Há alguns largos meses atrás na nossa grandiosa sub eu aprendi que existe um fenómeno psicológico denominado [Efeito Dunning-Kruger](https://pt.wikipedia.org/wiki/Efeito_Dunning–Kruger), que basicamente acontece a indivíduos com pouco conhecimento de certos assuntos, acreditarem que sabem mais que pessoas bem preparadas, inclusive falar desses mesmos assuntos de uma forma tão assertiva e decisiva que pode levar a uma [Superioridade Ilusória](https://pt.wikipedia.org/wiki/Superioridade_ilusória) para essa pessoa, ao mesmo tempo que pode levar ao aparecimento do [Síndrome do Impostor](https://pt.wikipedia.org/wiki/Síndrome_do_impostor) à pessoa com conhecimento, um fenómeno que leva a que as pessoas capacitadas comecem a duvidar das suas capacidades e conhecimentos.

Ora tendo já experienciado algumas situações destas com administrações, queria saber como lidam/lidaram com esta realidade, se vocês e os vossos superiores lidaram positivamente com isso, ou como esta situação vos afetou negativamente a vossa performance profissional e autoestima.

Sei bem que existem muitas exceções à regra, mas noto que continua a haver uma grande fatia de administrações que exercem certas decisões ou fazem certas coisas por quererem discutir sobre assuntos que desconhecem dentro da sua própria empresa, só porque “sou patrão/chefe e não posso dar a saber que sei menos sobre isto”. Maioritariamente querem discutir para ter razão, seja ela qual for, desde que sejam eles a ter razão. E isto, como é óbvio, leva à dificuldade de retenção de talento, estagnação da empresa e de desmotivação por parte de quem continua a trabalhar.

23 comments
  1. Pão nosso de cada dia. Ao fim de algum tempo vamos vivendo com isso ou então saímos para outro lado. Tenta deixar clara a tua opinião, de preferência em email ou acta de reunião. Quando corre mal ainda podem tentar passar as culpas para o teu lado. Já passei por isso. Com alguns consegues ir dando pistas para que tomem a decisão certa, ficando a pensar que foi ideia deles. Vidas.

  2. Regra geral tento explicar o origem dos assunto de forma simplificada, para depois explicar a razão de o estar a apresentar.

    A utilização de metáforas é hit and miss. Há quem reaja menos bem.

  3. Acabaste de descrever o r/Portugal , onde qualquer wanna be acha que é um perito em qualquer matéria porque leu no Facebook.

  4. Digo eu:

    “Fodasse que o filha da puta é burro” em pensamento quando estamos a falar de chefia

    “Fodasse, que eu sou mesmo burro!” à pessoa que me explicou que efectivamente eu estava a ser um jumento

    “Sim, eu sei que vocês estão dispostos a pagar ainda mais, mas aquela empresa tem um bom plano definido e excelentes métodos de trabalho. Aqui não se dá reconhecimento do trabalho de ninguém e só se avança com imbecilidades vindas das mentes de quem claramente nunca deveria estar a trabalhar nesta área. Mas foram tempos divertidos pelo menos” aquando da minha saída gloriosa e inesperada

  5. Só há uma maneira de não teres gajos mais burros que tu a mandar em ti.

    Criar a tua própria empresa e dar aos teus colaboradores o respeito que não tiveste. Foi isso que fiz e recomendo.

  6. Os administradores, como qualquer chefia intermédia, não teem que saber tudo. A medida que sobem numa organização teem que confiar cada vez mais nas pessoas que escolhem para gerir os temas que estão sob a tua supervisão. Poderão haver no entanto temas , em que sua experiência, os administradores podem desafiar com conhecimento de causa os técnicos que apresentam conclusoes. Se for sem conhecimento de causa, não há muito a fazer. Cabe a quem apresenta demonstrar porque está correto.

  7. Felizmente nunca me aconteceu. Mas se me acontecesse, corroboraria exaustivamente a minha opinião profissional com fontes sólidas. Sei que não se aplica em todos os ramos profissionais… no meu por acaso normalmente aplica-se.

    Trabalho na área da saúde e o que é certo é que foi [um gajo que não pesca nada de saúde](https://pt.wikipedia.org/wiki/Henrique_Gouveia_e_Melo) que meteu toda a gente a vacinar a toque de caixa… é daquelas poesias do universo. Tem o meu respeito… apesar de ser um outsider na minha área que por uns tempos foi nosso “superior”.

  8. Tive um chefe que estive uns 2 anos a dizer que a rede estava fodida, ele ignorava. Eu apresentava provas, mostrava, falava com ele… nada… ele dizia que era “normal” numa rede empresarial que é “diferente da minha casa e foda-se deixa-me continuar a fazer compras na net”. Falei umas 10 vezes, durante quase 2 anos, e ele nada… é normal. Eu via aquela porra cada vez mais lenta, toda a gente a queixar-se que não dava para trabalhar, os RH nos dias do pagamento não conseguiam processar salários e toda a gente vinha falar comigo porque eu era o único capaz de dizer que a rede estava toda fodida e ele ainda ficava chateado comigo por estar a contradizer o que ele dizia… Até um dia chego ao trabalho, a rede tinha avariado por completo e ele estava em pânico porque havia transportes urgentes, a logística não conseguia emitir guias pela AT, o atraso podia representar uma perda de milhões e ele estava quase a ser despedido. EU AVISEI! Ele nem assim foi capaz de dar o braço a torcer.

