Porque é que os trabalhadores da Transtejo fazem greve

44 comments
  1. Apeteceu me fazer este post porque cada vez que existe uma greve qualquer, quer seja da CP, metro ou Transtejo, é notória a falta de solidariedade de grande parte da sociedade.

    A maioria das pessoas apenas vê o empecilho que é existirem greves. E usualmente utilizam argumentos sempre na onda do “whataboutism”.

    O problema não é eles fazerem greves… é poucos trabalhadores de outros sectores terem sequer essa possibilidade sem perderem o emprego. É essa a sociedade que queremos?

  2. Estão mal? As empresas de Tróia têm melhor serviço? Então porque é que não concorrem para lá?

    O governo não vos dá melhores condições? E vocês, votaram em quem, mesmo?

  3. 8 trabalhadores de manutenção? OITO? De 50 em 2011, para para aí pelo menos uns 50 barcos, agora são 8?

    Se calhar é serviço público fazerem greve permanente. Com todo o respeito a todos os que perdem os transportes, mas foda-se, é mau.

  4. Talvez a empresa não atenda às reivindicações porque não percebe um caralho do que estão a pedir. Se falarem como escrevem, ninguém os percebe. Perdoa-os Camões.

  5. A minha questão então é:
    porque é que ainda estão a trabalhar nessa empresa se sabem que ela não paga?

  6. Sinto a vossa revolta…

    Para ser honesto, na minha opinião, o que mais lixa mais as pessoas é os dias estratégicos em que as greves acontecem… isto é, antes de fins de semana, antes de fins de semana prolongados, antes de feriados, etc. Pode até nem ser para ter mais dias de ‘férias’, mas presumir isso é o mais fácil porque é o mais óbvio dada a escolha dos dias.

    Espero que melhore tudo eventualmente! Boa sorte!

  7. Não tenho problemas com greves e sindicatos no geral, mesmo quando me atingem. A alternativa é pior.

    Acho bem que a façam. Boa iniciativa para explicarem às pessoas as causas.

  8. Não daria para fazerem como no Japão, em que não cobram os bilhetes? Como poderiam salvaguardar-se de serem despedidos com justa causa nesse tipo de greve?

  9. Excelente publicação. Mostra bem o outro lado.

    Em vez de mandarem papaias por causa da CP, mais gente se devia organizar e fazer greve. Muitos correriam o risco de serem despedidos, infelizmente.

    Mas se este ano fizessem greve na hotelaria 4-5 dias em Lisboa, vos garanto que o efeito seria tremendo e que teria bem mais impacto do que andar a mudar de governo/políticas.

    Até que metessem ucranianos, paquistaneses, marroquinos e outros demais a trabalhar pelos grevistas, não haveria garantia de que o serviço tivesse a mesma qualidade e todo o caos gerado faria com que os vilões do sector se virassem mais para os que percepcionam como escravos (perdendo possivelmente muita qualidade no atendimento) e os outros pensassem que talvez fosse boa ideia subir ligeiramente os salários.

  10. Estas razões, para além de afctarem os trabalhadores, também poem em perigo a segurança/vida dos passageiros. Greve muito necessária. E com greves parciais nunca mais aprendem. Têm que ser greves puras e duras.

  11. E em vez de um papel impresso saberem alimentar a internet e as televisões com esta mesma informação? Era fixe as pessoas saberem disto em vez de os vilipendiarem como privilegiados, que é o discurso que por aí prolifera.

  12. Governo, estás acordado? Bom dia….Olha, abre lá os olhinhos…é preciso ver estas coisas que estás a deixar escapar…Eu já vi ali algumas irregularidades, e tu não? Não queres comentar sobre isto?
    Ou vais esperar que um barco afunde e mate uns tantos inocentes, para dizeres alguma coisa, e acabares por não fazer nada?

  13. Temos users que acham que as empresas deviam poder despedir se assim entendessem quem fizesse greve.

  14. Se as empresas que fazem greve divulgassem esta informação, talvez tivessem mais apoio e não houve tanta conversa por parte dos partidos e dos sindicatos a dizer que tinham feito grandes coisas pelos trabalhadores, quando na verdade está tudo em péssimos lençóis.

  15. Na fertagus a concessão é privada e o serviço é excelente. Raramente os comboios atrasam e quando isso acontece a culpa é da CP porque tem um comboio mais à frente que está atrasado e o da fertagus não pode prosseguir.
    Os comboios são bem mais limpos por dentro e por fora. A única queixa é não haver mais comboios e mais paragens mas isso é culpa do estado que não dá mais comboios. Até tentaram alugar comboios iguais que a CP tem parados a apodrecer e a CP rejeitou. Custam ao cerca de 4.5 milhões cada.

  16. É uma situação de certa forma transversal a todos os serviços públicos em Portugal. O problema é que a greve afeta sempre os consumidores, porque os responsáveis fazem-se transportar em viaturas pagas por nós, meros mortais. Ainda conseguem despejar a cartilha dos “grevistas malandros” e, no final, ficam os utentes sem serviço e a qualidade do serviço ma mesma merda.

  17. Já estive do lado do trabalhador, comecei bem por baixo, agora do lado da gestão/direção.

    Não quero tomar partido de ninguém nesta situação, até porque não tenho conhecimento de causa.

    No entanto, quando parti para um cargo de direção, aprendi que gerir RH, expectativas, exigências, ao mesmo tempo que se equilibra a sustentabilidade financeira da empresa, é algo extremamente difícil. Vais ser sempre odiado por alguém, se não mesmo, pela maioria. Várias vezes penso, que gostava de regressar ao estatuto de funcionário.

