Infelizmente tem Paywall, no entanto quero partilhar uma opinião sociológica:
Vê-se na política e em muita ciência leiga a ideia de que a mulher é inerentemente (o que pressupõe causa biológica) mais ternurenta e “apta” para a função parental. Isto é algo que é válido, possível.
Porém, entre os entraves económicos que a figura parental masculina tende a ter (maior expectative de ser o provedor), os estigmas sociais com homens (vários artigos sobre preconceito contra homens em educação primária, pais e docentes) e a geral falta de figuras masculinas em educação, não é de espantar que os putos se radicalizem.
Este vácuo de figura masculina e de referências paternais é o que abre caminho para a infiltração silenciosa de outras figuras na vida dos miúdos. Sejam eles amigos, influencers, celebridades, etc. Apesar de antigamente o homem não ter um papel mais activo, este vácuo era mais dificilmente preenchido por falta de redes sociais.
Isto não é só uma questão moral, é científico, é social, e não se devia deixar passar comentários que menosprezem o papel do homem enquanto pai; nem se deveria aceitar má ciência sobre a “natureza humana” do homem enquanto cuidador.
O único facto aqui são os entraves à consumação dos pais quanto aos seus direitos de serem pais.
O artigo tem paywall seria interessante ao criar o post transcrever o artigo na totalidade ou com os pontos mais relevantes.
Estou de licença como pai e algo que ouvi foi “no meu tempo não havia nada disto”, e ainda estava nos 21 dias obrigatórios.
Uma forma de eliminar o desvaforecimento das mulheres nas contratações de empresas devido às licenças, é tornar as licenças para as mães e os pais iguais, assim não correm nenhum risco maior ao contratarem uma mulher.
“Pó de Arroz
Tens hoje só pra mim
Pós de perlimpimpim
És um arroz doce sim”
Já várias me perguntaram se o meu miúdo não tinha mãe porque fico com ele uma boa parte do dia, e ando com ele pelas ruas do lugar…
Não tenho dados, mas penso que se fosse um miúdo com uma mulher já ninguém perguntava o mesmo
Os meus chefes riram-se quando lhes disse que ia tirar os dias obrigatórios. Tirei na mesma, obviamente.
Alguém consegue tirar a paywall?
E eu preocupado com o estigma, não só tirei a licença “normal” como tirei mais 2 meses de licença partilhada. O trabalho é importante mas é só trabalho, se deixo passar este tempo crucial no desenvolvimento do bebé nunca mais o volto a ter.
Se o patrão não gostar temos pena, eu tb não gosto de muita coisa no meu emprego e dou o litro à mesma. Se forem colegas a mandarem boquitas levam logo respostas menos agradáveis e para a próxima não se metem lol
As licenças e afins deviam ser legalmemte obrigatórias com pessadas multas para a empresa em caso de incuprimento, já se garantiam direitos e acabavam parte destes problemas.
(e claro aumentar a fiscalização)
Misandria
Mas custa assim tanto entender que a licença parental serve para tanto ajudar esposa/companheira nas tarefas que são fundamentais quando se tem um recém nascido, como também os próprios pais poderem usufruir desse momento de ligação emocional ao seu novo rebento?
De facto Portugal em termos de mentalidade geral, ou mentalidade de grupo está demasiado atrasado e na minha opinião é um dos fatores para o atraso do país.
E depois vão os palhaços do parlamento para as tv’s falar de emigração e da mudança de paradigma no que toca à população Portuguesa, etc, etc. Quer dizer, não se dá condições aos Portugueses que querem ter filhos. E o que é os Portugueses fazem? Acabam por não ter filhos.
Chega um casal de emigrantes que no país de origem está habituado a viver em miséria, e onde os pais criam autenticas equipas de futebol muitas vezes com fome, doenças e outras coisas que tal à mistura. E encaram com a realidade Portuguesa que comparada com a de onde vêm é um paraíso, claro que vão ter filhos mesmo sacrificando muito mas comparado com o que aconteceria no país deles o sacrifício não é nada.
No fundo é um pouco do que acontecia em Portugal há 50, 60 ou 70 anos. Muitos filhos, muitos irmãos, mas também muita fome, muita miséria. E quem cresceu como eu a ouvir essas estórias dos avós e dos pais, com toda a certeza não se quer sujeitar a tal nem muito menos sujeitar crianças a isso.
