
No passado sábado saiu a notícia que Inês Sousa Real teria sido proprietária de empresas que praticam agricultura intensiva, nomeadamente na produção de pequenos frutos em estufa.
[https://www.agroportal.pt/a-porta-voz-do-pan-nega-praticar-agricultura-intensiva-tuneis-e-nao-estufas-diz-sousa-real/](https://www.agroportal.pt/a-porta-voz-do-pan-nega-praticar-agricultura-intensiva-tuneis-e-nao-estufas-diz-sousa-real/)
A líder do PAN argumentou que se tratariam de empresas de produção não intensiva e seria praticada em túneis e não em estufas.
Ora, é importante salientar, que estufas são estruturas caras e são usadas por viveiristas, para a produção de flores, na recém cultura da canabis medicinal e na produção de tomate na zona Oeste. A **produção de pequenos frutos não recorre ao uso de estufas** por não haver uma necessidade da cultura que justifique os custos, sendo maioritariamente **usados túneis, que são apelidados de estufas em maior parte dos casos**, tanto pelos media como pelos partidos e orgãos políticos.
Para além do mais, afirmou não ser já proprietária de uma das empresas, pertencendo ao marido, e estar em processo de cedência de quotas da outra.
O PAN, que tem como uma das suas bandeiras políticas a defesa da agricultura biológica em detrimento da agricultura com recurso a fertilizantes não-organicos e que é contra as explorações intensivas, tem sido um dos partidos mais críticos das explorações de pequenos frutos em Odemira e no Sudoeste Alentejano,
Durante a pandemia, quando foi imposta uma cerca sanitária à região e “descobriu-se” as condições precárias de alguns trabalhadores, o PAN acusou várias vezes o modo de produção e as explorações existentes de ter a culpa nas questões sociais então discutidas.
[https://www.agroportal.pt/pan-pede-debate-de-urgencia-na-quinta-feira-sobre-situacao-em-odemira/](https://www.agroportal.pt/pan-pede-debate-de-urgencia-na-quinta-feira-sobre-situacao-em-odemira/)
Considerando: ” que não podem ser dissociadas destas explorações e práticas de agricultura intensiva, os impactes ambientais no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV), relacionados com a expansão desregrada do ‘mar de plástico’ das estufas”.
Tendo inclusive pedido a proibição transitória da instalação de novas explorações agrícolas no Sudoeste Alentejano:
[https://www.agroportal.pt/pan-pede-suspensao-transitoria-da-instalacao-de-novas-exploracoes-agricolas-no-sudoeste-alentejano/](https://www.agroportal.pt/pan-pede-suspensao-transitoria-da-instalacao-de-novas-exploracoes-agricolas-no-sudoeste-alentejano/)
O partido criticou então o governo Socialista, acusando o Ministério da Agricultura de estar limitado e controlado pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), exigindo a demissão da Ministra da Agricultura e do Ministro do Ambiente:
Na ótica do PAN, João Pedro Matos Fernandes “fica em silêncio a assobiar para o ar e o senhor ministro das Finanças ainda paga, paga para estes senhores estarem a fazer este tipo de exploração absolutamente intensiva em que estão a depredar os “recursos ambientais e a punir severamente e a violar severamente os direitos de pessoas que deviam ser protegidas, e não só não são protegidas como ainda são exploradas”. “No caso da ministra da Agricultura, que está dependente das vontades da CAP, que manda no Ministério da Agricultura, e no caso do ministro do Ambiente, que assobiou para o ar e que nunca teve um papel preponderante, nunca teve a coragem até hoje de apontar aqueles que são os impactos da produção, os impactos ambientais na produção agrícola”
