
Com base numa discussão neste subreddit sobre a falta de mão de obra em Portugal, salários baixos e falta de condições, chego à conclusão que a maior parte das pessoas tem ideia que a culpa dos salários baixos em Portugal é dos patrões que não pagam mais porque têm que sustentar o Porsche do filho.
Eu digo deste já a minha posição, em prol da transparência:
– Os patrões que realmente têm dinheiro e não querem investir na mão de obra são poucos.
O que não falta em Portugal são empresas com sucesso que pagam salários justos (recordo me de algumas reportagens de empresas, maioritariamente de indústria têxtil, a pagar justamente os empregados, com bónus, e outras mais valias).
Acontece que empresas em Portugal com sucesso, pelo menos sucesso suficiente para passar da sobrevivência para o lucro são poucas, e agora com a pandemia menos ainda.
Portugal é feito de micro/pequenas empresas onde os patrões muitas das vezes prescindem do seu próprio salário para não perderem a mão de obra.
Um pequeno exercício:
A questão do aumento do salário por iniciativa das empresas é relativamente simples de resolver.
Supondo que uma empresa decide aumentar o salário dos trabalhadores porque tem capacidade para tal, aumentado o salário, os trabalhadores têm mais dinheiro para gastar nas outras empresas que por sua vez vão conseguir pagar mais aos seus trabalhadores.
Qual é então o problema ?
O problema é que a economia Portugal assenta no desenvolvimento das micro/pequenas empresas, que para subirem o salário para além do salário mínimo têm que pagar ao estado, no mínimo e no caso específico do aumento do salário mínimo para uma quantia pouco superior, 200€ por cada trabalhador. Claro que é insustentável, ninguém aumenta os salários, ninguém tem dinheiro para gastar na economia a economia não anda para a frente.
A solução ?
Alívio da carga fiscal para as micro/pequenas até podem fazer às médias vá
Contraposição:
Ah e tal mas há pessoas a comprar televisões e PlayStation. Exijam às big corporate de Portugal que aumentem o salário, é ridículo o continente pagar o salário mínimo quando tem margens de lucro brutais. Mas a maior parte das pessoas não trabalha nessas lojas, a população trabalha em pequenos cafés, pequenos comércios, micro empresas de diversas áreas da indústria.
Dito isto, discutam, metam me os “baixo-votos”, prove me wrong
Já meto fontes
EDIT:
https://www.bportugal.pt/page/economia-numa-imagem-80
https://www.pordata.pt/Portugal/Pequenas+e+m%C3%A9dias+empresas+em+percentagem+do+total+de+empresas+total+e+por+dimens%C3%A3o-2859
Portugal é o segundo país da UE onde as pequenas empresas têm maior peso
23 comments
Sempre trabalhei em grandes empresas sem problemas de dinheiro, por isso eu vejo sempre dinheiro a jorrar de todo o lado e fico a pensar “filhas da puta podem pagar mais e não pagam porque não querem”, penso que é em todo o lado assim e no outro dia em conversas com a minha mãe ela falou da antiga empresa dela, uma PME, em que o dono chegava ao fim de muitos meses à rasquinha para pagar aos funcionários, então fui ver e parece que regra geral é mesmo assim.
Claro que existe o espertalhão que anda a mamar fundos e diz que vai abrir uma escola de surf mas gasta o dinheiro todo do subsídio num BMW para andar a passear (Olá Viana do Castelo!), ou aquele patrão com até bom negócio mas todos os funcionários que não sejam família recebem merda (Olá pai da minha “ex”!). Mas regra geral as empresas vêem-se à rasca com tanta carga tributária, e o Estado sabe tanto que essa carga tributária é insuportável que de forma a atrair as multinacionais para as quais eu trabalho, reduz-lhes os impostos e dão um monte de benefícios (coisa que não acontece com as PME). O que é mais ridículo é que nesse sistema aqueles que precisam não têm apoio, os que não precisam ficam ainda mais gordinhos.
Concordo com isto. Portugal é um dos países que tem mais empresas e mais pequenas.
Infelizmente muita gente quer ser patrão e depois acontecem coisas do género uma aldeia que tem 3 cafés a fazer pouco dinheiro, quando podiam ter um café com 3 trabalhadores e melhores condições de trabalho.
A verdade é que 90% dos patrões não têm negócios lucrativos o suficiente para pagar mais a eles próprios ou aos funcionários.
O grande mal é a parte dos outros 10% que tem dinheiro, pode pagar mais e não quer saber.
Não vão haver médias/grandes empresas nacionais enquanto os nossos licenciados continuarem a fugir todos para o estrangeiro
Para menos impostos é preciso cortar na despesa do Estado e este se o fizer nunca corta naquela despesa que é corrupta, nepotista, de esquema mas sempre nos serviços essenciais públicos.