Tudo isto para dizer que ou as mentalidade mudam, ou dificilmente se reverte o declínio populacional em Portugal sem o auxilio dos emigrantes.
Quando fui pai do primeiro fiquei o primeiro mês obrigatório todo seguido mais a semana opcional. No fim dos cinco meses da mãe tirei eu o 6o mês.
Com a mais nova, tirei novamente o primeiro mês obrigatório mais a semana opcional. Por escolha nossa não tirei o 6o mês para a mãe não ir trabalhar. Ela vai agora tirar três meses de licença alargada e depois vou eu tirar mais três.
E chato no trabalho esse tempo todo fora? Sim. Podem fazem alguma coisa contra? Não 🤷♂️
Ha muita coisa mal nas nossas licenças parentais:
1.o So os 21 dias obrigatórios são em conjunto – a partir daí a mulher que se desenrasque sozinha com um bebé de colo.
2.o a licença é curta. No maximo so ficas com a criança em casa ate ao 1o ano de vida.
3.o a remuneração a partir do 6o mês é fraquinha.
Eu tirei 5 meses de licença, sendo homem, para estar com o meu filho. Foi espetacular. Tenho fotos magnificas nossas na praia a passear. Vou sempre olhar para trás e dizer que foram maravilhosos meses. Que se lixe o trabalho.
Eu estou a andar no Shopping agora mesmo com o meu filho de 9 meses ao colo. Há quem olhe para mim como se fosse um super herói. Se for a minha companheira acham o mesmo?
Não o pariram.. Mas deram o seu suor e.. Outro liquido!
A empresa onde eu trabalhava tentou imiscuir-se nas minhas decisões relativamente à família aquando do nascimento do meu filho. Não só fiz valer os meus direitos como ainda pouco tempo depois apresentei a minha demissão e segui caminho.
Foi na Alemanha e foi durante a pandemia mas eu, pai, tirei 7 meses de licença a seguir à minha esposa.
Tenho noção do privilégio que foi mas recomendo vivamente a quem puder e passei a ficar com a opinião que a ligação que tento se fala de entre mãe e filho está muito ligada a este tempo que passam juntos.
Realmente, um pai que **ama o filho**? Que coisa **estranha** não é?
Os senhores “*Bourbon de Linhaça*” vão achar muito estranho um homem que não vê o filho apenas uma vez por semana no almoço de domingo.
Nao utilizar os direitos é o primeiro passo para desaparecerem
Passar tempo com os filhos ou gerar valor para os acionistas?
Que escolha difícil lmao
Para quem não consegue ler:
*“Há gajos que parece que foram eles que pariram o bebé”: como o estigma persiste quando os homens gozam direitos parentais*
*Jorge foi despedido no dia em que pediu o direito à partilha da redução de horário. Artur despediu-se quando, ao voltar da licença parental, a relação com o chefe nunca mais foi a mesma*
*Não houve nada de comum na partilha de responsabilidades entre Jorge Dias e a companheira na hora de tomar conta da filha bebé. Depois de a criança nascer, a 14 de abril do ano passado, e de terem gozado cada um a licença exclusiva obrigatória (28 dias para o pai, 42 para a mãe), decidiram dividir a chamada licença parental inicial de forma harmoniosa. A mulher gozou, ao todo, quatro meses e Jorge três. Nada disto foi um problema para a “empresa espetacular” onde trabalhava.*
*A adversidade chegou quando mudou de trabalho, a 21 de setembro, aliciado pelas boas condições de uma outra firma. Aí a vida começou a intrincar-se para o recém-pai, de 33 anos. A gestão das atividades dos dois filhos, a mais nova com cinco meses e o mais velho com dois anos, e o regresso da mulher ao trabalho emaranhavam a rotina familiar. “Era de loucos.”*
*Foi então que descobriu que a dispensa diária para aleitação poderia não só ser uma ajuda como também ser gozada pelo pai. São duas horas por dia de redução horária nos primeiros 12 meses da criança.*
*Novo na empresa, Jorge optou primeiro por falar com a chefia sobre esta intenção. “Disse-lhe que queria usufruir da redução de horário em três dias da semana, mas que estava disponível para compensar nos outros dois dias, e ele aceitou sem problema”, conta ao Expresso. Compensaria às terças e quintas o tempo a menos das segundas, quartas e sextas, mesmo que não tivesse de o fazer.*
