Sei que andamos todos atentos ou preocupados com as notícias mais recentes, desde o funeral da Jéssica, os casos e as transferências do futebol, o retrocesso dos direitos humanos nos USA, a inflação em máximos históricos, a eterna falta de trabalhadores no verão, a degradação progressiva do SNS, a entrada da Ucrânia da UE, o risco de carência alimentar a médio prazo; até ao aumento dos preços dos combustíveis, o retorno da Europa ao carvão e as alterações climáticas; e a lista continua, e nunca acaba.

Isto além de todos os problemas e urgências com que cada um de nós se depara diariamente: algo que se estraga e precisa de arranjo ou de substituição, alguém próximo que teve um azar e precisa de ajuda, uma perda pessoal; e a lista continua, e às vezes parece que também não acaba.

E isto além de todas as acções necessárias de auto-cuidado, descanso, diversão, descontração, progresso, hobbies e projectos e sonhos, para manter e eventualmente melhorar as nossas condições de vida.

A guerra que continua a acontecer na Ucrânia poderá, eventualmente, começar a ser entendida como um “novo normal” e, apesar da relativa proximidade, a verdade é que Portugal está cá na “outra ponta” e, afinal, “para problemas já nos chegam os nossos”.

Porém nós vivemos em Democracia e penso que devemos ir falando sobre as coisas; principalmente as mais importantes, as de fundo, as que definem e guiam as acções colectivas em períodos mais alargados, às vezes durante décadas, que têm o potencial de empreender mudanças significativas no carácter de muitos, em particular dos mais jovens. Penso que, de forma contínua e relativamente subtil, estamos a assistir a um período com este tipo de características. Os valores, o papel das instituições, como construir um futuro. É evidente que o futuro será vivido, em boa parte, pelas oportunidades e constrangimentos que surjam das decisões que são tomadas, hoje, amanhã e a cada dia, durante semans, meses, anos, por cada um de nós no seu campo de acção e de influência.

É por isso que hoje, em vez de simplesmente “atirar” para aqui este assunto, venho com alguma hesitação (e até com uma certa humildade) pedir aos disponíveis para que reflictamos nem que seja só um pouco sobre as palavras do major-general Agostinho Costa sobre o estado actual da guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

A ser verdade o que ele diz, a guerra vai durando; a Rússia vai progredindo nos seus principais objectivos militares de ocupar Lugansk e Donetsk;

>5:20 “**A guerra vai demorar muito tempo porque os objectivos de quem está a dirigir esta campanha, politicamente, que não é Kiev; quem dirige politicamente esta campanha é Londres e Washington**; para Londres e Washington, coordenados – quem dirige é Washington, e Londres é o porta-aviões; **(do lado do invasor) é Putin; a China é a ‘grande constelação’**. Mas esta guerra é fundamentalmente geo-política, e da parte dos russos é para marcarem uma posição na ‘nova ordem’ (internacional). Efectivamente, quem vai ganhar ou perder é a China; **porque o que se discute aqui é a luta pela hegemonia**.”
>
>”(Portanto,) Putin e Zelensky com China e USA, para os nossos espectadores perceberem” – diz o pivot.
>
>”Sim… sim, é isso” – responde, cedendo à utilidade prática do resumo simplista.
>
>”Quando voltar (…) iremos desenvolver um facto que referiu aí, que não desenvolvemos mas iremos desenvolver que é: **nunca mais se falou de diplomacia nesta guerra**”

[https://cnnportugal.iol.pt/videos/a-quarta-linha-so-quando-os-russos-conseguirem-isto-podem-dizer-que-atingiram-o-seu-objetivo/62b6c9180cf2ea4f0a5149cc](https://cnnportugal.iol.pt/videos/a-quarta-linha-so-quando-os-russos-conseguirem-isto-podem-dizer-que-atingiram-o-seu-objetivo/62b6c9180cf2ea4f0a5149cc)

Este assunto preocupa-me particularmente porque, mesmo que não exista uma escalada “vertical” do conflito para o nuclear, assistimos a uma escalada “horizontal” da instigação do ódio entre os povos e da normalização da militarização.

