Alguém tem ideias para inverter a decadência da engenharia portuguesa? Porque é que a engenharia portuguesa não apresenta pedidos de patente e o que é que podemos fazer para inverter isso?

(Engenharia PT, para mim, é o conjunto de: empresas, trabalhadores com formação técnica relacionada com engenharia, INPI, ministério da justiça, universidades, professores universitários, GAPIs, incubadoras… etc.)

[Na minha última publicação sobre estatísticas portuguesas sobre patentes](https://www.reddit.com/r/portugal/comments/txqpfs/celebrar_o_embara%C3%A7o_que_%C3%A9_a_engenharia_portuguesa/), fiz referência às estatísticas dos pedidos de patente Europeia oriundos de Portugal. Como se pode ver na publicação, eu sinto dificuldade em perceber a diferença entre o governo português falar (via INPI) de um “crescimento de recorde” quando, segundo os dados apresentados, 40% dos países na tabela tiveram todos mais do dobro (!) de pedidos de patente Europeus do que Portugal.

Surgem agora as estatísticas do INPI ([https://inpi.justica.gov.pt/Noticias-do-INPI/Relatorio-Estatistico-Anual-2021-2](https://inpi.justica.gov.pt/Noticias-do-INPI/Relatorio-Estatistico-Anual-2021-2)), e vemos que, durante 2021, houve uma ***diminuição*** de 18,2% dos pedidos de patente apresentados em Portugal face a 2020 (de 1124 pedidos em 2020 passamos para 919 pedidos).

Vá lá ver então com calma: em 2021, os portugueses apresentaram 286 pedidos de patente Europeia e 919 pedido de patente portuguesa, o que dá um miserável total de 1205 pedidos apresentados por Portugal, [um país com 10.344.802 de população residente](https://www.pordata.pt/Portugal).

Como é que isto é possível? Porque é que em Portugal se continua achar que a engenharia portuguesa é boa? Os dados mostraram claramente que a engenharia portuguesa é fraca, medíocre. Há gente ilumindade em PT que diz que a engenharia portuguesa é a melhor do mundo (por alguma razão arbitrária, a via verde vem sempre à baila nessas conversas patéticas), mas as estatísticas dos pedidos de patente mostraram que isso é uma mentira pura.

Ou então está a haver erro do meu lado. O que acham?

6 comments
  1. Qualquer engenheiro português bom o suficiente para criar uma possível patente, é inteligente o suficiente para apanhar um avião até a Holanda ou UK e colocar lá a patente onde pagará muito menos impostos e terá muito mais financiamento.

  2. Nós somos um país de serviços, não temos tanto a cultura de inovação e empreendedorismo. Aliás, há muito pouco financiamento público para I&D, a probabilidade de sair algo digno de patente reduz-se por esse motivo.

    E não esquecer que houve Covid, o pouco trabalho que houve foi atrasado por isso

  3. Trabalhei para alguém que criou algumas patentes. Esse alguém nunca registou patentes por cá. Por uma tuta e meia, registou noutros países e com maior abrangência a nível mundial. Isto foi por volta de 2004

  4. Não viste a patente concedida a samarras e capotes? Isso tem muito mais peso que outra qualquer patente.

  5. Este teu embaraço, e meu já agora, é um espelho mais penalizante do Sector Empresarial, Bancário/Financiador e Governamental.

    Tu podes ter uma boa ideia, mas sem capital próprio t´ás condenado ao fracasso.

  6. Até podes registar patentes em PT e regra geral tens acesso a financiamentos de fundos públicos para o fazer junto das universidades (sendo que a patente neste caso pertence à universidade apesar de receberes os lucros que esta dá como inventor).

    O problema é que em PT depois não tens investidores que te façam evoluir a ideia para produto final, e os financiamentos deixam de existir, logo rapidamente a patente é largada.

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    O PRR poderia ter sido (também) para resolver este problema por uns anos, mas em vez disso estão só a atirar o dinheiro às sucursais portuguesas de empresas multinacionais.

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    Isto não é um problema dos engenheiros portugueses. É um problema político de altíssimos níveis de taxação que abafam o desenvolvimento da economia e consequentemente a disponibilidade de capital junto dos privados.

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