Entrevista a Artur Mesquita Guimarães – Caso das aulas de Cidadania

14 comments
  1. Há passagens completamente surreais. Pergunta-se 1 coisa e eles começa a divagar sobre 20 mil outros assuntos. Alguns:

    **Então não escondem nada dos vossos filhos?**

    >Temos problemas com direitos humanos? Com interculturalidade? É claro que não! Somos muitos na minha família, temos pessoas de todas as cores e amigos pelo mundo. Ainda há duas semanas, tivemos amigos mexicanos a jantar connosco. Os meus filhos não têm de ouvir baboseiras por os outros alunos não saberem o que é a interculturalidade. Lidamos com todas as pessoas: não estou é para brincadeiras na escola.

    **Se um filho seu lhe dissesse que gosta de um rapaz ou a sua filha de uma rapariga, o que diria?**

    >Olhe… Ninguém pode dizer que isto vai ou não acontecer, mas não me parece que venha a acontecer. Eu também gosto de imensos rapazes, tenho muitos amigos! Outra coisa é o uso da sexualidade. A única coisa que diria é: “Ok, encantado, também gosto de muitos rapazes – gosto mais da minha mulher –, mas o menino sabe que gostar não tem mal nenhum. O que tem mal é o mau uso da sexualidade. Nosso Senhor não nos dotou sexuados para a gente andar aí a ‘fornicar’ com rapazes e raparigas”.

    **Portanto, considera-se homofóbico, bifóbico, transfóbico, etc.?**

    >O meu problema não é a orientação sexual, é o uso da sexualidade. Na minha perspetiva como católico, independentemente da sigla que quisermos arranjar, todos podem aspirar à santidade porque é para isso que andamos na Terra, foi para isso que Nosso Senhor nos criou. Se quisermos o Céu… Temos de usar bem a sexualidade. Amar… Podemos amar toda a gente! Aquele que mostrou verdadeiro amor por todos nós foi Jesus Cristo.

    **Em vossa casa, fala-se da orientação sexual?**

    >Repare: temos amigos que são homossexuais. As questões que colocam em cima da mesa são velhas, já ruíram por todo o lado e mais algum. É óbvio que não andamos com um letreiro na testa a indicar aquilo que somos ou deixamos de ser. Nesta matéria, o Estado não mete a unha: não entra na minha cama, só me faltava isso!

    EDIT: Estas pessoas também votam.

    E claro, o típico cliche “Não sou homofóbico/racista até porque tenho amigos Mexicanos/gosto de outros homens/tenho amigos homosexuais”

  2. Ele o que quer é condicionar o plano curricular da escola pública com a sua visão religiosa extremista.

    Podia ter os filhos em escolas privadas ou até no limite terem aulas em casa mas o que este senhor quer é influenciar o plano curricular com as ideias tontas dele.

    Hoje é uma disciplina como cidadania que não serve para nada. Mas amanhã quando ele decidir que não “acredita” na evolução? Tem de se alterar o programa de biologia?

    Não se pode abrir a porta aos extremistas religiosos.

  3. Se a entrevista era suposto faze-lo parecer um animal, fracassou na minha opinião. Tinha na minha ideia que não passava de mais um religioso fervoso que a palavra do senhor é lei, após ler a entrevista aparenta ser uma pessoa respeitadora.

    Ao contrario do OP, não parece querer forçar as suas crenças nos filhos dos outros.

  4. Eh pah… Do artigo:

    “Ok, encantado, também gosto de muitos rapazes – gosto mais da minha
    mulher –, mas o menino sabe que gostar não tem mal nenhum. O que tem mal
    é o mau uso da sexualidade. **Nosso Senhor não nos dotou sexuados para a**
    **gente andar aí a ‘fornicar’ com rapazes e raparigas**”

    Pergunto-me o que é que este menino faz com o seu pipi então…

  5. Independentemente de gramar ou não o gajo. Sou Ateu e não gramo, o contudo da disciplina é tão subjectivo e dependente do professor que acho que a disciplina deveria ser facultativa. Reparem nem sequer há algum teste porque o conteúdo depende da ideologia/opinião /activismo do professor.

  6. Afinal as suas “lutas” existem para servir a maneira como ele vê a religião dele. Se um assunto for incómodo para as crenças dele, o filho vai se embora, como dito por ele, aconteceu a um deles em Filosofia. 🤔🤔🤔

  7. So espero que os filhos deste senhor consigam no futuro viver na mesma bolha que ele.

    Porque no fundo, quem está a perder são as crianças, que nunca vão viver outros paradigmas , outros valores, literalmente, viver com a realidade.

    Na minha altura aquelas perguntas de pessoas que vinham de famílias mais afortunadas e faziam aquelas vergonhas de perguntas:

    “Mas porque é que os teus país não tem uma casa só de férias no algarve?”

    “Mas os teus pais não têm os dois carros separados ?”

    São naturais, quando temos 10 anos. E nos estamos a aperceber em que mundo estamos, estratos sociais, e tudo mais.

    Estas crianças não estão a ser protegidas de nada. Só vai haver duas opções, ou vivem para sempre com Cristo e no seio da família, e dos poucos que os rodeiam, numa specie de redoma.

    Ou vão de cabeça contra um muro chamado Realidade. E se fizerem isso com 19/20/25 anos. Vai ser muito complicado.

  8. Parte mais importante de entrevista:

    > Por exemplo, estão nas aulas de Filosofia e a professora diz que se vai falar de x ou y conteúdo e o Rafael levanta-se e vai-se embora.

    Creio que resume a postura, aprender apenas o que à partida a família acha que se deve aprender.

  9. Por favor não alimentem os Trolls.
    O conteúdo da disciplina pode ser discutível quanto ao seu conteúdo, no entanto uma disciplina de cidadania parece-me essencial. Se olharmos para a cultura japonesa percebemos que o respeito pelo outro, a cooperação e até mesmo a vontade de não afetar negativamente o outro está muito pouco presente na nossa cultura. Basta ver o pessoal a estacionar a um passo de onde quer entrar e quem vier que se arrede e faça manobras ou ultrapasse sem visibilidade. Há na nossa cultura um egocentrismo que acaba por prejudicar todos como sociedade. Diariamente veja as mamãs e papás a deixarem os filhos à porta da escola enquanto quem vem atrás tem de esperar suas excelências saírem do carro e entrarem na escola. Se parassem 10 metros à frente sem incomodar o trânsito que certamente deixaria os meninos assados de tanto andarem…

    Quanto à parte religiosa da coisa, diria apenas que é o grosso da nossa sociedade, é natural na sociedade em que nos integramos. Eu também tive Educação Religiosa e Moral e não foi isso que me tornou mais religioso garantidamente.

    O pai dessas crianças é energúmeno que apenas está a prejudicar os filhos e como tal faz todo o sentido que as crianças fiquem à guarda da escola durante o período letivo.

    Diria que é um atestado legal a dizer “você é uma besta e queremos que os seus filhos sejam bem melhores que o pai, o que não é difícil”.

Leave a Reply