O mirandés, a outra lingua portuguesa que loita pola unha oficialidade real

6 comments
  1. Já sei que varias vezes o tema do mirandês tem aparecido por cá e varias vezes também tenho visto redditors portugueses algures a refererem-se à oficialidade do mirandês, como segunda língua oficial de Portugal.

    Sim e nom. E oficialmente reconhecido, sim, desde 1999, mas nom é ‘oficial’ no sentido em que nós no estado espanhol entendemos o conceito. Aqui no esado espanhol, para uma língua ser oficial, hai de haver hipóteses para se utilizar na administraçom, no ensino, no sistema de saúde, ter uma toponímia regulada oficialmente, preséncia nos media. Enfim, activamente amparado e promovido pelo governo.

    O mirandês hai 23 anos que é ‘oficial’ em Portugal, mas trata-se de uma pseudo-oficialidade que nom lhe dá nenhuma presença nestes âmbitos que já referim. Direitos que o galegofalante tem por garantido legalmente na Galiza (ao menos teoricamente, uma vez que na realidade é outro conto), os mirandeses nom tenhem na Terra de Miranda. Por exemplo, o galego é língua curricular na Galiza desde o ano em que foi convertido em língua oficial da Galiza, é dizer, que hai muitas aulas dadas só em galego e o objectivo assumido é de fazer com que o alumno saia da escola (primária e secundária) com igualdade de competência nas duas línguas oficiais.

    Na Terra de Miranda, e hai anos – que digo eu, hai décadas – que a situaçom fica assim, o mirandês é 1) aula opcional 2) é aula extracurricular, ou seja que nem se dá nas horas de escola 3) cerca de uma hora de duraçom à semana 4) nom hai programas para treinar novos profesores 5) nem um livro de texto oficial tenhem, os profesores tenhem de criar os próprios soportes.

    Entretanto, durante estes 23 anos, milhares de falantes de mirandês morreram, porque a maioria dos falantes som gente maior ou velha, sem os substitutos que a escola e o ensino devem proporcionar. Se a gente já nom fala a língua ou raras vezes na casa, como é que a gente nova aprende a língua? Pois uma hora opcional por semana nom basta para fazer novos falantes. A quem lhe parece razoável dar aulas de inglês de uma hora (opcional) à semana e esperar que as crianças saiam com um bom nível do inglês?

    O asturiano é uma língua irmâ do mirandês, falado nas Astúrias. Nom goza de oficialidade como se entende a ideia de oficialidade em Espanha, e por tanto os falantes desta língua tenhem muito menos direitos que os falantes do catalam, o basco ou o galego. Todavía o asturiano tem maior protecçom, estúdio, cura, que o mirandês em Portugal.

    Por exemplo, desde 1998, os ciudadaos asturianos tenhem o direito (teoricamente: hai funcionários que som mui filhos da puta), de fazer e recebir as comunicaçons orais e escritas em asturiano com a administraçom local (ainda que, nom sendo língua oficial, a administraçom pode elegir a dar a resposta em castelhano). Na Terra de Miranda, nom é possível: os falantes do mirandês vem-se obrigados a acompanhar todo documento com uma traduçom em português.

    Dada a extremamente grave situaçom em que se acha o mirandês, hai três anos um grupo de académicos portugueses e espanhóis assinaram uma carta e mandaram-na ao governo português, exigindo medidas urgentes de salvaguarda.

    Desde entom, a única novidade de que som consciente é a assinatura da Carta Europeia das Línguas Regionais e Minortárias do Conselho da Europa (2001), no ano passado, mais ainda nom a sua ratificaçom, o que obrigaria o estado português a fazer passos concretos em prol da língua mirandesa:

