A vereadora do Chega na Câmara de Lisboa, Ana Simões Silva, decidiu desfiliar-se do partido e vai assumir o mandato no executivo municipal como independente, anunciou nesta segunda-feira, 19 de Janeiro. “Informo que irei assumir o mandato na qualidade de vereadora independente. Esta decisão prende-se com incompatibilidades políticas intransponíveis dentro do gabinete da vereação do partido Chega”, afirmou num comunicado enviado à agência Lusa.
“Não posso permanecer como uma vereadora meramente decorativa, sem qualquer tipo de meios que permitam exercer um mandato competente em benefício da cidade de Lisboa”, explica a eleita pelo Chega no executivo municipal de Lisboa, confirmando que apresentou, oficialmente, a sua desfiliação do partido, “com efeitos imediatos”.
A Lusa tentou obter mais informação junto de Ana Simões Silva, que preferiu não tecer comentários adicionais.
Médica dentista de profissão, ocupou o segundo lugar da lista do partido à Câmara de Lisboa nas eleições autárquicas de 12 de Outubro de 2025, integrando a candidatura encabeçada por Bruno Mascarenhas, até então deputado na Assembleia Municipal de Lisboa.
Nas autárquicas, o Chega conseguiu eleger pela primeira vez no executivo da Câmara de Lisboa, com dois vereadores: Bruno Mascarenhas e Ana Simões Silva. O número um da lista passará agora a único representante do partido.
O actual executivo municipal tomou posse a 11 de Novembro e é presidido pelo social-democrata Carlos Moedas, reeleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL, que governa em minoria, com oito eleitos — os únicos com pelouros atribuídos —, ficando a um de obter uma maioria absoluta, o que exigiria a eleição de nove do total de 17 membros.
Os restantes nove eleitos do executivo camarário são vereadores sem pelouros, incluindo quatro do PS — Alexandra Leitão, Sérgio Cintra, Carla Madeira e Pedro Anastácio — e dois do Chega — Bruno Mascarenhas e Ana Simões Silva —, sobrando ainda Carlos Teixeira, do Livre, Carolina Serrão, do Bloco de Esquerda, e João Ferreira, eleito pelo PCP.
Apesar de se apresentar como a segunda principal força da oposição, a seguir ao PS, o partido Chega tem viabilizado várias das propostas da liderança PSD/CDS-PP/IL, nomeadamente a delegação de competências da Câmara no seu presidente, Carlos Moedas, o novo regimento da Câmara de Lisboa e o orçamento municipal para 2026.