*Qual não foi o seu espanto quando foi despedido horas depois de ter formalizado o pedido aos recursos humanos, com a empresa a alegar “falta de adaptação ao cargo”.*
*“A paridade só vai existir quando for obrigatório para o pai e para a mãe tirarem o mesmo tempo”, afirma Artur*
*Percebeu de imediato que o pedido tinha caído “muito mal” na nova organização. O afastamento de que estava a ser alvo resultava dele, embora a questão da aleitação não tenha sido, por uma vez, abordada nas reuniões em que compareceu, nem Jorge a tenha convocado. Indignado, decidiu avançar para tribunal, tendo acabado por receber uma indemnização por parte da empresa — não por ter sido despedido na sequência de um pedido de gozo de um direito que tem, mas só pelo “pormenor” de ter estado a trabalhar sem contrato assinado e, nessa situação, o Código do Trabalho presumir “que se trata de um contrato sem termo e que o trabalhador está excluído do período experimental”.*
Pergunta para os pais que já tiraram licença paternal. A quantos dias tenho direto com pagamento a 100% considerando que a mulher vai usufruir o mínimo obrigatório dela? Ouvi falar em licença partilhada
Quando nasceu o meu primeiro filho, tive uma discussão muito feia com uma pessoa que, além de meu superior hierárquico, também era e é meu amigo. Não há nada mais estúpido do que ser felicitado por ser Pai para depois me perguntarem porque é que quero passar tempo com o meu filho recém nascido.
Meus amigos, o tempo não volta atrás. É só isto.
Eu fiquei com a licença de parentalidade total e estou prestes a tirar mais 90 dias.
Como a minha mulher é patroa dela própria fiquei eu com a licença, e ainda bem pois é sem dúvida, uma fase super feliz da nossa vida.
Obviamente que todos os “meus superiores” andaram meses a questionar me se a miuda tem mãe, se sou eu que tenho mamas etc…
Quando me falavam cordialmente eu respondia de acordo… agora tive um chefe que estava constantemente a dizer “no meu tempo não havia nada dessas merdas e sou contra blablablá”. Bastou uma vez responder “se calhar nota -se que devias ter estado mais presentes para eles” que o homem além do AVC que ia tendo nunca mais comentou nada.
Por acaso já estive numa empresa do grupo Adeo que fez mais do que uma vez a vida negra a quem usufruiu da licença total. Pior empresa que trabalhei fds
Aqui no estado de Flórida, não é obrigatório o patrão pagar parental leave aos pais e mães, a não ser que trabalhem para o estado.
O meu patrão disse que era a minha mulher que devia ter ficado em casa…
Enfim…
Mentalidade de país pequeno. Por mais que sinta saudades do meu país, a verdade é que são os pequenos ( e grandes detalhes) como este que me deixa mais convencido que fiz a melhor escolha de viver fora.
Trabalho no UK para uma empresa cujo empresa-mãe é sediada na Dinamarca. Mesmo que no Reino Unido a licença de maternidade é somente 2 semanas, a empresa decidiu a coisa de 3 anos atrás unilateralmente oferecer como benefício licença de paternidade paga de 12 semanas a empregados recém-pai, sem prejuízo ou impactos nas suas carreiras.
Queixam-se em Portugal de falta de produtividade ou de retenção? Basta olhar lá para fora e fazerem copy-paste de outros.
Sei bem o que é. Sofri na pele esse estigma e preconceito até mesmo pressão pela minha antiga entidade patronal. Sou pai e mãe durante a semana por infelizmente a minha mulher trabalhar a mais de 200 Km de casa. Ainda sofro de alguma maneira essa descrição tanto no trabalho como na vida social.
Gostava de um dia contar a minha história porque a mãe também sofreu de alguma forma com esse estigma e preconceito de deixar um filho ao cuidado do pai.
Eu não percebo porque é que não fazemos como os países nórdicos? Claramente resulta.
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Infelizmente tem Paywall, no entanto quero partilhar uma opinião sociológica:
Vê-se na política e em muita ciência leiga a ideia de que a mulher é inerentemente (o que pressupõe causa biológica) mais ternurenta e “apta” para a função parental. Isto é algo que é válido, possível.
