E se sim, porquê?

“Não é mito. É verdade”

É meia-verdade. Usamos estatísticas incompletas para instalar falsas certezas na cabeça das pessoas. Estava a ver o gajo da SIC a dizer que as mulheres ganham menos. Isto é material para envenenar o cérebro da néscia tuga, que mais logo já está a colocar stories no instagram sobre ser uma grande vítima de desigualdade. É adubo para mais uma cruzada vazia em prol da igualdade.

O que deviam explicar, que não explicam, é que homens e mulheres tendem a sentir-se atraídos por carreiras diferentes. Não há o mesmo número de homens e mulheres em todas as profissões. E não por estas estarem barradas a mulheres, mas pelo facto de haver factores biológicos a contribuir para as escolhas mais comuns entre cada um dos sexos. Homens tendem a interessar-se por áreas profissionais melhor remuneradas.

Quem quiser ler um bocado mais sobre isso:

[https://www.psychologytoday.com/us/blog/the-human-beast/202001/why-women-and-men-still-take-different-jobs](https://www.psychologytoday.com/us/blog/the-human-beast/202001/why-women-and-men-still-take-different-jobs)

[https://bigthink.com/the-present/gender-equality-paradox/](https://bigthink.com/the-present/gender-equality-paradox/)

O problema da nossa classe política, e da nossa comunicação social, é que não tem qualquer tipo de interesse em honestidade. Perante uma audiência facilmente impressionável, e sem a educação necessária para entender o que lhes é dito, é fácil apresentar dados e estatísticas incompletos como factos irrefutáveis.

Neste caso, podemos facilmente mostrar estatísticas genéricas para tentar alimentar uma determinada narrativa. O cérebro do néscio comum consome informação de forma muito acelerada e não tem tempo nem interesse em analisá-la correctamente. Quer apenas algo que possa citar como fundamento para as suas crenças estapafúrdias.

Sabem quando é que desigualdade salarial existirá? Quando um homem e uma mulher, a trabalhar para a mesma empresa, desempenhando o mesmo cargo, com as mesmas qualificações e com o mesmo tempo de casa, ganharem salários diferentes. Um engenheiro informático a ganhar mais do que uma socióloga não é desigualdade salarial. E desigualdade salarial real até poderia existir, mas não é demonstrada através destas estatísticas genéricas. Porque um número, só por si, não nos diz nada sobre a causa. É apenas um número. Mas o que é que significa?

Infelizmente, nada disto vos interessa, pois adiciona uma complexidade desnecessária ao mundo, e dificulta a formulação de narrativas simplistas e desonestas que ajudam a pintar o mundo da cor que vos parece mais apelativa.

Muitas vezes não buscamos a verdade com o objectivo de formular um sentimento, mas sim uma razão, ainda que falsa, para validar o que já sentimos.

35 comments
  1. Estás a pegar num assunto super complexo e a simplificá-lo demasiado ao mesmo tempo que acusas os outros de o simplificar. Bravo, ganhaste uma medalha de ginástica mental!

    >Infelizmente, nada disto vos interessa, pois adiciona uma complexidade adicional desnecessária ao mundo, e dificulta a formulação de narrativas simplistas e desonestas que ajudam a pintar o mundo da cor que vos parece mais apelativa.

    Foda-se, que frase de merda… Há zero probabilidade de alguém dizer isto e estar interessado em discutir a complexidade do mundo real.

    —–

    Só para não ser só um rant, aqui fica um exemplo que um artigo/podcast que explora mais fatores relevantes: [https://freakonomics.com/podcast/the-true-story-of-the-gender-pay-gap/](https://freakonomics.com/podcast/the-true-story-of-the-gender-pay-gap/)

  2. Claro que existe, olha as estatísticas no OnlyFans e vê quanto é que as mulheres fazem vs quanto é que os homens fazem. /s

  3. Onde trabalho, operários fabris 100% homens, escritórios(engenheiros, RH, comercial etc…) 65% mulheres 35% homens, mas posso dizer que é escolha da empresa não meter homens na parte fabril (produção), e atenção o patrão é mulher por isso nada de machismos e essas merdas, em termos de salário base não há desigualdade já que é publico e temos uma tabela para cada função com progressão horizontal e vertical, o único que não se sabe é os prêmios e essas merdas, por isso posso dizer que como operário fabril a minha patroa ganha só 7 vezes mais que eu(de base) xD, como diz o outro estudasses, por isso para mim isso das desigualdades é treta, comparado com a 30-40 anos isto agora é o paraíso.

