Na aldeia onde nasceram os meus pais, e na aldeia onde nasceram os avós da minha esposa há centenas de casas desocupadas. Há 30 anos todas essas casas tinham uma família.
Há uma maior centralização das populações. O parque habitacional não acompanhou a mudança das pessoas.
Há muitos mais adultos (diferente da população total) do que há 20 anos, e a população está muito mais concentrada nas duas grandes AM. Resultado disso é “falta” de casas onde elas se querem.
Invistam a serio no interior. Parece que só o litoral é relevante.
Bom título para bait. Como se vê mais à frente, ela explica que há casas onde ninguém quer
A habitação é um problema maior do que apenas a especulação. como u/makeitproductive disse, existe bastante casas desocupadas o problema é mais a desertificação de várias áreas do Pais.
Para isso era preciso haver uma reforma de todo o tamanho desde infrastrutura até serviços e subsidios para empresas, comercio e a população para repopular estas areas, que ninguem do governo quer fazer porque nao será um governo de 4 anos a fazer isso com medo de causar uma interrupção de votos das grandes cidades.
Descentralizar as grandes urbanizações e apostar no que disse acima (versus, sei lá, o projeto TTT, apesar de ser muito necessário é apenar mais um problema dado a concentração populacional) daria um grande salto em resolver o problema.
Mas posso estar 100% errado.
Pois, mas uma pessoa precisa de trabalhar, e isso só em Lisboa. Felizmente temos o teletrabalho, mas isso faz os gestores infelizes, por isso temos todos de estar 10 horas por semana no trânsito, gastar 300 euros por mês em combustível e viver com taxas de esforço de 75%. Ah e destruir o ambiente. Dizer que é especulação é muito sábio, mas vejo zero propostas para resolver isso.
O COVID deu uma oportunidade de ouro para Portugal mover parte da população para o interior, onde muitos querem criar suas famílias num ambiente com menos trânsito, confusão, mais calmo e com mais hospitalidade. Mais trabalho remoto, mais incentivos à natalidade para quem fosse para o interior e mais infraestruturas nessas zonas iria tornar o interior mais agradável e moderno.
Perdeu-se a oportunidade.
O problema são as casas devolutas e sem condições de habitabilidade ninguém quer ir viver para lá… se excluírem essas casas não há muitas casas quanto isso
Helena Roseta é o perfeito exemplo do porque Portugal estar como está temos um parque habitacional publico de 2% face há média de 20% da EU, isto porque em 50 anos a construção de habitação publica nunca foi prioridade.
Diz que temos casas suficiente, no entanto tendo a habitação nas principais cidades estagnado e tendo o agregado familiar médio ido de 3.1 para 2.1 onde vamos meter um aumento de quase 50% das novas necessidades habitacionais ?
Vamos trazer as casas que estão nas aldeias para Lisboa ? Vêm de helicóptero ?
E depois sai se com estas besteiras
“Há partidos a defender um travão à imigração. “Os filhos querem ir para as obras?””
E os imigrantes e os seus filhos querem ? Com cerca de 1.8 milhões de imigrantes apenas 70 mil trabalham na área da construção ou seja 3,9%…
Se os concursos ficam sem propostas talvez se deva mais aos processos burocráticos e há lentidão do governo. Num mundo onde a matéria prima de construção sobe 15% ao ano e onde um concurso pode ficar até 3 anos parados depois de ser adjudicado, nenhum construtor se vai meter num concurso com margens de lucro que muitas vezes não chegam a 10%.
Pelas minhas contas em 2025 já vamos em 6.1 milhões de alojamentos familiares. O que dá uma casa para cada 1.767 habitantes.
Em 2011 este numero estava em uma casa para cada 1.796 habitantes.
E em 2001 este numero estava em uma casa por cada 2.2 habitantes.
Nunca estivemos melhor do que hoje em quantidade de habitação. Eu penso que o principal problema está nos usos que não são relacionados com a habitação permanente.
