
Boa tarde,
No âmbito da UC Psicologia Forense estou a realizar um projeto de investigação sobre perceções de violência entre parceiros íntimos do mesmo sexo e as suas implicações para o sistema de justiça.
Esta investigação está a ser orientada pela Prof. Cristina Soeiro
Peço que respondam a este questionário que demora cerca de 10 minutos para que possa dar seguimento à investigação.
Muito obrigada pela vossa ajuda e disponibilidade!
[Link do questionário](https://allocate.monster/IFKYVPOH)
4 comments
Só estou disponível para parceiros íntimos do sexo oposto. Lamento não poder ajudar.
BTW, porque é que pergunta se somos hetero,bi, homo, hibrido, gti, e etc?
PS. dares downvotes nas outras contas que tens no reddit é violência digital! xD
Porque precisas do meu email?
[deleted]
Uma vez que a user publica o questionário em tudo o que é reddit em Portugal, pelo bem da comunidade científica achei necessário colocar também aqui a minha crítica ao questionário, para que os mais desatentos possam perceber as várias falhas que este têm e não deixem que usem a sua opinião como base de “estudo” para um tema importante onde apenas conclusões factuais devem ser tiradas. Em citação estão comentários da user que fez este questionário, abaixo as minhas respostas/críticas. É um texto um bocado longo, mas criticas construtivas têm que ser sustentadas.
> 3 casos diferentes e o link leva cada pessoa aleatoriamente para um deles
Engraçado que isto não é o que está na descrição do questionário. Adicionalmente, cliquei várias vezes no link para ver se a história muda e apenas mudam os intervenientes. Nas várias vezes que cliquei, a história do João –> Maria aparece na maioria das vezes, existindo também a história da Joana –> Maria e do João –> Filipe. Não encontrei nenhuma vez uma história da Joana –> Filipe.
Ou seja. No teu questionário, o caso heterossexual tem uma vítima que é sempre a mulher e um agressor, sempre o homem. Tens dois questionários homossexuais, um para mulheres, outro para homens. Mas receber também dados dos casos heterossexuais onde é a mulher a agredir, não interessa?
> o caso é real e é assim não há nada que eu possa fazer para o mudar.
Exceto mudar os nomes…
Não interessa a cobertura de uma situação também bastante frequente, de certeza até mais frequente em total de casos do que o total de casais homossexuais em Portugal? Onde está a agressão feminina sobre uma vítima masculina?
Adiante, se o caso é real, arranja a auditoria do agressor e adiciona o seu ponto de vista. Se não existir, o que não falta, infelizmente, são casos de violência doméstica em Portugal. Arranja um que tenha os dois pontos de vista e aí podes ter opiniões mais sensatas. A menos que o objetivo não seja esse…
Questionários deste, que procuram tirar conclusões com base em perguntas subjetivas, são ridículos, mostram 0 de experiência em estatística e revelam muito pouco esforço, porque bastaria correr o questionário por 4 ou 5 amigos e facilmente se percebia que há muito lugar para dúvidas. Do tipo:
> Uma das perguntas é precisamente sobre a credibilidade do relato da vítima, sinta-se a vontade para responder que é pouca 🙂
O texto só apresenta uma perspetiva, só uma pessoa que quisesse responder ao questionario de forma desonesta diria que a credibilidade é pouca ou que o/a agressor(a) não merece um castigo pesado.
> Quão sério considera este caso? *
Qual é a diferença entre sério e muito sério? Estamos a comparar com o quê? É muito sério comparativamente à guerra na Ucrânia? Ou sério comparativamente ao falecimento do filho recém-nascido do Ronaldo? Dentro da violência doméstica, há casos de homicídio, casos de denúncias falsas, este não pode ser muito sério se tivermos homicidios em conta. Mas não deixa de ser uma situação muito séria porque se o prato tivesse cortado o pescoço, poderia ser um homicídio. Qualquer pessoa que queira responder objetivamente a isto e fazer a sua opinião contar, desiste do questionário na primeira pergunta.
> Se fosse testemunha, o que era mais provável de ter feito? *
Perguntam-me “o que era mais provável ter feito”, sou obrigado a responder mas não posso fazê-lo de forma livre. Estão a dar-me sugestões do que poderia ter feito, influenciando o meu processo de decisão e estão a impedir-me de dizer o que era realmente mais provável fazer, se não estiver contido naquelas opções. E se a primeira coisa que me lembrei foi chamar uma ambulância por causa do corte? E se me ocorreu antes ir confrontar o agressor?
> Deveria a vítima neste caso ter chamado a polícia? *
Na história a vitima acaba por chamar a polícia. Qual é a lógica da pergunta? Queriam perguntar “deveria a vítima ter chamado a polícia mais cedo?” ou “a vítima chamou a polícia, concordas com esta decisão?”
Quem é que vai responder “não” depois de ler que a vítima chamou a polícia?
> Quão credível são os relatos da vítima sobre o evento? *
Credíveis*
Já falei sobre isto, não me vou voltar a repetir. Mas fica aqui mais uma nota porque é mesmo importante.
> Qual a probabilidade desse casal vir a ter problemas de violência entre parceiros íntimos no futuro? *
Ambíguo. Referem-se ao casal vir a ter mais problemas? Ou depois de se separarem poderem ter problemas em futuros relacionamentos? A pergunta não clarifica portanto não podem esperar respostas claras porque dependem da interpretação do leitor. Se estão a falar de relacionamentos futuros, referem-se à vitima ou ao agressor? Imagino que as respostas de quem lê o questionário possam ser bastante diferentes, dependendo da interpretação.
> Se decidisse a favor da acusação, quão severo seria na sentença da pessoa agressora? *
Minima sentença corresponde ao quê? Um cachaço e uma ted talk?
Máxima sentença corresponde ao quê? Pena de morte? 25 anos?
Mais uma pergunta que depende da interpretação de cada um…
> Quão apropriado é para a polícia e os tribunais se envolverem em casos de homens agredirem mulheres, em contexto de relações de parceiros íntimos? *
Só homens agridem mulheres? Não há mulheres a agredir homens? Estudas psicologia e não existem homens a queixar-se de mulheres violentas? Nem de violência psicológica? Nem de chantagem? Nada?
A pergunta muda consoante a história, mas como não vi nenhuma história da agressão feminina e vítima masculina, decidi insistir.
No fundo, o vosso questionário terá respostas muito diferentes, com base na interpretação de cada um, não porque se trata de violência entre homossexuais ou heterossexuais. Ainda por cima não comparam violência entre homossexuais e mulheres a agredir homens, portanto nem sequer completo se pode dizer que está.
É um questonário perfeito se quiserem tirar conclusões com base em puré de batata. Do mesmo tipo de conclusões que tiram as fontes que me envias noutros comentários.