A Comissão Europeia tenciona mobilizar 10 mil milhões de euros do orçamento comunitário. Mas estima-se que sejam precisos 150 mil milhões de euros para construir 650 casas por ano. Quer também cortar na burocracia, avaliar o impacto da especulação e apertar as regras para o alojamento local.
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A Comissão Europeia diz que Portugal continua a ser o país com os preços das casas mais sobrevalorizados. Especialistas e agentes do setor não estão surpreendidos e dizem que o problema só se resolve construindo mais habitação.
A intenção de Bruxelas de mexer nas ajudas para a habitação com metas anuais de construção foi bem recebida em Portugal.
“Achamos muito positivo a questão da Habitação e a resolução desta problemática ser um desígnio europeu e que, no fundo, a Comissão Europeia prepare este estímulo, com valores avultados, para apoiar a habitação”, defende Carlos Luís Teixeira, da Associação Nacional de Proprietários.
“A medida de maior impacto é a Europa dizer que – em cima de 1,6 milhões de habitações que já constrói, por ano – vai precisar de construir mais 650 mil por um período de dez anos. E que vai ter de alocar recursos financeiros para os Estados- membros executarem”, afirma Bento Aires, professor da Porto Business School.
O especialista em Imobiliário alerta, contudo, que Portugal vai ter dificuldade em competir por recursos.
“Neste momento, o setor da construção, a par de doutros setores, tem fraca capacidade de recrutar recursos de mão-de-obra, equipamentos, produção,…”, aponta.
“Estamos em desvantagem porque outros países vão ter salários mínimos e médios do setor da construção muito mais elevados”, nota. E “podem ter também políticas de abertura de fronteiras muito mais competitivas do que aquelas que Portugal está a ter”.
Neste novo desígnio europeu para dar resposta à falta de casas a preços acessíveis, Bruxelas promete mobilizar 10 mil milhões de euros do orçamento comunitário. Mas estima-se que sejam precisos 150 mil milhões de euros para construir 650 casas por ano.
Cortar no alojamento local
Bruxelas quer também cortar na burocracia, avaliar o impacto da especulação e apertar as regras para o alojamento local em zonas de stress habitacional. Uma intenção que não reúne consenso em Portugal.
“Se diabolizarmos o alojamento local, muito provavelmente estamos a matar o turismo”, defende Bento Aires. “Aquilo que nós vamos precisar de fazer é construir novas cidades habitacionais.” “A medida é muito genérica. É necessário ver bem a fundo quais são as medidas – e país a país, local a local, cidade a cidade”, diz Carlos Luís Teixeira.
Será possível baixar os preços das casas em Portugal, que, nas últimas contas de Bruxelas, são os mais sobrevalorizados da União Europeia.
Portugal é um dos piores países nas variações do poder de compra. O valor até baixou em relação à sobrevalorização de 35% estimada no ano passado. Ainda assim, é o mais elevado dos 27 Estados-membros: 25% acima do que seria justificado.