Mobilidade em Portugal: Porque é que os portugueses não andam muito de mota?

41 comments
  1. Fazer 400 km de mota não é desconfortável? …dores de costas, de braços, etc. Qualquer que seja a mota?

  2. Sou do tempo em que se acordava de manhã com dezenas de Zundapps e Sachs na hora de ir trabalhar. Toda a gente andava de mota sem problemas.

    Hoje vê-se muito pouca gente a não ser em Lisboa.

    Só se fala em mobilidade, preços de combustível e rede de transportes ineficaz. No entanto, quando vamos a outros países, as motas estão presentes em números astronómicos. Paris, Madrid, Barcelona, Roma, Milão etc…

    Comprei uma 125cc para as minhas deslocações diárias e os consumos são abismais. 1.7 aos 100 em estradas nacionais e municipais sem grande para arranca.

    25 euros no início do mês e fiz hoje 400km e ainda tenho mais 2 pauzinhos.

    Sei que isso não é solução para muita gente mas para dezenas de milhares seria uma solução perfeitamente viável e benéfica em toda a linha.

    Se gastar por alto 35 euros por mês em gasolina são 420 em combustível para o ano todo. 120 do seguro e meto uns 100 euros para revisão e peças consumíveis. Ou seja, por 640 euros tenho transporte resolvido em 90% dos dias. Só não é 100% porque vivo no Minho e quando chove é a sério e aí pego no carro velho {de 1986) para ir trabalhar.

    A nível ambiental é uma enorme melhoria em relação ao meu diesel. Em termos de parqueamento nem falo. Acabou o trânsito. O preço do combustível passa-me ao lado totalmente. Não quero saber de postos de carregamento Eléctrico. Com o que poupo pago as espessas da mota e o seguro e selo do carro.

    A mota paga-se a si mesmo. Dá perfeitamente para curta viagens a 2 e para longos passeios sozinho. Se fosse para cilindrada superior o consumo subia exponencialmente assim como seguro e outros custos.

    Já fiz com que 3 amigos e familiares meus comprassem uma mota e andam satisfeitos. Porque é que não se vêem mais pessoas a enveredar por esta solução? Parece que para muitos portugueses andar de carro ainda é status social e que voltar às motas retrocesso ao tempo dos avós.

    Abram os olhos se for possível. Já o fiz e não tenho saudades nenhumas de andar de carro.

  3. Era algo que gostava de experimentar e provavelmente ajudaria a diliur mais o trânsito e diminuir a poluição, o problema é mesmo a questão da chuva e o espaço disponível para trazer 1 mochila mais cheia ou umas compras mais volumosas ou simplesmente algo com um formato pouco adaptável às caixas de armazenamento.

  4. Andei vários anos de mota, era inclusive o meu único meio de transporte.

    A quantidade de condutores distraídos e ao telemóvel na estrada fez-me deixar de o fazer.

    Sempre usei e apliquei o mantra “conduz como se te quisessem matar”, e sou capaz de me ter livrado de uns quantos acidentes assim. Mas acaba por ser esgotante estar atento de tal maneira que acabei por vender e voltar para carro.

    Tenho muitas saudades de me livrar do trânsito e da liberdade geral que mota proporciona, mas já são tempos passados.

  5. Na minha opinião, acho que se todos nos trocássemos o carro por uma mota em Portugal, iriamos parecer Índia v2.0

  6. Basta veres o ratio entre feridos e mortos em acidentes de mota vs carro.
    Por muitos argumentos que queiras usar, há malta que escolhe salvaguardar a integridade física.
    Qualquer motociclista sabe os riscos que corre e todos nós sabemos que o carro é 100 vezes mais seguro. Bates a 50 com um carro, e ficas intacto. Bates a 40km/h de mota, cais e não te livras de no mínimo ficares com uns arranhões ou queimaduras.
    Isto se caíres bem, porque se caíres mal podes correr o risco de ficar preso a uma cadeira de rodas.
    A margem de erro numa mota é praticamente nula. É que já nem falo de pessoal distraído ao telemóvel, ou gajos que não cumprem as regras básicas do trânsito. Podes muito bem apanhar um animal na estrada e teres de te desviar (ou bater contra ele), óleo na via nas primeiras chuvas de Outono ou até simplesmente furar um pneu.

  7. Porque “chove”.

    Ando há 23 anos de mota. A última vez que tive um carro foi em 2017, que vendi porque estava branco de um lado e verde do outro por estar estacionado no mesmo sítio meses seguidos.
    Quando as pessoas me perguntam … “Como é que fazes no inverno?” ….”então e a chuva?”. Eu já nem me dou ao trabalho de responder porque a maioria das pessoas não compreende a ideia de abrir mão do conforto em nome poupança, rapidez e redução de pegada ecológica.

