Penso que era Carl Rogers que dizia qualquer coisa como :”não é sinal de saúde ser ajustado a uma sociedade doente”.
Um terço dos alunos, mais de metade dos professores e todas as pessoas que trabalham. Ainda bem que fizeram um estudo.
“ESTUDASSEM” menos
Não me admira. Pensando nos tempos de escola, consigo usar uma palavra para descrever toda a experiência: tortura.
No sitio onde eu estudo andam a fazer questionários pelo telefone para saber porque é que ninguém aparece nas aulas.
Há 15 dias que tenho aulas sozinho com o prof.
Tive exame e fui o unico que apareceu.
Acho que é o resultado da miséria que foram as aulas à distância. Os alunos “que não vão às aulas” não voltam, abandonaram ou arranjaram outras coisas para fazer durante a pandemia.
Cambada de florzinhas de estufa…
E pelos comentários, parece tudo igual
“…nervosos, tristes e irritados…”
Isto é uma realidade para uma quantidade significativa dos profissionais com quem trabalho.
Resumindo: nunca vi tanta gente a colar o pistão como agora.
A educação está doente, arcaica e completamente desfasada da realidade actual.
Honestamente, eu não sei quem é que quer ser professor hoje em dia.
​
Ja quando era aluno, vi tantos abusos por parte dos alunos para com os professores que não sei como é que existem pessoas da minha idade que decidiram que queriam ir dar aulas…
Além de todas as questões da pandemia, falta de formação técnica dos professores e tudo isso que sabemos, há aqui outros fatores em causa.
Sou familiar de vários professores(as) do ensino público e é consensual outras origens dos problemas, resumindo é qualquer coisa como:
– Falta de progressão na carreira e as avaliações por quotas (vejam o Mário Nogueira com a fruta, é top a explicação, por muito ridículo que ele possa ser). Causa irritação e injustiças.
– Projetos. Não sei se as pessoas tem a noção mas a carga horárias dos professores com “projetos” é absurda. Horas não pagas e com benefício mínimo.
– Os pais. Ao contrário do que se possa pensar, envolver os pais no processo é um pau de dois bicos. É positivo haver transparência, e por aí fora. Por outro lado, os pais usam da sua posição e intervêm demasiado no processo, por vezes até usando da chantagem (não me vou alongar). No outro dia havia por aí uma notícia a referir que o Whatsapp mudou o sistema de ensino, não imaginam o quanto.
O sistema essencialmente funciona com uma estrutura de 100 anos, com uma realidade completamente diferente. É muito notório no vício do sistema de passar alunos com negativas porque o objetivo é melhorar estatísticas. O sistema funciona na premissa de que existe uma entidade (Professor) que é detentor único do conhecimento e é assimilado passivamente pelo aluno, avaliando este pela sua capacidade de decorar a matéria e não de a compreender. Não existe qualquer disponibilidade e incentivo para o aluno trazer algo para a mesa. Não existe incentivo à investigação autónoma. Um sistema destes não pode funcionar com alunos com estímulo externo constante, sem capacidade de se auto-compreender, de procurar e compreender soluções.
Pode-se criticar as redes sociais e o que elas fazem às mentes dos alunos, mas elas existem. Cabe ao sistema educativo ajustar-se a uma realidade que não está aí para mudar.
Há um confronto geracional grave nas escolas. Temos velhos a ditarem regras para crianças. Na escola em que trabalho perdemos há uns dias uma hora numa reunião pedida por colegas meus devido à roupa que alunas do secundário usam (ousam estar de top e deixar que se vejam as alças do soutien ou, pior, mostram o umbigo!) e para pedir que os telemóveis sejam banidos da escola. Pedida pelos professores, não pela direcção. A verdade é que a maioria dos meus colegas tem à volta de 40 anos e, sendo no privado, até somos um corpo docente jovem. Numa escola pública cheia de professores a roçar os 60 nem quero imaginar o que seja. Ou melhor, imagino, porque estagiei numa e vi algumas destas regras já em efeito. A ideia de pedir a alunos que trouxessem telemóvel para fazer uma atividade com simulação foi um ultraje.
Sei que dá likes dizer que o problema é que temos um método de ensino com 100 anos e etc. Isso não é o problema. Podemos ter metodologias modernas ou metodologias arcaicas. Posso usar um tablet e internet para aulas extremamente expositivas e guiadas, ou apenas com materiais tradicionais utilizar métodos inovadores. A questão fundamental centra-se nas relações humanas. O grande problema é que a escola é dominada por pessoas que têm 0 de ligação às gerações mais novas. É importantíssimo tornar a carreira de professor mais apelativa para começar a renovar o corpo docente. Os professores estão velhos, cansados, e completamente a leste das gerações mais novas, dos seus interesses, ambições e problemas
12 comments
Penso que era Carl Rogers que dizia qualquer coisa como :”não é sinal de saúde ser ajustado a uma sociedade doente”.
