Seis em cada 10 mulheres escolhem ter partos por cesariana.
É uma escolha. Estão informadas sobre essa escolha.
Ja leio alguns comentários a julgar a escolha. É só malta que acha que pode mandar no corpo dos outros.
Os riscos para a mulher e para a criança aumentam significativamente com cesariana.
O tempo de recuperação também é pior (praticamente o dobro).
Parto natural é o recomendado por motivos óbvios, mas vem agora esta moda da cesariana porque….sim?
Só passei para dizer o quão absurdo é ver a quantidade de gente a opinar sobre coisas que não faz a mínima ideia. Falam com a maior das certezas, baseados no diz-que-disse, como se tivessem lido mil estudos e tirado um curso sobre o assunto.
Basta sair um “estudo” com uma percentagem de risco ligeiramente maior e já aparece a brigada do puritanismo moral, armados em donos da verdade.
Comparar um parto com uma cirurgia qualquer? A sério? Parece os posts dos políticos: toda a gente manda bitaites, mas ninguém acerta uma.
Acho que só a estatística não é suficiente, deveriam associar a causa da cesariana: escolha da própria? Trabalho de parto que não evoluiu após indução? (Sim, há médicos que não estão para esperar e marcam indução porque dá jeito), posição fetal? Etc etc.
Fazer os médicos o bixo papão na intervenção não faz sentido, é preciso perceber o que levou ao médico sugerir ou adoptar esta opção.
1o filho tive cesariana por má posição fetal e já estar a fazer febre ao fim de horas de trabalho de parto. Não o escolhi, teve de ser.
2o posso ter que fazer novamente cesariana por risco de ruptura do útero (por ter cesariana anterior), mas deram me a liberdade de escolher tentar o parto espontâneo visto ser o mais seguro.
O meu caso não é o genérico. Mas generalizar assim as estatísticas também não é correto.
Gosto do facto dos jornalistas saberem que um procedimento médico é pior ou melhor independentemente do contexto em que foi realizado. Tal como se alguém não tivesse responsabilidade sobre o que escreve. O nudge para o debate é o “piorou”
Percebem mesmo da poda alguns…
Claro que são coisas completamente diferentes. Mas infelizmente nem toda a gente pode escolher livremente.
Vou contar a nossa história…
2012, um aborto infelizmente que ficou retido e teve de ser aspirado. (situação idêntica que imensas mulheres passam infelizmente)
Fins de 2013, descolamento da placenta logo inicio da gravidez e feto com batimento cardiaco. Hospital publico mandou ir trabalhar porque como não tinha 3 meses de gestação ainda para eles não era viavel.
Nasceu em junho de 2014, não graças ao hospital publico, mas sim ao privado onde tudo ajudaram e fizeram para que o repouso absoluto nos primeiros meses ajudasse a cicatrizar e assim aconteceu.
Privado marcado para parto normal (entrada no hospital ás 42 semanas de gestação) após horas de sofrimento e de sofrimento para a criança descobrimos que o miudo estava mal posicionado e a cada contração o batimento dele diminuia…. cesariana de urgência…
O meu filho está cá, vai fazer 11 anos, de saúde e tudo a agradecer ao privado. (CUF Descobertas) Não porque nos apeteceu.. não porque podiamos… Mas só porque a experiência no público foi a mais traumatizante, desumana, estúpida, fria e com profissionais que nem para respirarem prestam…
Após vários anos de tentativa de engravidar de novo, só em 2023 conseguimos, gravidez diferente, como se nada fosse até às 30 semanas onde houve perda de sangue e corrida desta vez para o privado (publico de novo não)
Como estamos num país em que as regras estão escritas, não deve haver nascimentos antes das 32 semanas no privado (têm de ser transportados para o público) Mas como estamos num país em que os politicos preferem andar a foderem-se uns aos outros em vez de fazerem alguma coisa útil… encontrar um hospital com as condições para um possível nascimento… conseguimos Hospital de Cascais com serviço de neonatologia preparado já para nos receber.
Esteve uma semana internada, onde fez maturação pulmonar para que desenvolvesse mais rápido para evitar complicações. Correu bem, teve alta, mas ás 36 semanas quis nascer… e nasceu… não de parto normal como pretendido mas de cesariana porque a cesariana anterior tinha a cicatriz muito fragilizada e estava a rasgar…. Nasceu nos Lusiadas em Março de 2024.