  4. Outro fato que pode ser interessante é o de atualmente as mulheres serem mais do que os homens nas que são tradicionalmente as melhores profissões. Mas como em Portugal é um fenómeno “recente” ainda tens predominantemente homens nas posições de topo. Não creio que isso se manterá durante muito mais tempo.

  5. Gosto do resumo que faz um certo homem que me esqueci do nome, algo do género:

    “Se é verdade que as mulheres ganham menos, por que é que os patrões não contratam só mulheres?”

  6. O teu único erro é acreditar que isto é só um problema dos tugas e não uma mentira que tem sido perpetuada por quase todos os medias mainstreams e governos por aí fora.

  7. A sic anda com problemas de anti-ciência. É cada estupidez que tenho ouvido. Essa foi uma delas, foi cringe mais do que outra coisa.

  8. Lamento informar que muitas mulheres resebem menos desempenhando o mesmo cargo, mesmo tendo mais anos de casa.

  9. Sites que se chamam Psychologytoday e BigThink, não me parecem as fontes mais credíveis. Lê lá isso a português, o Instituto do Grande Pensamento e a Psicologia de Hoje 🤣🤣🤣

  10. No setor privado o problema da desigualdade salarial não é um problema é uma condição. Cabe a cada um negociar o seu salário com os trunfos que tem e nos momentos que mais acha oportuno. 99% dos patrões do setor privado não vão aumentar só porque sim, o trabalhador tem que lá ir e sacar o aumento a ferro e fogo e maior parte das vezes para ter um aumento tem que saltar para outro barco.

    Não vejo como é que é possível se falar de igualdade salarial se no sistema que temos implementado nunca ficou estipulado que quem tem o mesmo trabalho tem que ter o mesmo salário. É o “mercado livre” a trabalhar.
    Só quem trabalha, mas trabalhar a sério, é que perce o quão errado é ter uma tabela salarial igual para todos. Pois todos sabemos que nem todos trabalham igual, uns matam-se a trabalhar e dão o corpo às balas e outros estão sempre a ver quando podem fazer menos. Como é que é justo estas pessoas serem pagas o mesmo só porque a descrição do seu emprego é a mesma na ficha de pagamento?

    Isto nem é tema. Com o sistema que temos implementado, é cada um por si. Seja cão, gato, mulher, homem, alien ou piriquito. Vamos parar de falar como se existisse uma guerra fria dos sexos…

  11. só eu acho que os salários deveriam ser todos exposto assim ninguém se queixa mais sobre uns ganharem mais do que os outros pelos mesmos trabalhos certo?

  12. [As mulheres em Portugal tendem a ter mais escolaridade que os homens e mesmo assim a taxa de desemprego entre as mulheres é maior do que a dos homens.](https://eco.sapo.pt/2021/09/16/mais-qualificadas-mas-mulheres-continuam-com-taxas-de-emprego-e-salarios-mais-baixos/amp/)

    “Apesar de as mulheres serem mais propensas a concluir a formação universitária, têm as taxas de empregabilidade mais baixas, bem como salários. As mulheres jovens têm menos probabilidades de serem contratadas, comparativamente aos homens jovens, sobretudo as que têm níveis de escolaridade mais baixos.”

    Portanto não podemos propriamente dizer que os homens portugueses tendem a “escolher empregos melhores e por isso é que recebem mais”. Tem a ver com as áreas (educação é maioritariamente mulheres, STEM maioritariamente homens: carreiras em STEM tendem a pagar salários mais altos) e com outros fatores e dinâmicas.

    É ingénuo achares que, pelo facto das mulheres receberem o mesmo que um homem pelo mesmo trabalho, que deixam de existir barreiras e obstáculos. [Esta experiência](https://gender.stanford.edu/news-publications/gender-news/why-does-john-get-stem-job-rather-jennifer) de Stanford exemplifica o que te quero mostrar. Está relacionado com as STEM.

    “when evaluating identical resumes, scientists may be significantly less likely to agree to mentor, offer jobs, or recommend equal salaries to a candidate if the name at the top of the resume is Jennifer, rather than John.”

