A Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC) registou 490 ocorrências entre as 00h00 e as 07h45 desta terça-feira devido ao mau tempo provocado pela depressão Joseph, sobretudo quedas de árvores e inundações, sendo a Área Metropolitana do Porto a mais afectada.
“Durante a noite foram empenhados 1694 operacionais e 641 meios terrestres”, disse à agência Lusa Paulo Santos, da ANEPC, realçando não haver registo de vítimas ou danos de maior.
De acordo com informação disponível no site da ANEPC, às 06h30, as zonas mais afectadas foram a Área Metropolitana do Porto, Alto Minho, Região de Aveiro, Coimbra, Leiria, Oeste e Grande Lisboa. A maioria das ocorrências deveu-se a quedas de árvores, inundações de estruturas ou superfícies por precipitação intensa, limpezas de via, queda de estruturas e movimentos de massa. Fonte da Guarda nacional Republicana (GNR) adiantou à Lusa que há muitas estradas cortadas em Portugal continental.
Na segunda-feira, tinham sido registadas mais de 700 ocorrências, até às 20h00, sobretudo na região Norte e de Lisboa e Vale do Tejo, levando ao realojamento de uma família de dois adultos e três crianças em Porto Salvo, concelho de Oeiras, devido a um deslizamento de terras que colocou em perigo uma habitação.
Vento forte, neve e agitação marítima
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) agravou entretanto para vermelho os avisos devido à agitação marítima e para laranja devido à queda de neve, devido aos efeitos da depressão Joseph na passagem por Portugal continental. Todos os distritos de Portugal continental estão sob aviso amarelo por causa do vento forte com rajadas até 80 quilómetros por horas, sendo até 100 nas terras altas, até às 15h00 de terça-feira, 27, e entre as 03h00 e as 09h00 de quarta-feira, 28. Os 18 distritos estão igualmente sob aviso amarelo entre as 03h00 e as 09h00 de quarta-feira devido à previsão de chuva por vezes forte.
Já para quarta-feira, o IMPA prevê céu muito nublado e períodos de chuva ou aguaceiros, por vezes fortes até ao início da manhã, com queda de neve acima dos 600/800 metros nas regiões Norte e Centro, subindo gradualmente para 1200/1400 metros.
O destaque vai contudo para o vento, que soprará moderado a forte de oeste/sudoeste, com rajadas que podem atingir 100 km/h, chegando aos 140 km/h no litoral a norte do cabo Mondego e nas terras altas, onde será forte a muito forte, enfraquecendo a partir do meio da manhã.
Há ainda previsão de formação de gelo no interior Norte e Centro. A agitação marítima será significativa, com ondas de noroeste entre 5 e 7 metros na costa ocidental, aumentando para 7 a 8 metros, e ondas de sudoeste entre 3 e 5 metros na costa sul.
Estradas fechadas
Vinte e cinco vias nacionais e municipais estavam às 07h00 desta terça-feira interditadas por inundação ou desmoronamento nas regiões do norte e centro, devido ao mau tempo, segundo a GNR. Estão interditadas ao trânsito a Estrada Nacional (EN) 9-1 (Estrada da Lagoa Azul) no Linhó, concelho de Sintra, EN 10 Torres do Mondego, em Coimbra, EN 262 em São Romão do Sado, em Setúbal, e EN 365 na Golegã, em Santarém.
Estão também suspensas à circulação a EN 3-2 em Valada, no Vale de Santarém, EN 8-2 em Casal Lourim, na Lourinhã, EN 205-1, em Rio Tinto, em Braga, e EN 301 em Argela, em Viana do Castelo, e EN 358-2 em Constância, no distrito de Santarém.
Estão igualmente fechadas vias na Serra da Estrela, a Nacional 102, ao quilómetro (km) 53,4, em Torre de Moncorvo (Bragança), EN 316 ao quilómetro 37, em Macedo de Cavaleiros (Bragança), a Estrada Municipal (EM) 511 em Merujal (Arouca), EM 1227 Noninha em Arouca, ER 326 em Cando, ER 311, Rio Douro, Cabeceiras de Basto e Várzea (Braga).
Estão ainda fechadas a EM 1133, Estrada de Santo António, em Riba de Mouro (Viana do Castelo), EN 110 km 4,8 entre Penacova e Coimbra, EM 1416 em Moradias, Pampilhosa da Serra, EM 547 em Alto do Fajão, Vila Pouca de Aguiar (Vila Real), EN 344 em Castanheira da Serra (Coimbra), EM 1355 em Covanca, em Pampilhosa da Serra, EN 236 em Casal Novo (Coimbra), e EM 1374 em Barrica Grande-Portela de Unhais (Covilhã).
Inundações no Minho
Em Arcos de Valdevez, onde ocorreram “muitas derrocadas” segundo Olegário Gonçalves, presidente da autarquia, há indundações no centro histórico, na zona da Valeta, O Hotel Ribeira em Arcos de Valdevez também sofreu uma inundação no piso do rés-do-chão, na zona de máquinas e do parque de estacionamento, acrescentando que não houve necessidade de retirar ninguém.
Em Ponte de Lima, também no distrito de Viana do Castelo, o comandante dos bombeiros, Carlos Lima, referiu à Lusa que o caudal do rio Lima estava a subir, mas ainda sem infra-estruturas em risco.
A maioria das intervenções na segunda-feira à noite e madrugada de terça-feira para os bombeiros estiveram relacionadas com inundações em habitações e queda de árvores. “Temos dezenas de casas atingidas pela chuva intensa”, apontou Carlos Lima, acrescentando que não foi necessário realojar moradores.
Na segunda-feira à tarde, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Monção, José Passos, tinha referido que o rio Minho galgou as margens. O responsável adiantou ainda que os bombeiros iam continuar a monitorizar a subida do caudal do rio Minho, que divide Portugal de Espanha, devido à chuva prevista e da neve que começou a derreter.