Pontos a reter… Somos de Santarém… fomos forçados a ir para Lisboa da primeira vez…
Da segunda vez, com a situação dos hospitais “fechados” fomos forçados a ir para lisboa… mas nem uma MAC aberta…. após 30 minutos dos médicos terem feito várias chamadas fomos deslocados para o Hospital de Cascais…
O Hospital de Cascais que tanta gente diz mal (e acredito), foi do melhor que nos podia ter acontecido. Nem uma palavra a dizer mal, desde as pessoas que nos receberam, dos auxiliares, das enfermeiras, dos e das médicas que acompanharam, das instalações, dos serviços prestados, EM NADA ficou atrás de um privado… muito pelo contrário. Notamos superior aos Lusiadas até na higiene… a todos estes profissionais que tudo fizeram e que desde o inicio foram prestáveis mesmo com as condições que ás vezes conseguem ter para trabalhar… o meu OBRIGADO do fundo do coração.
Por isso não critiquem quem escolhe parto natural vs cesariana… infelizmente nem todos o podem fazer…e por vezes quando se escolhe… é porque tem mesmo de ser.
E não é por isso que a minha mulher é menos ou mais mulher por ter sido duas cesarianas.
Só nós é que sabemos pelo que passamos para podermos ter os nossos filhos cá, com saúde hoje com 10 anos de diferença um do outro…
Acalmem-se e respeitem as escolhas de cada um.
**Preocupem-se sim, com a falta de governo para resolver a situação ridicula em que se encontra o serviço de atendimento hospitalar…**
A minha criança mais velha não virava. Peço desculpa aos senhores jornalistas por não ter arriscado a vida da mãe e criança em nome da PVRESA NATAL.
pior porquê?
É uma vergonha! Dinheiro acima de tudo. Mascaram estes dados com “decisão da mulher” “direito à escolha” mas na verdade é apenas €€€. Uma cesariana é muito mais rentável do que estar horas e horas em trabalho de parto. Segundo a OMS isto é um absurdo, mas continua a ser feito. Estar nas mãos dos privados dá nisto!
Este artigo fala em cerca de 30% para o SNS(não especificam, só dizem que é metade do privado).
O que se passa? Pessoal com gravidez de risco vai para o privado com mais frequencia enviesando assim os dados? Procedimento desnecessário? Há uma grande disparidade de numeros.
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Seis em cada 10 mulheres escolhem ter partos por cesariana.
É uma escolha. Estão informadas sobre essa escolha.
Ja leio alguns comentários a julgar a escolha. É só malta que acha que pode mandar no corpo dos outros.
Os riscos para a mulher e para a criança aumentam significativamente com cesariana.
O tempo de recuperação também é pior (praticamente o dobro).
Parto natural é o recomendado por motivos óbvios, mas vem agora esta moda da cesariana porque….sim?
Só passei para dizer o quão absurdo é ver a quantidade de gente a opinar sobre coisas que não faz a mínima ideia. Falam com a maior das certezas, baseados no diz-que-disse, como se tivessem lido mil estudos e tirado um curso sobre o assunto.
Basta sair um “estudo” com uma percentagem de risco ligeiramente maior e já aparece a brigada do puritanismo moral, armados em donos da verdade.
Comparar um parto com uma cirurgia qualquer? A sério? Parece os posts dos políticos: toda a gente manda bitaites, mas ninguém acerta uma.
Acho que só a estatística não é suficiente, deveriam associar a causa da cesariana: escolha da própria? Trabalho de parto que não evoluiu após indução? (Sim, há médicos que não estão para esperar e marcam indução porque dá jeito), posição fetal? Etc etc.
Fazer os médicos o bixo papão na intervenção não faz sentido, é preciso perceber o que levou ao médico sugerir ou adoptar esta opção.
1o filho tive cesariana por má posição fetal e já estar a fazer febre ao fim de horas de trabalho de parto. Não o escolhi, teve de ser.
2o posso ter que fazer novamente cesariana por risco de ruptura do útero (por ter cesariana anterior), mas deram me a liberdade de escolher tentar o parto espontâneo visto ser o mais seguro.
O meu caso não é o genérico. Mas generalizar assim as estatísticas também não é correto.
Gosto do facto dos jornalistas saberem que um procedimento médico é pior ou melhor independentemente do contexto em que foi realizado. Tal como se alguém não tivesse responsabilidade sobre o que escreve. O nudge para o debate é o “piorou”
Percebem mesmo da poda alguns…
Claro que são coisas completamente diferentes. Mas infelizmente nem toda a gente pode escolher livremente.