O problema não é a especulação, é a desertificação do interior, invista-se em condições com medidas que promovam a mudança para o interior em massa e viam o problema da habitação e mts outros resolvidos…
Abram shoppings próximos de todas as zonas menos procuradas e tenham transporte gratuito para as mesmas, implementem de vez incentivos para o trabalho remoto, com hubs fora dos grandes centros, para que malta especializada se possa instalar nestas zonas e garantir que pode trabalhar sem ter de se preocupar em andar centenas de km semanalmente só para ir trabalhar. Escolas, creches e unidades de saúde funcionais nestas áreas. Porque não benefícios fiscais para empresas que se instalem fisicamente nestas zonas, assim como benefícios para trabalhadores que se mudem para tais localizações. Incentivo à natalidade para estes mesmos. Tanta coisa que pode ser feita, haja é vontade.
Mas quem é que vive em Portugal e não sabe disto?
Eu vivo numa das zonas mais concorridas de lisboa. O meu prédio tem 36 apartamentos. A taxa de ocupação é de cerca de 50%.
No halloween costumo ir acompanhar algumas crianças pedir nos prédios ao lado. Quando encontramos alguém mais simpático perguntamos quais os andares onde vive gente. Em prédios de 8 andares por vezes tem gente a viver apenas em 2.
Não vou comentar as razões para isto porque são muitas e algumas muito difíceis de resolver. Mas que esta é a pura verdade é.
Isto tem de existir uma lei que separe claramente uma primeira habitação de tudo o resto. É claro que podem comprar casas para colocar livros mas têm de pagar muito mais do que uma casa para habitar.
Muito Muito mais e esse mais bem podia ser revertido em casas para gente viver.
Tiveram uma oportunidade para incentivar o teletrabalho, e já anda tudo a chamar para o escritório! Era uma boa forma de despovoar os centros e distribuir melhor as pessoas…. As empresas só andam a chamar de volta por pura mania. Era menos poluição, trânsito, etc…
Outra coisa que podiam fazer era como, por exemplo, na Bélgica: baixam um pouco a SS e IRS e implementam a “commune tax” para descontares directamente para o teu distrito/concelho. Assim metiam no interior uma taxa mais baixa e no litoral mais alta, de modo a incentivar o pessoal a mudar-se.
Metam os bilhetes de comboio para o interior com desconto…
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Pois!
Na aldeia onde nasceram os meus pais, e na aldeia onde nasceram os avós da minha esposa há centenas de casas desocupadas. Há 30 anos todas essas casas tinham uma família.
Há uma maior centralização das populações. O parque habitacional não acompanhou a mudança das pessoas.
Há muitos mais adultos (diferente da população total) do que há 20 anos, e a população está muito mais concentrada nas duas grandes AM. Resultado disso é “falta” de casas onde elas se querem.
Invistam a serio no interior. Parece que só o litoral é relevante.
Bom título para bait. Como se vê mais à frente, ela explica que há casas onde ninguém quer
A habitação é um problema maior do que apenas a especulação. como u/makeitproductive disse, existe bastante casas desocupadas o problema é mais a desertificação de várias áreas do Pais.
Para isso era preciso haver uma reforma de todo o tamanho desde infrastrutura até serviços e subsidios para empresas, comercio e a população para repopular estas areas, que ninguem do governo quer fazer porque nao será um governo de 4 anos a fazer isso com medo de causar uma interrupção de votos das grandes cidades.
Descentralizar as grandes urbanizações e apostar no que disse acima (versus, sei lá, o projeto TTT, apesar de ser muito necessário é apenar mais um problema dado a concentração populacional) daria um grande salto em resolver o problema.
Mas posso estar 100% errado.
Pois, mas uma pessoa precisa de trabalhar, e isso só em Lisboa. Felizmente temos o teletrabalho, mas isso faz os gestores infelizes, por isso temos todos de estar 10 horas por semana no trânsito, gastar 300 euros por mês em combustível e viver com taxas de esforço de 75%. Ah e destruir o ambiente. Dizer que é especulação é muito sábio, mas vejo zero propostas para resolver isso.
O COVID deu uma oportunidade de ouro para Portugal mover parte da população para o interior, onde muitos querem criar suas famílias num ambiente com menos trânsito, confusão, mais calmo e com mais hospitalidade. Mais trabalho remoto, mais incentivos à natalidade para quem fosse para o interior e mais infraestruturas nessas zonas iria tornar o interior mais agradável e moderno.
Perdeu-se a oportunidade.
O problema são as casas devolutas e sem condições de habitabilidade ninguém quer ir viver para lá… se excluírem essas casas não há muitas casas quanto isso
Helena Roseta é o perfeito exemplo do porque Portugal estar como está temos um parque habitacional publico de 2% face há média de 20% da EU, isto porque em 50 anos a construção de habitação publica nunca foi prioridade.
