Retirado do artigo: https://eco.sapo.pt/2021/11/08/portugal-esta-a-transformar-se-num-pais-de-salarios-minimos/

Como é que esta situação se resolve? O pessoal nas tabernas diz que os funcionários públicos têm todos tacho e são uns privilegiados, no entanto o número de candidaturas para posições qualificadas no setor público dizem o contrário. Parece que os salários oferecidos e perspectivas de progressão na carreira nulas comparativamente com o privado não são atrativas afinal

Em que é que ficamos? Se o governo duplicar os ordenados dos enfermeiros, médicos, professores, economistas, engenheiros, etc que trabalham no setor público as pessoas vão aplaudir e achar bem ou vão preferir que os hospitais e o Estado fiquem todos decadentes porque o dinheiro dos impostos não é para alimentar “tachos”?

31 comments
  1. Basta ver a coisa deste modo: há uns anos atrás ofereceram-me uma vaga num instituto, para trabalhar com tecnologias antigas e com um ordenado que era simplesmente 1/3 do que estava a receber num outro projecto.

    Como podem atrair talento assim? Ou pior ainda, como podem reter o talento já existente?

    Todos sabem a solução, mas isso implica fazer alterações que ninguém quer fazer, pelos vistos.

    PS: ainda por cima era para contrato directo, ou seja tinha todas as obrigações de um funcionário público e nenhuma das benesses (nem ADSE iria ter).

    Um sonho de emprego lol

  2. Ficamos que as coisas não são preto no branco, mo na maioria da realidade social.

    Pessoalmente, preferia que as instituições públicas tivesse mais liberdade de contratação, ainda que de acordo com tabelas específicas, e que o processo de efectivação é que fosse mais escrutinado. Se o serviço é necessário, um concurso público pode fazer arrastar as coisas meses, o que vai fazer com que ou o serviço tenha menor qualidade ou haja uma sobrecarga para os profissionais que já lá estão.

  3. Depende do funcionário e do que o privado pagaria a esse mesmo profissional.

    Algumas pessoas estão melhor no público, outras só ficariam no público se fossem acorrentadas ou por amor à camisola.

  4. > O pessoal nas tabernas diz que os funcionários públicos têm todos tacho e são uns privilegiados

    Nas tabernas e neste sub

  5. Impossível, como assim?

    Quando precisa, o estado, faz contrato directo com a pessoa.

    A pessoa n fica nos quadros, fica a receber o negociado para sempre. Por isso é que quando se negoceia é logo um valor considerávelmente mais alto.

    É prática normal.

  6. As pessoas nas tabernas vão dizer mal de uma maneira ou de outra. Querem médicos, mas querem que eles trabalhem quase de borla, querem que a administração pública funcione, mas querem que esses chulos sejam todos despedidos. Felizmente a maior parte dessa gente também prefere ir para taberna em vez de ir votar.

    Acho que o estado deve ter a iniciativa de oferecer salários acima da média para o cargo, dessa forma estimula indiretamente a subida dos mesmos no privado. É uma forma indireta de arrastar o salário médio para cima. Se o “emprego de sonho” for na FP, os privados têm que ir atrás e oferecer condições similares.

    Neste momento, acho que um trabalhador qualificado só pode ter interesse na função pública se for para trabalhar no interior, onde o salário é razoável para algumas profissões. Nas grandes cidades facilmente ganha mais no privado.

  7. Quando eles resolverem o problema da meritocracia nas FPS sou a favor de aumentarem. ate la nao. Porque ate agora as pessoas boas e mas recebem o mesmo.

  8. O estado é uma estrutura rígida que não obedece a dinâmicas de mercado. O estado tem de ser agilizado e tem de poder moldar os seus quadros às necessidades porque senão é impossivel de gerir recursos de forma eficaz.

    Repara que o numero de funcionários aumentou brutalmente nesta legislatura, os impostos estão bem altos e ainda assim parece que há falta de gente… Pois bem… há sempre falta de gente e falta de recursos quando se gere organizações de forma incompetente ou desadequada!

