Um Erasmus a duas velocidades

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  1. As razões apontadas para a menor participação dos estudantes mais pobres ou que têm pessoas a seu cargo, são óbvias.

    Mas falta dizer que em Portugal os quadros médios e superiores do ensino superior são dominados por uma classe social específica, por um status quo, que rapa o tacho para os seus filhos, sobrinhos e enteados, não deixando nada para os outros.

    A quantidade de quadros, das instituições de ensino superior, que têm os seus filhos em programas financiados ou a fazerem pequenos trabalhos interessantes, é enorme.

    EDIT: achei que devia acrescentar isto para não parecer que é só uma coisa da boca para fora. Como é que vocês acham que os filhos de Professores também chegam a Professores? Como dizia o Sérgio Sousa Pinto (PS) “…as universidades têm autênticas dinastias lá dentro. Por vezes diz-se o apelido e ninguém sabe se estamos a falar do pai, do filho ou do avô, porque são todos Professores lá na universidade”. Isto acontece também por esta via. Quando um comum mortal, campónio, termina o seu mestrado, já o filho do Sr. Professor participou em três projetos, esteve envolvido em seis programas internacionais e quando concorrem às vagas de um doutoramento parte dos campónios vão logo a andar. Depois durante o doutoramento a coisa acelera para uns e estagna para outros. Quando um filho de um Professor chega ao fim do doutoramento já tem um cv científico invejável e é simples ganhar concursos públicos. E no fim? No fim quem paga são os impostos dos portugueses.

  2. Aumentar o orçamento para os Erasmus é difícil de vender politicamente. Eu fiz Erasmus e várias pessoas disseram me que eu ia para os copos com o dinheiro dos impostos dos outros. Antes de fazer Erasmus não fazia ideia que tantas pessoas pensavam assim.

  3. E nem falam da ausência de pessoas de classe baixa nas faculdades. Estou em direito na classica e, apesar de ser uma universidade pública, é frequentada por pessoas que andaram nos melhores colégios ou em escolas públicas muito boas. Claro que existem pessoas de classe baixa, mas já aqui são raras, quanto mais em Erasmus.

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