Diz que temos casas suficiente, no entanto tendo a habitação nas principais cidades estagnado e tendo o agregado familiar médio ido de 3.1 para 2.1 onde vamos meter um aumento de quase 50% das novas necessidades habitacionais ?
Vamos trazer as casas que estão nas aldeias para Lisboa ? Vêm de helicóptero ?
E depois sai se com estas besteiras
“Há partidos a defender um travão à imigração. “Os filhos querem ir para as obras?””
E os imigrantes e os seus filhos querem ? Com cerca de 1.8 milhões de imigrantes apenas 70 mil trabalham na área da construção ou seja 3,9%…
Se os concursos ficam sem propostas talvez se deva mais aos processos burocráticos e há lentidão do governo. Num mundo onde a matéria prima de construção sobe 15% ao ano e onde um concurso pode ficar até 3 anos parados depois de ser adjudicado, nenhum construtor se vai meter num concurso com margens de lucro que muitas vezes não chegam a 10%.
Pelas minhas contas em 2025 já vamos em 6.1 milhões de alojamentos familiares. O que dá uma casa para cada 1.767 habitantes.
Em 2011 este numero estava em uma casa para cada 1.796 habitantes.
E em 2001 este numero estava em uma casa por cada 2.2 habitantes.
Nunca estivemos melhor do que hoje em quantidade de habitação. Eu penso que o principal problema está nos usos que não são relacionados com a habitação permanente.
O problema não é a especulação, é a desertificação do interior, invista-se em condições com medidas que promovam a mudança para o interior em massa e viam o problema da habitação e mts outros resolvidos…
Para o pessoal que diz que a maioria destas casas são em sítios onde as pessoas não querem viver, não se esqueçam de que há [160 mil casas vazias só na Área Metropolitana de Lisboa](https://www.idealista.pt/news/imobiliario/habitacao/2022/11/21/54963-nao-ha-razao-nem-desculpa-para-haver-160-mil-imoveis-vazios-na-aml).
Abram shoppings próximos de todas as zonas menos procuradas e tenham transporte gratuito para as mesmas, implementem de vez incentivos para o trabalho remoto, com hubs fora dos grandes centros, para que malta especializada se possa instalar nestas zonas e garantir que pode trabalhar sem ter de se preocupar em andar centenas de km semanalmente só para ir trabalhar. Escolas, creches e unidades de saúde funcionais nestas áreas. Porque não benefícios fiscais para empresas que se instalem fisicamente nestas zonas, assim como benefícios para trabalhadores que se mudem para tais localizações. Incentivo à natalidade para estes mesmos. Tanta coisa que pode ser feita, haja é vontade.
Mas quem é que vive em Portugal e não sabe disto?
Eu vivo numa das zonas mais concorridas de lisboa. O meu prédio tem 36 apartamentos. A taxa de ocupação é de cerca de 50%.
No halloween costumo ir acompanhar algumas crianças pedir nos prédios ao lado. Quando encontramos alguém mais simpático perguntamos quais os andares onde vive gente. Em prédios de 8 andares por vezes tem gente a viver apenas em 2.
Não vou comentar as razões para isto porque são muitas e algumas muito difíceis de resolver. Mas que esta é a pura verdade é.
Isto tem de existir uma lei que separe claramente uma primeira habitação de tudo o resto. É claro que podem comprar casas para colocar livros mas têm de pagar muito mais do que uma casa para habitar.
Muito Muito mais e esse mais bem podia ser revertido em casas para gente viver.
Tiveram uma oportunidade para incentivar o teletrabalho, e já anda tudo a chamar para o escritório! Era uma boa forma de despovoar os centros e distribuir melhor as pessoas…. As empresas só andam a chamar de volta por pura mania. Era menos poluição, trânsito, etc…
Outra coisa que podiam fazer era como, por exemplo, na Bélgica: baixam um pouco a SS e IRS e implementam a “commune tax” para descontares directamente para o teu distrito/concelho. Assim metiam no interior uma taxa mais baixa e no litoral mais alta, de modo a incentivar o pessoal a mudar-se.
Metam os bilhetes de comboio para o interior com desconto…
São pequenas soluções mas resultam.
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