não há mta surpresa aí quando a profissão de investigador é na prática um bolseiro que até há pouco tempo nem fazia descontos.
Para quê? Mais vale nem gastar um cêntimo, não existe indústria em Portugal para absorver essa investigação e converter em riqueza.
Per capita!? Mas que raio. Sendo os custos por país distintos, não traz nem grande novidade nem grande informação. Quero é saber em percentagem do PIB(ou do orçamento global).
Formar um doutorado custa, aos cofres do Estado, algumas dezenas de milhares de euros, dependendo da área.
Depois de se doutorar, a esmagadora maioria dos formados enfrenta três problemas:
1) A populaça – “então mas isso serve-te para quê” e a quem não é possível explicar que talvez não exista valor imediato naquela investigação, mas que as competências em pensamento crítico, autonomia, capacidade de decisão e raciocínio científico são altamente transacionáveis em mercados qualificados.
2) Os empregadores que não os querem ver à frente, porque começam logo a pensar que teriam de pagar um premium por competências “que não vão usar” – desconhecendo na verdade as competências que poderiam usar.
3) O Estado português, que estourou a guita no doutorado, acenou-lhe com a cenoura de que ele também iria fazer parte da Academia, mas que depois nem sequer contrata doutorados fora do sistema de ensino superior. Dinheiro deitado à rua.
Isto não invalida que, o que se passa em muitas faculdades de ciências sociais ao nível de mestrados e doutoramentos não seja uma vergonha. Mas é preciso perceber que o problema não está na área, o problema está nos grupos de influência que tomaram conta dessas escolas e onde simplesmente ninguém faz ciência. Fazem outras coisas, mas não ciência. Fazem muitos questionários e entrevistas estruturadas com pessoas que conhecem e concordam com os temas que estão a investigar, mas não fazem ciência. Apresentam muita coisa em muitas conferências, mas não é ciência.
São os meus 500… haverá quem discorde.
Enquanto não olharem a sério para o sistema universitário nem vale a pena.
Há muitos bons investigadores, mas o sistema não funciona a favor da investigação. Também não há valorização dos doutorados pelas empresas. Estamos num país que acha que experiência vale por um doutoramento.
Eu conheço uma pessoa que é investigadora em Portugal e a vida dela é um stress tremendo. Nunca sabe se vai ter bolsas e trabalha que nem um cão para ganhar 2 trocos. Ela só faz aquilo mesmo por amor.
O marido dela, que trabalha em TI e tem um emprego “normal” tem uma vida muito melhor e mais desafogada do que ela. Investigação em Portugal não vale a pena.
A razão é simples, o retorno do investimento em investigação demora tempo, exige visão e planeamento a longo prazo e não é vistoso para ganhar votos. Isto não se coaduna com um país onde se pensa eleição a eleição e não o mínimo de fluidez em termos de política de governo para governo (mesmo quando são do mesmo partido e com maioria).
Junte-se a isso uma mentalidade generalizada que “isso não serve pra nada” e uma fuga enorme de capital humano ( as anteriores razões criam o clima perfeito para que isso suceda) e temos o estado actual das coisas.
Os outros que o façam por nós 😀
Como assim? Ainda agora a FCT fez uma flashmob no aniversário dos 25 anos, se isso não é investir em ciência não sei o que será.
10 comments
não há mta surpresa aí quando a profissão de investigador é na prática um bolseiro que até há pouco tempo nem fazia descontos.
Para quê? Mais vale nem gastar um cêntimo, não existe indústria em Portugal para absorver essa investigação e converter em riqueza.
Per capita!? Mas que raio. Sendo os custos por país distintos, não traz nem grande novidade nem grande informação. Quero é saber em percentagem do PIB(ou do orçamento global).
Formar um doutorado custa, aos cofres do Estado, algumas dezenas de milhares de euros, dependendo da área.
Depois de se doutorar, a esmagadora maioria dos formados enfrenta três problemas:
1) A populaça – “então mas isso serve-te para quê” e a quem não é possível explicar que talvez não exista valor imediato naquela investigação, mas que as competências em pensamento crítico, autonomia, capacidade de decisão e raciocínio científico são altamente transacionáveis em mercados qualificados.
2) Os empregadores que não os querem ver à frente, porque começam logo a pensar que teriam de pagar um premium por competências “que não vão usar” – desconhecendo na verdade as competências que poderiam usar.
3) O Estado português, que estourou a guita no doutorado, acenou-lhe com a cenoura de que ele também iria fazer parte da Academia, mas que depois nem sequer contrata doutorados fora do sistema de ensino superior. Dinheiro deitado à rua.
Isto não invalida que, o que se passa em muitas faculdades de ciências sociais ao nível de mestrados e doutoramentos não seja uma vergonha. Mas é preciso perceber que o problema não está na área, o problema está nos grupos de influência que tomaram conta dessas escolas e onde simplesmente ninguém faz ciência. Fazem outras coisas, mas não ciência. Fazem muitos questionários e entrevistas estruturadas com pessoas que conhecem e concordam com os temas que estão a investigar, mas não fazem ciência. Apresentam muita coisa em muitas conferências, mas não é ciência.
São os meus 500… haverá quem discorde.
Enquanto não olharem a sério para o sistema universitário nem vale a pena.
Há muitos bons investigadores, mas o sistema não funciona a favor da investigação. Também não há valorização dos doutorados pelas empresas. Estamos num país que acha que experiência vale por um doutoramento.
Eu conheço uma pessoa que é investigadora em Portugal e a vida dela é um stress tremendo. Nunca sabe se vai ter bolsas e trabalha que nem um cão para ganhar 2 trocos. Ela só faz aquilo mesmo por amor.
O marido dela, que trabalha em TI e tem um emprego “normal” tem uma vida muito melhor e mais desafogada do que ela. Investigação em Portugal não vale a pena.
A razão é simples, o retorno do investimento em investigação demora tempo, exige visão e planeamento a longo prazo e não é vistoso para ganhar votos. Isto não se coaduna com um país onde se pensa eleição a eleição e não o mínimo de fluidez em termos de política de governo para governo (mesmo quando são do mesmo partido e com maioria).
Junte-se a isso uma mentalidade generalizada que “isso não serve pra nada” e uma fuga enorme de capital humano ( as anteriores razões criam o clima perfeito para que isso suceda) e temos o estado actual das coisas.
Os outros que o façam por nós 😀
Como assim? Ainda agora a FCT fez uma flashmob no aniversário dos 25 anos, se isso não é investir em ciência não sei o que será.
Mas é do que mais taxa os seus cidadãos.
Estou chocado, surpreendido e pasmado. /s