Quem manda no sistema não vai meter o sistema contra si mesmo.
Acho que o problema é mesmo as pequenas empresas. Vamos chegar ao ponto de okay subimos o salário mas alguém é despedido e sobra o outro que vai trabalhar por dois.
Estive 4 anos na sonae e o meu ordenado era o mesmo de quem entrava na empresa. Se nem a sonae tem interesse em aumentar não será um pequena/média empresa que vai ter interesse/capacidade. De pensar que um trabalhador que ganhe o ordenado mínimo custa a empresa a rondar os 1000€.
Esta aqui uma comparação com a questão dos combustíveis o problema é as taxas e taxinhas.
Somos um dos países em que os impostos para a segurança social e do empregador são os mais caros da Europa. Sendo um dos países com o salário mais baixo talvez se o governo não fosse tão corrupto os ordenados eram maiores. É fácil criticar os patroes mas esquecem se que só de impostos pagam 23%
>A questão do aumento do salário por iniciativa das empresas é relativamente simples de resolver. Supondo que uma empresa decide aumentar o salário dos trabalhadores porque tem capacidade para tal, aumentado o salário, os trabalhadores têm mais dinheiro para gastar nas outras empresas que por sua vez vão conseguir pagar mais aos seus trabalhadores.
Não é verdade. Isso é o mesmo que argumentar que se ligares duas tomadas uma ‘a outra geras energia infinita gratuita. Aumentar os salários ou reduzir impostos são duas formas diferentes de dar mais liquidez ‘as pessoas e mais liberdade onde elas gastam o dinheiro **momentaneamente** até o mercado atingir um novo equilíbrio. A única maneira de sermos mais ricos é produzirmos mais e/ou melhor. E’ a única maneira de ter ganhos reais na economia e na vida das pessoas.
Eu não tinha noção que o valor de micro empresas fosse tão alto! Sempre pensei que fosse à volta dos 70%
A carga fiscal é ridícula para as PME e, quem trabalha mais ou menos dentro do ramo com acesso à gestão percebe que não é assim tão fácil pagar super bem aos funcionários.
Mas mesmo assim, eu sou a favor do aumento do salário mínimo nacional, porque o atual não dá praticamente para nada. O governo tem é de arranjar soluções para não enterrar ainda mais as micro e as PME
Ora benhe,
O primeiro problema com esse texto é que dizer que o continente não são todas as empresas, para justificar as empresas maiores não pagarem melhor, não é grande argumento.
O segundo problema é achar que por uma empresa ser pequena não pode ter lucro suficiente para pagar aos empregados um salário justo.
Vou repetir um comentário que já fiz dezenas de vezes aqui: O problema é que se trabalha de forma muito pouco produtiva. Eu trabalho em indústria e conheço muito da realidade fabril neste país. Aquilo que me apercebo é que em vez de se gerir os recursos humanos, atira-se molhos de pessoal ao trabalho e depois ele fica feito sem grande esforço de planeamento ou gestão. Podia se fazer o trabalho com 5 pessoas, mas faz se com 10. Podia se investir em modernizar equipamentos para reduzir o numero de pessoal afecto a uma tarefa, ou para aumentar a eficiência e/ou capacidade de produção, mas mais vale mudar de carro todos os anos. Também se podiam criar medidas de protecção dos trabalhadores, para não os desgastar fisicamente e eles não irem para uma baixa prolongada, nem acabarem por se despedir. Mas que sa foda o empregado, atrás desse vem outro (pelo menos, até agora era assim).
Depois muitos patrões têm zero consciência social. Tantas empresas grandes que podem pagar salários decentes, mas o patrão quer é ter uma colecção de carros, uma quinta que não usa, uma casa de férias no Algarve para 15 dias anuais, comprar garrafas de vinho que não sabe apreciar, etc etc. Isto não é cliché, isto conheço eu. Conheço um que faz exactamente este estilo de vida, mas há uns tempos decidiu que ia passar trabalhadores para uma empresa de trabalho temporário, porque assim só iam trabalhar quando fosse preciso. Este modelo de contratação está se a tornar regra em muitas grandes empresas. Isso ou fazer contratos de seis meses eternamente renovados (é ilegal, mas para tudo se arranja uma maneira).
Eu acho muito estranho, quer se pôr a responsabilidade da economia no governo e no trabalhador apenas, e ilibar o empregador de toda a culpa e responsabilidade.