Um terço dos alunos, mais de metade dos professores e todas as pessoas que trabalham. Ainda bem que fizeram um estudo.
“ESTUDASSEM” menos
Não me admira. Pensando nos tempos de escola, consigo usar uma palavra para descrever toda a experiência: tortura.
No sitio onde eu estudo andam a fazer questionários pelo telefone para saber porque é que ninguém aparece nas aulas.
Há 15 dias que tenho aulas sozinho com o prof.
Tive exame e fui o unico que apareceu.
Acho que é o resultado da miséria que foram as aulas à distância. Os alunos “que não vão às aulas” não voltam, abandonaram ou arranjaram outras coisas para fazer durante a pandemia.
Cambada de florzinhas de estufa…
E pelos comentários, parece tudo igual
“…nervosos, tristes e irritados…”
Isto é uma realidade para uma quantidade significativa dos profissionais com quem trabalho.
Resumindo: nunca vi tanta gente a colar o pistão como agora.
https://myplushealth.com
A educação está doente, arcaica e completamente desfasada da realidade actual.
Honestamente, eu não sei quem é que quer ser professor hoje em dia.
​
Ja quando era aluno, vi tantos abusos por parte dos alunos para com os professores que não sei como é que existem pessoas da minha idade que decidiram que queriam ir dar aulas…
Além de todas as questões da pandemia, falta de formação técnica dos professores e tudo isso que sabemos, há aqui outros fatores em causa.
Sou familiar de vários professores(as) do ensino público e é consensual outras origens dos problemas, resumindo é qualquer coisa como:
– Falta de progressão na carreira e as avaliações por quotas (vejam o Mário Nogueira com a fruta, é top a explicação, por muito ridículo que ele possa ser). Causa irritação e injustiças.
– Projetos. Não sei se as pessoas tem a noção mas a carga horárias dos professores com “projetos” é absurda. Horas não pagas e com benefício mínimo.
– Os pais. Ao contrário do que se possa pensar, envolver os pais no processo é um pau de dois bicos. É positivo haver transparência, e por aí fora. Por outro lado, os pais usam da sua posição e intervêm demasiado no processo, por vezes até usando da chantagem (não me vou alongar). No outro dia havia por aí uma notícia a referir que o Whatsapp mudou o sistema de ensino, não imaginam o quanto.
O sistema essencialmente funciona com uma estrutura de 100 anos, com uma realidade completamente diferente. É muito notório no vício do sistema de passar alunos com negativas porque o objetivo é melhorar estatísticas. O sistema funciona na premissa de que existe uma entidade (Professor) que é detentor único do conhecimento e é assimilado passivamente pelo aluno, avaliando este pela sua capacidade de decorar a matéria e não de a compreender. Não existe qualquer disponibilidade e incentivo para o aluno trazer algo para a mesa. Não existe incentivo à investigação autónoma. Um sistema destes não pode funcionar com alunos com estímulo externo constante, sem capacidade de se auto-compreender, de procurar e compreender soluções.
Pode-se criticar as redes sociais e o que elas fazem às mentes dos alunos, mas elas existem. Cabe ao sistema educativo ajustar-se a uma realidade que não está aí para mudar.
Há um confronto geracional grave nas escolas. Temos velhos a ditarem regras para crianças. Na escola em que trabalho perdemos há uns dias uma hora numa reunião pedida por colegas meus devido à roupa que alunas do secundário usam (ousam estar de top e deixar que se vejam as alças do soutien ou, pior, mostram o umbigo!) e para pedir que os telemóveis sejam banidos da escola. Pedida pelos professores, não pela direcção. A verdade é que a maioria dos meus colegas tem à volta de 40 anos e, sendo no privado, até somos um corpo docente jovem. Numa escola pública cheia de professores a roçar os 60 nem quero imaginar o que seja. Ou melhor, imagino, porque estagiei numa e vi algumas destas regras já em efeito. A ideia de pedir a alunos que trouxessem telemóvel para fazer uma atividade com simulação foi um ultraje.
Sei que dá likes dizer que o problema é que temos um método de ensino com 100 anos e etc. Isso não é o problema. Podemos ter metodologias modernas ou metodologias arcaicas. Posso usar um tablet e internet para aulas extremamente expositivas e guiadas, ou apenas com materiais tradicionais utilizar métodos inovadores. A questão fundamental centra-se nas relações humanas. O grande problema é que a escola é dominada por pessoas que têm 0 de ligação às gerações mais novas. É importantíssimo tornar a carreira de professor mais apelativa para começar a renovar o corpo docente. Os professores estão velhos, cansados, e completamente a leste das gerações mais novas, dos seus interesses, ambições e problemas