A cozinha portuguesa está condenada

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  1. a cozinha tradicional não é imutável, ela vai-se alterando à medida dos tempos. Olha para o tempura dos japoneses… aquilo é tradicional agora, mas enquanto não chegaram lá os tugas, não havia nada disso. As batatas só apareceram bem depois das descobertas (vieram do Peru), as laranjas que só vieram com os árabes, etc…

  2. O Alentejo já tem uns bons anos e é um franchise que pega precisamente nesta ideia. Infelizmente não tem muita variedade… E também dava jeito que estivesse fora de centros comerciais

  3. até o Sá Pessoa já veio dizer que tem de mudar as receitas tradicionais para os turistas não se agoniarem, por isso é só deixar de ir aos restaurantes dos chefinhos-da-moda-gourmete-very-traditional-engodo-para-turista para descondenar a cozinha portugaleza.

  4. Eu tenho um bom livro de receitas (feito por mim ao longo dos anos) com receitas sobretudo portuguesas que gosto, e que quero transmitir aos meus filhos.

    Qualquer uma delas é melhor do que 99% dos pratos que tenho comido em restaurantes nos últimos tempos, onde só vou por conveniência. Quem quer comer bem tem que aprender a cozinhar, senão está sujeito e condicionado ao que os outros fazem.

    Esta crónica vê se mesmo que foi escrita em Lisboa. Se o autor quer comida portuguesa, tem de ir a sitios onde hajam portugueses, o que cada vez é menos o caso de Lisboa. E tem de pagar menos, porque se vai a restaurantes que cobram 60€ por prato o menos que vai lá haver é portugueses, é só estrangeirada, que obviamente não vai gostar de iscas, nem pescada com grelos.

    Mas se o autor for a outra terra qualquer, e entrar num restaurante que tenha pratos a 20€, vai ver que o que não falta é comida tradicional portuguesa.

  5. Este gajo até tem razão mas nem sabe porquê e explica-se muito mal.

    O problema está não na introdução de influências do mundo na nossa cozinha, o que sempre aconteceu — de onde vem a canela que povilha no pastel de nata? — mas numa certa uniformização da gastronomia mundial em detrimento das tradições regionais.

    Isto quando paradoxalmente tem melhorado a qualidade dos restaurantes e abundam cozinheiros capazes de confecções elaboradas.

    Existe de facto um empobrecimento cultural com a perda do saber e dos negócios tradicionais.

    Dito isto o colunista é um labrego incapaz de apreciar a experiência num restaurante de alta gastronomia por aquilo que é, sem falar da digressão sobre as “donas de casa”.

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