
A problemática do eucalipto em Portugal não é nova. Já o Sr.Professor Mariano Feio a discutia com os seus alunos. No entanto nos últimos anos tem ganho relevo na discussão pública.
Por um lado a floresta nacional é, em grande parte, propriedade de privados:
[https://www.agroportal.pt/grande-parte-da-floresta-portuguesa-esta-nas-maos-de-proprietarios-privados/](https://www.agroportal.pt/grande-parte-da-floresta-portuguesa-esta-nas-maos-de-proprietarios-privados/)
E, naturalmente e compreensivelmente, quem tem propriedades florestais quer que estas áreas sejam um activo e não um passivo, encontrando na cultura do eucalipto um rendimento seguro e rápido na venda da madeira para pasta de papel:
[https://www.agroportal.pt/as-vantagens-competitivas-do-eucalipto-portugues/](https://www.agroportal.pt/as-vantagens-competitivas-do-eucalipto-portugues/)
No entanto é sabido que os eucaliptos, principalmente enquanto monocultura, têm as suas desvantagens. Entre as várias que se podem enumerar são duas as que são mais usadas em argumentos:
A sua susceptibilidade e maneira como ardem e o desgaste dos solos devidos às suas necessidades hídricas.
Desde 2017, depois dos incêndios de Pedrógão Grande,
– que ainda hoje se tenta perceber o que podia ter sido feito para evitar a tragédia:
[https://www.agroportal.pt/era-muito-dificil-prever-proporcoes-do-incendio-de-pedrogao-diz-xavier-viegas/](https://www.agroportal.pt/era-muito-dificil-prever-proporcoes-do-incendio-de-pedrogao-diz-xavier-viegas/) –
, muito se fala de como a utilização desta cultura enquanto monocultura florestal é um catalisador de uma floresta por si só já muito susceptível a incêndios.
Ainda que hajam estudos que contrariem o argumento das necessidades hídricas desta cultura em detrimento de outras culturas muito presentes na floresta portuguesa:
[https://www.agroportal.pt/estudo-concluiu-que-eucalipto-nao-consome-mais-agua-do-que-pinheiro-bravo/](https://www.agroportal.pt/estudo-concluiu-que-eucalipto-nao-consome-mais-agua-do-que-pinheiro-bravo/)
A verdade é que desde os incêndios de 2017 que o grande argumento passa pelo facto das resinas e madeira dos eucaliptos serem altamente inflamáveis.
A tragédia de Pedrogão Grande veio reforçar uma animosidade já existente desde a aprovação de “lei dos eucaliptos”, pela então Ministra Assunção Cristas, por parte da população, levando a que empresas da industria do papel começassem a investir mais em Espanha do que em Portugal devido às hostilidades:
[https://www.agroportal.pt/navigator-investe-nos-eucaliptos-em-espanha-devido-a-restricoes-e-hostilidade-em-portugal/](https://www.agroportal.pt/navigator-investe-nos-eucaliptos-em-espanha-devido-a-restricoes-e-hostilidade-em-portugal/)
Alinhado à opinião publica, desde 2017 (ainda que o diploma seja de 2015) que a estratégia florestal portuguesa, definida pelo governo, define que a área de eucaliptos não aumentará dos 812 mil hectares na área continental nacional:
[https://www.agroportal.pt/area-de-eucalipto-vai-ficar-congelada-ate-2030/](https://www.agroportal.pt/area-de-eucalipto-vai-ficar-congelada-ate-2030/)
Em 2019, o Secretáro de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, não só reforçou esta permissa como anunciou que a área de eucaliptal em Portugal ia diminuir:
[https://www.agroportal.pt/area-de-eucalipto-vai-diminuir-em-portugal-diz-secretario-de-estado-das-florestas/](https://www.agroportal.pt/area-de-eucalipto-vai-diminuir-em-portugal-diz-secretario-de-estado-das-florestas/)
No entanto hoje os proprietários florestais, os municípios e as organizações ambientalistas foram apanhadas de surpresa com a notícia de que o Governo português está a preparar a publicação de um diploma que prevê a plantação de mais 36.726 hectares de novos povoamentos de eucalipto em 126 dos 278 concelhos do continente.
[https://www.agroportal.pt/governo-aumenta-area-para-plantacao-de-eucaliptos-quando-se-comprometeu-a-reduzi-la/](https://www.agroportal.pt/governo-aumenta-area-para-plantacao-de-eucaliptos-quando-se-comprometeu-a-reduzi-la/)
As organizações ambientalistas reagiram de imediato:
[https://www.agroportal.pt/ambientalistas-repudiam-intencao-do-governo-em-aumentar-area-de-eucalipto/](https://www.agroportal.pt/ambientalistas-repudiam-intencao-do-governo-em-aumentar-area-de-eucalipto/)
No entanto a resposta do governo foi que esta medida cumpre a lei estabelecida anteriormente:
[https://www.agroportal.pt/governo-garante-cumprir-lei-que-proibe-aumento-da-plantacao-de-eucaliptos-ambientalistas-contestam/](https://www.agroportal.pt/governo-garante-cumprir-lei-que-proibe-aumento-da-plantacao-de-eucaliptos-ambientalistas-contestam/)
Muito se discutirá nos próximos dias esta medida. Para já ficam promessas de maior autonomia na plantação de eucaliptal para os municípios e a promessa de que tudo farão as organizações ambientais para prevenir que este diploma vá para a frente.
5 comments
Há muito tempo que não publicavas, já me questionava se algo se passava!
Uma questão muitas vezes fracturante, em que todos opinam sem terem grande conhecimento. É verdade que o eucalipto arde bem, mas em 2017 o problema não foi de todo os eucaliptos.
Seria necessário uma reforma florestal grande para que as nossas florestas não ardessem.
A mim isto parece me ser uma óptima notícia para os proprietários florestais
Com tantos links não es capaz de encontrar algum em que uma floresta esteja livre de incêndios? Deixa-te disso, não têm haver com eucaliptos ou o pinhal de Leiria ardeu porque tinha palmeiras?
A madeira que arde é vendida na mesma a um preço bastante inferior.
>A verdade é que desde os incêndios de 2017 que o grande argumento passa pelo facto das resinas e madeira dos eucaliptos serem altamente inflamáveis.
Não é só a resina e a madeira que é inflamável, o óleo que os eucaliptos largam, e que se evapora facilmente em dias quentes, é extremamente inflamável.
Além disso, alguns eucaliptos têm tanto óleo que *literalmente* explodem.
Mas são ótimos para fazer [fogueiras para o churrasco](https://www.youtube.com/watch?v=OpH9gBsNEwI).
Isso em [ponto grande](https://www.youtube.com/watch?v=SgC6XE1DdB0) não tem tanta graça. Repara com em poucos segundos o fogo passa do chão para ESTÁ TUDO A ARDER! FUJAM!
É chato. Mas como é que eu vou dizer ao meu sogro para deixar de lucrar uns 50k de 10 em 10 anos?
Mais grave que o incremento do eucalipto é o arraso do montado para plantar oliveiras e nogueiras de produção intensiva. Disso ninguém quer falar, parece taboo.
O eucalipto pode existir em Portugal, desde que seja em áreas controladas e com a implementação de estruturas de acesso facilitado em caso de emergência. Também pode existir desde que o rácio diminua em função das espécies autóctones (Carvalho, Sabugueiro, Medronheiros, etc).