[https://www.agroportal.pt/pan-critica-inacao-de-ministros-da-agricultura-e-ambiente-sobre-odemira/](https://www.agroportal.pt/pan-critica-inacao-de-ministros-da-agricultura-e-ambiente-sobre-odemira/)
Depois da notícia que saiu sábado, Inês Sousa Real, a líder do PAN, acusada de estar ligada a empresas onde, alegadamente, seriam praticadas formas de agricultura intensiva, desmentiu as acusações e afirmou estar orgulhosa de ter sido agricultora:
[https://www.agroportal.pt/lider-do-pan-desmente-acusacoes-tenho-orgulho-por-ter-sido-agricultora/](https://www.agroportal.pt/lider-do-pan-desmente-acusacoes-tenho-orgulho-por-ter-sido-agricultora/)
No entanto a resposta veio da CAP, uma das confederações mais visadas pelo PAN, que exigiu a demissão de Inês Sousa Real da liderança do PAN:
[https://www.agroportal.pt/cap-reclama-demissao-da-lider-do-pan/](https://www.agroportal.pt/cap-reclama-demissao-da-lider-do-pan/)
Sendo que Luís Mira, secretário-geral da CAP, diz que “é inaceitável que do ponto de vista ideológico e político critiquem aquilo que do ponto de vista particular executam” e compara situação a Robles do BE. Sousa Real separa túneis de estufas, mas especialistas afastam a diferença:
[https://www.agroportal.pt/agricultores-pedem-demissao-de-ines-sousa-real/](https://www.agroportal.pt/agricultores-pedem-demissao-de-ines-sousa-real/)
“Com que moral é que se aponta o dedo quando se pratica este tipo de situação?”, questiona. E apesar de garantir que este tipo de atividade “não tem mal nenhum”, garante que o problema é o PAN apontar o dedo e depois fazer isso. “ – questionou e afirmou o secretário-geral.
Inês Sousa Real reiterou que se trata de um ataque político. Para a porta-voz do PAN, “parece irónico” e “má-fé” que a CAP peça a demissão “do único grupo parlamentar que tem conhecimentos na agricultura e já pôs as mãos na terra”, dizendo ter a consciência tranquila:
[https://www.agroportal.pt/ines-sousa-real-assume-consciencia-mais-que-tranquila-depois-de-pedido-de-demissao-por-agricultores/](https://www.agroportal.pt/ines-sousa-real-assume-consciencia-mais-que-tranquila-depois-de-pedido-de-demissao-por-agricultores/)
E disse, tendo em conta as acusações, que:
“Estamos a comparar o incomparável e só mesmo a má-fé é que poderá levar a estas declarações”
[https://www.agroportal.pt/lider-do-pan-nega-acusacoes-de-agricultura-intensiva-em-empresas-de-que-e-socia/](https://www.agroportal.pt/lider-do-pan-nega-acusacoes-de-agricultura-intensiva-em-empresas-de-que-e-socia/)
Já Eduardo Oliveira e Sousa, o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal acusa a líder do PAN de “demagogia e incoerência”.
Eduardo Oliveira e Sousa diz que Inês Sousa Real não tem legitimidade para criticar a agricultura intensiva, quando tem participações em empresas que têm as mesmas práticas:
[https://www.agroportal.pt/cap-acusa-lider-do-pan-de-demagogia-e-incoerencia/](https://www.agroportal.pt/cap-acusa-lider-do-pan-de-demagogia-e-incoerencia/)
A deputada do PAN, Inês de Sousa Real, esteve no “Esta Manhã” desta quarta-feira, onde qualificou [as declarações de Eduardo ](https://www.agroportal.pt/cap-acusa-lider-do-pan-de-demagogia-e-incoerencia/)[Oliveira e Sousa](https://www.agroportal.pt/cap-acusa-lider-do-pan-de-demagogia-e-incoerencia/), presidente da Confederação de Agricultores de Portugal (CAP), como um “ataque gratuito e injustificável” a quem tem “boas práticas agrícolas”.
Sousa Real considerou que a CAP se sente “incomodada com a voz ativa que o PAN tem tido na defesa dos interesses ambientais”, mas, acima de tudo, “na defesa dos pequenos e médios produtores do nosso país”.
