
Acabou há pouco a apresentação do projecto Madoqua Power 2X. É um projecto de produção de Hidrogénio é Amónia a ser instalado em Sines.
A ideia é utilizar energias verdes (solar e eólica) para produzir 500MW que vão ser utilizados para produzir Hidrogénio que será utilizado tanto na industria local como para produzir Amónia que será depois exportado (principalmente) para a Europa do Norte via barco.
Alguém viu a apresentação ou conhece o projecto? Estou curioso para ouvir opiniões. Pela apresentação pareceu-me haver ainda alguns obstáculos a ultrapassar principalmente a parte das licenças. O financiamento final do projecto só será fechado depois disso, daqui a 14 meses (estimado).
Já agora link para o stream:
[https://www.youtube.com/watch?v=O4LyQNdIato](https://www.youtube.com/watch?v=O4LyQNdIato)
3 comments
Sines ainda é um concelho grande, mas a zona de implantação dessas indústrias vai ter alguns obstáculos por causa do Natura 2000. Como tudo, nomeadamente campos de golfe em áreas protegidas, não será um grande obstáculo. Sines é PS e o Mascarenhas está mais do que disposto a abrir as pernas. Além disso, postos de trabalho bem pagos são sempre bem-vindos.
De rir e chorar, ainda ontem se falava num post como empresas holandesas nos lixavam e aqui estão mais duas a lixar o conribuinte português xD.
Enfim, Enfim… É que basta fazer cálculos matemáticos simples para perceber quão mau é.
É de lembrar que o contribuinte subsidia a produção.
Estranho… Essa Madoqua Ventures é sediada numa casinha numa pequena vila bem longe dos grandes centros: [maps.google.com/…](https://www.google.com/maps/@52.4786913,6.0531177,3a,54.9y,289.5h,96.01t/data=!3m6!1e1!3m4!1shdzmmqceGNk1Nh_YNw8Cfw!2e0!7i13312!8i6656)
Eu trabalho em projectos de hidrogénio e acho quase tudo isso bullsh.t. Baixa eficiência: 60% em Power2Hydrogen, 25% em Power2Power, este caso de Power2X em que X é NH3 (amónia) será bem inferior a 60%.
Armazenamento de hidrogénio só é sustentável, em termos de volume, a pressões demasiado elevadas até para metais e qualquer gás pressurizado, especialmente se for combustível, tem aspectos perigosos. O potencial de efeito de estufa do hidrogénio (GWP) é 5.8x superior ao do dióxido de carbono portanto qualquer fuga é nociva. O grau de pureza do hidrogénio para aplicações automóveis é tal que se torna ridículo e difícil de atingir.
Amónia (NH3 – gás) vence o problema do armazenamento porque está no estado líquido a pressões mais baixas, mas o problema é que dadas as elevadíssimas temperaturas de combustão do hidrogénio, o próprio nitrogénio / azoto tem potencial para se combinar com oxigénio (oxidar) e formar os óxidos nitrosos (NOx) que têm perseguido a industria automóvel nos últimos 25 anos (especialmente nos motores Diesel dadas as elevadas temperaturas de combustão). A amónia é o que dá aquele cheiro corrosivo ao Sonasol e equivalentes (quando em solução aquosa forma o ião amoníaco – NH4+).
Faltam soluções ainda em estudos como o ácido fórmico verde que ainda está em fases preliminares de estudos e pretende vencer esses problemas.
Resta dizer que tanto o fabrico como os materiais usados nos electrolizadores não só são complexos como extremamente caros devido ao uso de materiais raros como os catalisadores da reação.
Há um possível futuro se não aparecerem outras tecnologias de armazenamento de energia mais simpáticas tais como as baterias de metais líquidos, entre outras.
Sectores como a aviação dependerão sempre de combustíveis com elevada densidade energética. O peso das “botijas” / vasos de armazenamento de hidrogénio tornam inviável o uso desse combustível.
Esta empresa veio para Portugal dada a elevada quantidade de energia “verde” porque para produzir amónia “verde” tem mesmo de ser assim.