Judite Sousa entregou esta quinta-feira a carteira profissional de jornalista, abandonando oficialmente a carreira ao fim de 47 anos. O anúncio foi feito em nome próprio nas suas redes sociais, onde também divulgou que vai lançar em breve um livro.

“O jornalismo chegou ao fim na minha vida”, pode ler-se na publicação. “A partir de agora sou uma mulher livre sem o «aterrador» escrutínio mediático a que fui sujeita nos últimos 10 anos”, acrescentou. Passa a estar “aberta para todas as áreas profissionais sem o espartilho do código deontológico do jornalismo”, um “mundo novo” que encara com “total liberdade”. Apresenta-se agora como “comunicadora”.

Adianta ainda que vai dedicar-se “intensamente” à escrita e a “todas as atividades que uma pessoa livre pode exercer”.

Judite Sousa começou a carreira de jornalista em 1979. Foi diretora-adjunta de informação da RTP durante 20 anos e, mais tarde, ocupou o mesmo cargo na TVI, entre 2011 e 2019. Em 2022, fez parte da equipa de informação da CNN Portugal, de onde saíu num processo com algumas polémicas. Na época, alegou que fez a cobertura da guerra na Ucrânia sem contrato nem seguro de saúde. O caso ficou encerrado com um acordo entre as partes.

Foi distinguida com vários prémios, como o Prémio Bordalo de Jornalismo, em 1995, o Prémio do Instituto Português do Tratamento de Toxicodependência para Melhor Programa de Informação sobre o Problema das Drogas, em 2001, o Prémio TV 7 Dias para Melhor Programa de Televisão, em 2010, e o Prémio TV 7 Dias para melhor apresentadora de informação, em 2011 e 2012. Foi ainda destacada como a melhor enviada especial nos Prémios da Lusofonia 2018, atribuídos pelo Instituto do Mundo Lusófono em parceria com a Universidade Sorbonne. Foi comendadora da Ordem de Mérito em 2005 e, em 2015 foi reconhecida com a Ordem de Mérito pelo ex-Presidente da República, Jorge Sampaio.

Além de jornalista, também foi docente de Jornalismo no Instituto Superior de Comunicação Empresarial de Lisboa.