Número de órgãos consultivos do Estado disparou 79% para mais de 400 desde 1996

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  1. O número de órgãos consultivos do Estado não parou de crescer nas últimas três décadas, mas nem o Estado sabe quantos organismos existem no total. Um levantamento preliminar do Conselho Económico e Social a que o PÚBLICO teve acesso exclusivo aponta para mais de 400 órgãos, sinaliza a fragmentação e pouca eficácia destes organismos e propõe agregá-los para diminuir a despesa pública.

    Nos últimos 26 anos, o número de organismos consultivos à disposição do Estado cresceu 79%. Em 1996, um relatório elaborado a pedido do Conselho Económico e Social (CES) contava 228 organismos consultivos e já identificava organismos que não tinham qualquer actividade. De lá para cá, o número que já era apontado como “excessivo” não parou de crescer e o balanço mais recente aponta para 408 órgãos consultivos (aos quais se soma o próprio Conselho Económico e Social). Até pode ser ainda maior, só que nem o Estado sabe responder. Agora, actualizado o balanço, é imperativo avançar para “uma reflexão” sobre a disseminação de órgãos consultivos do Estado, considera Francisco Assis, presidente do CES.

    A lista de organismos consultivos identificados pelo CES – e a que o PÚBLICO teve acesso exclusivo – é longa, mas preliminar. Isto acontece porque a informação está tão dispersa que não é possível determinar se o levantamento está ou não completo (foi feito através de consulta ao Diário da República, da lei orgânica do Governo e de uma pesquisa intensiva de uma equipa do CES).

    Segundo os dados recolhidos, pelo menos 95 dos 408 organismos identificados pelo CES constavam no relatório de 1996, mas até esse número é difícil de confirmar. Já à data do primeiro balanço, Maria Manuel Leitão Marques, ex-governante e a coordenadora do primeiro relatório sobre a administração consultiva em Portugal, assinalava o quão difícil foi fazer o levantamento dos organismos, uma vez que não são registados sistematicamente. E nem o Governo sabia responder. Desde então, pouco ou nada mudou, confirma Francisco Assis, relatando as dificuldades que a sua equipa enfrentou. “Foi um trabalho longo e exaustivo e ainda assim está incompleto”, lamenta. A expectativa é que o número total de organismos seja ainda maior – mesmo que alguns deles ninguém saiba o que estão a fazer.

  2. Em Portugal, **há uma Comissão Consultiva Sectorial da Banana e um Conselho Geral do Instituto Nacional para Aproveitamento dos Tempos Livres**. Há o **Conselho Nacional da Juventude**, mas também o **Conselho Consultivo da Juventude** – e sim, são diferentes. Na Educação, há o **Conselho Nacional de Educação e o Conselho das Escolas**. Nos Negócios Estrangeiros há a **Comissão Interministerial para a Cooperação, que é diferente do Fórum da Cooperação para o Desenvolvimento**. No Ambiente, existe **o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e o Conselho Nacional das Florestas**. A área com mais órgãos consultivos é a Saúde (só aqui foram contados 109). Já a área com menos órgãos consultivos encontrados é a administração de Fundos Europeus.

  3. Há uns tempos disse que as comissões de estudo do teletrabalho, da semana de 4 dias e afins só serviam para gastar recursos e que nada iriam fazer em prol dos portugueses e fui corrido a downvotes.

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    Pelos vistos os portugueses consideram que as mesmas fazem um bom serviço, a julgar pelas literais comissões da banana, das repetidas comissões sobre a juventude ou as florestas, com os péssimos resultados que temos assistido.

  4. Será pedir muito olhar para isto de forma séria e imparcial, para se começar a extinguir umas e fundir/aglutinar outras?

    De Relembrar que temos um Ministério para a administração pública e modernização do Estado!

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