“Este sucesso não significa uma coisa boa”. “Sala de chuto” de Lisboa com muito mais utentes do que o esperado

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  1. Ora e não é que surge mais um tema complexo que os técnicos de IT e soldadores sub-aquaticos devem opinar zero por não perceberem boi?

  2. A diferença entre géneros é muito preocupante. 85% dos utentes desta sala de chuto são homens, 81% dos mortos por overdose são homens, e, atirando outra estatística, 78% dos suicídios em Portugal (dados de 2019) são homens e o mesmo acontece no resto do mundo desenvolvido. No entanto, os diagnósticos de depressão das mulheres são cerca do triplo dos diagnósticos dos homens.

    O que levará a estas diferenças?

  3. A despenalização foi das melhores coisas que Portugal fez. Só falta dar o último passo que é a legalização.

    1. Tornará as drogas mais baratas.
    2. Dado 1, fará com que haja menos crimes de furto para que as pessoas consigam sustentar o seu vício e incentivará essas pessoas a serem membros mais produtivos na sociedade.
    3. Reduzirá o incentivo a criar viciados – se as drogas forem caras, eu estou incentivado a dar amostras gratuitas para criar uma clientela refém. Drogas mais baratas reduzem esse incentivo.
    4. Reduz o incentivo ao comportamento rebelde por parte dos jovens que vêem as drogas como algo “anti-sistema” e “cool”.

    Já estas salas de chuto são um passo na direcção errada, não só porque não contribui em nada para os pontos acima como criará uma massa crítica que beneficiará directamente da não resolução do problema.

  4. Com mais utilizadores ou com menos utilizadores essas salas são sempre bem vindas.

    Asseguram um consumo controlado, reduzem a criminalidade e a disseminação de doenças como a SIDA, além de possibilitarem o acesso a programas de reabilitação, geralmente focados na metadona. Na minha humilde opinião deviam até fornecer o produto, de qualidade farmacêutica.

    Evitava-se grande parte das doenças e mortes (muitos não sabem mas a heroína com qualidade não é muito danosa para o corpo humano, o maior problema está na adulteração feita pelos traficantes, desde cimento, medicamentos, detergentes, etc), reduzia-se substancialmente a criminalidade provocada pela necessidade de consumo e , principalmente, a grande criminalidade que acompanha todo o “sistema” de tráfico.

    Muitos países, dos mais evoluídos do Mundo, já perceberam que a “guerra ás drogas” de cassetete e pistolas está perdida. Na Suíça, por exemplo, um estudo chegou á conclusão que fornecer duas doses diárias de heroína a uma pessoa custava cerca de 34 francos diários, enquanto a alternativa repressiva e respectiva prisão, custa 45 francos por dia.

    Aos poucos, principalmente nos países do 1º Mundo, uma nova forma de encarar as drogas está a ganhar espaço e a consolidar posição e cada vez mais os “velhos tempos” do porrete, da repressão, da continuidade da fatídica “lei seca” são águas passadas.

    P.S. Há muita literatura de qualidade sobre este assunto, escrita não pelo “Chico Fininho” mas por médicos, psicólogos, políticos, agentes da autoridade e muitas outras pessoas que já compreenderam que banir as drogas é impossível e nem é tão pouco desejável (mesmo que fosse possível).

    Quem quiser ler alguma coisa “leve” sobre o assunto, leia “Na Fissura” de Johann Hari.

    Até tem um capitulo dedicado á experiência portuguesa.

    Não será uma obra prima, mas “toca” em alguns pontos essenciais.

    [https://pt.pt1lib.org/book/16604891/563bc1](https://pt.pt1lib.org/book/16604891/563bc1)

  5. Se há algo que Portugal fez a alto nível foi a criação das salas de chuto e todo o trabalho à volta disto. Trabalho excelente em Portugal e de exmplo para todo o mundo.

    As pessoas responsáveis por isto mereciam uma medalha

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