  13. As mulheres ganham menos e qual é o problema? Ha uns tempos meteram mulheres a fazer o trabalho que os homens normalmente fazem na minha empresa, trabalhos com coisas pesadas. Adivinhem o que acontece… na hora da verdade elas não o fazem e recebem o mesmo… espetem-me com a igualdade nos…

  14. A quantidade de bullshit aqui é aterradora. Mas não tenho tempo nem interesse em desmontar estes argumentos absolutamente simplistas e de fontes altamente duvidosas. É como se ler dois “artigos” na net ou basear uma opinião na nossa experiência pessoal fizessem ciência. (A história do “a chefe é mulher por isso não há machismo” é de morrer a rir). Como se factores como trabalho reprodutivo, expectativas e pressão social, ascensão laboral e a cargos de direção não tivessem nada a ver com isto. Até o próprio título do post é todo um programa ideológico, o mesmo do que op acusa a comunicação social e os políticos.

  15. Se a desigualdade salarial fosse assim tão abrangente as mulheres estariam todas empregadas e os homens não, a realidade é que maior parte da população está corrida a SMN portanto isto é um assunto absurdo especialmente em países europeus

  16. E também é verdade op que assim que as mulheres entram num mercado de trabalho que era maioritariamente masculino este mercado fica inerentemente desvalorizado ao passo que quando o inverso acontece o mercado sobe de valor (ver o exemplo dos antigos computadores da nasa a serem programados por mulheres ao custo de ninharia e assim que houve um frameshift para só aceitarem homens este trabalho passou a valer muito mais). Porquê? Porque a mulher é vista como ser inferior na sociedade e contribui pouco mas, há um senão nisto tudo. As mulheres tendem a fazer mais trabalho não pago. Quando se fala em disparidade salarial está-se a incluir todo o trabalho invisível que adiciona horas ao tempo de trabalho da mulher e lhe retira horas de lazer. Trabalho não remunerado inclui tarefas de casa, educação dos filhos, cuidados aos elementos idosos e fazer errands aleatórias. Aconselho a ler invisible women onde falam desta “disparidade” que não existe mas que depois se reflete em todos os elementos da sociedade, desde o trabalho não remunerado às data gaps que tornam ser mulher imensamente mais perigoso e vulnerável à desigualdade social.

  17. A idade de reforma já é igual para homens e mulheres?

    Dito isto, há dados estatísticos dentro da mesma profissão que mostram em média as mulheres recebem menos e são passadas à frente por homens nas promoções. Em parte porque, apesar de ser proibido, nenhuma empresa quer ter um cargo importante em licença de parto… mas depois admiram-se que não há malta para trabalhar.

    Não sei se esses estudos são feitos em Portugal, mas são noutros países.

  18. Só princesas a dar down vote…acho que me vou virar para o outro lado e dormir mais um bocadinho

  19. Excelente post. Não podia concordar mais. Aliás, a literatura económica sugere que uma vez que se controle para esses fatores que referes (e um outro muito importante, número de filhos), o prémio dos homens praticamente desaparece. Mas há um argumento arrasador para os defensores de grandes prémios de salário desligado da produtividade beneficiando os homens. É que, numa economia de mercado, uma empresa que pagasse 20% ou 15% menos a uma força de trabalho predominantemente feminina iria beneficiar logo à partida de uma redução nos custos salariais, para a mesma produtividade. Ora, isso não acontece, o que significa que provavelmente parte do prémio salarial dos homens não será significativamente desligado da produtividade. Provavelmente uma mulher solteira, sem filhos, com habilitações apropriadas e experiência numa empresa não terá qualquer prémio salarial negativo.

  20. Vou dar um exemplo.

    Tenho dois funcionarios comerciais. Nos ultimos 5 anos tiveram 2 filhos. Um é homem outro é mulher. A mulher teve 2 anos de baixa e o homem teve 2 meses de baixa. A mulher ganham 15% a menos. Os aumentos de salário têm como base objetivos anuais.

    Agora como resolver isto? Tornar na lei a igualdade do homem para com a mulher. E o homem ter o dever de ficar de baixa se a mulher tambem fica.

    Tenho n exemplos disto só da minha empresa. Como responsaveis de sala que chegaram a esse nivel com 10% de mais salario do que alguem da linha.