Vou contar a nossa história…
2012, um aborto infelizmente que ficou retido e teve de ser aspirado. (situação idêntica que imensas mulheres passam infelizmente)
Fins de 2013, descolamento da placenta logo inicio da gravidez e feto com batimento cardiaco. Hospital publico mandou ir trabalhar porque como não tinha 3 meses de gestação ainda para eles não era viavel.
Nasceu em junho de 2014, não graças ao hospital publico, mas sim ao privado onde tudo ajudaram e fizeram para que o repouso absoluto nos primeiros meses ajudasse a cicatrizar e assim aconteceu.
Privado marcado para parto normal (entrada no hospital ás 42 semanas de gestação) após horas de sofrimento e de sofrimento para a criança descobrimos que o miudo estava mal posicionado e a cada contração o batimento dele diminuia…. cesariana de urgência…
O meu filho está cá, vai fazer 11 anos, de saúde e tudo a agradecer ao privado. (CUF Descobertas) Não porque nos apeteceu.. não porque podiamos… Mas só porque a experiência no público foi a mais traumatizante, desumana, estúpida, fria e com profissionais que nem para respirarem prestam…
Após vários anos de tentativa de engravidar de novo, só em 2023 conseguimos, gravidez diferente, como se nada fosse até às 30 semanas onde houve perda de sangue e corrida desta vez para o privado (publico de novo não)
Como estamos num país em que as regras estão escritas, não deve haver nascimentos antes das 32 semanas no privado (têm de ser transportados para o público) Mas como estamos num país em que os politicos preferem andar a foderem-se uns aos outros em vez de fazerem alguma coisa útil… encontrar um hospital com as condições para um possível nascimento… conseguimos Hospital de Cascais com serviço de neonatologia preparado já para nos receber.
Esteve uma semana internada, onde fez maturação pulmonar para que desenvolvesse mais rápido para evitar complicações. Correu bem, teve alta, mas ás 36 semanas quis nascer… e nasceu… não de parto normal como pretendido mas de cesariana porque a cesariana anterior tinha a cicatriz muito fragilizada e estava a rasgar…. Nasceu nos Lusiadas em Março de 2024.
Pontos a reter… Somos de Santarém… fomos forçados a ir para Lisboa da primeira vez…
Da segunda vez, com a situação dos hospitais “fechados” fomos forçados a ir para lisboa… mas nem uma MAC aberta…. após 30 minutos dos médicos terem feito várias chamadas fomos deslocados para o Hospital de Cascais…
O Hospital de Cascais que tanta gente diz mal (e acredito), foi do melhor que nos podia ter acontecido. Nem uma palavra a dizer mal, desde as pessoas que nos receberam, dos auxiliares, das enfermeiras, dos e das médicas que acompanharam, das instalações, dos serviços prestados, EM NADA ficou atrás de um privado… muito pelo contrário. Notamos superior aos Lusiadas até na higiene… a todos estes profissionais que tudo fizeram e que desde o inicio foram prestáveis mesmo com as condições que ás vezes conseguem ter para trabalhar… o meu OBRIGADO do fundo do coração.
Por isso não critiquem quem escolhe parto natural vs cesariana… infelizmente nem todos o podem fazer…e por vezes quando se escolhe… é porque tem mesmo de ser.
E não é por isso que a minha mulher é menos ou mais mulher por ter sido duas cesarianas.
Só nós é que sabemos pelo que passamos para podermos ter os nossos filhos cá, com saúde hoje com 10 anos de diferença um do outro…
Acalmem-se e respeitem as escolhas de cada um.
**Preocupem-se sim, com a falta de governo para resolver a situação ridicula em que se encontra o serviço de atendimento hospitalar…**
A minha criança mais velha não virava. Peço desculpa aos senhores jornalistas por não ter arriscado a vida da mãe e criança em nome da PVRESA NATAL.
pior porquê?
É uma vergonha! Dinheiro acima de tudo. Mascaram estes dados com “decisão da mulher” “direito à escolha” mas na verdade é apenas €€€. Uma cesariana é muito mais rentável do que estar horas e horas em trabalho de parto. Segundo a OMS isto é um absurdo, mas continua a ser feito. Estar nas mãos dos privados dá nisto!
Segundo a WHO:
* Espanha: 27%
* França: 19.6 %
* Alemanha: 30.5%
* Portugal: 35.2%
https://apps.who.int/gho/data/node.main.BIRTHSBYCAESAREAN?lang=en
Este artigo fala em cerca de 30% para o SNS(não especificam, só dizem que é metade do privado).
O que se passa? Pessoal com gravidez de risco vai para o privado com mais frequencia enviesando assim os dados? Procedimento desnecessário? Há uma grande disparidade de numeros.
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