    – Há sempre funcionários que passam a vida revoltados e contrariados, por mais medidas de atualização salarial e bem-estar social que tomes;

    – Há muitos funcionários, que pegam numa situação passageira, ou num caso isolado, para fazer disso uma enorme bandeira de revolta;

    – E o maior problema de todos, é reformar serviços que sempre estiveram sobredimensionados, e quando se faz um corte para um plantel equilibrado, crias um conflito enorme com essa equipa de trabalhadores, porque sempre estiveram habituados a fazer nenhum, e agora têm de passar a trabalhar.

    Quando passei para um cargo de direção, aprendi que os problemas que se falam sobre a direção em Portugal, também se aplicam aos trabalhadores. Tem pessoas boas e pessoas más, competentes e incompetentes, criadores de problemas e criadores de soluções, nos 2 lados.

  18. O problema da Transtejo/Soflusa é o mercado não ser liberalizado, no dia que for, estas empresas simplesmente desaparecem do mapa, é um autêntico cancro do Tejo.

  19. Ficamos todos muito agradecidos quando ao menos informam os utilizadores dos serviços quanto aos motivos e especialmente qual vai ser o grau de afetação causado pelas greves (estou a olhar para ti CP).

  20. Só por curiosidade, gostava de saber (para além das despesas com os consultores – jurídicos e outros), quem faz parte do conselho de administração desta empresa e os respectivos salários e demais benesses.

    E já que estou com a mão na massa, como é que obrigações legais que todas as outras empresas são obrigadas a cumprir sob pena de fecharem as portas estão aparentemente a ser violadas há anos.

    Só mesmo por curiosidade.

  21. Aposto que nas peças jornalísticas que vão acompanhar esta greve, nenhuma vai mostrar ao espetador/leitor estas reivindicações dos trabalhadores.

  22. Para todos os que se queixam das greves de transportes, sugiro que percam 2 minutos no Google a procurar os motivos das greves. Não é difícil, é procurar “motivos greve XXX” e filtrar para notícias perto do dia da greve.

    Quase sempre são motivos que me parecem razoáveis. Se os trabalhadores fossem egoístas, porque iriam exigir contratação de mais pessoas? Se forem menos, são mais indispensáveis, certo?

    Porque iriam abdicar de receber horas extra, que apesar de tudo são mais bem pagas que o tempo normal, e afectam menos gente? (mesmo afectando as festas de Verão, não se compara ao impacto de greves durante o horário de trabalho)

    Convém manter presente que não só um grevista perde o salário do tempo de greve, como pode ficar marcado pelas chefias, tal como acontece nas empresas privadas. Uma pessoa não decide fazer greve porque um dia acordou e lhe apeteceu.

    Etc.

    Não digo com isto que sejam sempre motivos nobres, mas peço a todos que não assumam automaticamente “greve na FP = preguiçosos do caralho”, informem-se primeiro.

  23. Praticamente todas as profissões deviam de fazer uma greve e não digo isto de forma sarcástica.

    Portugal inteiro deveria de parar.

    As condições de vida e de trabalho dos portugueses são simplesmente absurdas. Salários baixos, um monte de descontos e impostos, preços super altos tendo em conta o salário que se ganha, etc.

    Outro cancro que temos é prevalência dos contratos/empresas de trabalho temporário. São contratos que não dão segurança nenhuma e muitas, mas muitas pessoas vivem nesta situação. Como é suposto alguém não viver de consciência pesada se no próximo mês nem sabe se vai ter trabalho, conseguir pagar a renda e comer?

    Embora dever de haver mais greves, também é difícil para as pessoas as fazerem e arriscarem-se a ficar sem trabalho e/ou perder o dinheiro daquele dia por causa do que mencionei mais atrás.

    Isto tudo é um ciclo vicioso de merda.

  24. E em vez de fazerem o serviço e não cobrar bilhetes para prejudicar a empresa, param e apenas prejudicam o utilizador do serviço que já pagou o passe, ou seja, a empresa recebeu o dinheiro na mesma, mas não gasta combustivel.

    Parabéns, com essa greve acabaram de pagar mais um gabinete externo para vos lixar a vida com o dinheiro que os clientes pagaram e a empresa poupa por não operarem.

  25. As razões para fazer greve são mais do que válidas. A greve é essencial!

    É duro para todos? Claro que sim, mas esse é o propósito das greves. Lutar por melhores condições é um desígnio essencial.

    Veja-se a greve nos transportes no UK e o impacto positivo na luta trabalhista que está a ter.

    Os salários e condições de vida estão a ser comidos pela inflação e os governos não fazem nada sobre isso.

  26. Tenho zero compaixão por esta gente, este papel não serve para nada. Greves atacam os passageiros, não a empresa! Os passageiros não podem fazer nada quanto aos assuntos internos da empresa; só querem pagar por um serviço de confiável e previsível.

    Se querem prejudicar a empresa trabalhem sem cobrar bilhetes. Façam queixas às entidades e reguladores. Ameacem despedir-se em bloco se for preciso! Agora greves não servem para nada e só prejudicam o Zé Povinho que precisa do transporte público para viver e trabalhar.

  27. Lol! Empresa nacionalizada típica. Nunca ninguém é avaliado, a começar pelo dirigentes, nunca ninguém é responsável pelo que quer que seja, etc. Estado português no seu melhor.

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