″Utentes preferem esperar 4 a 6 horas na urgência do que voltar ao centro de saúde″

12 comments
  1. “Tal como antes, a maioria das situações, cerca de 40%,…”

    Sou só eu que estou perdido com esta frase?

    Edit: pelos vistos 40% são as pulseiras verdes e azuis. Ou seja, a maior “fatia” das urgências, mas continua a ser errado dizer a “maioria”

  2. Eu não gosto muito destes artigos, falam como se as urgências fossem umas coitadinhas, mas a verdade é que o sistema está mal montado desde o principio, o centro de saúde é 90% das vezes só a triagem, vais lá e eles dizem o que tens de ir fazer a seguir, raramente resolvem o problema, claro algumas vezes é ir a farmácia e ir para casa, outras vezes tens de ir descobrir um sitio que faça analises ou faça tac ou faça raio-x ou faça electrocardiograma, depois tens de marcar nesse sito, depois tens de ir lá, esperar por resultados, voltar ao centro de saude, repetir, etc, outras vezes mandam-te para a urgência do hospital, enquanto isto muitas vezes estás a sofrer ou tens pouca mobilidade ou tens poucas possibilidades de tempo ou dinheiro…

    Eu vou sempre ao meu centro de saúde ou ligo a linha 24, mas a verdade é que o centro de saúde devia ser a primeira linha no tratamento e a maioria das vezes não é, os centros de saúde deviam estar equipados como se fossem mini urgências, não vão fazer cirurgia, mas deviam dar os medicamentos e ter mais equipamentos para fazer analises, medições do que for possível, tirar sangue para mandar para analises, não digo um TAC em cada centro de saúde mas algum equipamento para além de termómetros e balanças, também era boa ideia terem mais algumas especialidades para além de médico de familia e enfermeiros, se os centros de saúde fossem um pouco mais autônomos e focados em resolução em vez de triagem as urgências não iam ter tantos problemas, porque da forma como está montado, é preferível 6 horas a anhar nas urgências que 3 dias a andar de um lado para outro a sofrer (fisicamente, mentalmente, etc) para resolver o teu problema.

  3. eu prefiro ir às urgências esperar o tempo que for preciso pq quando vou às urgências já vou preparado em gastar aquele tempo.

    nao vou ao centro de saúde pq não tenho medico d família, a consulta mais cedo possível é só daqui a 2 meses ou mais e ainda corro o risco de ela ser cancelada pq o médico apeteceu não ir.
    ah e pq isso do acordar às 4-5h da matina para ter consulta livre nao funciona pq o centro de suade onde estou registado não tem disso
    true story.

    a malta fala com o rei da barriga, façam visitas cliente-mistério e vão ver o quão merda isto é.

    nao, não é iliteracia de saúde.

  4. Alguns centros de saúde funcionam terrivelmente mal. A probabilidade de ir ao centro de saúde para pedir uma consulta aberta e sair de lá de mãos a abanar é elevada. E eu tenho médico de família, mas só funciona com marcações de meses.

    Acho que todos estamos de acordo que não devemos entupir as urgências com situações banais, mas as pessoas não são estúpidas.

  5. Uma das reformas urgentes é dotar os centros de saúde com análises e RX para que as pessoas aceitem ir ao centro de saúde e não tanto para as urgências.

    Sei que está previsto no PRR e isso deve avançar

  6. Vamos lá criticar o português que entope as urgências porque não tem mais nada que fazer e tem uma dorzita a chatear.

    Eu sofro de enxaquecas, tenho várias crises (mais ou menos espaçadas) e já fui vista por vários especialistas. Até agora consegui diminuir a frequência e é muito mais raro ter enxaquecas mesmo muito fortes. Já tentei vários tratamentos mas neste momento é o que tenho.

    Quando tenho uma crise já sei o que me calha, tomo a medicação que me foi prescrita pelo médico e “rezo” para que a crise não seja muito grande. Por vezes as dores são horríveis e em casa não consigo gerir o problema. Atenção, estas crises duram vários dias e normalmente consigo aguenta las, quando procuro ajuda médica e porque já estão à imenso tempo ou então porque a dor está bastante forte.

    Já me dirigi várias vezes ao centro de saúde com este problema e o percurso foi quase sempre o mesmo. Consulta de urgência para o próprio dia ou dia seguinte, na consulta o médico receitar outro tipo de analgésico e recomendar consultar um neurologista. Saio de lá com a mesma dor que entrei, vou a farmácia e espero que aquele medicamento realmente faça efeito. A maioria das vezes a dor continua, pode diminuir a intensidade mas não passa, assim que o medicamento passar a dor volta a 100%.