Gostaria de ler as vossas opiniões e desde já desejo-vos um óptimo fim de semana

Edit: a maioria dos primeiros comentários criticam o Agostinho Costa pessoalmente e/ou as suas opiniões, sem expandirem porquê. Não estando aqui a advogar a fazor dele,

>É Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Lusíada de Lisboa, tendo apresentado uma dissertação subordinada ao tema “Os Sérvios e a estabilidade dos Balcãs”
>
>(…)
>
>Ao longo da sua carreira foi distinguido com vários louvores, tendo sido agraciado com diversas condecorações de Portugal, Espanha, Itália, da ONU e NATO.
>
>[https://eurodefense.pt/major-general-r-agostinho-costa-eleito-vice-presidente-da-associacao-eurodefense-portugal/](https://eurodefense.pt/major-general-r-agostinho-costa-eleito-vice-presidente-da-associacao-eurodefense-portugal/)

E é vice-presidente dessa Associação EuroDefense-Portugal, que eu nem conheço mas que diz que

>Missão e Valores
>
>A Associação EuroDefense-Portugal tem como principal missão promover o estudo, a reflexão e o debate sobre a política europeia de segurança e defesa e as suas implicações para Portugal, incluindo as questões relativas ao desenvolvimento da Base Tecnológica e Industrial de Defesa europeia e a sua articulação com os utilizadores finais, as empresas e os centros de investigação e desenvolvimento tecnológico nacionais.
>
>[https://eurodefense.pt/quem-somos/](https://eurodefense.pt/quem-somos/)

Por isso, para se manter um diálogo saudável, convinha pelo menos expandir as opiniões com base em alguma coisa palpável

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17 comments
  1. É a opinião dele, não é facto. Vale o que vale (que a meu ver, vale pouco)

    O Jeronimo de Sousa também tem muitas opiniões.

    Na minha opinião, algo tão maléfico e desumano como a guerra nunca será uma coisa normalizada.

  2. Adoro como o major-general Agostinho Costa, o Guru da Realpolitik (e criminoso de guerra) Henry Kissinger e o “grande” Noam Chomsky, nao parecem perceber que mesmo que se dessem 0 armas aos Ucranianos eles iam lutar até a morte. Nos anos 40 e 50 tiveram uma guerra de Guerrilha no Oeste do País enorme (como tiveram os Estados Balticos). Ora com a Rússia a darem uma de Grozny por todo o país logicamente os Ucranianos iam lutar e não se render.

  3. Será que não vai existir uma escalada?Se a Rússia ganha a guerra, pode muito bem tentar invadir outros países perto das suas fronteiras, assim como ganha força que pode fazer o que lhe der na real gana… até que ponto podem os países da NATO permitir isso?E se a guerra tem um volte face e a Rússia começa a perder a guerra?Qual será a resposta da Rússia? Será que pode existir uma escalada para o uso de armas nucleares?Os peritos podem ter mil e uma opiniões, algum poderá acertar as previsões no final disto tudo, mas são só especulações… ninguém consegue realmente prever como isto vai terminar…pelo que tenho acompanhado,tem sido um avançar e ganho de território lentamente por parte da Rússia, mas apesar de lento e a todo o custo, a Rússia está a ganhar a guerra no terreno….uma coisa é certa, apesar de estarmos fisicamente bem longe deste conflito, vamos sofrer (e já estamos em parte) com o arrastar do mesmo a nível económico…

  4. Os Europeus são os indígenas nesta guerra que não têm nada a dizer sobre a mesma. Estão a ser jogados, como antigamente eram os povos africanos, sul americanos e asiáticos, pelas potências mundiais.

  5. Não concordando com o general (e a discordância já vem de trás), obrigado por teres trazido este tema e de uma forma tão detalhada, acho que posts destes fazem falta ao subreddit.