[https://www.agroportal.pt/ines-de-sousa-real-cap-deveria-juntar-se-ao-pan-e-defender-as-boas-praticas/](https://www.agroportal.pt/ines-de-sousa-real-cap-deveria-juntar-se-ao-pan-e-defender-as-boas-praticas/)
Face às explicações dadas pela líder do partido sobre a alienação das participações nas empresas em causa confirmou-se que no dia 10 de dezembro de 2019, a dirigente do PAN alienou a sua participação numa das duas empresas agrícolas de que era sócia. A passagem da quota foi realizada em favor da sua sogra, Maria Lisete Brás Soares – e esta, no mesmo dia, transmitiu-a ao seu filho Pedro Brás Soares, marido de Inês Sousa Real, com quem está casado em regime de comunhão de adquiridos. Ou seja, a líder do PAN continuou a ser dona da empresa, embora de forma indireta.
Na prática, houve uma cedência de quotas, ainda que indireta, de Inês Sousa Real para o marido, sendo esta a única alteração formal e funcional na *Berry Dream* (uma vez que, segundo a líder do PAN, já tinha deixado de ser sócia-gerente em outubro 2013). Formal e juridicamente, porém, continuou a ser coproprietária da empresa, através do cônjuge (como está por si mencionado no registo de interesses no Parlamento), uma vez que casou com Pedro Brás Soares no regime de comunhão de adquiridos, detendo este a quase totalidade da participação social da empresa.:
[https://www.agroportal.pt/sousa-real-transmitiu-quota-de-empresa-a-sogra-e-esta-passou-a-para-o-nome-do-marido-da-lider-do-pan-no-mesmo-dia/](https://www.agroportal.pt/sousa-real-transmitiu-quota-de-empresa-a-sogra-e-esta-passou-a-para-o-nome-do-marido-da-lider-do-pan-no-mesmo-dia/)
O Polígrafo SIC abordou a questão, de Inês Sousa Real, líder do PAN, estar a ser acusada de ser dona de duas empresas que praticam agricultura intensiva e utilizam embalagens de plástico. Basicamente, tudo aquilo que Sousa Real e o partido criticam fortemente.
E chegou a esta conclusão:
[https://www.agroportal.pt/poligrafo-sic-lider-do-pan-e-dona-de-duas-empresas-que-praticam-agricultura-intensiva-e-utilizam-plastico/](https://www.agroportal.pt/poligrafo-sic-lider-do-pan-e-dona-de-duas-empresas-que-praticam-agricultura-intensiva-e-utilizam-plastico/)
Será este um caso de ataque político injustificado ou mais um episódio de hipocrísia política que os Portugueses, infelizmente, se têm vindo a acostumar?
23 comments
Acho mais dúbio e escandaloso a maneira como contornou a lei na cedência da posse da empresa do que propriamente o facto de ter sido proprietária de explorações de pequenos frutos.
Vender a participação à sogra, utilização de embalagens de plástico, defender a produção e consumo local e exportar 80% do que produz… há aqui muita lenha para a Inês Sousa Real se queimar.
Haaaa se vendeu a sogra está tudooooooooo bem.
Faltou aí a parte em que o PAN considera “que o salário mínimo de 750 é pouco ambicioso”, contudo contrata estrangeiros a receberem salário mínimo
Se não vivêssemos num país de jornalixeiros, um jornalista a sério ia à quinta da senhora ver se há realmente agricultura intensiva ou não.
Podia até pedir a opinião de especialistas, caso não soubesse avaliar por si.
Mas cá?
Por cá fica-se pelo diz-que-disse, o meu é maior que o teu, ou, no caso do Pilógrafo, a decidir que há agricultura intensiva sim senhor, com base em… fotografias no Facebook.
Atenção que eu não estou a dizer que não há agricultura intensiva, estou a dizer que não tinha custado nada ir lá ver, que toda a gente sabe que uma coisa são fotografias, e no Facebook ainda por cima!, e outra é ver ao vivo.
Devia ter aprendido com o Ricardo Robles.
Até podem ter razão no que afirmam mas não deixa de ser estranho uma entidade ligada aos interesses dos agricultores vir para o r/portugal propagandear o seu domínio desta forma.
Esperem até eles descobrirem que o André Silva pertence ao Grupo de forcados amadores do aposento da moita
Pelo menos não ajudou a privatizar a ANA e agora é CEO da mesma.