Porém, entre os entraves económicos que a figura parental masculina tende a ter (maior expectative de ser o provedor), os estigmas sociais com homens (vários artigos sobre preconceito contra homens em educação primária, pais e docentes) e a geral falta de figuras masculinas em educação, não é de espantar que os putos se radicalizem.
Este vácuo de figura masculina e de referências paternais é o que abre caminho para a infiltração silenciosa de outras figuras na vida dos miúdos. Sejam eles amigos, influencers, celebridades, etc. Apesar de antigamente o homem não ter um papel mais activo, este vácuo era mais dificilmente preenchido por falta de redes sociais.
Isto não é só uma questão moral, é científico, é social, e não se devia deixar passar comentários que menosprezem o papel do homem enquanto pai; nem se deveria aceitar má ciência sobre a “natureza humana” do homem enquanto cuidador.
O único facto aqui são os entraves à consumação dos pais quanto aos seus direitos de serem pais.
O artigo tem paywall seria interessante ao criar o post transcrever o artigo na totalidade ou com os pontos mais relevantes.
Estou de licença como pai e algo que ouvi foi “no meu tempo não havia nada disto”, e ainda estava nos 21 dias obrigatórios.
Uma forma de eliminar o desvaforecimento das mulheres nas contratações de empresas devido às licenças, é tornar as licenças para as mães e os pais iguais, assim não correm nenhum risco maior ao contratarem uma mulher.
“Pó de Arroz
Tens hoje só pra mim
Pós de perlimpimpim
És um arroz doce sim”
Já várias me perguntaram se o meu miúdo não tinha mãe porque fico com ele uma boa parte do dia, e ando com ele pelas ruas do lugar…
Não tenho dados, mas penso que se fosse um miúdo com uma mulher já ninguém perguntava o mesmo
Os meus chefes riram-se quando lhes disse que ia tirar os dias obrigatórios. Tirei na mesma, obviamente.
Alguém consegue tirar a paywall?
E eu preocupado com o estigma, não só tirei a licença “normal” como tirei mais 2 meses de licença partilhada. O trabalho é importante mas é só trabalho, se deixo passar este tempo crucial no desenvolvimento do bebé nunca mais o volto a ter.
Se o patrão não gostar temos pena, eu tb não gosto de muita coisa no meu emprego e dou o litro à mesma. Se forem colegas a mandarem boquitas levam logo respostas menos agradáveis e para a próxima não se metem lol
As licenças e afins deviam ser legalmemte obrigatórias com pessadas multas para a empresa em caso de incuprimento, já se garantiam direitos e acabavam parte destes problemas.
(e claro aumentar a fiscalização)
Misandria
Mas custa assim tanto entender que a licença parental serve para tanto ajudar esposa/companheira nas tarefas que são fundamentais quando se tem um recém nascido, como também os próprios pais poderem usufruir desse momento de ligação emocional ao seu novo rebento?
De facto Portugal em termos de mentalidade geral, ou mentalidade de grupo está demasiado atrasado e na minha opinião é um dos fatores para o atraso do país.
E depois vão os palhaços do parlamento para as tv’s falar de emigração e da mudança de paradigma no que toca à população Portuguesa, etc, etc. Quer dizer, não se dá condições aos Portugueses que querem ter filhos. E o que é os Portugueses fazem? Acabam por não ter filhos.
Chega um casal de emigrantes que no país de origem está habituado a viver em miséria, e onde os pais criam autenticas equipas de futebol muitas vezes com fome, doenças e outras coisas que tal à mistura. E encaram com a realidade Portuguesa que comparada com a de onde vêm é um paraíso, claro que vão ter filhos mesmo sacrificando muito mas comparado com o que aconteceria no país deles o sacrifício não é nada.
No fundo é um pouco do que acontecia em Portugal há 50, 60 ou 70 anos. Muitos filhos, muitos irmãos, mas também muita fome, muita miséria. E quem cresceu como eu a ouvir essas estórias dos avós e dos pais, com toda a certeza não se quer sujeitar a tal nem muito menos sujeitar crianças a isso.
