Já vai aparecer alguém a dizer que antigamente era melhor.
antigamente com 5 contos comprava o mercado
Ainda vamos voltar a esse tempo glorioso! Angola era nossa e ao domingo, com sorte, uma sardinha dava para cinco!
Antigamente a minha avó tinha bigode e não era o meu avô… Tenho dito!
Não sei mas ao menos o pobre era Português de gema /s
E olha que essas imagens eram em Lisboa. Imagina o quão mal era no interior
Só diz isso quem pertencia às classes dominantes, os saudosistas
Mas olha o pessoal a viver o momento mesmo a sério, nem um telemovel à vista!
era uma merda total.
Só gente a viver no momento. Ninguém a olhar para o telemóvel. /s
Não.
A questão é muito mais complexa do que olhar para umas simples fotos e assumir, de forma apressada, que antes era tudo pior ou melhor. Fotografias são apenas fragmentos congelados no tempo, descontextualizados, incapazes de transmitir toda a complexidade social, económica e emocional de uma época.
Não são prova de absolutamente nada. A vida era melhor para uns e pior para outros, tal e qual como acontece hoje. A única diferença visível é que estamos inseridos numa era tecnologicamente mais avançada, com acesso facilitado a recursos, serviços e conhecimento que, no passado, ou não existiam ou estavam reservados a uma minoria muito restrita.
Pessoalmente, conheço famílias cujos descendentes afirmam que os seus avós ou bisavós nunca passaram necessidades: nunca faltou dinheiro, nem comida, nem estabilidade. Em contraste, conheço também histórias marcadas pela fome, pelo medo, pela opressão e pela precariedade absoluta.
Ambos os relatos são válidos, porque refletem realidades paralelas que sempre coexistiram. Não há um “antes” homogéneo nem um “agora” universal.
O que é que, então, está objetivamente melhor hoje? O acesso à informação é incomparável. A saúde, apesar de ainda cheia de desigualdades, avançou de forma gigantesca. Doenças que eram sentenças de morte são hoje tratáveis. Direitos que antes nem se sonhavam começam agora a ganhar espaço. Há mais liberdade de expressão, mais vozes ouvidas, mais possibilidades de mobilidade social, ainda que tudo isso esteja longe de ser perfeito ou acessível a todos.
Mas isso não significa que vivamos num paraíso. A era moderna trouxe também as suas próprias formas de sofrimento: alienação, burnout, desigualdades digitais, crises existenciais, desinformação em massa. Os problemas não desapareceram, apenas mudaram de forma. E é por isso que comparar épocas com base em nostalgia ou num punhado de imagens pode ser perigosamente simplista.
O que precisamos, talvez, é de mais lucidez histórica. Perceber que cada época tem os seus desafios e as suas virtudes. O passado não era um inferno absoluto nem um paraíso perdido. E o presente não é nem o auge da civilização nem o fim dos tempos. É apenas mais um capítulo com novas ferramentas, novas perguntas e, claro, os mesmos dilemas humanos de sempre.
Inserir o velho chavão do taxista/barbeiro: “antigamente havia mais respeito”.
Até ao dia de hoje alguém me tem de explicar como há tanta gente a confundir medo com respeito…
Antigamente 2006 ou antigamente 1954?
2006 era porreiro, mas não tenho nada contra 2025.
1954, não obrigado.
No tempo das bruxas!
Quem acha que antigamente viva melhor é porque vivia numa bolha de luxo
Não, a vida era péssima. Havia muita miséria mas as pessoas não gostam de contar essa parte, talvez porque muitas dessas pessoas já não estão entre nós.
O saudosismo, eu acho, vem dos costumes e de uma vida mais ordeira, onde o respeito pelos outros existia. Acho que a geração mais velha sente falta desses valores da sociedade.
Regime salazarista.➡️ Putos privilegiados hoje em dia.➡️ Ignorância pelo sofrimento do passado.➡️ Propaganda no twitter.➡️ Crescimento do chega.
Basta ouvir os nossos pais a contar a infância deles para saber que não era melhor
Todos portugueses brancos! Nem um preto ou imigrante árabe! Ah que bons velhos tempos /s
Concordo com todos vocês…
E não sou ninguém para falar do antigamente.
A vida mudou, mudou o mundo…
O que antigamente não fazia falta, hoje é imprescindível.
Devemos olhar para trás e com reflexo para o futuro!
Que não volto o tempo de antigamente!
Mas há uma coisa que a minha avó dizia.
“Éramos pobres, mas éramos felizes, agora as pessoas são todos fracas”
Cada vez olhamos mais para o nosso umbigo, só sabemos reclamar, egoísmo e ganância!
Olhar para trás e refletir, “afinal temos muito”
Que não volto o tempo de antigamente, que não volte nenhuma ditadura, nenhuma guerra.
Para os ricos, sim.
A minha familia viveu mal, mas diz a minha tia que foi muito feliz nessa época e apesar do pouco que tinham havia um sentimento forte de pertença e de comunidade. A minha avó diz que hoje com as comodidades que tem é rica tem comodidades básicas e tinha uma casa relativamente ok para a altura.
Muitos já enumeraram várias potenciais razões de existir tal frase nas nossas vidas, mas venho acrescentar apenas mais um detalhe: o tempo induz nostalgia e, neste campo, tendemos a guardar nas nossas memórias os melhores momentos ou, pelo menos, a interpretar os piores com mais leveza
Os mais velhos dizem que sim era melhor. Olha ainda hoje o meu pai (50 e poucos anos) andava a ‘discutir’ dizendo que tomar banho de água quente é um luxo e que deveriamos tomar banho de água fria na rua como se fazia antigamente…
Com pessoas pensando assim é normal que tenham saudades da miséria de antes..