    Quanto a isso que dizes de pessoas dizerem que os funcionários públicos são previligiados. Bem, qualquer pessoas minimamente consciente sabe que na função pública não se ganha bem. As pessoas, dizem isso por causa do manto de impunidade que existe na função pública. É basicamente impossivel de despedir alguém dentro do estado.

    Se queremos falar de forma séria em aumentar os salários da função pública então também teremos de falar de forma séria da situação económica porque no fim de contas será apenas e só com uma economia mais pujante que permitirá pagar melhores salários.

    No caminho em que vamos, mais uns anos e teremos quase 1 milhão de funcionários públicos e todos a ganhar mal na mesma…

  9. Não, a função pública ganha rios de dinheiro e estamos sempre em crise por causa deles. É cortar mais. /s

  10. Despeçam os que não fazem nada e usem esse dinheiro para contratar os qualificados que precisam.

    Se simplesmente querem mais dinheiro para manter a ausência de avaliações sérias mas vale deixar como está.

  11. a função publica é um imbróglio porque consegues ter todos os problemas juntos e nenhuma vontade de resolver nada:

    ​

    – áreas sobrecarregadas com falta de meios e recursos humanos, onde parece que se fazem ovos a partir do carbono do CO2 do ar.

    ​

    – profissões importantes completamente negligenciadas, senão destruídas.

    ​

    – emprego precário

    ​

    – funções e equipas sem razão nenhuma de existir

    ​

    – verdadeiros pesos mortos

    ​

    – falta de produtividade e agilidade por imensas razões inclusivamente as acima

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    – cunhas

    ​

    – contratos duvidosos com privados.

    ​

    – toda e qualquer inexistência de controlo de qualidade/auditoria

    ​

    – impunidade pois o sistema judicial não funciona.

    ​

    – congelamento de carreiras

    ​

    – dança das cadeiras sempre que muda a agulha politica

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    – nepotismo

    ​

    – corrupção (uff só agora?)

    ​

    ​

    por isso podemos andar horas a discutir salários e o diabo a 4. A questão é que ninguém fala em como resolver os problemas. É só empurrar com a barriga.

  12. A função pública é um ótimo local para trabalhadores pouco qualificados ou com idades avancadas.
    Da segurança, recebes mais só por seres mais velhos e tens um trabalho que não implica grande esforço ou superação pessoal.

    Os “especialistas” e quem é verdadeiramente bom naquilo que faz, está muito melhor no privado onde pode receber de acordo com o seu valor e não com escalas de salários feitas baseadas na idade ou tempo que estás a trabalhar.

  13. A única diferença que vejo entre público e privado é que no público tens estabilidad laboral e o ordenado cai a horas, no privado os contratos sem termo estão quase extintos e temos de andar sempre à mocada com os recursos humanos para pagarem correctamente, tema de salários hoje em dia ganhasse mal tanto num como no outro, tens uns poucos que ganham fortunas

  14. Quando se fala de tachos subentende se que sao altos cargos publicos ligados a factores politicos. Acho q toda a gente concorda que ser funcioanrio publico em portugal é uma merda, desde enfermeiros, professores e mesmo medicos mais jovens q recebem salarios ridiculos

  15. Na função pública e empresas públicas não há só o salário base.

    Muitos têm imensas outras regalias:

    – segurança de emprego

    – avaliações fictícias

    – se não atenderem ao público têm menos stress e menos pressão das chefias

    – menos horas de trabalho

    – subsídios de assiduidade, subsídios de presença

    – diuturnidades

    – prémios (trabalhadores da Autoridade Tributária e Segurança Social),

    – horas extra e plataformas que podem trocar por ausências (4 ou 8 horas mensais)

    – havia dias de férias extra

    – horas extra fictícias para poderem trocar por mais dias de férias (mais 1 dia por mês)

    – inscrição em inúmeros sindicatos para poderem trocar por ausências

    – baixas médicas fictícias sem consequências

    – havia progressões e promoções automáticas

  16. É uma estratégia muito simples: Os liberais e libertários vão ficar muito caladinhos enquanto estivermos neste post, mas assim que sair outra notícia acerca da estagnação económica em Portugal, vão logo a correr para apregoar o livre mercado e denunciar os supostos tachos no público.