É claro que também há muitos negócios que não conseguem de facto pagar, que têm dificuldade em manter-se à tona. Bem, aqui não se está sempre a apregoar a lei do mercado. Os negócios têm que ser competitivos dentro das condições do mercado, e os que não podem tem que dar lugar aos que conseguem. Não sejam linientes com incompetência… /s
é isto que nunca percebi, a malta quer aumentar o salário mínimo para 2 mil euros sendo que as empresas não têm condições nem para metade disso, não vale a pena aumentar salários sem melhorar a economia primeiro
> chego à conclusão que a maior parte das pessoas tem ideia que a culpa dos salários baixos em Portugal é dos patrões que não pagam mais porque têm que sustentar o Porsche do filho.
Quem nos dera que fosse esse o caso, era sinal que a empresa dava dinheiro suficiente para tal. Não que isso não aconteça, por vezes (e às vezes afectando a viabilidade da empresa), mas IMO o grande problema é a incapacidade da iniciativa privada portuguesa fazer melhor.
Repara que o número de micro-empresas prova isso mesmo: porque é que temos uma % tão alta de micro-empresas? Porque elas nunca chegam a crescer.
E já há taxas de IRC reduzidas para PMEs (17%; ainda mais baixo no interior e ilhas). Sou da opinião que podíamos fazer melhor (e devíamos) nesse tipo de taxação em particular, principalmente para atrair investimento estrangeiro, mas a carga fiscal é desculpa de mau-pagador. Aliás, havia umas estatísticas engraçadas sobre as taxas efectivas de IRC e sobre o número de empresas que não paga IRC de todo.
Engraçado como ainda há poucos dias tropecei no facto de que mundialmente desde os anos 50 que a relação entre salários e lucros das empresas é cada vez menor…
Mas coitados dos “patrões”, não pagam mais porque não podem.
Edit: fonte https://www.oecd.org/g20/topics/employment-and-social-policy/The-Labour-Share-in-G20-Economies.pdf
Relativamente as contribuições sociais das empresas, ou aliás dos impostos sobre o trabalho Portugal é relativamente alto (para o retorno que os impostos dão), se bem que ainda existem países com maior taxa total sobre o rendimento (se não forem buscar pelas contribuições para a segurança social da empresa vão pela do trabalhador ou então pelo IRS), em relação aos apoios para as PMEs, já existe uma taxa reduzida de 17% nos primeiros 25000 de lucro (no caso de empresas sediadas no interior é de 12,5% nesses 25000). Eu acho que algo que ficou de fora e devia ser mencionado é a economia paralela (são só uns estimados 45,9 mil milhões). Para dar um exemplo, quem nunca foi a uma PME, café, barbeiro, canalizador,etc., e consumiu algo sem pedir fatura. Muitas vezes esse dinheiro entra para a empresa sem nunca pagar IVA ou outro imposto qualquer, por exemplo quantos cafés é que acham que certas pastelarias realmente faturam? Chegado a um certo limite o dinheiro entra por fora. No final do ano o lucro é “baixo” os salários dos trabalhadores continuam o mínimo e aquilo que não foi faturado no IVA vai para o patrão. Agora não estou a dizer que certas PMEs/patrões não tenham dificuldades e se esforcem com sacrifício pessoal em pagar os salários, mas também há muito negócio que vai por fora.
se a lavagem cerebral do r/portugal funciona ou não, não sei, mas considero me de esquerda e acho que vou votar á direita e a culpa é vossa
supply and demand, se achas que ganhas pouco, pede um aumento, se não derem, muda de empresa, repete sempre que achares que estás a ser mal pago para o que produzes ou para as responsabilidades que tens, se a malta se deixar estar é que não te aumentam de certeza, ainda por cima em Portugal, os patrões só sabem dar valor quando perdem as pessoas e entra um corno que não sabe fazer nada a ganhar mais que o outro que saiu..
Este problema resolve-se facilmente. O aumento do salário mínimo por si só não resolve nada. O pessoal não trabalha porque ganham o mesmo trabalhando ou não. Penar das 9 as 17 horas 22 dias por mês ou ficar em casa a coçar a micose ao final do mês em termos de vencimento é igual.
O segundo problema são os escalões do IRS deviam acabar e ser apenas um percentagem do rendimento, para toda a gente.
Por último acabar com os subsídios todos. E dar um rendimento garantido a toda a gente, acumulando com o salário se for o caso.
Em Portugal há uma combinação de tudo: empresas fracas com produção de pouco valor acrescentado e portanto pouco ‘bolo’ para distribuir, empresas desenrascadas mas mt mal geridas onde sim, o patrão anda de porsche, patrões q trabalham 14h por dia para manter a empresa, enfim há de tudo.