  21. “O que deviam explicar, que não explicam, é que homens e mulheres tendem a sentir-se atraídos por carreiras diferentes. Não há o mesmo número de homens e mulheres em todas as profissões. E não por estas estarem barradas a mulheres, mas pelo facto de haver factores biológicos a contribuir para as escolhas mais comuns entre cada um dos sexos. Homens tendem a interessar-se por áreas profissionais melhor remuneradas.” – crianças até aos 5 anos dos dois géneros sentem-se igualmente atraídos pelas STEM e pelas artes. É só a partir do 5/6 anos que há uma segregação de géneros imposta pela sociedade no geral. Desportos tipicamente masculinos são mais financiados e apoiados. Atividades extra-curriculares/espaços culturais e de lazer que envolvem/atraem muitos rapazes tendem a criar ambientes pouco seguros para as raparigas que deixam de se interessar por este motivo. Áreas profissionais bem pagas deixaram de o ser porque as mulheres entraram nesse mercado de trabalho. As diferenças biológicas não explicam tudo. E nas STEM há o mito da meritocracia que trabalho igual é valorizado igualmente – mas o trabalho de mulheres tem mais dificuldade em ser aceite para publicação, trabalho gerado por homens é mais citado e depois tens o tempo livre que não é igual entre os dois géneros. Mulheres vão para casa e o seu tempo livre é dedicado a cozinhar, tratar dos filhos, da casa e dos pais idosos. Homens no seu tempo livre vão fazer aquele trabalho extra para rever 1 artigo, ler artigos para o capítulo ou revisão que vão publicar ou jogar e ver TV, notícias etc porque o ónus da responsabilidade pelos filhos e outros cai na maior parte das vezes nas mulheres.

  22. Então mas andamos a regurgitar Jordan Peterson neste subreddit?

    O problema da tua argumentação é que achas que 10 anos de movimentos woke e feministas desfazem séculos de opressão e segregação cultural aplicados às mulheres. E justificas as escolhas das mulheres como algo biológico quando toda a cultura ocidental (que estás exposto e influencido desde que saíste duma cona) é patriarcal. Estas são as tuas falácias e a razão pela qual o teu argumento não tem qualquer cabimento.

    As mulheres não são gestoras nem engenheiras, porque, até há muito pouco tempo, tinhas professores a dizer num auditório que Engenharia não era para elas. Tinhas e tens velhos/velhas do restelo como professores secundários a dizer que a menina é muito doce, que devia ir para educadora de infância. Tens pais que acham que economia não é para a filha porque é um trabalho de homens. Que a filha sabe cozinhar e que por isso podia ficar a trabalhar no café da família, que não precisa de ir para a Universidade.

    Só um mentecapto (como alguns nesta thread) diz que uma mulher trabalha menos por causa de ficar grávida. Caso não se tenham apercebido, elas não engravidam sozinham.

    É presunçoso acreditar que uma mulher escolhe trabalhos onde lhe pagam menos porque biologicamente sente-se mais atraída para esses cargos. É caso para perguntar: quem são as chefias desses trabalhos? Quem dita esses salários? Quem manda nessas empresas? Quem perpetuou a ideia de trabalhos para mulher e trabalhos para homem? Já esquecemos os anúncios sexistas do início do século?

    O estado atual da desigualdade é o perpetuar de um ciclo vicioso de discriminação dos homens para as mulheres. Séculos a construir uma sociedade de homens para homens. E é por isso que parece normal, porque sempre assim foi. A misognia está tão instalada que tens mulheres a achar que não se deve lutar por equidade entre homens e mulheres. É um caso extremo de survivorship bias e um problema sistêmico, perpetuado e agravado pelo facto de serem as pessoas nascidas entre 1960 a 1990 que mandam no país.

    Resta dizer que isto só se resolve, como prova esta thread, de duas formas:
    1. Rapidamente, educando e mostrando a discriminação, com políticas inclusivas e equitativas
    2. Lentamente, à medida que as pessoas com ideias retrógradas e patriarcais forem morrendo e as pessoas novas que as substituiem forem mais sensíveis e educadas nestas temáticas.

    Para ler:
    – Inferior, Angela Saini
    – Mulheres Invisíveis, Caroline Criado Perez

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