    >MANIFESTO: “Mirandés a Cunceilho”.
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    >A la Presidéncia de la República Pertuesa
    >
    >Al Menistro de la Eiducaçon de l Goberno Pertués
    >
    >Al Menistro de la Cultura de l Goberno Pertués
    >
    >A ls Grupos Parlamentares de la Assemblé de la República
    >
    >A todos ls Deputados de la Assemblé de la República
    >
    >Al Presidente de la Cámara de Miranda
    >
    >A ls Bereadores de la Cámara de Miranda
    >
    >A ls Reitores de las Ounibersidades Pertuesas
    >
    >Las personas abaixo assinadas, porsores i ambestigadores de las Ounibersidades de Pertual i Spanha, por bias de l peligroso remolinar que la lhéngua mirandesa atrabessa an Pertual, queremos deregirmos a la quemunidade científica anternacional i an purmeiro a las outeridades pertuesas para dezir l seguinte:
    >
    >
    >
    >1 – La lhéngua mirandesa, patrimonho milenairo eimaterial de Pertual i de la houmanidade, atrabessa grabíssemas deficuldades que amanácian la sue suobrebibéncia fetura se nun botarmos mano a medidas riales i mui de brebe.
    >
    >2 – Cumbidamos l Goberno Pertués a assinar de pronto la Carta Ouropeia de las Lhénguas Regionales i Minoritárias de l Juntouro de la Ouropa (2001), tratado anternacional que apunta cumprometer ls stados na cunserbaçon cun bitalidade anteira i cumpleta de las sues minories lhenguísticas.
    >
    >3 – Preponemos al goberno pertués a atualizar i a rigular la Lei 7/99 i poner nua nuoba lei los modos prioritários de atuaçones para la salbaçon de la lhéngua mirandesa nos campos de la eiducaçon, na admenistraçon, na cultura, na salude, etc. sigún fala la Carta Ouropeia.
    >
    >4 – Pedimos al goberno pertués la salida de lhugares de porsores de Lhéngua Mirandesa nas scuolas de todo l cunceilho de Miranda, para acabar cula precaridade i l fuca fuca de cada ampeço de l anho na scuola. Neste sentido, pedimos la dotaçon de cadeiras ou matérias de Lhéngua Mirandesa an todas las ounibersidades pertuesas.
    >
    >5 – Apegado al d’atrás, pedimos la formaçon de eiquipas para fazer materiales didáticos pal ansino i aprendizaige de l mirandés, tanto para ls alunos cumo para ls adultos que assí quergan, tanto no formato de lhibro cumo degital na anternete.
    >
    >6 – No campo admenistratibo, ye ourgente i necessaira la criaçon i dotaçon dua baga de Técnico Specialista an Lhéngua Mirandesa para atender la admnistraçon i la sociadade mirandesa (associaçones çportibas, culturales, comerciales, andustriales, etc.) andrento de la Cámara de Miranda.
    >
    >7 – Pedimos que l saber falar la lhéngua mirandesa seia preferéncia para cuncursos a todas las bagas de serbício público an Miranda, porque la relaçon de ls profissionales cula populaçon, na lhéngua desta, debe de ser ua prioridade.
    >
    >8 – Pedimos la criaçon i realizaçon de cursos de aprendizaige de l mirandés para gente más bielha (funcionários, porsores, admenistraçon pública, etc.) dados por certeficados especialistas an lhéngua mirandesa.
    >
    >9 – Deixamos l dzafio a la criaçon dun Anstituto de Studos Mirandeses pa la ambestigaçon lhenguística an mirandés (ounomástica, toponímia, lexicografia, etc.)
    >
    >10 – Aguardamos la necessaira i correspundente probison eiquenómica, tando de l Ourçamento Giral de l Stado, cumo de ajudas ouropeias, ou dambos a dous, para cunseguir todas estas i outras atuaçones precizadas ourgentemente para dar nuoba bida a la lhéngua mirandesa, proua i riqueza de todo l pobo pertués.
    >
    >Porque nós, ambestigadores i cientistas, queremos studar i aporbeitar l mirandés cumo lhéngua biba, queremos que l mirandés seia l poderoso mirar de riqueza lhenguística, turística i cultural que deberie de ser, queremos ua República Pertuesa prouista de l sou milenairo patrimonho lhenguístico i único na sue promoçon, cunserbaçon i rebitalizaçon para geraçones feturas.

    A razom pola qual falo do mirandês aqui é que, visto que nom som cidadom português, nom som quem de intentar mudar nada, nom me incumbe a mim. Mas com a pressom política dos próprios portugueses, a segunda língua oficial de Portugal pode deixar de estar em perigo de extinçom, e para que haja pressom política, a gente necessita de ser avisada do que se passa. Infelizmente a sorte do mirandês nom sai nas peças noticiárias em Portugal a miúdo.

  2. Lembro me quando era miúdo em 99 o mirandês ser oficializado como uma das línguas de Portugal. Até fizeram um discurso em mirandês no parlamento e nunca mais me esqueci. Não fazia ideia que existia e achei uma medida justa. Dito isto, também sempre achei que seria uma forma de dar as ferramentas necessárias à promoção do mirandês na zona de Miranda. Algo que fosse querido às pessoas de Miranda e que os políticos locais promovessem. A não ratificação desse tratado passados 20 anos é mesmo inacção política do poder central e desinteresse …

    Por isso pergunto o poder local não tem forma de promover o mirandês sem que o aval do poder central? Não podiam leccionar a língua nas escolas como unidade curricular? A comunicação das instituições locais é realizada em mirandês? A universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro não podia ter criado uma cátedra para o ensino da língua?

    São perguntas genuínas não estou a querer instigar uma discussão poder central/local ou Lisboa/resto do país.

  3. Não devia ser “lhengua”?

    Also onde anda o bot chato das correções nesta thread? Deixa lá fazer um ritual a ver se o chamo para cá…

    *ahem*

    À já algums dias, se não houvessem erros em contractos…

  4. Mas lá está: eu acho que a nossa divergência neste caso está no facto em que tu afirmas que não se dá oportunidade para se falar a língua.

    Eu acho que a língua não se vê dessa forma. Se não se fala é porque ela não é necessária. Não a temos de impingir.

    Como tinha dito noutro post, tanto quanto sei, o criolo nunca foi impingido em Cabo Verde por exemplo. Lá a língua oficial é a portuguesa, a lingua administrativa é a portuguesa, mas isso nunca fez com que o criolo desaparecesse; houve sempre gente a quem passar a linguagem de forma natural, mais do que em outros PALOPs

  5. Lol.

    A vassalagem não altera em nada a realidade dos reinos.

    O reino da Galiza nunca deixou de o ser. A rainha dona Teresa continuava a ser a rainha. Tens de rever como funcionava o sistema de vassalagem feudal.

    Afimar que a coroa Galega já não existia quando até guerras se fizeram entre mãe e filho para decidir quem era o legítimo herdeiro do trono de D. Henrique de Borgonha não faz sentido absolutamente nenhum.

    Estás meramente a forçar argumentos disparatados porque não queres aceitar uma realidade que por qualquer motivo te é incomoda.

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