Portugal é o país da União Europeia onde os trabalhadores mais correm o risco de sofrer “burnout”? [Verdadeiro]

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  1. Longas horas de trabalho… As do contrato porque toda a gente sabe que os melhores trabalhadores são os que ficam até mais tarde /s.

  2. Eu levei burnout o ano passado por uma merda de trabalho que era 8horas por dia a olhar para uma tabela Excel.

    Prefiro comer merda a voltar a isso.

  3. Atenção a esses cálculos, parece me que só contam com o horário oficial de trabalho. Eu estou nos países baixos, o meu contrato é de 36h semanais mas na minha empresa a grande maioria trabalha bem mais de 40h semanais e não temos direito a horas extra nem a tempo de compensação. Portanto não é o mar de rosas que vendem aí no artigo.

  4. O primeiro motivo é provavelmente a cultura de trabalho terrível neste país. Horas extra, vestir a camisola, atender chamadas fora de horas, trabalho presencial obrigatório, são tudo coisas consideradas normais que devemos evitar a todo o custo para acabar com estas práticas.

  5. Eu nunca trabalhei fora de horas na minha empresa(surpreendentemente portuguesa mas com boa cultura). Mas admito q ajuda o facto de haver turnos a cada 8 horas, eu acabo o meu trabalho, ja ha alguem para me substituir q entrou à 1 hora atrás

  6. Antes de vir para o RU tive burnout em Portugal. Já na altura se falava nisso, talvez noutros termos. Lembro-me bem do dia em que “estalei”… Tive semanas muito más, mas nesse dia foi algo diferente. Não se passou nada de especial nesse dia (para além da pressão tremenda do trabalho e da responsabilidade que me tinham posto em cima com apenas 22 anos), simplesmente estalei e foi um sentimento horrível.

    Não me vou alongar muito sobre o que senti nesse dia, mas acabei por me despedir na hora e nunca mais voltei. Esse dia foi uma montanha russa de emoções, de uma pressão tremenda, a chorar, e depois um enorme peso que deixei para trás.

    Nos dias imediatamente depois decidi emigrar.

  7. Meanwhile, [Manuel Antunes, 2018](https://www.publico.pt/2018/08/20/sociedade/noticia/para-por-mais-dinheiro-na-saude-e-preciso-que-o-pais-passe-a-produzir-muito-mais-1840401)…

    >Eu entro às 8h e saio às 20h e nunca me ouviram falar em burnout. A produtividade em Portugal é baixíssima.

    (Nâo consigo ler o resto, não tenho subscrição ao Público)

    Acho que foi no prós-e-contras que ele se pronunciou sobre isso. Saiu-se com algo tipo “Se me perguntarem Manuel estás cansado? Sim estou cansado, mas agora toda a gente fala em burnout”. Não encontro esse episódio do prós-e-contras, infelizmente.

  8. Um trabalhador desgastado vai na mesma fazendo o trabalho e as empresas não veem necessidade em gastar recursos para diminuir essa sobrecarga de trabalho. Se o trabalhador ficar doente e tiver um esgotamento, há sempre uma outra vítima para segurar o barco. Esperam sempre até que a situação esteja insustentável para contratar mais gente. Mas essas contratações apenas colocam os números de novo no nível inicial. Ainda assim a empresa vai passar a mensagem de que está a aliviar a carga de trabalho dos seus colaboradores. Realmente, após o inferno insustentável, voltar ao ponto inicial já nem parece tão mau… Até que volta a ficar mau e ficamos assim num ciclo constante.

  9. Trabalho numa ipss, faço 36h semanais nunca fiz um minuto a mais (pelo contrário) e como eu, são mais 150 colaboradores. Eles fingem que me pagam, eu finjo que trabalho, eu e mais 150. No fim do mês o estado paga.

  10. O meu terapeuta português vai oferecer-nos uma sessão no domingo. Eu me recuso para que ela possa trabalhar menos. Assim fazemos no sábado. Nenhum desses dias estaria disponível no país de onde sou.