  8. Andei vários anos de moto numa altura em que morava em Almada e trabalhava no centro de Lisboa, com horário 9/18.
    Os inconvenientes eram mínimos porque fazia relativamente poucos km e estava perto de casa.
    No entanto passei a trabalhar fora de lx, a 40km de casa. Dia após dia o cansaço acumulava, as manutenções tornavam-se mais frequentes e a logística de todos os percursos extras trajeto casa-trabalho-casa tornavam se agora mesmo inconvenientes.
    Coisas que com um carro nem são (pelo menos para mim) sequer uma preocupação, eram então algo que tinha de ter sempre em mente: saber se tinha gota para fazer o trajeto no dia seguinte (depósito para 200km vs 700km). Poder andar sempre com equipamento sem significar cansaço adicional (coisas de praia por ex). Poder ir apanhar a minha mulher e filhos no caminho ou um dos meus pais/avós que têm mobilidade reduzida. E estas são as coisas que me lembro “de cabeça”.

    Edit: lembrei me agora de mais um cenário em que carro era alto no brainer enquanto de moto…
    Certo dia passei no Leroy para comprar qqr coisa. N me lembro ao certo mas cabia na mochila que levava sempre. Uma vez lá , lembrei me que a Maria tinha pedido que quando pudesse para trazer um vaso de lá. Se tivesse ido de carro não seria problema. Assim, obrigou me a fazer nova visita.
    Depois, como investi tempo no desvio, compensava levar jantar feito. E levo o jantar onde? É claro que pode se argumentar que podia ter uma mala, podia levar agarrado ao braço …(epá não…) Ou levar a refeição quente entre as pernas (yikes).. impossível não é, mas em qualquer carro era só atirar para o banco do lado.

  9. Não de mota porque de momento está a necessitar de um arranjo.
    Como não tenho €€ nem luzes de mecânica vai ter que continuar encostada, infelizmente..

  10. Sou cirurgião de uma especialidade com trauma e a quantidade de gente que vejo mutilada por acidente de mota tira-me a vontade.

    Compreendo as vantagens, gosto e sei andar, mas é um risco que preferia não correr.

  11. Feliz proprietário de uma pcx, média de 1,9/2,0 L/100 km. Que diferença enorme em custos de combustível e manutenções, já para não falar no tempo poupado em filas de trânsito!

  12. Comprei mota em 2018 para ir trabalhar todos os dias para o Porto. Melhor decisão que poderia ter feito, já estava farto de andar nos transportes públicos. Apesar de não ser uma 125 era uma mota bastante equilibrada (MT07). Já fiz viagens (férias) de vários dias com ela e apesar de agora trabalhar a partir de casa ainda a uso quando me tenho que deslocar ao Porto, nada melhor para fugir ao transito e para estacionar. Tenho também 2 carros (um classico e um de 2000), vou eventualmente vender o carro de 2000 porque raramento o uso, apesa de achar que dá jeito para determinadas ocasiões, pois o custo anual é 200€ de seguro, 25€ de manutenção (sou eu que a faço) e 50€ de selo. O resto é só gasolina e pneus.

    Tenho visto cada vez mais (antes da pandemia) pessoal a usar scooter na cidade, mas o que noto é que o transito está cada vez pior, e não vejo isto a melhorar.

  13. Ter uma Mota é muito giro, economia e mobilidade, entretanto, basta tirar a carta de automóvel que a malta esquece de dar seta, aí está o perigo.

  14. Por acaso fui ver a estatistica de quantos pessoas morrem em acidentes rodoviários, em termos de veiculos ligeiros, pesados, motociclos, bicicletas ou pedestres. As percentagens não são assim tão diferentes entre acidentes com feridos ligeiros, graves ou mortos.J

    Não estou a conseguir encontrar o estudo que tinha esses dados, acho que era da ASNR, mas noutro que eles fizeram, em 2010, mostrava que “2/3 dos condutores vítimas resultam de
    despistes e colisões laterais e frontais (64% mortos, 70% feridos graves e 67% feridos
    ligeiros)”. Tendo em conta que o maior número de vítimas é em despistes…

    Conclusão a tirar? Provávelmente falta de consciência, como maior parte dos condutores têm, independentemente de quantas rodas o veiculo tem.

    Resolução? Não existe, o zé povinho é atrasado mental e acha que quando come multas por tar a fazer merda é caça à multa…

  15. Porque somos um povo comodista (e contra mim falo).
    Muita gente faz deslocações de menos de 2,5km de veículo a motor.
    Transporte público (onde o há) é para os putos e reformados.
    Sempre que uma câmara faz uma ciclovia há um retorno muito vocal de malta contra.
    Andamos há 40 anos a fazer um país para carros.