    Muitas vezes a minha opção é ir à urgencia. Claro que estando com dores bastante incómodas, onde o barulho e a luz piora, uma urgencia hospital não é de todo o local ideal para ir. Estou 2 ou 3 horas à espera de ser atendida, colocam medicação intravenosa e normalmente faz efeito. Quando não faz eu falo com o enfermeiro e em conjunto com o médico alteram a medicação até que realmente a dor passe. É desconfortável, é doloroso, são horas num local pouco confortável mas é a única maneira que tenho de conseguir ultrapassar este problema. Normalmente dão me pulseira verde porque não é urgente (verdade, não estou a morrer, só estou com dores brutais, mas entendo perfeitamente a triagem) mas se é a única forma que tenho de melhorar vão considerar falsa urgência?

    É verdade que algumas pessoas se dirigem ao hospital sem necessidade, sim é. Mas também é verdade que os centros de saúde estão pouco preparados para lidar com problemas agudos. Podes trabalhar bem na prevenção e afins, mas mais que isso provavelmente só uma ida ao hospital ajuda. Façam serviços intermédios, preparem os centros de saúde para casos simples e aí sim reclamem se continuarmos a ir a urgência hospitalar.

  7. Digam-me por favor um centro de saúde que atenda. O meu não tem vagas para consulta e já fui para lá às 6 da manhã, já me tentei inscrever noutro e não aceitam a inscrição.

    A única coisa que consegui marcar planeamento familiar para dizerem que não dão aconselhamento de métodos contraceptivos.

  8. Se calhar isto vai rebentar na minha cara, mas nesta thread é possível identificar pelos vários comentários a fraca literacia de saúde que levam de facto a esta opinião em relação ao serviço de urgência.

    Na nossa sociedade, está muito presente a ideia – na minha opinião fundamentalmente errada – de que se o médico não prescreve exames, não está a fazer bem o seu trabalho e/ou não está investido o suficiente na nossa situação. Não acho que isto seja verdade, porque apesar dos meios complementares de diagnóstico serem muito importantes, apenas o são quando apoiados por uma contextualização clínica que lhes dá propósito e aqui entra a importância de uma boa semiologia, pela anamnese e pelo exame objectivo. Em vários casos, o diagnóstico faz-se pela clínica do doente e a situação pode não exigir todos os exames possíveis. Mas infelizmente, o tempo para consulta é cada vez menor (haverá ainda maior incentivo a encurtá-lo pelo aumento de afluência no SU), e o sentido de que o profissional será negativamente conotado se alguma apresentação menos típica trouxer outras consequências para o doente (que podem inclusive ser apenas logísticas, como ter de recorrer ao SU ou nova consulta), leva a que seja ampliado o leque de exames pedidos, o que é pouco eficiente (os recursos à disposição são temporalmente, fisicamente e economicamente finitos, já para não dizer restritos, por isso é importante adequá-los).

    Claro que há quadros e sintomas atípicos que podem fazer confundir uma situação grave por uma situação ligeira, mas não é lógico que tratemos a excepção como se da regra se tratasse e aqui entra outro ponto: parece que toda a gente conhece um parente de um conhecido de um amigo que era saudável, alimentava-se correctamente (pontos bónus se for vegetariano, então), fazia exercício, não fumava, não tomava drogas e não bebia (e com azar se calhar também não fodia, coitado) e um dia caiu para o lado e morreu. O que espectacularmente parece em simultâneo desvalorizar a importância de hábitos de vida saudável no dia-a-dia da pessoa como colocar urgência desmesurada na sua situação quando estão moderadamente desconfortáveis, pois “se isto aconteceu aquela pessoa, quer portanto dizer que pode acontecer-me a mim!”. E de facto, muitos users aqui estão a caracterizar o funcionamento dum serviço com base em evidências anedóticas da sua experiência pessoal ou de familiares directos, sem a compreensão e o contexto que lhes são chave. Se as histórias de insucesso terapêutico e diagnósticos errados que cada indivíduo tem para partilhar (aqui e noutros fóruns) fossem a norma, o SU seria um cenário bem mais apocalíptico do que às vezes parece (se bem que há dias em que parece que só faltam as chamas).