Tudo isto para dizer que ou as mentalidade mudam, ou dificilmente se reverte o declínio populacional em Portugal sem o auxilio dos emigrantes.
Quando fui pai do primeiro fiquei o primeiro mês obrigatório todo seguido mais a semana opcional. No fim dos cinco meses da mãe tirei eu o 6o mês.
Com a mais nova, tirei novamente o primeiro mês obrigatório mais a semana opcional. Por escolha nossa não tirei o 6o mês para a mãe não ir trabalhar. Ela vai agora tirar três meses de licença alargada e depois vou eu tirar mais três.
E chato no trabalho esse tempo todo fora? Sim. Podem fazem alguma coisa contra? Não 🤷♂️
Ha muita coisa mal nas nossas licenças parentais:
1.o So os 21 dias obrigatórios são em conjunto – a partir daí a mulher que se desenrasque sozinha com um bebé de colo.
2.o a licença é curta. No maximo so ficas com a criança em casa ate ao 1o ano de vida.
3.o a remuneração a partir do 6o mês é fraquinha.
Eu tirei 5 meses de licença, sendo homem, para estar com o meu filho. Foi espetacular. Tenho fotos magnificas nossas na praia a passear. Vou sempre olhar para trás e dizer que foram maravilhosos meses. Que se lixe o trabalho.
Eu estou a andar no Shopping agora mesmo com o meu filho de 9 meses ao colo. Há quem olhe para mim como se fosse um super herói. Se for a minha companheira acham o mesmo?
Não o pariram.. Mas deram o seu suor e.. Outro liquido!
A empresa onde eu trabalhava tentou imiscuir-se nas minhas decisões relativamente à família aquando do nascimento do meu filho. Não só fiz valer os meus direitos como ainda pouco tempo depois apresentei a minha demissão e segui caminho.
Foi na Alemanha e foi durante a pandemia mas eu, pai, tirei 7 meses de licença a seguir à minha esposa.
Tenho noção do privilégio que foi mas recomendo vivamente a quem puder e passei a ficar com a opinião que a ligação que tento se fala de entre mãe e filho está muito ligada a este tempo que passam juntos.
Realmente, um pai que **ama o filho**? Que coisa **estranha** não é?
Os senhores “*Bourbon de Linhaça*” vão achar muito estranho um homem que não vê o filho apenas uma vez por semana no almoço de domingo.
Nao utilizar os direitos é o primeiro passo para desaparecerem
Passar tempo com os filhos ou gerar valor para os acionistas?
Que escolha difícil lmao
Para quem não consegue ler:
*“Há gajos que parece que foram eles que pariram o bebé”: como o estigma persiste quando os homens gozam direitos parentais*
*Jorge foi despedido no dia em que pediu o direito à partilha da redução de horário. Artur despediu-se quando, ao voltar da licença parental, a relação com o chefe nunca mais foi a mesma*
*Não houve nada de comum na partilha de responsabilidades entre Jorge Dias e a companheira na hora de tomar conta da filha bebé. Depois de a criança nascer, a 14 de abril do ano passado, e de terem gozado cada um a licença exclusiva obrigatória (28 dias para o pai, 42 para a mãe), decidiram dividir a chamada licença parental inicial de forma harmoniosa. A mulher gozou, ao todo, quatro meses e Jorge três. Nada disto foi um problema para a “empresa espetacular” onde trabalhava.*
*A adversidade chegou quando mudou de trabalho, a 21 de setembro, aliciado pelas boas condições de uma outra firma. Aí a vida começou a intrincar-se para o recém-pai, de 33 anos. A gestão das atividades dos dois filhos, a mais nova com cinco meses e o mais velho com dois anos, e o regresso da mulher ao trabalho emaranhavam a rotina familiar. “Era de loucos.”*
*Foi então que descobriu que a dispensa diária para aleitação poderia não só ser uma ajuda como também ser gozada pelo pai. São duas horas por dia de redução horária nos primeiros 12 meses da criança.*
*Novo na empresa, Jorge optou primeiro por falar com a chefia sobre esta intenção. “Disse-lhe que queria usufruir da redução de horário em três dias da semana, mas que estava disponível para compensar nos outros dois dias, e ele aceitou sem problema”, conta ao Expresso. Compensaria às terças e quintas o tempo a menos das segundas, quartas e sextas, mesmo que não tivesse de o fazer.*
