Vi a reportagem ontem e vi a reportagem novamente agora. Acho que houve muita seleção nos casos a expor.
Mostraram os recipientes do RSI com 3 exemplos, de uma senhora idosa (Rosa Pinto) no Porto e do seu companheiro, uma mãe cuja filha tem síndrome de down e uma senhora nos Açores.
Atenção que acredito que ninguém se opõe a estes casos. Pessoalmente para estes casos penso que as ajudas sociais até devem ser aumentadas. Ninguém está contra isso. São casos particularmente débeis, de pessoas cuja vida não lhes sorriu.
Eu não me importo de todo de contribuir para a segurança social para ajudar mais estes casos, que perfazem 0,9% da despesa da segurança social. (Este valor foi repetido múltiplas vezes na reportagem)
Agora não mostraram de todo as pessoas que recebem RSI mas que ainda têm capacidade para trabalhar e estudar. O economista da reportagem até admitiu plenamente que existe fraude no que toca a rendimentos sociais.
Mostraram a vida da Vanessa Lopes, uma mulher de origem cigana que se manteve na escola e com os seus estudos, sagrou na vida. Escolaridade obrigatória na altura acabava no 9º ano, mas ela seguiu até o 12º e consequentemente entrou e completou a Licenciatura em Ciências da Comunicação.
Pessoalmente, não vejo o que é que este seguimento da vida da Vanessa contribuiu para o grosso da Reportagem. Provavelmente mostrou à comunidade cigana que tal é possível. Novamente, não mostraram de todo as pessoas que recebem RSI mas que ainda têm capacidade para trabalhar e estudar, algo que esperava ver.
Em Portugal, felizmente, só não estuda quem não quer pois o estado paga escolaridade até ao 12º ano e até paga as propinas no ensino superior caso necessário. Mesmo no ensino superior há regime pós-laboral em muitas licenciaturas.
Suponho que seja extremamente difícil encontrar alguém para entrevistar, mesmo no anonimato, que abertamente admita que prefere receber sem ter de trabalhar ou estudar. Mas para a reportagem que é, isso tinha de ser no mínimo procurado. Mostraram quem verdadeiramente justifica receber o RSI e ignoraram o resto.
Depois aparecem casos como [este](https://youtu.be/nXk_c9EATDw) e aí sim, já criam revolta que, a meu ver, é justificada. Mas disto, falaram 0. Claro que o CHEGA depois ganha força pois é visto como a favor dos casos que a reportagem mostrou e contra os casos de fraude.
> Criam-se mitos à volta do Rendimento Social de Inserção que levam a diversos erros de cálculo. Um deles é que existem famílias que enriquecem à conta do RSI, outro é que a comunidade cigana é que mais beneficia deste apoio. Quais são, na verdade, os números?
Para mim o pior disto tudo são pessoas a trabalhar ha não sei quantos anos e nunca descontarem…..
Claro que depois da no que dá.
Porque é que estas notícias/reportagens tentam sempre passar a ideia que há aqui injustiças e quem queira acabar com o RSI?
A maioria que critica o RSI quer é que ele seja melhor fiscalizado. E se reduzirmos os abusos até fica mais fácil ajudar quem realmente precisa.
O problema do RSI vai muito além do dinheiro que é dado a essas pessoas, começa e acaba na mentalidade das mesmas. Há quem aproveite esse dinheiro para melhorar a sua vida e há quem ache que não precisa de o fazer porque não é necessário trabalhar 40H para receber pouco mais, ter despesas de deslocações e afins e ainda perder alguns benefícios como isenção de IRS ou despesas em serviços públicos, porque não entendem que prolongar esse “estado de vida” só cava mais o buraco social em que se encontram.
​
Em relação aos ciganos, o grande problema é porque quase toda a gente conhece casos de ciganos que recebem RSI e que tem trabalhos onde recebem por fora, seja de forma própria ou de terceiros. É esse o grande problema, terem rendimentos próprios que não declaram e ainda receberem casas, dinheiro e outros apoios do estado.
Até parece que tentam “entreter” a população com isto enquanto advocam por menos regulação.
250 milhões € – Valores gastos no rsi (uma infima parte desse valor mal atribuído)
700 milhões € – Valor de fuga aos impostos de empresas portuguesas na Holanda Luxemburgo e afins.
Atenção dos portugueses aos assuntos é completamente desporporcionada.
Ninguem é contra o RSI desde que bem aplicado, o que todos somos contra, é os muitos que há por ai que não são bem aplicados.
A reportagem é boa, mas muito tendenciosa nesse sentido, só mostra uma realidade os casos que todos defendemos, e então os outros não há?
O RSI não é problema absolutamente nenhum. É claramente preferível aumentar a base mínima numa sociedade do que ter um monte de indigentes a passar fome. Nem que seja porque é mais seguro e estável socialmente.
O problema é o salário de muitos trabalhos ser tão baixo que, se formos a pensar bem nisso, não compensa a muita gente. Mesmo monetariamente, contando com transportes, ter que viver em certas zonas, e um monte de outros factores, trabalhar pode representar um saldo negativo. Há muita gente por aí a trabalhar para “nada” no fim do mês.
Não estou a dizer que o RSI dê para viver bem, não dá. O problema é que muito trabalho por aí também não dá, e mal por mal custa menos não fazer nada.
11 comments
Vi a reportagem ontem e vi a reportagem novamente agora. Acho que houve muita seleção nos casos a expor.
Mostraram os recipientes do RSI com 3 exemplos, de uma senhora idosa (Rosa Pinto) no Porto e do seu companheiro, uma mãe cuja filha tem síndrome de down e uma senhora nos Açores.
