A Mariana Mortágua diz [aqui por volta do minuto 20](https://pca.st/episode/c1e4cedc-645a-4ee3-996d-3c5be3a54dac) que “não se proíbe o aborto, proíbe-se o aborto seguro” implicando que as pessoas vão continuar a fazer abortos ilegalmente.

Logo a seguir diz que é irónico que o aborto tenha deixado de ser um direito mas que a posse de armas o continue a ser.

Eu gostava de dizer que a posse de armas é como o aborto. Quem quiser armas vai conseguir tê-las ilegalmente. A sua proibição só afecta as pessoas que cumprem a lei.

11 comments
  1. Não é bem assim, ou pelo menos não o entendo dessa forma.

    Proibir o aborto é efetivamente proibir apenas o aborto seguro, porque vai haver sempre quem consiga fugir à lei, quer seja por ter possibilidades de se deslocar para sítios onde é possível fazê-lo, quer seja por recorrer a métodos clandestinos ( que aí sim, fica posta em causa a segurança da grávida e do eventual feto, que no caso de aborto mal realizado se pode vir a desenvolver à mesma e consequentemente nascer um bebé com possíveis deficiências e problemas graves de saúde).

    Proibir o acesso livre ao porte de arma é efetivamente proibir apenas o seu acesso de forma legal. Agora existem é várias questões a ser analisadas com isto:

    A primeira é que numa grande parte dos estados não são pedidos quaisquer documentos ( e por vezes naqueles em que são, são coisas extremamente simples ) para adquirir uma arma. Ora, adquirir legalmente, sem controlo, sem qualquer meio que prove que a pessoa está nas suas faculdades mentais para possuir uma arma, sem qualquer meio que comprove que sabe usar uma arma, etc, é colocar em causa a segurança pública em geral. É verdade que caso não fosse assim, e as armas fossem ilegais, seria possível à mesma uma pessoa adquirir uma arma ilegalmente. Mas, possivelmente, não com a mesma facilidade, e para além disso, não seria o próprio Estado a conceder ao cidadão o direito a transportar consigo uma arma só porque sim.

    A segunda é que, se partirmos do princípio de que o Estado deve salvaguardar a segurança dos seus cidadãos, então a vida dos mesmos deve ser protegida nos mais diversos domínios. É verdade que armas não vão deixar de existir por serem ilegais, mas provavelmente circulariam muitas menos entre as pessoas se o forem. É verdade que abortos não vão deixar de acontecer por serem ilegais, mas provavelmente morreriam/teriam complicações de saúde muito menos pessoas se forem legais.

    Ou seja, acho que essa comparação se resume a isso mesmo: salvaguardar a segurança das pessoas, e não ao continuar ou não a ter acesso a algo

  2. “Eu gostava de dizer que a posse de armas é como o aborto. Quem quiser armas vai conseguir tê-las ilegalmente. ”

    se as armas são ilegais, apenas estão disponíveis no mercado negro, isso faz com que as armas sejam mais caras, logo não são acessíveis por ladrões de vão de escada, ou adolescentes traumatizados.

  3. Eu aconselho o BE a abrir uma empresa de importação/export de causas woke dos EUA.

    Existe por cá uma manifesta falta de causas gringas pelo que a importação desses bens tem boas possibilidades de ter mercado por cá e render bons lucros ao BE e às suas
    sucursais franchisadas.

    ​

    A Marianeca até podia estabelecer uma base nos EUA e servir como correnspondente estrangeira para facilitar e acelerar a importação das causas, sem sequer ser preciso traduzir ou adaptar as mesmas ao contexto tuga.

  4. >Eu gostava de dizer que a posse de armas é como o aborto. Quem quiser armas vai conseguir tê-las ilegalmente.

    Interessante. Havia uma forma de saber de esta comparação se aplica, mas infelizmente não temos virtualmente um único país com esta legislação no que toca a armas por contraponto com continentes inteiros onde políticas mais restrictivas não levaram à tua conclusão mas sim a uma dimensão simplesmente infinitamente menor de criminalidade e homicídios com recurso a a armas de fogo. Da mesma forma, não temos como saber se o aborto é feito na mesma sem grande variação de dimensão, se ao menos ele tivesse sido ilegal em todos os países que entretanto o legalizaram há décadas…

    Não dá, vamos ter mesmo que tirar do cu uma resposta idiota.

  5. Vai tentar arranjar uma arma ilegalmente. Força. Depois diz me como correu. E se arranjares, de certeza que não vai ser uma semi automática.

    Há um stand up do Jim Jefferies na Netflix só sobre esta questão das armas e aborda este argumento idiota de uma forma hilariante.

  6. No caso americano, o aborto nunca foi um direito, apenas havia uma lei federal a favor da descriminalização do mesmo. A revogação da lei não é uma perda de direitos, a única coisa que aconteceu foi passar a decisão para cada estado em vez de ser algo decidido pelo governo central.

    Já no caso das armas, é um direito constitucional, o direito ao cidadão comum de poder ter uma arma para defesa pessoal, para proteção de propriedade privada ou proteção contra o governo. O que a esquerda totalitária quer é retirar esse direito ao povo, para dessa forma o poder controlar.

    Não concordo com ambos os casos, mas num país liderado por idiotas e um velho senil não se podia esperar outra coisa. Imaginem se está decisão tem acontecido na presidência Trump, a choradeira que não era …

Leave a Reply