    Ele simplesmente assentou como chefe e não estava para se chatear, estava numa posição que conseguia controlar bem a informação que passava para as chefias e passava sempre aquela imagem de que estava tudo bem.

    O que eu fiz? Na altura não conseguia mudar de emprego então aguentei, comecei a assumir a mesma postura do chefe: Fazer o mínimo o possível.

    Felizmente agora estou numa organização horizontal que previne esse tipo de problemas, eu não tenho chefe, tenho superior mas raramente o vejo… uma vez por mês se tanto. Eu e os meus colegas sabemos bem o que temos para fazer, não precisamos de controlo ou supervisão.

  9. Duas maneiras:
    Quando a pessoa sabe menos que eu e é acessível, explico com calma, se for caso disso faço um relatório a avaliar a situação, explico problemas, como resolver, etc.

    Quando a pessoa é arrogante e não quer ouvir, deixo rolar. Eventualmente vai dar merda e a pessoa vai perceber da pior maneira que tava errada.

    Já me aconteceu uma entidade externa dar bitaites sobre algo de que não sabia nada e não lhe competia. Era um funcionário do estado, com muitos anos de serviço. Como era o senhor doutor a dizer, o que eu até ali fazia tava mal – apesar do resultado ser o mesmo e aquilo que eu fazia fazer muito mais sentido. O que eu fazia era realmente aplicável. O que o outro dizia era só para inglês ver.
    Começo a ver o meu chefe da altura com muitas merdas, como se aquilo fosse uma catástrofe, como se o que devia fazer não fosse feito e eu fosse um irresponsável. Perdi um bocado as estribeiras – “caralho esta merda só se faz desde que eu estou cá que até aí ninguém queria saber.” começa ali uma discussão sobre o sexo dos anjos com alguém que não percebe o significado daquilo que era feito.
    Resultado, o meu chefe continuou burro, eu chateei me para nada. Passado algum tempo tá o meu chefe ainda a falar sobre isto com um colega desse senhor externo que lhe diz” mas assim vc não consegue garantir o controlo, devia fazer desta maneira (como eu fazia).”
    A partir daí percebi que não vale a pena, a razão vem sempre ao de cima e os burros trincam a língua.

  10. Dou a minha opinião, caso seja desvalorizada faço o que me mandam.

    Durante o processo vou mantendo o contacto e apresentando resultados, de modo a o relembrar que ele é que definiu o caminho a seguir.

    Se correr bem, óptimo. Se correr mal, estou-me a cagar.

    Easy

  11. Acabaste de definir os políticos. Não percebem a ponta de um chavelho do ministério que chefiam mas passam lá a vida toda

  12. Se tens um chefe decente, é tua responsabilidade fazeres-te explicar de uma forma correcta para q ele entenda a vantagem de ir por ali ou por acolá. Se ele n quer, ele é q decide, who cares?

    Nota que ser teu chefe não implica saber mais do q tu. Isso é um erro mt presente em Portugal. Uma coisa é gerir uma equipa ou uma empresa e outra é ser-se especialista técnico na empresa. São skills diferentes até.

    E ele até pode estar a decidir bem, tu é que não dominas todo o contexto para a decisão, mas apenas a tua pequena parte.

    Se são umas bestas, é ir p outro lado.

  13. Opção 1: Pedes desculpa e dás toda a razão ao teu chefe. Depois podes fazer o que necessitas à tua maneira, se ficar bem feito, elogias o teu chefe e dás-lhe razão novamente explicado os pontos certeiros que ele te “explicou ou sugeriu”.

    Opção 2: Despedes-te e crias a tua própria empresa.

  14. Duvido que a resposta seja Malicious compliance, um superior manda fazer algo que nao esta correto se der para o torto quem se lixa é sempre quem fez e nao quem mandou

  15. Por isso mesmo que tento tar a par de tudo na minha área e formações para isso não acontecer mas quando acontece pego na sandália da humildade e aprendo , cmon dude ninguém sabe tudo

  16. Em certo tipo organizações grandes e burocráticas, Estabilidade, controlo e previsibilidade são fatores mais importantes do que a competência e experiência.

    Competência, experiência e resultados só são relevantes quando se destacam pela negativa. É preciso dosear.

    Por isso, mais competência e experiência pode ser disruptivo e destabilizador. E em último caso, prejudicial ao funcionamento da organização.

    Mais do que ser muito bom, é importante saber ser bom … o suficiente.

    Faz sentido?

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