  17. Bom o problema era fácil de resolver, poder despedir como em qualquer outro lado. Reparem que poderias alocar recursos excessivos de uns sítios para outros… A câmara de Lisboa é um exemplo com o número completamente absurdo de arquitectos que tem e mesmo assim funciona mal (e por acaso os arquitectos são relativamente bem pagos dentro da função pública). Ao mesmo tempo isto cria incentivos ao pessoal se continuar a formar e manter o profissionalismo (que vá, sejamos honestos também falta em muito lado na função pública, principalmente nas partes administrativas e nas câmaras).

    A isto acrescentas avaliação e promoções de mérito com vários níveis (algo mais ou menos equivalente há maioria do privado) e talvez bonus para funções mais qualificadas mediante cumprimento de objectivos.

    Adicionalmente tornar a contratação mais simples, sejam responsáveis das áreas a contratar em vez de concursos demorados e burocraticos, que de qualquer forma na maioria das vezes já estão viciados com uns “critérios especiais” para ir para pessoa X (isto acontece muito nas câmaras).

  18. Curiosamente o numero de funcionarios publicos [não tem parado de aumentar](https://www.pordata.pt/Portugal/Emprego+nas+Administra%C3%A7%C3%B5es+P%C3%BAblicas+Central++Regional++Local+e+Fundos+da+Seguran%C3%A7a+Social-497) nos ultimos anos. Admito que existam excepções mas não deve ser assim tão pouco atrativo.

    Só no ultimo ano :

    “[Número de funcionários públicos sobe em quase 20 mil. Em 2020 eram mais de 700 mil](https://www.tsf.pt/portugal/sociedade/numero-de-funcionarios-publicos-sobe-em-quase-20-mil-em-2020-eram-mais-de-700-mil-13355813.html)”

  19. Ainda me lembro quando me convidaram para um cargo no publico a receber umas 4x menos do que recebia na altura.
    Quem está na AP ou é burro ou muito patriota.

  20. tirei eu uma licenciatura em Administração Pública para depois tirar uma certificação em Soldadura e ganhar mais que se estivesse a trabalhar agora para o Estado.

  21. No privado ganhas mais, o público é mais estável, sabes que a partir do momento em que entras vais receber o ordenado mínimo se fores assistente operacional, uns 680 (base) se fores assiste técnico ou 1200 base se fores técnico superior, ou mais dependendo do cargo a que te candidatas e que deve só subir pouco mais que isso (mais uma vez relativo)

    a cena do publico é que dificilmente tens alguem para dar satisfações porque o patrão é o estado logo não tens um chefe directo, podes não fazer um caralho e sabes que dia 20 e pouco o € cai na conta.

    Por norma sendo concurso público (já sabemos das cunhas mas ok) ficas logo efectivo. E para seres despedido é preciso fazeres muita merda mesmo.

    Quando digo muita merda é muita merda, como alegadamente estares na loja de um convento muito conhecido a trabalhar lá há 20 anos e ainda não saberes falar inglês e em vez de pores todo o dinheiro no envelope que vai para o cofre, teres 2 envelopes e andar a enganar os turistas em relação aos preços dos produtos, para meter a diferença do que eles pagaram no segundo envelope para levares contigo para casa.

    Um dia enganares-te e meteres o envelope que era para levar para casa no cofre e ficares com o que era supostamente para pôr no cofre, teres de ligar para te abrirem o cofre, para trocares os envelopes, e ninguém te questionar de modo a ainda estares la a trabalhar.

