Casas estão sobrevalorizadas e queda de preços é “improvável”, diz a Comissão Europeia

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  1. Para quem quiser evitar o *jibber jabber* do idealista, fica aqui o [link](https://ec.europa.eu/info/sites/default/files/economy-finance/ecfin_forecast_autumn_2021_ch4_special_issues_4_en.pdf) para o documento da CE.

    As previsões não trazem nada de novo. Cada país é um caso, existem indícios de sobrevalorização em alguns países e Portugal é um deles.

    Como o BCE só deve mexer nas taxas de juro no último trimestre de 2022, parece-me que as variáveis com possível impacto nos valores das casas são, durante 2022:

    – Capacidade da economia para reagir ao dinheiro que lhe vai ser mandado para cima.

    – Variações na taxa de desemprego.

    – Eventuais alterações (nos países de origem) às condições obtidas por estrangeiros para compra de casa em Portugal.

    – Impacto do fim das moratórias (visível durante 2022).

    No médio longo prazo, com todo o wishful thinking de todos os interessados, alguém tem de pagar as rendas e é nesse campo que se a batalha se travará.

    Off-topic: gostava de ver um estudo/comparação sobre os preços pelos quais as casas são anunciadas, vendidas e escrituradas. Se alguém tiver, pedia que partilhassem.

  2. O brrrrrrr tem destas coisas. O quantitative easing (p.e. compra de obrigações do tesouro pelo BCE) apesar de ter sido algo essencial para nos tirar da crise de 2011 é uma espada de 2 gumes.

    O BCE (ou a FED já agora) ao fazer compras de ativos introduz liquidez nos mercados financeiros; mas esta injeção de capital não desce ao nível das pessoas normais, vê-se refletido mais no valor dos ativos financeiros. Esta liquidez como não entra para a “economia mundana” não causa diretamente inflação esta vê-se refletida mais no preço das securities.

    O QE leva à manutenção das taxas de juro em níveis mais baixos (mais procura por obrigações risk free pelos bancos centrais reduzem este juro, a risk free rate), o que incentiva ao investimento, a fazer empréstimos (aumentando o consumo de ativos financeiros também) e também à procura por ativos financeiros mais arriscados para obter algum rendimento (p.e. fundos de pensões cada vez mais investem em imobiliario para obter as rendas onde previamente estariam apenas dependentes de obrigações para obter o cupão).

    Esta nível elevado do preço das casas, ocorre porque funcionam mais como um ativo financeiro vez de como um direito das pessoas.

    Não faço ideia de como saieremos do QE e as casas comecessem a baixar e se sairmos é sequer muito viável. O primeiro país a fazer o QE, o Japão nunca recuperou dinamismo económico :'(

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