mulher… Desde o toque maldoso, à episiotomia e à manobra de Kristeller. Tudo sem qualquer aviso, quanto mais autorização.

    Não foi verbalmente abusada, como muitos relatos ai descritos, mas é muito verdade que nos Hospitais Públicos reina um paradigma de que o médico é que sabe e as mulheres são só vacas parideiras.

    Ela já me disse, se tivermos outro filho não quer saber dos públicos.

  4. Nao li todos os casos mas parece me que uma parte substancial tem principalmente a ver com problemas de comunicação e expectativas irrealistas para o que vai acontecer. Pelo meio junta se falta de pessoal em todas as áreas e profissionais em burnout é só agrava o problema. Certamente haverá ainda problemas de ma prática também, mas não sou especialista.

    Ha no entanto um conjunto de coisas que se continuar a evoluir nesse sentido vai levar a um retrocesso em saúde materno infantil. Quem está a fazer o parto são enfermeiras parteiras e médicos que no último caso do têm mais de dez anos só em formação (!). Foram treinados especificamente para isso e melhor do que ninguém sabem o que fazer. A grávida trazer uma lista de como quer que o parto ocorra é quase o equivalente a eu pedir a um piloto como gostava que a aterragem seja feita.

    Durante o trabalho de parto MUITA coisa pode correr mal. E quando corre mal, corre mal a sério com mortes fetais e obstétricas. A tomada de decisões nessas alturas tem com salvar a vida da mulher e da criança e se nessas alturas é necessário instrumentar o parto, fazer uma episiotomia ou passar para uma cesariana, então é isso que tem de ser feito e não estar a atrasar ainda mais.

  5. >Aparece outra médica e dá-me um murro na cara dizendo que tenho de estar calada (fiquei com a cara marcada).

    Foda-se o que é isto?

    Okay, agora [recue-se um bocado mais atrás.](https://sicnoticias.pt/pais/desordem-e-agressoes-no-hospital-de-famalicao-dois-enfermeiros-e-um-seguranca-ficaram-feridos/) Depois de ler todos os testemunhos deste artigo, e não tendo nada a haver com as pessoas em questão, até a mim me ferveu o sangue. Quem não nos garante que, quando há este tipo de violência no hospital, não é exatamente porque houve violência hospitalar primeiro? E além desta violência, também cada vez mais se ouvem relatos de violência nos ginecologistas, por exemplo, o que leva a perguntar quantos mais casos de violência hospitalar são abafadas pela Ordem e pelas vítimas por medo de represálias.

  6. Fake. Os politicos dizem que os hospitais públicos é que são bons e os privados uns predadores que lucram com a falta de saúde das pessoas.

  7. este tema é complicado porque ambos os lados têm razão e o facto de ser um tema sensível que mexe com as emoções das pessoas torna difícil falar sem ser um pouco tendencioso.

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    do ponto de vista ´médico há uns tempo houve uma discussão entre amigos meus sobre este tema e os que são da área da saúde, nomeadamente medicina, explicaram que a especialidade da obstetrícia ainda possui uma cultura muito agarrada à antiguidade e aos galões, os “velhos” fazem as coisas como faziam à 20 anos e têm zero interesse em se atualizar. Algo que é extremamente comum na classe médica especialmente quando nos lembramos que ainda existe uma geração ativa que pouco ou nada fala inglês, pouco ou nenhum interesse tem em se atualizar numa área que mudou drasticamente desde que essas pessoas se formaram. Isto numa situação tão sensível e envolvente como o parto tornam claramente evidente estes problemas. Somando isto a todos os outros problemas do SNS é um caldinho jeitoso.

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    Por outro lado também existe uma abordagem quando à gravidez errada que é criada pela sociedade e muitas vezes também pelos próprios profissionais. Chega-se ao ponto de criar ilusões nas pessoas sobre como pode e vai correr o parto que acredito que no momento em si cheguem a ser prejudiciais pois a equipa médica além de ter de atuar sobre os problemas tem de destruir e procurar obter o apoio da paciente enquanto esta está num estado instável o que torna os traumas e as emoções da situação exacerbadas. Não desvalorizando casos que são efetivamente vergonhosos e animalescos e que tenho a certeza que acontecem acho que também poderá existir algumas situações que a animalidade é mutua não apenas de um dos intervenientes em determinadas situações.

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    O parto é um processo natural e por isso deveria ser tratado por todas as partes dessa forma. Tal como defecar (desculpem o exemplo mas é o que me parece mais fácil de associar), toda tem uma ideia de como funciona e não é preciso ir a blogues nem criar mesinhas nem 50 000 expectativas de como se vai arrear o calhau. 99,9% das pessoas nem sabe muito bem como vai acontecer nem o que vai acontecer assim que senta o rabo na sanita, etc… aqui é igual, isto para quem vai parir. Por outro lado tal como no hospital normalmente quando se precisa de obter fezes espera-se que a pessoa as faça naturalmente, não andam com uma bomba atrás da pessoa para ser mais rápido ou se intervém sem dizer nada, também no parto devia ser igual, isto para quem trata as grávidas.

  8. A minha mãe passou por isso nas duas gravidezes que teve, mas a pior foi mesmo na primeira (simplificando, bebé demasiado grande para ser feito um parto normal, foi uma sorte ambos terem sobrevivido, horas de sofrimento desnecessárias se tivessem optado por cesariana), e pelo meio aquelas frases “simpáticas” que as enfermeiras diziam ás parturientes “para os fazer já não gritaram” . O curioso é que ela não olha para isto como violência obstétrica, encara como uma coisa normal da época, mesmo eu tentando explicar que mesmo para aquela época isso não era normal.

  9. Perspectiva de pai de 2, nascidos noutro país (Alemanha) com clara diferença cultural a nível de partos. O objectivo não é mesmo comparar países mas sim abordagens diferentes ao mesmo tema.

    Não quero discutir os casos especificos do artigo em que as mães tinham problemas prévios visto que só temos um lado da história e não sou médico.

    A minha pergunta é: porque não mudar a mentalidade/cultura e tentar levar o parto como um procedimento, sempre que possível, natural visto que é isso que deve ser e para a maioria dos casos tal será possível com todas as vantagens que isso tras para a mãe e bebé e até mesmo para o sistema de saúde (menos custos).

    Noto que a principal diferença aqui na Alemanha é que as futuras mães são preparadas para o parto natural. A própria epidural, apesar de ser opção, é visto como algo secundário e não como algo que muito certamente vais ter. Num parto normal, num hospital, o médico só aparece no fim quando o bébé está ca fora. Numa sala de parto estão portanto 3/4 pessoas (1 ou 2 parteiras, mãe e parceiro(a)).

    Pelo que vi deste artigo e doutros, visto que parece ser um tema bastante abordado parece haver uma pressa geral de apressar o parto de provocar (mesmo em gravidezes saudaveis), etc.

  10. Não é possível filmar o parto em Portugal?

    Sei que o tipo da violência em questão se passa em várias partes, mas se alguém pudesse filmar o parto talvez os funcionários teriam mais educação.

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