Que sofrimento que foi ler este post, parecia sempre que ia chegar a algum lado/conclusão que nunca chegou!
`Será este um caso de ataque político injustificado ou mais um episódio de hipocrísia política que os Portugueses, infelizmente, se têm vindo a acostumar?`
Ambos?
Não é de estranhar, entramos num novo ciclo politico e as máquinas de partidárias de desinformação estão em movimento. Dai notícias como estas e a da Mariana Mortágua receber dinheiro do BES.
Mas isso invalida que estejamos perante um episódio de hipocrisia? Acho que é típico cá dobrares os teus ideais para suportares os teus. É só um “jeitinho”.Lembro-me bem que muita gente no partido comunista possuía mais terras do que as que foram expropriadas no PREC (permitam-me o exagero pessoal).
Agora o que mais me interessa nesta história é que interesse tem o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal em que ela seja hipócrita ou não, o é mais que o PAN vai contra os interesses dos agricultores e por isso dá jeito que saia do parlamento.
Estamos entregues à bicharada
Alguém me pode explicar porque é que este tipo de agricultura é “intensiva”, se nem está a usar o solo? É por causa da água? É necessária mais água do que o mesmo terreno plantado?
A CAP ataca o PAN não é por causa dos mirtilos. É porque o PAN incrivelmente é o maior inimigo do status quo da Agricultura em Portugal. Das formas de fazer, dos abusos das condições de bem estar animal, das tais boas práticas que não são cumpridas e, principalmente, dos modos de vida mais ligados ao veganismo e vegetarianismo. Estes sim, são os grandes ataques à Agricultura como até hoje a tivemos, e que fazem a CAP atacar o PAN (e tentar arranjar formas de o fazer).
Ontem ouvi (em gravação do passado), o André Silva alegar a excessiva utilização de plásticos. Os túneis são feitos de plástico. As embalagens dos frutos têm partes de plástico.
Óbvio que esse standard é o praticado pela indústria. Mas quando somos deputados e advogamos uma coisa, temos que dar o exemplo, nem que se perca dinheiro ao fazê-lo. Mas não me parece, porque os frutos vermelhos são muito rentáveis.
Por isso, e infelizmente, não posso concordar com a líder do PAN neste caso. Admiro a produção agrícola, que é de valorizar, mas as alegações de utilização de plásticos que foi debatida na AR é feita igualmente nas suas empresas.
Fodasse este país é uma anedota. Todos os dias vejo noticias que envolvem políticos neste país parece que estou a ler o theonion
TLDR?
Quanto recebem vocês que publicam posts deste tipo (acusação ou defesa política)? É por palavra? Palmadas nas costas?
Não gosto do PAN e nem duvido que a história “cheira muito mal”.
Mas por outro lado as motivações da CAP são políticas. Esta associação está claramente ligada ao CDS e ao PSD e o facto de o PS poder chegar perto da maioria absoluta tendo o PAN como bengala explica muita coisa.
Se são estufas ou tuneis, embalagens de plástico ou cartão não sei mas quem vende algo para no mesmo dia ser vendido de volta ao seu marido (a si mesma na prática) , por alguma razão “esquisita” o faz…
Porque é que não me surpreende?
Pelos discursos vazios e toda a carreira profissional ligada a vida autárquica.
Está a procura do seu tacho. Mais um caso clássico de pregar uma coisa aos outros e fazer a outra para seu proveito próprio.
Se tivesse um pingo de vergonha já se tinha demitido.
Vai propagandear o teu partido pa outro lado
Este é dos casos que só porque a mensageira ser hipócrita não significa que a mensagem seja errada!
Tem de haver controlo da expansão das estufas, principalmente quando têm por objetivo produção de culturas que a longo prazo são destrutivas para o solo e consomem muita água, isto porque estamos a falar de uma região como o Alentejo onde a água não abunda.
Injustificado? Isto é gente moralista que é completamente hipócrita. Nada tem de injustificado. É onde acaba sempre o moralismo, nestas traições óbvias ao princípios declarados.