  16. Gostava de ter a versão eléctrica de uma 125cc, mas a quantidade de animais do volante que apanhava quando andava de bicicleta deixa-me demasiado apreensiva. Demasiadas ultrapassagens a 5 cm do guiador.

  17. Há duas sextas feiras passadas fiz a A5 e ponte, Restelo até Caparica pela primeira vez e não tem conta a quantidade de carros que ultrapassei maioritariamente a desrespeitar as regras do trânsito ultrapassando no meio dos carros parados. Mas tinha colegas a fazer o mesmo trajecto que demoraram 45 min a 1h um trajecto que fiz em 20 mins (hora de ponta).

    Só tenho pena da minha mota atual consumir bastante mais que a minha 125 mas mesmo assim se andar sem abusar consome menos que muitos carros.

  18. Tenho de andar todos os dias com o meu filho e nao sou nada negligente no que toca á integridade física dele. Eu bem queria mas não dá

  19. Bom consumo! Tenho uma nmax 125 e nunca consegui fazer menos do que 2,6L/100km. 80% cidade e resto vias rápidas.

  20. Eu ando, 60km por dia a ir e vir do trabalho. Custa-me tipo 2.5€ em gasolina e as viagens passaram.a ser agradáveis.

  21. Depois de 3 acidentes e ter ganho medo a andar de mota…não recomendo a maiores de 18 anos que podem tirar a carta.

  22. Uma quantidade absurda de condutores portugueses têm uma condução agressiva, ou estão a conduzir distraídos, ou no telemóvel. E para não falar que pior que não usar sinalização, é usar a sinalização incorretamente. Já ia tendo um acidente numa rotunda por conta de meterem o pisca errado.

  23. No meu específico caso não ando por três razões principais:
    1. Nunca gostei muito de motas, apesar de achar divertido andar
    2. A mota é muito mais perigosa do que o carro (para o condutor, claro)
    3. Vi alguns amigos/conhecidos a morrer ou a ficarem verdadeiramente incapacitados e isso sempre me afastou das mesmas.

    Uso a bicicleta quando não tenho de transportar nada de especial.
    Não gosto muito de generalizações, mas pelo que vejo, a maioria do pessoal que anda de mota cumpre ainda menos as regras de trânsito do que quem anda de carro.
    Amantes de motas, não me batam ainda, mas pelo que veem na estrada, vejam se não é muito frequente ver o seguinte:
    – Há muito mais gente em excesso de velocidade e a velocidade acima do limite é maior (rácio = quantidade de veículos/infrações)
    – A cena de andar na faixa “invisível” (aka pisar a linha) é tão frequente que me tira do sério.
    Por que raio é que temos de arriscar riscar o carro ou bater noutros carros porque temos de deixar passar o gajo da mota que está com pressa e se esqueceu que tem de andar dentro da faixa como todos os outros? Ainda há dias levei com um gajo que ia atrás de mim e que quando chegou à traseira do meu carro, apitou porque queria que eu me desviasse, numa estrada estreita e com o trânsito praticamente parado dos dois lados. O gajo apitou, acelerou ruidosamente e fez tudo o que pode até se enfiar por um espaço para passar, pisando a linha contínua (era igual ser contínua ou não) e fazendo um pirete, como se houvesse uma lei para que tivéssemos de fazer tudo para facilitar a passagem das motas.
    Isto acontece vezes demais e eu até facilito quando tenho espaço, mas se não tiver muito espaço não vou arriscar ter um acidente, ainda que pequeno, para o sr. da mota passar.
    Esta é, de longe, a característica mais comum em quem anda de mota que me chateia.

    Não incluí os gajos da Glovo/Uber Eats/Telepizza e afins na minha opinião sobre o tema.
    No fundo é isto, há muita falta de civismo das pessoas em geral, agora imaginem o que é andar de bicicleta.

  24. Sou condutor ultra-defensivo, nunca tive acidente ou sequer uma multa, mas como corro o IC19 todos os dias sei da relação que os portugueses têm com o automóvel. Eu até preferia ter mota, só a poupança em termos de seguros, inspeção e manutenção mais do que justificava, mas em segurança não é a mesma coisa

  25. Gosto de as ver, mas como ex praticante de downhill sei o quanto doi cair de um veículo de 2 rodas a certas velocidades e tenho uma certa aversão a dor e de estar em hospitais.
    Para mim são fixes mas nas mãos de outros.

  26. O carro é basicamente uma caixa de segurança. Mesmo devagar ou com cuidado quando um acidente acontece pode mudar toda a vida, não é algo para mim que o risco compense.

Leave a Reply