25 comments
Já vai aparecer alguém a dizer que antigamente era melhor.
antigamente com 5 contos comprava o mercado
Ainda vamos voltar a esse tempo glorioso! Angola era nossa e ao domingo, com sorte, uma sardinha dava para cinco!
Antigamente a minha avó tinha bigode e não era o meu avô… Tenho dito!
Não sei mas ao menos o pobre era Português de gema /s
E olha que essas imagens eram em Lisboa. Imagina o quão mal era no interior
Só diz isso quem pertencia às classes dominantes, os saudosistas
Mas olha o pessoal a viver o momento mesmo a sério, nem um telemovel à vista!
era uma merda total.
Só gente a viver no momento. Ninguém a olhar para o telemóvel. /s
Não.
A questão é muito mais complexa do que olhar para umas simples fotos e assumir, de forma apressada, que antes era tudo pior ou melhor. Fotografias são apenas fragmentos congelados no tempo, descontextualizados, incapazes de transmitir toda a complexidade social, económica e emocional de uma época.
Não são prova de absolutamente nada. A vida era melhor para uns e pior para outros, tal e qual como acontece hoje. A única diferença visível é que estamos inseridos numa era tecnologicamente mais avançada, com acesso facilitado a recursos, serviços e conhecimento que, no passado, ou não existiam ou estavam reservados a uma minoria muito restrita.
Pessoalmente, conheço famílias cujos descendentes afirmam que os seus avós ou bisavós nunca passaram necessidades: nunca faltou dinheiro, nem comida, nem estabilidade. Em contraste, conheço também histórias marcadas pela fome, pelo medo, pela opressão e pela precariedade absoluta.
Ambos os relatos são válidos, porque refletem realidades paralelas que sempre coexistiram. Não há um “antes” homogéneo nem um “agora” universal.
O que é que, então, está objetivamente melhor hoje? O acesso à informação é incomparável. A saúde, apesar de ainda cheia de desigualdades, avançou de forma gigantesca. Doenças que eram sentenças de morte são hoje tratáveis. Direitos que antes nem se sonhavam começam agora a ganhar espaço. Há mais liberdade de expressão, mais vozes ouvidas, mais possibilidades de mobilidade social, ainda que tudo isso esteja longe de ser perfeito ou acessível a todos.
Mas isso não significa que vivamos num paraíso. A era moderna trouxe também as suas próprias formas de sofrimento: alienação, burnout, desigualdades digitais, crises existenciais, desinformação em massa. Os problemas não desapareceram, apenas mudaram de forma. E é por isso que comparar épocas com base em nostalgia ou num punhado de imagens pode ser perigosamente simplista.
O que precisamos, talvez, é de mais lucidez histórica. Perceber que cada época tem os seus desafios e as suas virtudes. O passado não era um inferno absoluto nem um paraíso perdido. E o presente não é nem o auge da civilização nem o fim dos tempos. É apenas mais um capítulo com novas ferramentas, novas perguntas e, claro, os mesmos dilemas humanos de sempre.
Inserir o velho chavão do taxista/barbeiro: “antigamente havia mais respeito”.
Até ao dia de hoje alguém me tem de explicar como há tanta gente a confundir medo com respeito…
Antigamente 2006 ou antigamente 1954?
2006 era porreiro, mas não tenho nada contra 2025.
1954, não obrigado.
No tempo das bruxas!
Quem acha que antigamente viva melhor é porque vivia numa bolha de luxo
Não, a vida era péssima. Havia muita miséria mas as pessoas não gostam de contar essa parte, talvez porque muitas dessas pessoas já não estão entre nós.
O saudosismo, eu acho, vem dos costumes e de uma vida mais ordeira, onde o respeito pelos outros existia. Acho que a geração mais velha sente falta desses valores da sociedade.
Regime salazarista.➡️ Putos privilegiados hoje em dia.➡️ Ignorância pelo sofrimento do passado.➡️ Propaganda no twitter.➡️ Crescimento do chega.
Basta ouvir os nossos pais a contar a infância deles para saber que não era melhor
Todos portugueses brancos! Nem um preto ou imigrante árabe! Ah que bons velhos tempos /s
Concordo com todos vocês…
E não sou ninguém para falar do antigamente.
A vida mudou, mudou o mundo…
O que antigamente não fazia falta, hoje é imprescindível.
Devemos olhar para trás e com reflexo para o futuro!
Que não volto o tempo de antigamente!
Mas há uma coisa que a minha avó dizia.
“Éramos pobres, mas éramos felizes, agora as pessoas são todos fracas”
Cada vez olhamos mais para o nosso umbigo, só sabemos reclamar, egoísmo e ganância!
Olhar para trás e refletir, “afinal temos muito”
Que não volto o tempo de antigamente, que não volte nenhuma ditadura, nenhuma guerra.
Para os ricos, sim.
A minha familia viveu mal, mas diz a minha tia que foi muito feliz nessa época e apesar do pouco que tinham havia um sentimento forte de pertença e de comunidade. A minha avó diz que hoje com as comodidades que tem é rica tem comodidades básicas e tinha uma casa relativamente ok para a altura.
Muitos já enumeraram várias potenciais razões de existir tal frase nas nossas vidas, mas venho acrescentar apenas mais um detalhe: o tempo induz nostalgia e, neste campo, tendemos a guardar nas nossas memórias os melhores momentos ou, pelo menos, a interpretar os piores com mais leveza
Os mais velhos dizem que sim era melhor. Olha ainda hoje o meu pai (50 e poucos anos) andava a ‘discutir’ dizendo que tomar banho de água quente é um luxo e que deveriamos tomar banho de água fria na rua como se fazia antigamente…
Com pessoas pensando assim é normal que tenham saudades da miséria de antes..
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