
Com eventos de seca cada vez mais frequentes no nosso país e com o Sahara ao que parece a expandir-se a passos largos para a peninsula ibérica (https://www.theguardian.com/environment/2000/dec/20/globalwarming.climatechange) , quando é que passará a ser premente a construção destas centrais de dessalinização generalizadas pela costa portuguesa (apoiadas pelas respetivas centrais eletricas “”obrigatórias (?)””)?
Teremos um Ministério da Água e Agricultura como os sauditas? Qual será o ponto de rotura para se avançar nesta direção?
Já existe uma em Porto Santo a funcionar desde 1970.
O Algarve avança a toda a velocidade (45 milhões) mas só irá garantir 10% da água do consumo da região.
– https://www.publico.pt/2022/02/17/local/noticia/central-dessalinizacao-algarve-sim-nao-concelho-1995525
– https://rr.sapo.pt/noticia/pais/2022/02/11/algarve-vai-ter-a-primeira-central-de-dessalinizacao-do-continente/272037/
– https://www.agroportal.pt/central-de-dessalinizacao-no-algarve-sim-mas-nao-no-meu-concelho/
– https://www.ambientemagazine.com/central-do-porto-santo-ao-nivel-do-state-of-the-art-da-tecnologia-de-dessalinizacao-de-agua-do-mar/
Que futuro nos espera na gestão dos recursos hidricos?
25 comments
Se funciona em Cabo Verde, porque não aqui?
Provavelmente sim, dessalinização para parte do consumo humano e reaproveitamento das águas residuais. Claro que o caso do Algarve é engraçado, tems campos de golfe e plantações de abacateiros e depois fazes uma central de dessalinização, actualizar os sistemas de rega e mudar de culturas tinha mais impacto que andar a construir centrais, mas acho que mesmo que fosse mudado íamos precisar delas mas se calhar menos.
Sem duvida.
Em conjunto com outras medidas, estas Centrais vão ser indispensáveis num futuro muito próximo.
E como o nosso pais tem uma costa extensa, seria uma idiotice não considerar este assunto.
Seria muito mais inteligente alterar comportamentos de consumo. Portugal se fizesse (talvez tivesse feito se enquadre melhor) uma gestão da água competente tinha precipitação/aquíferos mais do que suficientes em todo o território.
Será uma solução pontual e de pequena escala para ajudar. se chegarmos ao ponto q necessitamos disso para grandes necessidades, estamos bem lixados com F.
> Que futuro nos espera na gestão dos recursos hidricos?
a morte.
Claro! Com tantos golf resorts em construção ou em projecto a água para os manter tem de vir de algum lado.
Muito provável. O problema dessas centrais é:
1. Poluição: não sei como se diz em português mas em inglês é “brine”, i.e., resíduos do processo. São lançados ao mar e matam os peixes, algas, etc.
2. Elevado consumo elétrico – e se há nuvens no céu ou o vento tá calmo, as renováveis são inúteis mas a malta tem sede.
Mas de momento não existem alternativas a não ser o óbvio.
Claro que não. Água dessalinizada é 20 ou 30x mais cara.
O problema da agua e dos outros recursos e’ sempre o mesmo: ma gestao.
Que importa termos centrais de dessalinizacao se depois andamos a exagerar no consumo e temos de encontrar ainda outras solucoes?
Meh. Bebo sempre 20 euros.
Isso tem a ver com INTERESSES. Quando esse assunto interessar “monetariamente” aos donos disto tudo, eles avançam. Até lá, vão arranjando formas de esbanjar dinheiro com ideias “super boas”, que não valem um chavo a não ser encher os bolsos dos amigos.
Podiam começar por gerir melhor as barragens
Não são pois consomem bastante energia. E Portugal não é independente em termos energéticos.
Não. Mais vale fazer transvases e mais grandes barragens. O Douro tem água que dá para Portugal todo e ainda sobra
Se chegar ai vai ser o fim de Portugal, é uma opção cara, é pouco viavel em paises com pouca guita aka portugal
Se ela não cai e aumenta no mar é ir buscar onde ela está em abundância e tratá-la.
Se é caro e polui, pois então é colocar projectos nas universidades tugas e colocar os cérebros do jovens a pensar em soluções para diminuir custos e poluição.
E já agora diminuir campos de golfe e alterar culturas que chupem ao máximo a pouca água doce existente.
Parece-me lógico e razoável.
Sim, não estou a ver outra solução
A meu ver sim, é não só uma solução viável como *urgente*.
Veja-se o impacto que o Alqueva tem ao nível da viabilidade económica da agricultura na zona. Na zona do Algarve consegue-se fazer o mesmo para o interior quase maioritariamente desértico.
Não plantar abacates até à praia também parece uma boa medida para o Portugal futuramente seco.