*Qual não foi o seu espanto quando foi despedido horas depois de ter formalizado o pedido aos recursos humanos, com a empresa a alegar “falta de adaptação ao cargo”.*
*“A paridade só vai existir quando for obrigatório para o pai e para a mãe tirarem o mesmo tempo”, afirma Artur*
*Percebeu de imediato que o pedido tinha caído “muito mal” na nova organização. O afastamento de que estava a ser alvo resultava dele, embora a questão da aleitação não tenha sido, por uma vez, abordada nas reuniões em que compareceu, nem Jorge a tenha convocado. Indignado, decidiu avançar para tribunal, tendo acabado por receber uma indemnização por parte da empresa — não por ter sido despedido na sequência de um pedido de gozo de um direito que tem, mas só pelo “pormenor” de ter estado a trabalhar sem contrato assinado e, nessa situação, o Código do Trabalho presumir “que se trata de um contrato sem termo e que o trabalhador está excluído do período experimental”.*
Pergunta para os pais que já tiraram licença paternal. A quantos dias tenho direto com pagamento a 100% considerando que a mulher vai usufruir o mínimo obrigatório dela? Ouvi falar em licença partilhada
Para quem acha que é mais fácil para as mães: No ano passado, foram despedidas [cinco grávidas e recém-mães por dia](https://www.noticiasaominuto.com/economia/2718641/paradoxal-desde-2020-que-nao-eram-despedidas-tantas-gravidas).
Onde andam os « defensores da família » ?
Quando nasceu o meu primeiro filho, tive uma discussão muito feia com uma pessoa que, além de meu superior hierárquico, também era e é meu amigo. Não há nada mais estúpido do que ser felicitado por ser Pai para depois me perguntarem porque é que quero passar tempo com o meu filho recém nascido.
Meus amigos, o tempo não volta atrás. É só isto.
Eu fiquei com a licença de parentalidade total e estou prestes a tirar mais 90 dias.
Como a minha mulher é patroa dela própria fiquei eu com a licença, e ainda bem pois é sem dúvida, uma fase super feliz da nossa vida.
Obviamente que todos os “meus superiores” andaram meses a questionar me se a miuda tem mãe, se sou eu que tenho mamas etc…
Quando me falavam cordialmente eu respondia de acordo… agora tive um chefe que estava constantemente a dizer “no meu tempo não havia nada dessas merdas e sou contra blablablá”. Bastou uma vez responder “se calhar nota -se que devias ter estado mais presentes para eles” que o homem além do AVC que ia tendo nunca mais comentou nada.
Por acaso já estive numa empresa do grupo Adeo que fez mais do que uma vez a vida negra a quem usufruiu da licença total. Pior empresa que trabalhei fds
Aqui no estado de Flórida, não é obrigatório o patrão pagar parental leave aos pais e mães, a não ser que trabalhem para o estado.
O meu patrão disse que era a minha mulher que devia ter ficado em casa…
Enfim…
Mentalidade de país pequeno. Por mais que sinta saudades do meu país, a verdade é que são os pequenos ( e grandes detalhes) como este que me deixa mais convencido que fiz a melhor escolha de viver fora.
Trabalho no UK para uma empresa cujo empresa-mãe é sediada na Dinamarca. Mesmo que no Reino Unido a licença de maternidade é somente 2 semanas, a empresa decidiu a coisa de 3 anos atrás unilateralmente oferecer como benefício licença de paternidade paga de 12 semanas a empregados recém-pai, sem prejuízo ou impactos nas suas carreiras.
Queixam-se em Portugal de falta de produtividade ou de retenção? Basta olhar lá para fora e fazerem copy-paste de outros.
Sei bem o que é. Sofri na pele esse estigma e preconceito até mesmo pressão pela minha antiga entidade patronal. Sou pai e mãe durante a semana por infelizmente a minha mulher trabalhar a mais de 200 Km de casa. Ainda sofro de alguma maneira essa descrição tanto no trabalho como na vida social.
Gostava de um dia contar a minha história porque a mãe também sofreu de alguma forma com esse estigma e preconceito de deixar um filho ao cuidado do pai.
Eu não percebo porque é que não fazemos como os países nórdicos? Claramente resulta.
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