Atenção que acredito que ninguém se opõe a estes casos. Pessoalmente para estes casos penso que as ajudas sociais até devem ser aumentadas. Ninguém está contra isso. São casos particularmente débeis, de pessoas cuja vida não lhes sorriu.
Eu não me importo de todo de contribuir para a segurança social para ajudar mais estes casos, que perfazem 0,9% da despesa da segurança social. (Este valor foi repetido múltiplas vezes na reportagem)
Agora não mostraram de todo as pessoas que recebem RSI mas que ainda têm capacidade para trabalhar e estudar. O economista da reportagem até admitiu plenamente que existe fraude no que toca a rendimentos sociais.
Mostraram a vida da Vanessa Lopes, uma mulher de origem cigana que se manteve na escola e com os seus estudos, sagrou na vida. Escolaridade obrigatória na altura acabava no 9º ano, mas ela seguiu até o 12º e consequentemente entrou e completou a Licenciatura em Ciências da Comunicação.
Pessoalmente, não vejo o que é que este seguimento da vida da Vanessa contribuiu para o grosso da Reportagem. Provavelmente mostrou à comunidade cigana que tal é possível. Novamente, não mostraram de todo as pessoas que recebem RSI mas que ainda têm capacidade para trabalhar e estudar, algo que esperava ver.
Em Portugal, felizmente, só não estuda quem não quer pois o estado paga escolaridade até ao 12º ano e até paga as propinas no ensino superior caso necessário. Mesmo no ensino superior há regime pós-laboral em muitas licenciaturas.
Suponho que seja extremamente difícil encontrar alguém para entrevistar, mesmo no anonimato, que abertamente admita que prefere receber sem ter de trabalhar ou estudar. Mas para a reportagem que é, isso tinha de ser no mínimo procurado. Mostraram quem verdadeiramente justifica receber o RSI e ignoraram o resto.
Depois aparecem casos como [este](https://youtu.be/nXk_c9EATDw) e aí sim, já criam revolta que, a meu ver, é justificada. Mas disto, falaram 0. Claro que o CHEGA depois ganha força pois é visto como a favor dos casos que a reportagem mostrou e contra os casos de fraude.
Sic bem.
Reportagem encomendada pelo Partido Socialista?
[deleted]
Recomendo vivamente a leitura deste artigo: https://setentaequatro.pt/reportagem/os-mundos-e-fundos-do-rsi-ii-sair-do-poco
> Criam-se mitos à volta do Rendimento Social de Inserção que levam a diversos erros de cálculo. Um deles é que existem famílias que enriquecem à conta do RSI, outro é que a comunidade cigana é que mais beneficia deste apoio. Quais são, na verdade, os números?
Para mim o pior disto tudo são pessoas a trabalhar ha não sei quantos anos e nunca descontarem…..
Claro que depois da no que dá.
Porque é que estas notícias/reportagens tentam sempre passar a ideia que há aqui injustiças e quem queira acabar com o RSI?
A maioria que critica o RSI quer é que ele seja melhor fiscalizado. E se reduzirmos os abusos até fica mais fácil ajudar quem realmente precisa.
O problema do RSI vai muito além do dinheiro que é dado a essas pessoas, começa e acaba na mentalidade das mesmas. Há quem aproveite esse dinheiro para melhorar a sua vida e há quem ache que não precisa de o fazer porque não é necessário trabalhar 40H para receber pouco mais, ter despesas de deslocações e afins e ainda perder alguns benefícios como isenção de IRS ou despesas em serviços públicos, porque não entendem que prolongar esse “estado de vida” só cava mais o buraco social em que se encontram.
​
Em relação aos ciganos, o grande problema é porque quase toda a gente conhece casos de ciganos que recebem RSI e que tem trabalhos onde recebem por fora, seja de forma própria ou de terceiros. É esse o grande problema, terem rendimentos próprios que não declaram e ainda receberem casas, dinheiro e outros apoios do estado.
Até parece que tentam “entreter” a população com isto enquanto advocam por menos regulação.
250 milhões € – Valores gastos no rsi (uma infima parte desse valor mal atribuído)
700 milhões € – Valor de fuga aos impostos de empresas portuguesas na Holanda Luxemburgo e afins.
Atenção dos portugueses aos assuntos é completamente desporporcionada.
Fontes
https://www.pordata.pt/Portugal/Despesa+da+Seguran%C3%A7a+Social+Rendimento+M%C3%ADnimo+Garantido+e+Rendimento+Social+de+Inser%C3%A7%C3%A3o-129
https://www.dn.pt/edicao-do-dia/29-mar-2019/-portugal-perde-9-do-irc-para-paises-com-impostos-mais-favoraveis-10737140.html
Ninguem é contra o RSI desde que bem aplicado, o que todos somos contra, é os muitos que há por ai que não são bem aplicados.
A reportagem é boa, mas muito tendenciosa nesse sentido, só mostra uma realidade os casos que todos defendemos, e então os outros não há?
O RSI não é problema absolutamente nenhum. É claramente preferível aumentar a base mínima numa sociedade do que ter um monte de indigentes a passar fome. Nem que seja porque é mais seguro e estável socialmente.
O problema é o salário de muitos trabalhos ser tão baixo que, se formos a pensar bem nisso, não compensa a muita gente. Mesmo monetariamente, contando com transportes, ter que viver em certas zonas, e um monte de outros factores, trabalhar pode representar um saldo negativo. Há muita gente por aí a trabalhar para “nada” no fim do mês.
Não estou a dizer que o RSI dê para viver bem, não dá. O problema é que muito trabalho por aí também não dá, e mal por mal custa menos não fazer nada.