    Não tendo nada a acrescentar ao post em si, vou só partilhar que estive a semana passada com uma ucrâniana da parte que fala russo e ela diz que deixou de falar a sua língua materna (russo) e que odeia os russos, não só o Putin, mas mesmo os cidadãos russos e deixou até de falar com a família que tinha na Rússia.

    Também aprendi que eles dizem coisas como “When 24 happenned…”, referindo-se ao dia da invasão, achei curioso.

  6. Não era esse que passado uma semana de guerra dizia de peito cheio que já estava perdida e os ucranianos tinham era de se render?

    LMAO.

  7. O major, e nao é só ele, era dos que vendia portugal aos espanhois num ápice. Se calhar por isso foi preciso ir buscar generais a inglaterra que os de cá eram de fuga fácil.

    Ele gostava de ver a ucrania com bandeira russa. Eu gostava de o ver, a ele e à russalhada disfarçada, julgados como traidores… e com a devida pena servida em publico para servir de aviso ao resto.

    Sao opinioes.

  8. A China? A China já domina o mundo e nem sequer necessitou de uma guerra para o conseguir.

  9. Claramente China está envolvida e será a vencedora do conflito. O mundo ocidental como o conhecemos acabou, inflação está agora a bombar mas uma recessão será pior e vai colocar em risco o ‘estilo de vida europeu’.

    Tivemos bons anos a ignorar tudo o que se passava no mundo mas, na minha opinião, vamos ter um choque de realidade lixado.

  10. Já quando foi do ataque russo à [estação de comboios de Kramatorsk](https://www.google.com/amp/s/observador.pt/2022/04/08/dois-misseis-russos-atingiram-estacao-de-comboios-de-kramatorsk-apinhada-de-civis-em-fuga-pelo-menos-30-morreram-e-100-ficaram-feridos/amp/), que vitimou mais de 50 pessoas ele veio à televisão dizer que não havia informações de que os russos usavam o Tochka U (o míssil balístico usado no ataque e que os russos tinham ainda em alguns números antes da guerra) citando apenas que o míssil era muito velho e que tinha substituido pelo Iskander.

    Isto é tudo muito bonito mas quando ele vem dizer que os mesmo russos que usam o BMP1, o Mi8, as versões iniciais do T72 e até mesmo os T62 não iam usar o Tochka U por estar ultrapassado e ser muito velho é lançar areia para os olhos, e de dizer que quando o ouvi a dizer isso não demorei mais de 2 minutos no reddit para encontrar vídeos dos russos com esses mesmos mísseis, sendo que alguns lançadores ou camiões de transporte já com as marcas brancas pintadas com as quais já estamos familiarizados. E sabendo que eu, um civil, facilmente tive acesso a essa informação, ele que foi militar tem mais o dever de saber que era muito provável que os russos os estariam a usar especialmente se vai falar à televisão pública sobre isso.

    Para mim a gota de água foi quando ele defendeu a ideia de que era muito mais provável terem sido os ucranianos a atacarem a própria estação para culpar os russos do que os própios russos a fazerem o que fazem melhor, matar civis indiscriminadamente. Isso faz me ter muita vergonha em ter alguém que vai à televisão pública numa tentativa de espalhar desinformação a representar as nossas forças armadas, instituições nas quais tenho muito orgulho, mas não em quem despreza o sofrimento de civis inocentes só porque acha que a Rússia é fixe.

    Ainda vou deixar ai o link para um comentário que já fiz sobre o mesmo assunto, no qual tenho as fontes para o que disse mais arranjadinhas mas achar que os ucranianos não estão a lutar pela sua liberdade e soberania apenas porque são fantoches do Biden e do Boris é muito mau, essa gente precisa de ajuda, militar, diplomática e humanitária, não de palhaços de circo com fetiches por ditadores.

    [o comentário onde tenho as fontes, nomeadamente sobre o equipamento russo bastante velho a ser usado](https://www.reddit.com/r/portugal/comments/ut1nic/majorgeneral_agostinho_da_costa_e_o_lado_certo_da/i977qmb?utm_medium=android_app&utm_source=share&context=3)

    Ah e vá, bom fim de semana para ti também.

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