Agora normalmente estas discussões fazem-se em escalões de salários bem baixos, diria que deste o SMN até ~1200 liq. Nesse escalão, não, os impostos não doem assim tanto e são perfeitamente equiparados a outros países ou até tlz melhores. O problema dos impostos faz-se maioritariamente à medida q sobes nos salários. Para pagar um salário de 2000€ liq a alguém é complicado e 2500€ tem de ser uma empresa q factura mesmo muito.
Agora ser pequena, média ou grande empresa a questão é mt simples: se realmente n podem pagar mais pq n lucram mais então alguma coisa está errada na gestão da empresa e ela simplesmente pode n ser viável. Tem de aumentar preços, sim senhor e todas elas têm de o fazer para concorrerem num patamar de equidade entre elas.
Dito isto, há muita empresa com lucro bom e de relembrar q muito do ‘lucro’ é gasto artificialmente por manobras contabilistas para as empresas pagarem pouco de IRC.
Como empregador dou-te o meu apoio. Ainda só tenho um empregado mas penso seriamente que só quem é louco contrata. Os impostos deveriam ser debatidos em hasta pública e deviam de ser de conhecimento comum. As pessoas não compreendem que um pequeno empresário não tem a mesma capacidade de uma grande empresa de contratar, está claramente em desvantagem.
Para quem não contrata aqui vão algumas considerações que o patrão tem que ter em conta quando contrata alguém:
– Vamos pagar 14 salários para o trabalhador trabalhar 11;
– Ninguém contrata ninguém para ser chapa ganha/chapa gasta;
– O custo para o salário mínimo nacional para uma empresa é mensal de: 927,88€ x 14 = 12990,32€ anuais;
– O custo do trabalhador não é igual à faturação da empresa. Ou seja, a faturação de uma empresa que pague IVA sobre os seus produtos/serviços terá de faturar muito mais do que uma isenta para pagar os mesmos valores;
– Em casos de pandemia ou crises, as coisas podem correr mal, há um risco associado a uma contratação;
– Um pequeno empresário está muito mais dependente de um trabalhador do que uma grande empresa que trabalha com milhares.
São apenas alguns pontos a ter em consideração. A falta de noção e a crítica sobre a contratação é desumana.
PS: Acabei agora de saber que ainda vou ter que pagar mais 15 dias de licença de casamento à minha funcionária este ano. Carência dada pelo estado, paga pelo empregador. 1 mês 15 dias de férias + feriados.
Muitas empresas não podem pagar mais porque ao não pagarem mais deixam os bons ir embora e depois precisam do dobro dos empregados.
>Os patrões que realmente têm dinheiro e não querem investir na mão de obra são poucos. **O que não falta em Portugal são empresas com sucesso que pagam salários justos** (recordo me de algumas reportagens de empresas, **maioritariamente de indústria têxtil**, a pagar justamente os empregados, com bónus, e outras mais valias).
que empresas são essas?
Como acabei de comentar noutro lado, o ano passado mudei de uma empresa que se recusava a pagar mais para uma onde ganho substancialmente melhor. A primeira é uma multinacional com lucros brutais, a segunda é uma pequena empresa com entre a 10 e 15 pessoas. Enquanto isso, o CEO da primeira já foi a conferências e aos media chorar que não consegue arranjar trabalhadores… Também comentei hoje noutro sub o caso de pessoas que conheço que trabalham em minimercados regionais, fora de grandes cadeias, que ganham substancialmente mais que homólogos em supermercados de grandes redes.
Por experiência própria, quem mais chora por não poder pagar mais são quem pode pagar mais. Até porque, as empresas mais pequenas tipicamente beneficiam de maior poder de comprar, enquanto que as empresas maiores podem dar-se ao luxo de não reter conhecimento e em muitos casos viver de estagiários.
Pá, não são os únicos, também conheço quem abriu uma pequena empresa de serviços, paga o SMN aos funcionários e acabou de comprar um Tesla alegadamente em nome da empresa.
Agora a questão é trabalho qualificado, em que o meu caso se enquadra, que é tipicamente absorvido por empresas maiores. É nesse que mais “falta” mão de obra, é esse que o governo anda a fazer acordos para ir buscar mão de obra ao Brasil e India. Esse sim, não tem justificação para ser tão baixo e é baixo face à necessidade de contratar e reter pessoas simplesmente porque as nossas empresas não criam valor próprio e vivem de venda de serviços e mãos de obra e querem manter os salários baixos para manter os preços com os clientes e o nível de crescimento com os investidores. E isto não é só em IT, tens outsourcing em outras engenharias, outsourcing no sector médico e hospitalar, até tens outsourcing de recursos humanos. E como o outsourcing come de grande à maior parte da oferta laboral, dita as espectativas salariais globais, e puxa para baixo.
Baixar os impostos é lindo…só que em vez do patrão pagar mais vai é encher mais o cu.. voces não devem ser de cá
Vende o Mercedes