    E talvez isso seja felizmente inevitável, porque quer dizer que as pessoas enquanto utentes não estão presentes numa unidade de saúde tão frequentemente quanto os profissionais que lá trabalham. Mas leva ainda a outro ponto, que é a máxima conhecida de que o segundo médico que consultamos para o nosso problema é sempre “melhor” que o primeiro. E se recorrermos ao SNS – e especialmente se aguardarmos horas infindáveis no SU ou no centro de saúde -, há uma boa possibilidade de que o próximo encontro seja no privado e aí sim, esperámos pouco tempo para sermos atendidos (não tem de maneira nenhuma a afluência do público), pediram-nos todos os exames e mais alguns (na verdade, há menor desincentivo logístico e se calhar até é encorajador para a economia da instituição) e resolveram o problema, depois de chegarem ao diagnóstico correcto. Não é tão simples quanto dizer que no privado trabalha-se com melhores condições e recursos à disposição que no público, nem que o profissional recrutado pelo privado seja mais qualificado, mas podemos sim afirmar que o segundo (ou terceiro ou quarto) médico que nos consulta tem o benefício de poder excluir a hipótese diagnóstica do primeiro ou a avenida terapêutica que este tomou, porque sabe que essa não funcionou. Infelizmente, a prática da medicina por vezes é inversamente tão linear quanto nós somos heterogéneos no que toca ao nosso corpo, com diferentes interacções, reacções, queixas, sinais, etc. e isso pode significar algum trial-and-error, que numa situação avaliada como menos urgente para a vida da pessoa pode significar que este possa ter “o luxo” de esperar num contexto mais adequado, seja no conforto do lar, seja numa unidade de cuidados primários, ao passo que em quadros clínicos reconhecidamente perigosos/instáveis significa que haverá a necessidade de não só dedicar mais tempo como de manter ou enviar o doente para um serviço com cuidados mais diferenciados.

    Por outro lado, no que respeita a posição dos profissionais de saúde, talvez seja injusto exigir um nível de literacia da saúde à população geral, quando esta não recebe nem de perto nem de longe os conhecimentos e treino que estes primeiros recebem. Da mesma maneira que a nível de literacia financeira, não seremos tão fortes quanto os profissionais ligados ao sector. Ou a nível de mecânica, ou a respeito de equipamentos de instalação eléctrica, canalização, etc., variadíssimas áreas que são determinantes nas nossas vidas. Podemos, no entanto, melhorar o conhecimento da população de forma a conseguirem navegar por estas realidades de uma forma mais correcta e eficiente (porque recorrer às urgências para tratar questões de saúde de baixa urgência NÃO é eficiente no global, mesmo que a nível individual se poupe algum tempo). A quem cabe esta responsabilidade de melhorar essa literacia? Nós, os profissionais. Esse, na minha opinião, também é um aspecto onde falhamos há décadas, mas parece-me que estamos continuamente a melhorar.

    É claro, não há sistemas perfeitos. E o nosso SNS e muitos serviços de urgência estão bem longe serem perfeitos. Mais do que atirar dinheiro para cima, é preciso resolver a desorganização nos serviços e a sobrecomplexidade processual que o comodismo de várias chefias e administrações tem constantemente permitido. Para quem é profissional, esta realidade pode passar ao lado, mas para quem está do lado de fora, é uma complicação frequente aceder aos cuidados de saúde primários e secundários, inclusive para tratar situações menores antes que estas aumentem de dimensão, e isso torna-se também um incentivo a recorrer erradamente ao SU. (a sério, não temos melhor que cartas no correio a explicar que temos uma consulta marcada aleatoriamente para daqui a semana que passou depois de 4 semanas de espera?)

    Acho que a solução passa de facto por melhorar a literacia da saúde da população, mas igualmente importante por reforçar as unidades de cuidados primários e dotá-las, quiçá, com possibilidade de meios complementares de diagnóstico mais simples e menos custosos como tem sido feito em algumas unidades, por exemplo com espirometrias (sim, eu sei, isto não serve de nada num contexto de urgência, tenham calma), ECG, RX, etc., e acima de tudo simplificar o acesso a estes cuidados, como também alguns utilizadores aqui já apontaram.

    **TL;DR: exames não dão necessariamente mais saúde, casos excepcionais não são a regra, evidência anedótica não é a mais representativa, 2º médico que nos atendeu > 1º médico, há sim iliteracia em saúde, tanto utentes como profissionais não são perfeitos, o SNS é MUITO imperfeito, as coisas não vão ficar melhores se entupirem o serviço que está de portas abertas mas que é o mais crítico que funcione bem e abertamente a quem realmente precisa, por favor recorram a consultas de ambulatório ou SNS24 antes do SUG.**

  9. Desde que fiz seguro deixei de ir ao público, felizmente nunca tive nada de grave. Só o facto de ir a uma urgência no privado, pagar 15€ e ficar atendido em 20min vale ouro.
    Acredito que para problemas graves e situações complicadas só no público é que dá para safar.
    Agora urgências de pulseira verde/amarela e consultas de especialidade para ver se tudo está bem, privado com seguro.

Leave a Reply