  22. As minhas opiniões são suspeitas neste assunto porque tive vários familiares (e continuo a ter, mas menos) na função pública e sei de muitas coisas que provavelmente a maior parte das pessoas só desconfia.

    * Picar o ponto é o que se faz antes de se ir tomar o pequeno almoço. E se a conversa estiver boa, o pequeno almoço é até às 11.
    * Os telefones são para atender, mas só quando é alguém da família a ligar-te. Quando eu era criança passei alguns dias na companhia das telefonistas que tratavam do quadro de telefones (quando ainda não havia centrais automáticas), e posso garantir que a maior parte das chamadas externas caiam antes de serem atendidas, porque as senhoras estavam na galhofa umas com as outras.
    * Vi muitas secretárias que passavam o dia ao telefone com as amigas. E quando eu digo que passavam o dia ao telefone, era literalmente “Espera aí que a minha chefe chamou-me, já te ligo outra vez”.
    * Os serviços de e-mail da função pública (pelo menos há uns anos atrás) deviam ser praí 90% chain-mails com powerpoints com memes, fotografias de gatos, anedotas, etc. Escusado será dizer, vírus era mato.
    * Há chefias e quadros superiores que vão picar a entrada às 8 da manhã, depois saem e vão para o seu emprego numa empresa privada qualquer, e às 18 voltam para picar a saída. Se os quadros superiores forem amigos próximos ou (pior) familiares das chefias, o departamento de RH conta-lhes os dias mesmo que não tenham sequer lá ido picar entradas e saídas.
    * Se trabalhas num armazém qualquer / departamento de compras, podes ir passar o dia todo ao armazém a contar quantas canetas tens, uma a uma. Idem com contar as folhas por resma de papel, folha a folha. Sim, isto aconteceu, várias vezes. Não, ninguém quis fazer nada porque dava mais trabalho andar a puxar as orelhas a homens crescidos do que fazer o trabalho deles e passar à frente.
    * Mandas uma equipa técnica fazer um trabalho qualquer para longe, é quase garantido que chegam tarde, saem cedo, e passam a maior parte do dia a “almoçar”.

    Tenho demasiadas histórias destas para sentir muita pena da “função pública” como um todo. Não porque não haja gente competente e que merece, há e há de todas as idades. Mas há um outro mar de gente que devia era andar a cavar batatas e é quase impossível correr com eles/as dali para fora, e a ideia de ainda ir pagar mais a essas bestas faz-me espécie.

  23. Para mim não se trata do que ganham e sim da necessidade que o estado tem de absorver todos os desempregados. O que faz com que deixe de haver margem para garantir os mais qualificados e aliviar a carga fiscal para os restantes. As pessoas altamente qualificadas e competentes devem ser recompensadas porque dão retorno. Agora enquanto tivermos de pagar para estarem 10 funcionarios, a fazer o trabalho de 2 nunca será possível.

  24. Blah blah blah.

    O que há demais no estado são funcionários publicos.

    Que despeçam metade deles amanhã de manhã, e no ano que vem ajustem as responsabilidades do estado de forma a ser compativel com essa diminuição de pessoal.

    Depois despeçam metade dos que restam e não voltem a contratar mais ninguem nos proximos 10 anos.

  25. Um colega meu foi trabalhar para a CM daqui do sitio a 2 anos e esta a ganhar tanto como o pai que esta la a trabalhar a uns 20 anos.

  26. Alguém me explica o congelamento de carreiras?
    Não era preferível deixar as carreiras e aumentar receitas por via do IRS?
    Ou estou a simplificar?

  27. Então quer dizer que nem os que votam e defendem o seu regime estão bem? Não acredito!

    Pensei que tinham sido umas decadas exemplares, com um governo amigo dos seus empregados e cidadãos.

    Em relação á pergunta: Não se resolve porque temos um governo corrupto até ao tutano que rouba o que pode. Espero que esses trabalhadores pensem numa certa companhia aérea que é fundamental para o país.

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