  11. Faz sentido. Quando cheguei do Brasil, arrumei um trabalho num restaurante. Grande e popular na cidade, bem movimentado mesmo no Inverno do Algarve. Supostamente, trabalharia das 11 às 15, depois das 18 às 23. Nunca respeitaram esse horário. Não teve único dia que sai antes das 15:40, e sempre saía depois das 24. Um dia, conversava com uma colega de trabalho, o gerente chegou e eu falei algo, não me lembro o que. Quando percebi, todos estavam olhando pra mim e o gerente estava me dando sermão. Disse que não percebi o porquê do sermão e ele disse “você olhou pra mim e disse foda-se”.

    Acho que nessa hora eu entendi que eu tinha que sair daquele lugar o mais rápido possível.

  12. Cultura da merda, act sem conseguir fazer nada e pronto estamos nisso. Vais pedir ao ACT para fazer algo e que podem fazer eles? Empresas ameaçam fechar portas e la vão uns milhares de postos de trabalho pro lixo por culpa do ACT.

    Felizmente com pessoal mais novo a mentalidade está a mudar mas basta vir uma crise que toda a gente come e cala com medo

  13. Falo por mim que trabalho numa startup, mas a minha vida é trabalho. Sou o único no meu cargo e por isso apanho com tudo. Para além disto as pessoas com quem trabalho não sabem o que custa a fazer as coisas ou então não querem saber, o que interessa são os objetivos da empresa.
    Resumindo daqui a um mês começo a trabalhar numa empresa estrangeira, que se é para trabalhar que nem um animal ao menos que o salário seja proporcional.

  14. Vocês falam todos nas horas a mais e pressão psicológica e trabalhar duro mas não dizem que se não for assim vai haver quem faça. É difícil concorrer quando temos colegas na própria profissão que baixam as calças… Enquanto isto não mudar continua igual. Os patrões preferem pagar menos aos funcionários e ter trabalho de menos qualidade mas que vai saindo do que pagar bem e ter boa qualidade.

    Isto do pagar menos é uma longa história porque toda a cadeia quer pagar menos, nós próprios queremos pagar menos possível por algo.

    E percebo que muita gente precisa mesmo de trabalhar e tem contas e filhos e tem de se rebaixar…

  15. Cometi esse erro anos a fio na Tuga, sem horas de saída, adiar férias, “ir a todas”, arcar com a carga de trabalho que era para 2 ou 3.

    NUNCA mais faço isso na vida, mas é que nem pensar numa coisa dessas. Emigrei, ganho 4 vezes mais, saio à minha hora, e tiro férias direitinhas. A vida é curta e sacrifícios como esse não servem para merda nenhuma, acreditem que é mesmo verdade.

  16. Revejo-me totalmente nessa situação. No ano passado estive numa agência de marketing digital na qual eu fui um canivete suíço junto com mais uma pessoa.

    Foi uma questão de tempo até finalmente dar o snap, por pressões constantes, contactos sistemáticos fora do horário de trabalho, não permitirem que eu desligasse durante as férias, assédio moral constante e (infelizmente) assédio sexual. Queriam que eu praticamente não vivesse para outra coisa a não ser para eles.

    Escusado será dizer que passei a ter fobia a frases de empresas tugas como “vestir a camisola”, “dar o corpo às balas”, “dar o litro” e o clássico “não quero problemas, só soluções”. Ah e a cereja no topo do bolo com “somos uma família”.

    Nunca mais me apanham numa situação destas, nem pelo salário mais alto do mundo.

  17. Já emigrante, trabalhei durante uns tempos para uma empresa com HQ em Lisboa e tive que viajar para la frequentemente, 2-3x por mês. esta é a minha observação: os colegas em Lisboa – quase sem excepção, chegam ao escritório as 9.30am, vão tomar pequeno almoço, saem para almoçar pelas 12.30-1pm e não voltam antes das 2pm. A meio da tarde vai uma pausa para lanche com metade do escritório a parar. Só vão para casa as 6.30-7pm.

    Cada um sabe de si, mas fuck that shit… combater o burnout começa com fazer horários decentes e maximizar a produtividade quando estão no escritório.

  18. eu atreveria me a modificar isso para “portugueses são os trabalhadores que mais correm risco de sofrer “burnout”, da união europeia” …

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