São muito caras essas centrais e tem um custo de produção de água ainda mais caro. Melhor gerir melhor a água que temos. Procurar fugas por ruptura de tubos que chega a ser de 60%. Fazer barragens extra e gerir melhor o terreno (colectar água em montanhas), fazer rios e lagos artificiais. Vi um estudo que se fazendo 10 lagos artificiais e uma agricultura de recuperação de solos com plantação de arvores, em 20 anos o Alentejo deixaria de ter falta de água.
Não há dinheiro para operar e manter uma coisa dessas 🫤
Existem formas de dessalinizar água do mar mais economicamente, os Israelitas por exemplo têm um sistema altamente eficiente, o que fizeram foi encontrar uma área perto da costa que estava localizada abaixo da linha do mar, assim sendo utilizam a gravidade para ajudar na filtragem do sal por osmose, o que torna o processo muito mais rentável, depois distribuem a água por todo o pais, e já partilham com os vizinhos como por exemplo a Jordânia. Em Portugal lamentavelmente acho que não temos nenhum formação geológica em que isso seja possível, mas temos outra coisa, no norte de Portugal e Espanha chove muito mais que no sul, seria mais económico transportar a água do norte para o sul, é que no Norte de Portugal chove realmente muito mais do que é necessário.
Só para para por esta malta a pensar…
80% da água é consumida na irrigação agricola.
9% é consumo urbano
​
Portanto façam lá as contas ao quanto irão poupar de àgua se fecharem os vossos contadores de àgua. Resolve o problema ? nope. Resolve assim-assim ? nope. Resolve alguma coisa ? Resolve apenas 9% do problema.
Sei é que é mais facil andar sempre a martirizar a cabeça do cidadão, do que pensar no problema e andar atrás dos tipos de peso para se resolver algo de forma estrutural.
A nossa agricultura é brutalmente inficiente no que toca ao uso de àgua. Ainda há dias passei pelo Fundão e estavam dezenas de sistemas de aspersores a irrigar campos com vários hectares de milho durante a tarde em pleno pico de calor (acima dos 42º).
A dessalinização (por osmose inversa) é uma tecnologia já muito antiga e extremamente ineficiente. Apenas deve ser usada para produzir água para consumo humano e em último caso.
A meu ver não faz qualquer sentido instalar centrais de dessalinização em Portugal Continental. Temos reservas suficientes para sustentar a nossa população.
O problema aqui são actividades que devem ser adaptadas ao contexto das alterações climáticas, nomeadamente certo tipo de agricultura e campos de golf. Construir centrais dessalinizadoras para que os campos de golf e e as cultivo de espécies inadequadas ao nosso clima possam continuar a utilizar a água de aquíferos e de albufeiras é um disparate, mas não me admira nada que algum dia isso venha a ser feito, porque não há coragem política para mudar a cultura de desperdício destas actividades.
Existem outros factores em causa. A transição energética dos automóveis, vai fazer com que daqui a 20 anos a nossa rede tenha de fornecer muito mais energia para sustentar todos estes carros eléctricos a carregar todos os dias. Ainda vamos somar mais a existência de centrais dessalinizadoras à equação? E com as secas cada vez mais extremas, vamos começar a produzir menos energia a partir de centrais hidroelectricas.
Trabalhei 10 anos em gestão de recursos hídricos. Participei em alguns estudos (Planos de Gestão de Bacias Hidrográficas) com o objectivo de fazer a gestão dos nossos recursos. Não tenho dúvida nenhuma que a osmose inversa não é a solução. As nossas entidades gestoras de água ainda têm perdas de água muito significativas. Algumas têm tarifários quase criminosos em que incentivam o desperdício.
Resumidamente:
– Osmose Inversa não é solução. Os países do golfo que o fazem basicamente têm petróleo “grátis” (e como tudo o que possa significar a queima destes combustíveis para as alterações climáticas)
– Deve ser feito um plano nacional para reduzir o desperdício. As entidades gestoras que não o fizeram devem ser multadas.
– A agricultura deve-se adaptar à nova realidade, assim como os campos de golf.
– A gestão danosa da nossa floresta também pode potenciar a desertificação e a seca. Que existisse alguma coragem política para reduzir significativamente a plantação de eucaliptos.
– Ainda não estou totalmente convencido que vá ser possível uma transição energética sustentável sem avançar para a energia nuclear. Esta questão energética é indissociável da gestão dos recursos hídricos, principalmente se a hipótese da dessalinização estiver em cima da mesa.
Na zona da Almeria têm centrais de dessalinização a regar os hortícolas produzidos nas estufas, [Dessaladora Campo Dalias](https://www.veolia.com/latamib/es/casos-estudio/desaladora-campo-dalias).