O Governo português reembolsou esta segunda-feira, 22 de dezembro, antecipadamente 2,5 mil milhões de euros de assistência macrofinanceira da União Europeia (UE), ficando por liquidar 19,8 mil milhões de euros, anunciou a Comissão Europeia.

“Hoje, o serviço de gestão da dívida pública portuguesa reembolsou 2,5 mil milhões de euros da sua dívida ao Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira [MEEF] – o instrumento da UE que presta assistência financeira a qualquer país da UE que enfrente graves dificuldades financeiras, gerido pela Comissão Europeia”, divulgou o executivo comunitário em comunicado.

Este reembolso antecipado diz respeito ao programa de assistência financeira a Portugal em 2011-2014, ao abrigo do qual o país 24,3 mil milhões de euros em empréstimos do MEEF, bem como do financiamento do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira e do Fundo Monetário Internacional.

Uma vez que Portugal já havia reembolsado anteriormente outros dois mil milhões de euros, em 2019, ficam agora por liquidar 19,8 mil milhões de euros de empréstimos do MEEF.

“O reembolso foi efetuado em dinheiro e cobre integralmente as responsabilidades correspondentes da Comissão, garantindo o cumprimento de todas as obrigações financeiras relevantes”, adiantou o executivo comunitário.

Na passada sexta-feira, o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira aprovou uma derrogação que permitiu agora a Portugal reembolsar antecipadamente 2,5 mil milhões de euros de empréstimos concedidos ao país aquando da assistência financeira, após pedido do Governo.

De acordo com o agora Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), que veio substituir o FEEF, que foi criado provisoriamente em 2010 para assistência macrofinanceira a países da zona do euro como Portugal, a derrogação “foi concedida na sequência de um pedido formal do Governo português, que pretende reembolsar antecipadamente 2,5 mil milhões de euros do seu empréstimo do FEEF até ao final de 2025”.

Os acordos de empréstimo do FEEF assinados com Portugal especificam que, após o reembolso antecipado do empréstimo do MEEF, um montante proporcional da assistência financeira concedida ao abrigo das facilidades do FEEF se torna imediatamente exigível e pagável, mas o mecanismo pode dispensar essa obrigação para que os pagamentos sejam efetuados de acordo com o calendário de reembolso atual.

Citado pelo comunicado, o diretor do agora MEE e presidente executivo do FEEF, Pierre Gramegna, assinalou que “o pedido de Portugal para efetuar o reembolso antecipado do seu empréstimo do MEEF destaca o forte desempenho económico e orçamental do país nos últimos anos”.

O pacote de assistência financeira concedido a Portugal pelo FEEF, pelo MEEF e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) entre 2011 e 2014 ascendeu a 78 mil milhões de euros.

Cada credor oficial contribuiu com um terço do montante total.

Portugal concluiu o reembolso antecipado dos seus empréstimos ao FMI em dezembro de 2018 e, em setembro de 2019, o país efetuou um reembolso antecipado de dois mil milhões de euros ao FEEF.

O MEEF é um mecanismo criado pela Comissão Europeia em 2010 para prestar assistência financeira aos países da UE que enfrentam ou estão ameaçados por graves dificuldades financeiras.

Foi utilizado para prestar assistência financeira à Irlanda e a Portugal entre 2011 e 2014 e para conceder um empréstimo-ponte de curto prazo à Grécia em julho de 2015.

Atualmente, os países da área do euro que necessitem de assistência financeira devem recorrer ao MEE, o atual fundo de resgate da moeda única.

by Alkasuz

8 comments
  1. Reembolsámos 2.5 mil milhões de 22. Já só faltam 19.5 mil milhões. 

  2. Quando o Passos fez o mesmo com a Troika, a ver se baixava os juros que se pagaria, quase que foi crucificado..

  3. A ligeireza com que se tratou este episódio, em particular achar que pode ser confinado apenas aos anos de governo do Passos Coelho é impressionante.
    Ainda estamos, e estaremos, sob o efeito do impacto do desastre que levou à intervenção da troika, e esta conviersa de “virar a páginda da austeridade” foi a maior aldrabice coletiva que políticos e media conseguiram meter pelas goleas abaixo da população. Mais que o Covid.

  4. Muito bem. Amortizar o mais rápidamente possível.

  5. Assumo que os juros que os nossos amigos estavam a cobrar eram perfeitamente usurários para esta manobra compensar.

  6. Quantificar o dano que o Sócrates e os Xuxas fizeram a Portugal é bastante difícil mas certamente que excede largamente o montante desta dívida. O custo de capital é maior para os próximos 100 anos, gente que emigrou, empresas que faliram, credibilidade de país afectada por ser gerido por mafiosos amigos do Lula, Maduro e José E. Santos.

    Como se isto não fosse suficiente ainda temos o Sócrates a implodir o sistema judicial.

    Portugal teria hoje muito mais gente qualificada senão fossem os ladrões.

  7. A amortização prevista é uma obrigação contratual de reembolso de uma linha específica de dívida e, em regra, é acompanhada por novas emissões para refinanciar essa mesma dívida, mantendo o stock global ainda muito elevado.
    Por isso, transformar esse movimento técnico e esperado numa narrativa de “gloriosa” redução da dívida é, no mínimo, um exercício de cosmética política mais do que uma mudança material da situação financeira do país.

    O montante global da dívida pública portuguesa é de cerca de 294,3 mil milhões de euros no terceiro trimestre de 2025 (setembro), segundo dados do Banco de Portugal.

    A dívida direta do Estado, que inclui Obrigações do Tesouro (OT) e Bilhetes do Tesouro (BT), ronda os 305 mil milhões de euros em meados de 2025, com cerca de 249 mil milhões em dívida de mercado.
    Desses, linhas como a OT de 2022 (22,3 mil milhões) são geridas ativamente, mas representam apenas uma fração do total.
    https://www.igcp.pt/sites/default/files/2025-06/BM_jun25.pdf?utm_source=perplexity

    Areia para os olhos a tentar disfarçar a irresponsabilidade de assumirem compromissos belicistas comprometendo e arriscando a independência económica.

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